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A intervenção nos monumentos históricos gerou uma série de debates na Europa sobre doutrinas de intervenção. Viollet-le-Duc e Ruskin simbolizam o antagonismo dessas doutrinas. A respeito do assunto, considere as seguintes afirmativas:
1. Para Viollet-le-Duc, restaurar um edifício é restituí-lo a um estado completo, reconstituindo suas partes desaparecidas.
2. Ruskin considera que as marcas do tempo fazem parte da essência do monumento histórico.
3. Ruskin é contrário a qualquer tipo de intervenção, considerando a restauração a destruição do edifício como monumento histórico.
4. Viollet-le-Duc baseia sua concepção de conservação de monumentos na autenticidade.
Assinale a alternativa correta.
Somente a afirmativa 3 é verdadeira.
Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.
Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
Os Bens Culturais – materiais e imateriais – são assegurados por instrumentos de proteção, como preconizam algumas cartas patrimoniais. Indique a alternativa que apresenta duas cartas que tratam do tema.
Carta de Atenas e Carta de Florença.
Carta de Veneza e Carta de Burra.
Carta de Helsinki e Carta de Oslo.
Carta de Roma e Carta de Paris.
Carta de Florença e Carta de Oslo.
A deterioração dos edifícios históricos decorre muitas vezes da infiltração de água em seus interiores. A respeito da restauração de peças de telhados danificados de edifícios históricos, considere:
I. Podem ser utilizadas novas junções entre as peças de madeira com o auxílio de novas ferragens ou de vergalhões.
II. Podem ser utilizadas técnicas e materiais tradicionais, empregar a própria matéria-prima ou materiais utilizados na época.
III. Podem ser empregadas técnicas e materiais contemporâneos com uso de materiais novos que não eram fabricados ou encontrados na época em que o telhado foi construído.
IV. As técnicas tradicionais são as mais criticadas, muitas vezes consideradas como um falso histórico, pois reproduzem uma peça antiga e “original”.
Está correto o que se afirma em
III e IV, apenas.
II e IV, apenas.
I e II, apenas.
I, II e III, apenas.
I, II, III e IV.
O Programa Monumenta, concebido no final da década de 90, foi um marco na Preservação do patrimônio cultural brasileiro, pois viabilizou a recuperação de 300 edifícios, beneficiando mais de mil moradores de centros históricos, através do financiamento para a recuperação de imóveis privados. O Programa buscou garantir a diversidade social e funcional nas áreas de intervenção, com especial incentivo do uso para a habitação, ampliando as possibilidades para além do turismo cultural, e promovendo a ocupação das edificações sob proteção de forma integrada com a requalificação dos espaços públicos.
Os conceitos sobre como e o quê preservar, conservar e restaurar evoluíram ao longo de séculos de desenvolvimento de experimentos e reflexões.
Sobre os princípios e diretrizes que orientam as práticas de restauro de edificações, é correto afirmar que:
Observe abaixo desenhos e imagens do Museu do Pão (2005-07) em Ilópolis, RS, projeto do escritório Brasil Arquitetura.


Em relação às questões do patrimônio histórico, ambiental e arquitetônico, aos princípios e às características dessa arquitetura, constata-se que
Em relação ao patrimônio histórico cultural, assinale a alternativa correta.
Restauração: atualização pedagógica, cultural, para se obter melhores resultados no desempenho de uma função.
Revitalizar: ato ou efeito de recobrar algo perdido, restituir ao estado original adequado; restituir à normalidade do convívio social.
Reabilitação: incentivar a atribuição de novos usos e funções, tornando as edificações compatíveis com as necessidades de uma sociedade contemporânea e apresentando-as como alternativa para a crescente demanda de novas construções e equipamentos urbanos.
Preservação: impedir a indiscriminada destruição de elementos componentes do patrimônio ambiental urbano. Manutenção e limpeza periódica facilitam essa ação
Reciclagem: recuperar a concepção original, ou seja, a legibilidade do objeto. Baseia-se no respeito ao material original, em evidências arqueológicas, plano inicial, pesquisa histórica e documentos antigos.
“Nele a preservação do patrimônio cultural é tratada nos capítulos relacionados ao desenvolvimento econômico e social do turismo e, indiretamente, em uma das diretrizes que propõem a promoção e o incentivo à sensibilização do cidadão para a preservação do patrimônio cultural. No entanto, apesar de não se caracterizar como uma legislação de proteção ao patrimônio, pelo seu caráter genérico, que não institui controle da edificação, o mesmo estabelece diretrizes e direciona o crescimento da cidade para áreas mais favoráveis a preservação de seu patrimônio.” A descrição anterior trata-se de:
PPC.
PDC.
PDM.
MPM.
A Carta de Veneza, de maio de 1964, estabelece que a restauração dos monumentos é uma operação que deve ter caráter excepcional.
Um dos aspectos abordados nessa Carta sugere que a restauração deve:
Em 2013, o Brasil figurou na Lista do Patrimônio Mundial com dezenove sítios, sendo doze culturais e sete naturais, os quais integram uma gama completa de patrimônio da pré-história à arquitetura moderna de Brasília. Para a sinalização do Patrimônio Mundial, pode-se afirmar que
o desenho do pictograma deve ser sempre aplicado em amarelo, sobre um fundo de cor que varia de acordo com a natureza do patrimônio.
serão utilizados os pictogramas do Guia Brasileiro de Sinalização Turística, incorporando o emblema do Patrimônio Mundial para indicação de um bem da humanidade.
os pictogramas são fixos e não poderão ser desenhados para sinalizar monumentos que, por suas características, não sejam representados adequadamente pelos pictogramas que se encontram no Guia Brasileiro.
de acordo com a natureza do patrimônio, o fundo do pictograma pode ser: dourado para bens culturais, verde para bens naturais e azul para bens mistos.
para que se tenha uma diferenciação, o emblema do Patrimônio Mundial deverá ser aplicado sempre em prateado sobre fundo marrom.
A Carta de Petrópolis, originada no 1o Seminário Brasileiro para preservação e revitalização de centros históricos de 1987, estabelece que o sítio histórico urbano - SHU é parte integrante de um contexto amplo que comporta as paisagens natural e construída, assim como a vivência de seus habitantes.
Um dos itens apresentado na Carta determina que a preservação do SHU deve:
Observe as figuras 42 a 44 a seguir de um casarão da década de 1960, em São Paulo, que passou por processo de retrofit para abrigar o Guest Hotel. A questão 48 refere-se a elas.

