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Com base na obra “Necropolítica”, de Achille Mbembe, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Na esteira do pensamento foucaultiano, o racismo opera na economia do biopoder como uma tecnologia estruturante que regula a distribuição da morte. Essa mecânica estabelece uma cesura biológica no interior da população, constituindo-se como a condição precípua para a aceitabilidade do direito de “fazer morrer” pelo Estado.
( ) A escravização nas plantations é considerada pelo autor uma das primeiras instâncias da experimentação biopolítica, refletindo a figura paradoxal do estado de exceção. Nessa estrutura político-jurídica, embora o escravizado sofresse a perda de direitos sobre seu corpo e de seu lar, a fazenda operava como uma comunidade onde a vida biológica era preservada por seu valor comercial, o que, para Mbembe, mitigava a condição de dominação absoluta e obstava a caracterização da chamada “morte social”.
( ) Na era da mobilidade global, a soberania e o exercício do direito de matar permanecem como monopólios incontestes dos Estados territoriais. O advento das chamadas “máquinas de guerra” reforça esse monopólio, pois tais organizações atuam estritamente como exércitos regulares subordinados à ordem estatal para a “gestão de multidões”.
( ) A ocupação colonial tardo-moderna, exemplificada pelo caso palestino, caracteriza-se por uma concatenação de poderes disciplinar, biopolítico e necropolítico. Nela, consolida-se uma “soberania vertical”, em que o espaço aéreo e o subsolo são convertidos em zonas de conflito e controle indissociáveis da fragmentação territorial.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
V – V – F – F.
V – F – F – V.
F – V – V – F.
F – F – V – V.
No pensamento de Michel Foucault, o poder não se exerce apenas por meio da repressão direta ou da coerção jurídica, mas também através de dispositivos discursivos, institucionais e simbólicos que organizam a produção dos saberes e a constituição das subjetividades. Ao analisar instituições como prisões, hospitais e escolas, bem como práticas científicas e médicas, Foucault demonstra como determinadas formas de exposição, vigilância e ocultamento estruturam as relações de poder, definindo o que pode ser percebido, reconhecido e legitimado em cada contexto histórico.
À luz dessa abordagem, o conceito que expressa a articulação entre poder, saber e essas formas de organização do perceptível no pensamento foucaultiano é o(a):
biopolítica.
disciplina dos corpos.
regimes de visibilidade.
arqueologia do saber.
governamentalidade.
Leia o fragmento de texto abaixo:
"A modernidade engendrou uma transformação fundamental na experiência temporal. Enquanto sociedades tradicionais organizavam-se através de temporalidades cíclicas vinculadas a ritmos naturais e cosmológicos, a sociedade moderna instituiu o tempo linear, abstrato e mensurável. O relógio mecânico não foi apenas instrumento técnico, mas dispositivo disciplinar que sincronizou corpos, regulou trabalho e fragmentou experiência cotidiana em unidades homogêneas e intercambiáveis. Essa racionalização temporal produziu simultaneamente eficiência produtiva e alienação, convertendo tempo vivido em mercadoria."
A partir da leitura do fragmento, é correto inferir que o autor:
adota perspectiva funcionalista, enfatizando como a padronização temporal contribui para integração social e coordenação de atividades coletivas necessárias à complexidade das sociedades modernas.
defende tese weberiana sobre desencantamento do mundo, argumentando que racionalização temporal eliminou dimensões mágicas e sagradas, substituindo-as por cálculo racional instrumental.
articula análise inspirada em perspectivas marxistas e foucaultianas, identificando dimensões disciplinares e mercantis na racionalização do tempo, evidenciando contradições entre progresso técnico e experiência vivida.
expressa nostalgia conservadora por temporalidades pré-modernas, rejeitando modernização como processo negativo que destruiu autenticidade comunitária e harmonia com natureza.
aplica teoria durkheimiana de solidariedade orgânica, mostrando como diferenciação temporal entre trabalho e lazer fortalece coesão social através de complementaridade funcional.
Observe os excertos a seguir:
“O poder disciplinar é um poder que, em vez de retirar e apropriar-se, tem como função maior ‘treinar’; ou, sem dúvida, usar em vez de apropriar-se; intensificar em vez de dividir.” (...). O Panóptico é uma máquina maravilhosa que, qualquer que seja a utilização que lhe dermos, produz homogeneização social e não individualização; que regulariza e não assemelha. (...). O poder punitivo deve ser essencialmente corretivo, terapêutico, normalizador; quando muito, deve excluir, de maneira indireta, ou afastar do corpo social para reformar o indivíduo.”
