Questões de Concurso sobre Questão agrária e fundiária no Brasil

 
 
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O estudo do desenvolvimento territorial rural verificado em diversas e distintas regiões brasileiras revela que a constituição de redes de reciprocidade e proximidade podem constituir lastro para o estabelecimento de relações sociais que excedem os simples atos da troca mercantil. Diante do exposto, assinale a alternativa incorreta.


A

Os estudos de Marcel Mauss e Claude Lévi-Strauss acerca da dádiva e da reciprocidade já apontavam o desenvolvimento da obrigação moral relacionada ao fato de presentear e ser presenteado


B

As relações estabelecidas entre vizinhos, parentes ou não, ligadas a atividades rurais como a semeadura, a colheita ou o transporte da produção rural, podem estar investidas deste caráter de reciprocidade, não só no intuito da redução do custo, mas sobretudo no aspecto de manutenção de redes sociais


C

As relações de reciprocidade entre membros familiares não apresentam o mesmo resultado para o desenvolvimento territorial do que entre membros externos, em função das relações de obrigação


D

As relações de reciprocidade são também verificadas nas pluriatividades rurais, onde recursos são trocados com o objetivo de atender a clientes externos, como nas atividades de hotelaria rural em que uma gama de fornecedores locais é mobilizada para transmitir o caráter social do empreendimento


E

O estabelecimento das relações sociais de reciprocidade e proximidade acabam por constituir um sistema simbólico ou um fato social total, objeto de estudo da sociologia

Assinale a alternativa que corresponde ao denominado “Marco Temporal”.


A

É uma lei que propõe medidas mais rígidas para o combate ao garimpo na região norte do Brasil.


B

Refere-se à tese jurídica de que os povos originários indígenas têm direito de ocupar apenas as terras que já ocupavam ou disputavam em 1988, ano da promulgação da Constituição.


C

O Marco Temporal tem como base a demarcação de terras para a criação de comunidades quilombola.


D

Refere-se a um artigo da Constituição de 1988 segundo o qual pequenos e médios agricultores podem requerer terras de povos originários, caso seja comprovado que nelas não há produção alimentícia.


E

Trata-se de uma tese jurídica que aborda que todos os povos indígenas têm direito a ocupar terras, mesmo antes da promulgação da Constituição de 1988.

"Durante os anos de 1960 e 1970, os principais obstáculos ao desenvolvimento dos países periféricos e de regiões atrasadas economicamente como a Amazônia eram atribuídos a dois problemas básicos: à insuficiência de capitais produtivos e de infraestruturas capazes de pôr em marcha novos investimentos".

FONTE: LOUREIRO, Violeta Refkalefsky; PINTO, Jax Nildo Aragão. A questão fundiária na Amazônia. Estudos avançados, v, 19, n. 54, p. 77-98, mai./ ago., 2005.

Considerando o contexto Amazônico de conflitos agrários na década 1970, leia as afirmativas seguintes e marque a alternativa correta.

I- Até meados dos anos de 1960, as terras amazônicas pertenciam basicamente à União e aos estados. Do total das terras registradas pelo IBGE, 87% constituíam-se de matas e terras em produção, que já eram explorados fazendeiros.

II- As facilidades legais concebidas para atrair empresários estimulavam o acesso a grandes extensões de terra e à natureza em geral. Para transferir a terra pública (devoluta) para os grandes grupos econômicos e garantir a propriedade da terra aos pretensos investidores futuros, o governo alterou a legislação existente e criou dispositivos legais extraordinários e de exceção.

III- O Governo Federal oferecia garantia de infraestruturas para os novos projetos (estradas, portos, aeroportos e outros). As margens das estradas, a devastação florestal foi rápida e a disputa de terras privilegiadas às margens delas gerou, na década de 1970 conflitos de toda ordem, que só foram aumentando nas décadas seguintes, à medida que o modelo de desenvolvimento se estruturava.

IV- Neste contexto, comprometeu-se ainda o Governo Federal em trazer mão-de-obra barata de outros pontos do Brasil (nordestinos que fugiam da seca, em especial), para atuar nas frentes de trabalho (abertura de estradas, desmatamento, construção de portos, aeroportos etc.). Esses milhares de trabalhadores, após concluídas as obras, voltaram para suas regiões de origem.


A

Somente a afirmativa I está correta.


B

As afirmativas I e II estão corretas.


C

As afirmativas II e III.


D

As afirmativas I, III e IV


E

Todas as afirmativas estão corretas.

