Questões de Concurso sobre História e Teoria do Urbanismo

 
 
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Um desenvolvimento urbano autêntico, sem aspas, não se confunde com uma simples expansão do tecido urbano e a crescente complexidade deste, na esteira do crescimento econômico e da modernização tecnológica. Ele não é meramente um aumento da área urbanizada, e nem mesmo, simplesmente, uma sofisticação ou modernização do espaço urbano, mas antes e acima de tudo um desenvolvimento socioespacial na e da cidade (SOUZA, 2002).


Com relação à assertiva do autor, o desenvolvimento urbano autêntico inclui necessariamente:


I. a coibição da especulação imobiliária, a qual, tipicamente, ocorre desenfreada em cidades de países periféricos e semiperiféricos;

II. o fortalecimento das centralidades urbanas;

III. a redução do nível de disparidade sócio-econômico-espacial intra-urbana, assim reduzindo o nível de segregação residencial;

IV. a democratização do planejamento e da gestão do espaço urbano;


Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):


A

I, II, III, apenas.


B

I, III, IV, apenas.


C

I, II, IV, apenas.


D

I, II, III e IV.


E

nenhuma correta.

A cidade do Rio de Janeiro exemplifica um sistema de espaços livres inserido em mancha urbana


A

compacta


B

descontinuada totalmente, ou em parte, por elementos naturais de grande porte


C

descontinuada totalmente, ou em parte, por elementos naturais de pequeno porte


D

descontínua fragmentada, total ou parcialmente, por elementos naturais pulverizados


E

descontínua fragmentada, dispersa em duas ou várias unidades

Como urbanista, propôs um novo arranjo urbano que se adequasse à vida moderna. Foi um dos primeiros a compreender as transformações que o automóvel exigiria no planejamento urbano. A cidade do futuro, na sua perspectiva, deveria consistir em grandes blocos de apartamentos assentes em pilotis, deixando o terreno fluir debaixo da construção, o que formaria algo semelhante a parques de estacionamento. É dele a ideia de criação de bairros-jardim para as classes mais ricas. Como arquiteto, propôs a utilização de novos materiais como o concreto armado. Estamos falando de


A

Lúcio Costa


B

Oscar Niemeyer


C

Mies Van de Rohe


D

Le Corbusier


E

Frank Lloyd Wright

De acordo com pensamento desenvolvido em As ideias fora do lugar e o lugar fora das ideias – planejamento urbano no Brasil (Maricato, 2000), a história do planejamento urbano no Brasil mostra a existência de um pântano entre a sua retórica e sua prática, já que estava imerso na base fundante marcada por contradições identificadas: direitos universais, normatividade cidadã versus cooptação, favor, discriminação e desigualdade na prática da gestão urbana. São aspectos relacionados a essas contradições:


I. A importação dos modelos tecnológicos e culturais.

II. A importância atribuída às atividades de planejamento acadêmicas categorizadas.

III. A desconsideração do chão social cotidiano e extra-universitário de elaboração intelectual.

IV. A consideração, nos processos de planejamento e projeto, da evolução do espaço e da práxis social.


Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):


A

I, III, IV, apenas.


B

I, II, IV, apenas.


C

I, II, III e IV.


D

I, II, III, apenas.


E

II, III, apenas.

O trabalho de arquitetos e urbanistas em áreas periféricas (com exclusão daqueles bairros conhecidos como condomínios fechados) costuma reproduzir a cultura construtiva local e adequar-se à realidade socioeconômica dos moradores. Estes fatores produzem alguns padrões de atuação que limitam, em geral, as possibilidades de atuação dos arquitetos urbanistas. Esses padrões são:


I. autoconstrução: processo de construção conduzido pelo próprio morador;

II. construção tradicional formal, pautada pelo processo de construção com a contratação pelo próprio morador de uma firma de construção que, por sua vez, contrata profissionais liberais como engenheiros e arquitetos;

III. autogestão: processo de construção onde o morador conduz o processo recebendo recursos financeiros de origem pública, gerenciando a obra e contratando todos os profissionais;

IV. construção em mutirão: processo construtivo conduzido pelo próprio morador em parceria com seus vizinhos;

V. cogestão, pautada pelo processo construtivo conduzido pelo próprio morador acompanhado por uma assistência técnica fornecida gratuitamente pela prefeitura.


Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):


A

II, III, IV, apenas.


B

I, IV, apenas


C

III, IV, apenas.


D

IV, V, apenas.


E

III, IV, apenas.

O trabalho profissional de arquitetos e urbanistas, segundo Kapp (2012) é determinado mais por conceitos dos agentes externos do que pelo interesse dos reais usuários.


No trabalho profissional, a heteronomia se instala já nos levantamentos iniciais: sejam pautados em padrões ________, ideais humanitários ou juízos _________, eles obedecem às categorias e hierarquias de quem os executa, e essa estrutura _________ dificilmente é revertida pela __________ popular em fases subsequentes do trabalho (KAPP et al., 2012).


Complete a frase acima, utilizando a seguinte sequência abaixo:


A

numéricos, valorativos, autônoma, iniciativa


B

numéricos, revolucionários, autônoma, consulta


C

técnicos, estéticos, heterônoma, participação


D

técnicos, morais, burocrática, alienação


E

técnicos, estéticos, heterônoma, alienação

Arantes (2000) discute obras realizadas em diversas cidades do mundo que respondem ao planejamento urbano estratégico. Analise as afirmativas abaixo:


I- No planejamento estratégico, a monumentalidade arquitetônica serve de argumento publicitário, tal como os Grandes Projetos parisienses da Era Mitterand.

II- O modelo de planejamento de Barcelona para as Olimpíadas de 1992, que investe na construção de hotéis, museus e indústrias, é exportado hoje para o mundo todo, especialmente para as cidades planejadas no Oriente Médio.

III- Constrói-se uma imagem prestigiosa da cidade, voltada para o exterior, em função da competitividade por investimentos no sistema internacional.

IV- O culturalismo de mercado é um aspecto importante do planejamento estratégico.


Estão corretas as afirmativas


A

I, II e III.


B

I, II e IV.


C

II, III e IV.


D

I, III e IV.


E

I, II, III e IV.

No Brasil, em algumas capitais, tem havido projetos de requalificação urbana desde o início dos anos 1990, geralmente a partir de parcerias entre o poder público e a iniciativa privada e, pelas análises acerca desses casos – geralmente de cidades turísticas do Nordeste, como Salvador, Recife e Fortaleza −, percebe-se, na maior parte das vezes, que tais intervenções apresentaram características fortemente higienistas e podem ser pensadas como gentrificadoras (…). A verdade é que o retorno aos centros pelas camadas médias não teve, nessas capitais, "vida longa", talvez porque aqui as intervenções tenham sido feitas de modo muito artificializado e com uma prática muito distante do discurso, que sempre teve como mote uma devolução da área central a toda a população, retomando o seu uso tradicional de espaço público heterogêneo. Os visitantes, porém, acabaram por frequentar esses locais de forma descontínua e os antigos usuários (moradores e/ou trabalhadores) tiveram dificuldade de se manter nos centros gentrificados (JAYME; TREVISAN, 2012).