Foucault, Michel. Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. Petrópolis: Vozes, 2014, pp. 33-36.
O filósofo Michel Foucault é reconhecido mundialmente, entre outras razões, por ter reconfigurado a compreensão da relação entre violência e poder, mostrando que o poder é onipresente, multifacetado e intimamente ligado ao conhecimento e às práticas sociais cotidianas. Tendo em vista as principais características dessa compreensão do poder, é correto afirmar:
O poder é absoluto e, portanto, incontestável. Onde há poder, não há possibilidades de resistência pelos indivíduos.
Os métodos punitivos e a emergência da prisão são a forma central de punição em uma era marcada pela transição de uma justiça baseada na violência física para técnicas de classificação, controle e disciplina dos corpos dos indivíduos.
A sociedade moderna é caracterizada por mecanismos de vigilância que induzem os indivíduos a resistir às normas e aos mecanismos de autocensura.
Para Foucault, saber e poder estão intrinsecamente ligados. O poder produz o conhecimento que impulsiona os indivíduos a desafiarem o poder.
O poder é uma força concentrada no Estado que se manifesta, sobretudo, por meio da repressão policial e do aprisionamento em massa dos indivíduos cujos comportamentos são considerados “desviantes”.
Em seu estudo sobre poder e sociedade, Michel Foucault examina como as instituições exercem controle sobre os indivíduos não apenas por meio de coerção direta, mas também por mecanismos sutis de vigilância e disciplina, que moldam comportamentos e produzem subjetividades. Foucault argumenta que, em vez de um poder centralizado e evidente, o poder moderno é disseminado e se manifesta em práticas cotidianas, como as normas e os procedimentos aplicados em instituições como escolas, prisões, hospitais e fábricas. Com base no pensamento de Foucault, analise a situação hipotética a seguir:
Em uma escola moderna, câmeras de segurança monitoram todos os corredores, e os alunos sabem que estão constantemente sendo observados. Além disso, a instituição adota um sistema de pontuação que premia o comportamento adequado e registra as infrações, afetando a avaliação dos alunos ao longo do ano. Essa prática tem como objetivo incentivar a disciplina e o bom comportamento. Os alunos, cientes das regras e da vigilância constante, passam a regular suas próprias ações para se ajustarem às expectativas da escola, mesmo quando não estão sendo observados diretamente.
Diante do exposto e de acordo com o pensamento de Foucault sobre poder e vigilância, assinale a afirmativa correta.
Para Foucault, esse sistema de vigilância é um exemplo do poder soberano, pois é imposto pela instituição e limita a liberdade dos alunos diretamente.
Segundo Foucault, a vigilância na escola é uma forma de poder repressivo que se assemelha ao poder de coerção usado nas sociedades antigas, onde a autoridade era exercida pela força.
Foucault consideraria que o poder exercido pela escola é temporário e superficial, pois os alunos apenas modificam seu comportamento na presença de autoridades, sem internalizar as normas.
Foucault argumentaria que a vigilância constante e o sistema de pontuação geram um efeito de autodisciplina nos alunos, que passam a internalizar as normas da escola e a regular seu próprio comportamento, ilustrando o conceito de poder disciplinar.


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Michel Foucault, em seu curso no Collège de France de 1972-1973, intitulado A Sociedade punitiva, mais precisamente na aula de 21 de fevereiro de 1973, sintetiza aquilo a que chama “sociedade punitiva”, como sendo uma sociedade na qual o aparato judiciário desempenharia as seguintes funções:
corretivas e penitenciárias.
vingativas e dissipadoras.
arbitrárias e dissipadoras.
corretivas e arbitrárias.
vingativas e penitenciárias.
Achille Mbembe (2016) tem analisado o conceito foucaultiano de biopoder e explorado sua relação com as noções de soberania e estado de exceção. Qual conceito o autor formula para designar as formas contemporâneas de subjugação?
Necropolítica.
Distinção.
Perspectivismo.
Epistemicídio.
Violência simbólica.