No artigo "Revisão das políticas de ocupação da Amazônia: é possível identificar modelos para projetar cenários?", a autora Bertha Becker (2000) buscar traçar modelos embutidos no processo de ocupação a partir de motivações, estratégias e sua incidência sobre o território, e de extrair lições para cenários futuros. Marque Verdadeiro (V) ou Falso (F) nas afirmativas seguintes e, em seguida, marque a alternativa correta.


( ) O padrão econômico é voltado para a exportação que, desde o início da colonização até hoje, é a motivação dominante na ocupação regional.

( ) Na Amazônia, sua ocupação se fez em surtos devassadores ligados à valorização momentânea de produtos no mercado internacional, seguidos de longos períodos de estagnação.

( ) Duas são as características básicas da ocupação regional. Primeiro, a ocupação se fez invariavelmente e ainda hoje se faz a partir de iniciativas externas. Segundo, a importância da Geopolítica, que explica o controle de tão extenso território com tão poucos recursos.

( ) Foi com a formação do moderno aparelho de Estado, associada à ausência deste na economia e no território, que se tornou continuo o processo de ocupação da Amazônia, com base na dominância absoluta da visão externa e privilégio das relações com o centro de poder nacional.

( ) Dois grandes problemas no decorrer do avanço da fronteira - a falta de integração baseada no planejamento e favorecimento de novos investimentos para infraestrutura e abertura de mercados; e, a outra, direcionada para o desenvolvimento sustentável as populações locais e a proteção ambiental.


A

V, V, V, F, V.


B

V, V, F, V, V.


C

F, F, V, V, V.


D

V, V, V, V, V.


E

V, F, F, V, F.

Na obra "Territórios em transformação na Amazônia - saberes, rupturas e resistências", a Socióloga Edna Castro relata sobre "o avanço do capital sobre novos territórios com recursos naturais. Há Intensa mobilidade do capital com investimentos diretos em infraestrutura com operações logísticas, voltadas às commodities agrícolas e minerais". Assinale, dentre as alternativas seguintes, aquela que não corresponde à expansão da Fronteira na Amazônia com foco na mineração.


A

O olhar sobre os territórios com empreendimentos minerais nos revela a dimensão que podem ter os desastres sociais e ambientais. A expertise e os saberes técnicos estão longe de dimensionar o sentido dos desdobramentos que possam ocorrer na Amazônia, resultante dos processos de mineração que são, reconhecidamente, altamente poluentes.


B

A expansão da fronteira representa o aumento de mobilidade do capital dado o crescimento dos interesses pelos minérios e os investimentos diretos em infraestrutura.


C

A sobrevivência dos empreendimentos de mineração exige flexibilização de regras ambientais e dos direitos sociais e étnicos, em função da crise econômica e do cenário mundial de competitividade, mesmo assim não repassam à sociedade e ao ambiente os custos de suas operações econômicas que são de natureza privada.


D

Os desastres sociais, étnicos e ambientais têm ocorrido com frequência em função de plantas de mineração e suas bacias de rejeito e das atividades portuárias.


E

Inúmeras empresas têm respondido com a produção de serviços duvidosos de preservação e tem desrespeitado, sistematicamente, os condicionantes sociais e ambientais exigidos por lei.

A partir da década de 90 do séc. XX verificou-se um aumento significativo das atividades turísticas planejadas e realizadas por associações e cooperativas de agentes sociais rurais, atuando como elo que converge os diferentes elementos da cadeia turística, devendo assim ser indutoras das relações entre os elementos internos e externos à comunidade.


Assinale a alternativa que não corresponda corretamente aos princípios e as atividades associativas ligadas ao turismo rural.


A

A atividade turística deve estar ligada a capacidade de fixação do homem no campo


B

O turismo associativo rural deve representar uma atividade econômica complementar à atividade agropastoril, de modo a minimizar os custos de produção da atividade principal, otimizando o resultado financeiro obtido


C

O espaço rural é resultado não só da interação do indivíduo com o território, que o transforma e molda com suas atividades e sua cultura, mas de uma estrutura social complexa, que excede o espaço rural e está mergulhada em um determinado processo histórico


D

O desenvolvimento do turismo rural associativo está inserido no contexto de uma mudança maior, onde as atividades produtivas rurais não-agrícolas encontram-se diversificadas e presentes cotidianamente na vida da população local


E

O associativismo deve estar, necessariamente, vinculado a práticas de ganho de escala e minimização de risco. Na atividade turística isso significa a elaboração de roteiros que compreendam a multiplicidade cultural, gastronômica e lúdica do local

“O MST surge em nosso cenário político e econômico propondo-se lutar por mudanças sociais no país e pela construção de uma ‘sociedade sem exploradores e explorados’ a partir da superação da propriedade privada dos meios de produção, o que considera ser a estrutura central que sustenta a constituição das relações sociais nos moldes necessários para a manutenção do modo de produção capitalista. Entretanto, tanto a análise das lutas sociais que o antecederam quanto os conflitos que emergem na própria dinâmica de seu cotidiano apontam para o fato de que a construção de tal sociedade extrapola os limites da socialização dos meios de produção”.