Com relação ao texto acima pode-se dizer que:


I. as intervenções urbanas mencionadas se inserem na tendência dos planos de embelezamento, isto é, planos que provém da tradição europeia, principalmente, e consistem basicamente no alargamento de vias, erradicação de ocupações de baixa renda nas áreas mais centrais, implementação de infraestrutura, especialmente de saneamento, e ajardinamento de parques e praças;

II. as intervenções urbanas mencionadas se inserem na tendência dos planos de conjunto que buscam a articulação entre o centro urbano e os bairros, e destes entre si, através de sistemas de vias e de transportes, sendo que as vias não são pensadas apenas em termos de embelezamento, mas também em termos de transporte;

III. as intervenções urbanas mencionadas se inserem na tendência dos planos sem mapas que enumeravam um certo conjunto de objetivos e diretrizes genéricas e, assim, acabavam ocultando os conflitos inerentes à diversidade de interesses relativos ao espaço urbano;

IV. as intervenções urbanas mencionadas se inserem na tendência dos planos de desenvolvimento integrado, com planos mais complexos e abrangentes que tinham como ponto de partida a reforma das áreas urbanas centrais.


Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):


A

I, apenas.


B

III, apenas.


C

IV, apenas.


D

II, apenas.


E

Nenhuma correta.

Sobre o autoempreendimento habitacional em loteamentos precários e favelas, Bonduki afirma:


Quanto mais esse processo informal de "resolução" do problema habitacional avançou (...) mais fortemente passou a atingir regiões localizadas em áreas de proteção ambiental, como mananciais, mangues, beira de córregos e encostas. Era uma decorrência natural do padrão periférico de crescimento urbano, baseado na ocupação especulativa da terra e numa expansão horizontal ilimitada. Análises realizadas nos anos 30 e 40, em eventos como o I Congresso de Habitação e as Jornadas da Habitação Econômica, previram o desastre futuro que se manifesta hoje. (BONDUKI, 2013)


São manifestações desse desastre, EXCETO:


I. Depredação ambiental, com cursos d’agua transformados em esgotos, supressão de cobertura vegetal, etc.

II. Dificuldades de deslocamento, com o transporte individual priorizado em relação ao coletivo.

III. Adoção de um modelo central-desenvolvimentista, com comprometimento de recursos em obras viárias incompatível com o conjunto de demandas.

IV. Intensa especulação imobiliária, contribuindo ainda mais para a segregação socioespacial.

V. Crescimento das ocupações de terra e favelização, submetendo as populações a condições degradantes.

VI. Adoção de um modelo sustentável – baseado no respeito ao meio ambiente e na participação comunitária na forma de autogestão ou cogestão.


A

I, apenas.


B

I, II, apenas.


C

II, IV, apenas.


D

II, III, IV, apenas.


E

III, V, apenas

O surgimento do subúrbio, no século XIX, gerou a proliferação e extensão do solo construído, implicando em modificação dos modelos espaciais e urbanísticos.


Consequentemente isso fez com que


A

a rua deixasse de ser mero percurso, apreendendo outras funções específicas.


B

a praça passasse a ser um espaço reservado à vida social.


C

o quarteirão fosse valorizado como elemento estruturante do espaço urbano.


D

a casa unifamiliar se revelasse como força constituinte do verdadeiro espaço urbano.


E

a caracterização do espaço coletivo fosse substituída pela qualificação do espaço privado.

Segundo Arantes (2000), "quando, os dias de hoje, se fala de cidade - pensando estar fazendo cidade - fala-se menos em racionalidade, zoneamento, plano diretor e etc."


A partir dessa afirmativa, pode-se deduzir que, segundo a autora, na virada do século XXI se falava mais em:


I. Planejamento formal com desenho urbano previamente definido.

II. Mapas descritivos de rotas delineadas para um planejamento urbano.

III. Desenhos arquitetônicos, onde a técnica é preponderante sobre outros aspectos.

IV. Planejamento com participação de usuários.

V. Domínio do cultural e sua imensa gama de produtos derivados.


Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):


A

IV, V, apenas.


B

II, IV, apenas.


C

V, apenas.


D

I, II, III apenas.


E

I, II, apenas.