Em sua obra Vigiar e punir, Michel Foucault
analisa a história da loucura e dos manicômios.
justifica, na descrição do suplício como resposta a um ato criminoso, as penas corporais como resposta às vítimas.
explica que, na chamada punição analógica, o que se espera é a retribuição do crime pela simetria da vingança.
defende que a prisão é um espaço onde, irracionalmente, se limitam os corpos com função inócua para a sociedade capitalista.
sugere que a prisão se consolidou socialmente como um mal necessário.
A obra “Vigiar e Punir: o nascimento da prisão”, de caráter sociológico, filosófico e histórico, aborda o papel das práticas punitivas na criação de instituições modernas, em especial as escolas, hospitais e prisões. Michel Foucault (2014) reflete sobre o modelo arquitetônico dessas instituições, inicialmente consistindo em uma torre central com células dispostas em anel ao redor dela. Qual conceito ele utiliza para designar essa disposição estrutural específica?
Biopoder.
Cárcere.
Sociedade de Controle.
Aprisionamento.
Panoptismo.
Para analisar e criticar as relações de poder, não podemos atribuir-lhes uma qualificação pejorativa ou laudatória global, definitiva e unilateral. Pois elas funcionam em termos de jogos, com táticas e estratégias, mediante a norma e pelo acaso. Caracterizam fenômenos difusos e descentralizados, mais do que as batalhas a respeito das coerções estatais. Quando analisamos as relações de poder, estamos às voltas com um poliedro de inteligibilidade, no qual o número das faces não está definido previamente e não pode jamais ser considerado encerrado de pleno direito.
-
FOUCAULT, M. Ética, sexualidade e política.
RJ: Forense Universitária, 2004, p. 45-55.
-
Com base no trecho, pode-se dizer que as relações de poder
expressam a dinâmica de dominação de classes.
mostram o caráter multifacetado do fenômeno do poder.
evidenciam a preeminência do monopólio legal da força.
demonstram a racionalidade da política e das instituições.
contribuem para definir moralmente o bem e o mal.


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Por dominação eu não entendo o fato de uma dominação global de um sobre os outros, ou de um grupo sobre outro, mas as múltiplas formas de dominação que podem se exercer na sociedade. Portanto, não o rei em sua posição central, mas os súditos em suas relações recíprocas: não a soberania em seu edifício único, mas as múltiplas sujeições que existem e funcionam no interior do corpo social.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979, p. 181.
Considerando esse fragmento de texto, a descrição feita por Michel Foucault refere-se
a uma crítica dos mecanismos de controle social e de punição presentes nas instituições controladas pelo Estado, tais como a prisão e a escola.
a uma análise genealógica do modelo prisional proposto por Jeremy Bentham e amplamente difundido na Europa do século 19.
a uma genealogia dos mecanismos de controle social, que podem ser exercidos pela indústria cultural nas sociedades de massa.
ao exercício dos micropoderes que se encontram disseminados em uma rede de instituições disciplinares exercidas pelos mais diversos indivíduos.
aos métodos de vigilância e de repressão exercidos pelos sistemas totalitários do século 20.
"Não há relações de poder sem a constituição correlata de um campo de saber, nem há saber que não suponha e constitua, ao mesmo tempo, relações de poder... Portanto, essas relações de "poder-saber" não devem ser analisadas a partir de um sujeito de conhecimento, que seria livre ou não em relação ao sistema de poder; ao contrário, é preciso considerar que o sujeito que conhece, os objetos a conhecer e as modalidades de conhecimento são, de fato, efeitos dessas implicações fundamentais do poder-saber e de suas transformações históricas. “Michel Foucault. Sendo assim é correto afirmar que, assinale a alternativa correta:
Explicitou-se a noção de que as formas de pensamento são também relações de poder, que implicam a coerção e imposição.
Negou-se a noção de que as formas de pensamento são também relações de poder, que implicam a coerção e imposição.
Explicitou-se a noção de que as formas de pensamento não são relações de poder e que não implicam a coerção e imposição.
Ocultou-se a noção de que as formas de pensamento implicam a coerção e imposição.
Afirmou que as formas de pensamento são isentas de relação de poder.
Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta.