MELO, Denise Mesquita. Subjetividade e gênero no MST: observações sobre documentos publicados entre 1979 e 2000. In: GOHN, Maria da Glória, (org.). Movimentos sociais no início do século XXI: antigos e novos atores sociais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015. p. 113.


A partir do texto, analise os itens abaixo e marque a alternativa CORRETA.


I - O MST aspira a uma sociedade sem exploradores e explorados, onde deve prevalecer o conflito em que o capital domina o trabalho.

II - Uma das preocupações do MST sempre foi a justiça social, a igualdade de direitos econômicos, políticos, sociais e culturais, tendo a pequena propriedade como base para a produção.

III - O MST atua em defesa de assentamentos em grandes propriedades rurais independente de sua função social estar sendo cumprida ou não.

IV - Nas lutas encabeçadas pelo MST, aparece, de forma enfática, a crítica ao capitalismo e uma tendência a princípios socialistas.

V - Por fazer o enfrentamento aos grandes latifúndios improdutivos, o MST constantemente sofre ataques, inclusive com violência física e até mortes.


A

Somente os itens I e III são corretos.


B

Somente os itens I e V estão incorretos.


C

Apenas os itens III e V estão incorretos.


D

Apenas os itens II, IV e V estão corretos.


E

Somente os itens III e IV estão corretos.

As atividades mineradoras têm criado conflitos com extrativistas, quilombolas, pequenos agricultores, ribeirinhos, pescadores artesanais e povos indígenas. Em geral, estes sujeitos têm encontrado grande dificuldade de reproduzir suas dinâmicas territoriais depois da instalação da atividade mineradora, nem sempre com reconhecimento do impacto ao seu território pelo Estado e pela empresa, ficando sem qualquer tipo de compensação econômica. Em outros casos, nem a compensação econômica tem sido capaz de evitar o esgarçamento das relações sociais destes grupos que sofrem com a reconstrução abrupta das suas identidades e de suas dinâmicas territoriais.


PALHETA, J. M. etal. Conflitos pelo uso do território na Amazônia mineral. Mercator, n. 16, 2017.


O texto apresenta uma relação entre atividade econômica e organização social marcada pelo(a)


A

escassez de incentivo cultural.


B

rompimento de vínculos locais.


C

carência de investimento financeiro.


D

estabelecimento de práticas agroecológicas.


E

enriquecimento das comunidades autóctones.

Otávio Velho (1979), ao parafrasear o historiador Eric Hobsbawm, aponta que, diferente do caso Inglês que no seu tradicionalismo procura afixar “velhos rótulos” em “novas garrafas”, na história brasileira, procurou-se colocar “novos rótulos” em “velhas garrafas”, ou sejam, a presença do “moderno” não significou imediatamente a superação do “arcaico”, longe disso, os novos atores do cenário agrícola brasileiro se aproximaram dos velhos parceiro.


O trabalho de Otávio Guilherme Velho (1979), pretende “lançar os olhos sobre o desenvolvimento brasileiro” (p.261). A especificidade do capitalismo agrário Brasileiro o autor chama:


A

capitalismo autoritário.


B

capitalismo agrário.


C

capitalismo às avessas.


D

capitalismo conservador.


E

capitalismo de monocultura.

O planejamento público dos anos 1970 compreendia a Amazônia como “uma terra sem homens para homens sem terra”. A política de integração do território nacional tinha por meta a ocupação da Amazônia por meio de um projeto de colonização agrária. É correto afirmar que


A

não havia populações tradicionais na Amazônia, assim como não havia grandes extensões de terras plantadas para o consumo das populações indígenas. O projeto de colonização agrária visava a ampliar o número de terras para plantação de produtos agrícolas.


B

o planejamento público dos anos 1970 partia do princípio de que a Amazônia era isolada do restante do Brasil e que deveria ser integrada ao território nacional por meio da abertura de grandes rodovias e de um projeto de colonização agrária que fixasse o “homem do campo” em território amazônico.


C

entre as prioridades dos governos militares estava a segurança nacional, a Amazônia era vista como isolada e com riquezas que eram cobiçadas pelos estrangeiros.


D

a Amazônia era vista como um vazio demográfico que precisava ser ocupado por meio de um planejamento público dirigido para as áreas de menor concentração populacional.