Segundo Le Corbusier, Paris, Roma e Istambul são cidades “construídas às margens do caminho das mulas”, movimento que surgiu como consequência de uma obra de Camilo Sitte sobre o urbanismo. Analise as afirmativas a seguir sobre as características do “caminho das mulas”, na visão de Corbusier:

I. O caminho das mulas se apresentava em linha curva: fácil, silenciosa e estimuladora, que era sadia também para a alma das cidades.

II. No movimento do caminho das mulas, Sitte confundia o pitoresco pictural com as regras de vitalidade de uma cidade.

III. A curva, inerente ao caminho das mulas era uma reação, uma ação, uma atuação, o resultado de um domínio em si.

Está correto o que se afirma em:


A
somente I;

B
somente II;

C
somente III;

D
somente I e III;

E
I, II e III.

As imagens dos séculos XVII e XIX mostram como o casario evoluiu de forma lenta e gradual — espaços vazios entre as casas foram mantidos, assim como a linha de fundo, ou skyline, dos morros do Rio de Janeiro que se manteve praticamente intacta. Já nos séculos XX e XXI, as fotos mostram que a evolução urbana aconteceu de forma acelerada e caótica.


C

Certo


E

Errado

Em sua importante interpretação das teorias urbanas dos séculos 19 e 20 no mundo ocidental, Françoise Choay classifica como aqueles pertencentes ao chamado Urbanismo Culturalista:

A
Walter Gropius e Le Corbusier.

B
Frank Lloyd Wright e Roberto Burle Marx.

C
Camillo Sitte e Raymond Unwin.

D
Friedrich Engels e Karl Marx.

E
Charles Fourier e John Ruskin.

A imagem do século XXI, em que o viaduto domina a paisagem, traduz o resultado urbano da priorização exclusiva dos veículos e de seus fluxos, em nítido contraste com a paisagem bucólica de 1580.


C

Certo


E

Errado

Arquiteto brasileiro cuja obra arquitetônica caracteriza-se especialmente pela busca da racionalização e da industrialização da arquitetura, responsável pelo projeto do Tribunal Regional Eleitoral, do Mercado Municipal de Paripe, da Igreja do Alagados, entre outros, no estado da Bahia.


A

Vilanova Artigas.


B

Oscar Niemeyer.


C

João Filgueiras Lima.


D

Ruy Ohtake.


E

Álvaro Siza.

Assinale a alternativa que corresponde ao arquiteto responsável pela revitalização da Praça Oxum, no Terreiro da Casa Branca, em Salvador, Bahia.


A

Frank Lloyd Wright.


B

Oscar Niemeyer.


C

Lúcio Costa.


D

Le Corbusier.


E

Paulo Mendes da Rocha.

Em cidades brasileiras, tem ocorrido que bairros bem localizados e dotados de infraestrutura, originalmente ocupados por famílias de baixa renda, sofram um processo de substituição da população por outra de maior poder aquisitivo, a partir de mecanismos de mercado e da implantação de empreendimentos privados. Tal processo é denominado


A

globalização.


B

reurbanização.


C

revitalização.


D

renovação urbana.


E

gentrificação.

O renomado escritório OMSA (Office for Metropolitan Architecture), voltado para questões da metropolização contemporânea, foi fundado em 1975, pelo arquiteto


A

Aldo Rossi.


B

Charles Jencks.


C

Kisho Kurokawa.


D

Rem Koolhas.


E

Robert Venturi.

“A cidade não é apenas um objeto de percepção para milhões de pessoas de classe e de caráter muito diferentes; é também o produto da atividade de numerosos construtores que modificam constantemente sua estrutura” (Choay apud Lynch, Kevin. 1960. p. 308). Sobre esse tema, numere a coluna da direita de acordo com sua correspondência com a coluna da esquerda.

Imagem associada para resolução da questão

Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna da direita, de cima para baixo.


A
2 – 3 – 1 – 5 – 4.

B
4 – 3 – 1 – 5 – 2.

C
4 – 5 – 2 – 3 – 1.

D
2– 3 – 5 – 4 – 1.
 
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