Um dos pensadores mais influentes da filosofia contemporânea foi o francês Michel Foucault (1926-1984). Na década de 1960, conhecida como período da ______________, Foucault investigou a constituição dos saberes. Nessa época, foram publicados os livros: A história da loucura (1961), O nascimento da clínica (1963), As palavras e as coisas (1966) e Arqueologia do saber (1969). O interesse do filósofo era investigar o modo de existência dos _________________, sobretudo dos que se apresentavam como científicos, para alcançar a compreensão da maneira como se construiu o saber do século XX, em especial o que tomou como objeto o homem.
“Penso que, atrás do ódio que o povo tem da justiça, dos juízes, dos tribunais, das prisões, não se deve apenas ver a ideia de outra justiça melhor e mais justa, mas antes de tudo a percepção de um ponto singular em que o poder se exerce em detrimento do povo” (FOUCAULT, 2008, p. 73).
Analise o trecho acima e assinale a alternativa correta:
Foucault em seus estudos procurou desvelar como as instituições prisionais assim como as escolares exercem funções antagônicas no tocante ao exercício do poder
Para Foucault o espaço é um atributo neutro, sendo a ação das instituições as únicas realizadoras do poder
Foucault toma as categorias de luta de classes e de distribuição desigual da riqueza socialmente produzida como centrais em sua obra
Foucault aponta que, sobretudo para o Estado, mas não só, a população é interpretada como um trunfo do poder
“Vigiar e punir é o livro que Foucault consagra ao nascimento da prisão, depois de conduzir um movimento que levara a pôr em questão de forma radical não apenas o sistema penitenciário, mas as redes de poder-saber a ele associadas em nossa sociedade”. (MOTTA, M. B., 2010, p. XIII)
Assinale a alternativa correta:
Michel Foucault na referida obra se ateve ao estudo do sistema prisional contemporâneo ao período de elaboração do mesmo
De acordo com a referida obra os sistemas punitivos mudam de forma mas mantém o mesmo princípio ao longo do tempo
As prisões em si e os hospitais não são para Foucault as instituições de representação do sistema de vigilância e punição
O Poder para este autor é tema secundário de suas pesquisas
Os “Panópticos” são, para o autor, expressões ou instrumentos do exercício do poder


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“Deveríamos então supor que a prisão e de uma maneira geral, sem dúvida, os castigos, não se destinam a suprimir as infrações; mas antes a distingui-las, a distribuí-las, a utilizá-las; que visam, não tanto tornar dóceis os que estão prontos a transgredir as leis, mas que tendem a organizar a transgressão das leis numa tática geral de sujeições [...] Em resumo, a penalidade não reprimiria pura e simplesmente as ilegalidades; ela as diferenciaria, faria sua economia geral”. (FOUCAULT, Michel, Vigiar e punir).
a descrição de uma alteração nas práticas históricas que culminaria na construção histórica das ciências humanas e de um novo sujeito, sob a égide de uma tecnologia de exame constante e estudo de “casos”.
a afirmação da liberdade fundamental do ser humano, inerente à própria natureza humana.
a celebração da progressiva humanização das penas, indo das penas corporais às privativas de liberdade, menos invasivas quanto ao âmbito de autonomia individual.
a apresentação da essência do conceito de poder, que consiste na dominação exercida por um grupo de pessoas sobre determinada pessoa, sob a forma de uma vigilância constante, atualizando o conceito marxista de luta de classes.
a evolução da ideia de justiça penal, antes marcada pela justiça divina e cada vez mais centrada no ser humano, e, portanto, mais justa.
Leia com atenção as seguintes abordagens de análise do poder:
1) “Pode-se conceber o ‘poder’ – ‘influência’ e ‘controle’ são sinônimos úteis – enquanto capacidade de um ator fazer algo afetando outro ator, que muda o provável padrão de futuros acontecimentos específicos. Isto pode ser divisado mais facilmente numa situação de tomada de decisão”. (DAHL, Robert. Who Governs?)
2) “É claro que o poder é exercido quando A participa da tomada de decisões que afeta B. Mas o poder também é exercido quando A devota suas energias na criação ou no reforço de valores sociais e políticos e de práticas institucionais que limitam o escopo do processo político submetido à consideração pública de apenas aqueles temas que são comparativamente inócuos para A. Na medida em que A obtém sucesso em fazer isso, impede-se que B, para todos os propósitos práticos, leve a público quaisquer temas que possam em sua decisão ser seriamente prejudiciais para o conjunto de preferências de A”. (BACHRACH, Peter e BARATZ, Morton. Duas faces do poder.)