A regularização fundiária

A

é importante aos territórios quilombolas por lhes garantir o acesso à terra.


B

é importante aos territórios quilombolas por lhes garantir a permanência na terra e a reprodução de suas práticas culturais.


C

representa a possibilidade de sobrevivência de grupos quilombolas.


D

implica transformação no modo de vida de grupos quilombolas.

Quando está em questão a ocupação da terra por populações exógenas ao território, são determinantes do planejamento público a(s)/o


A

capacidade de instalar serviços públicos com orçamento disponível para os investimentos em infraestrutura.


B

orçamento disponível e a capacidade de gestão de recursos.


C

infraestrutura de estradas para os deslocamentos populacionais.


D

instituições de mediação e o monitoramento de conflitos pela terra.

Nos anos 1970, o Pará foi a porta de entrada de políticas públicas de colonização agrária orientada pelos governos militares. Uma política pública de grande importância para a ocupação de terras na Amazônia foi a de abertura de rodovias. Duas delas são particularmente importantes: A BR 316 e a Transamazônica, sobre as quais é correto afirmar o seguinte:


A

são exemplos de um projeto de colonização agrária que não considerou a existência de povos tradicionais, trazendo consequências danosas às populações tradicionais e ao meio ambiente.


B

o desenvolvimento da Região Norte foi impedido com a construção dessas duas rodovias, e não houve qualquer interferência no modo de vida das populações tradicionais.


C

as duas rodovias significaram a integração do território paraense ao Mato Grosso, a Goiás e ao Maranhão.


D

antes da construção dessas duas rodovias, a fronteira territorial do Pará era ocupada pelo plantio sazonal de mandioca e pela criação de gado.

A urbanização é compreendida como

A
consequência das oportunidades de emprego ofertadas pelas indústrias, que se expandiram nas grandes cidades, a trabalhadores sem que lhes fosse exigida qualquer qualificação ou experiência.

B
efeito da expansão, nos grandes centros urbanos, da oferta de serviços essenciais, sobretudo, nas áreas de educação, saúde, direitos ainda não universalizados em área rural e municípios de pequeno porte.

C
resultado de dois fenômenos: migração ruralurbana e taxas mais elevadas de crescimento demográfico natural entre a população urbana do que as registradas entre a população rural.

D
decorrente de dois fatores: a exclusiva migração da população jovem do campo para as cidades como alternativa à continuidade dos estudos; as alternativas formais e informais, dentro – ou mesmo fora – da legalidade, de inserção no mercado de trabalho.

“As próprias populações rurais vitimadas pelo desenvolvimento econômico excludente, que todos testemunhamos, têm procurado seu próprio rumo, têm se alçado acima da indignidade que as vitima, têm proclamado seus direitos e têm questionado os responsáveis por sua situação” (MARTINS, 2001;p.31-36). A respeito dos Movimentos Sociais no Campo no Brasil assinale a alternativa que não seja um exemplo destes movimentos:


A

A luta dos Seringalistas e Povos da Floresta


B

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra


C

Ligas Camponesas


D

O Movimento dos Queixadas


E

Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura

O Estado brasileiro tem mantido com a Amazônia relações de alteridade por considerar


A

que o desenvolvimento da Amazônia pode ser feito unicamente pela população local.


B

a população da Amazônia como inferior, inumana, inapta para o desenvolvimento da Amazônia.


C

a população regional como preparada técnica e cientificamente para garantir o desenvolvimento da Amazônia.


D

que os recursos naturais da Amazônia têm contribuído de forma exclusiva para o aperfeiçoamento da população local, com vistas ao progresso.

O projeto desenvolvimentista implantado na Amazônia pela ditadura militar a partir de 1966 trouxe


A

ocupação e conflito agrário.


B

harmonia entre o campo e a cidade.


C

garantia das terras ocupadas pelos indígenas e posseiros.


D

uma convivência conciliadora entre o grande capital e as populações que ocupavam as terras da região.

A colonização holandesa no Brasil poderia ter dado certo, segundo Holanda (2005), pela característica do espírito de empreendimento metódico e coordenado em capacidade de trabalho e em coesão social. No entanto, isso não ocorreu pela inadequação das estratégias, que limitaram os colonizadores à comodidade de um centro desenvolvido, em oposição a um domínio do interior por meio das atividades:

A
militares

B
extrativistas

C
agrícolas

D
intervencionistas

E
catequistas

Aproximadamente 50% dos lotes concedidos em razão da reforma agrária em terras da região amazônica já foram comercializados, o que se deve, em parte, ao fato de vários dos assentados não possuírem o perfil do público-alvo da reforma agrária.


C
Certo

E
Errado
   
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