3) “Não é o supremo e mais insidioso exercício do poder evitar que as pessoas tenham qualquer tipo de queixas ao moldarem suas percepções, conhecimentos e preferências, de tal modo que aceitem seu papel na existente ordem das coisas, seja porque não possam ver ou imaginar alternativas para ela, ou porque a vejam como natural e imutável, ou porque a valorizem como divinamente ordenada e benéfica? Pressupor que a ausência de queixas equivale a um genuíno consenso, é apenas excluir a possibilidade de consenso falso, ou manipulado por decreto consensual”. (LUKES, Steven. O Poder.)
4) “Sendo esta a linha geral de análise, algumas precauções metodológicas impunham-se para desenvolvê-la. Em primeiro lugar: não se trata de analisar as formas regulamentares e legítimas do poder em seu centro (...). Segunda precaução metodológica: não analisar o poder no plano da intenção ou da decisão (...). Terceira precaução metodológica: não tomar o poder como fenômeno de dominação maciço e homogêneo de um indivíduo sobre os outros, de um grupo sobre os outros, de uma classe sobre as outras (...). Quarta precaução metodológica: (...) fazer uma análise ascendente do poder: partir dos mecanismos infinitesimais que têm uma história, um caminho, técnicas e táticas e depois examinar como esses mecanismos de poder foram e ainda são investidos, colonizados, utilizados, subjugados, transformados, deslocados, desdobrados, etc., por mecanismos cada vez mais gerais e formas de dominação globais”. (FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder.)
Acerca destas diferentes maneiras de conceber e analisar a questão do poder, é correto afirmar que:
o pressuposto da abordagem (1) é que o poder só existe em situação de dissenso ou conflito – o que é verdadeiro, se levarmos em conta que processos de deliberação racional são decididos pela força do melhor argumento;
a abordagem (3) sugere que a questão da ideologia, tal como formulada na tradição marxista, isto é, como “falsa consciência”, deveria estar no cerne da análise do poder, uma vez que determina as maneiras pelas quais o sujeito irá formar suas opiniões;
a preocupação da abordagem (2) é com a possibilidade de que certos temas sejam impedidos de vir à tona, e que portanto não possam sequer converter-se em questões a respeito das quais alguma decisão possa ser tomada;
a abordagem (3) refuta totalmente a abordagem (1), na medida em que assinala que o processo de tomada de decisão é constrangido por forças inconscientes;
a abordagem (4) é um desdobramento da abordagem (2), uma vez que propõe a analítica do poder desde uma perspectiva ascendente, ou seja, que parte da existência de micro-relações de poder para daí deduzir suas regras gerais de funcionamento.
Assinale a alternativa que NÃO se enquadra na descrição de poder feita por Michel Foucault, em a Microfísica do poder.
O poder deve ser analisado como algo que circula, que funciona em cadeia.
Só o Estado tem o exercício do poder e através dos séculos usou o mesmo em benefício das classes dominantes.
Os indivíduos, em suas malhas, exercem o poder e sofrem sua ação.
Os poderes não estão localizados em nenhum ponto específico da estrutura social.
Os poderes funcionam como uma rede de dispositivos ou mecanismos (tecnologia do corpo, olhar, disciplina) que nada ou a ninguém escapa.
“Levado pela onipresença dos dispositivos de disciplina, apoiando-se em todas as aparelhagens carcerárias, este poder se tornou uma das funções mais importantes de nossa sociedade. Nela há juízes da normalidade em toda parte. Estamos na sociedade do professor-juiz, do médico-juiz, do educador-juiz, do ‘assistente social’-juiz; todos fazem reinar a universalidade do normativo; e cada um no ponto em que se encontra, aí submete o corpo, os gestos, os comportamentos, as condutas, as aptidões, os desempenhos”.
No trecho acima, extraído da obra Vigiar e punir, Michel Foucault refere-se ao tipo de poder cujo grande apoio, na sociedade moderna, foi a rede carcerária, em suas formas concentradas ou disseminadas, com seus sistemas de inserção, distribuição, vigilância, observação. Este poder é denominado pelo filósofo de poder


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