Figura 42: Vista externa do Guest Hotel
Disponível em: <www.arcoweb.com.br/>. Acesso: 15 set. 2017.

Figura 43: Plantas baixas
Disponível em: <www.arcoweb.com.br/>. Acesso: 15 set. 2017.

Figura 44: Corte.
Disponível em: <www.arcoweb.com.br/>. Acesso: 15 set. 2017.
O projeto realizado pelo escritório Sub Estúdio previu a demolição de praticamente todas as paredes internas do volume principal para abrigar os quartos do novo hotel. Para que o leiaute interno pudesse ser modificado, a estrutura foi reforçada com vigas e tirantes metálicos. Verifica-se que essa intervenção
descaracterizou a aparência residencial.
deu uma “cara” de século 21 ao casarão.
aproveitou o desnível da construção original.
preocupou-se em propor apartamentos idênticos.
Françoise Choay (2006) destaca práticas realizadas pela indústria patrimonial em todo o mundo, destinadas a valorizar o monumento histórico e a transformá-lo em produto econômico.
NÃO pode ser considerado como um efeito nocivo desta prática:
As interfaces de informação presentes nos monumentos impedem a reintegração do edifício às malhas urbanas contemporâneas, limitando a dinâmica cultural.
A associação dos monumentos à venda de produtos de consumo em geral e sua conversão em espaço destinado à realização de eventos, convertendo o monumento a valor econômico.
A realização de obras que facilitam o acesso ao monumento, muitas vezes descaracterizam seu entorno e criam um fluxo de visitantes, não suportado pela estrutura do monumento.
As obras de adequação de edifícios antigos a novos usos, em muitos casos, são guiadas apenas pela preocupação estética e acabam por descaracterizar aspectos culturais e históricos do monumento.
A conservação de cidades e de conjuntos arquitetônicos antigos afeta as dinâmicas da composição do local, valorizando a região e afetando a população local, dificultando a permanência de antigos moradores.
A documentação arquitetônica envolve uma rigorosa e detalhada representação gráfica das características geométricas e físicas de uma edificação ou espaço urbano e, para tal, existem diferentes métodos de captura de dados. Nos métodos diretos é necessário o contato físico do operador com o objeto a ser documentado e nos métodos indiretos a medição é realizada a determinada distância. Ainda, são diversas as técnicas de levantamento, que permitem a documentação tanto de superfícies externas como de informações ocultas. Sobre este tema, é CORRETO afirmar que:
Luz estruturada (ou luz branca) é uma técnica de levantamento indireto que se baseia na análise das deformações de linhas projetadas sobre um objeto quando submetido à projeção de um padrão de luz com características conhecidas. Seu princípio de funcionamento é baseado na triangulação entre a câmara, o ponto de luz e o objeto. Como a distância e os ângulos de inclinação entre a câmara digital e a fonte de luz são conhecidos, é possível calcular a distância para o objeto.
A medição direta é uma das técnicas mais antigas e que utiliza instrumentos mais simples para medição, como trenas, fios de prumo, níveis de mangueira, dentre outros. Esta técnica emprega basicamente três procedimentos de medição: coordenadas cartesianas, triangulação, e irradiação, sendo o primeiro o mais adotado, pois se baseia na determinação dos valores X e Y dos pontos medidos. Nesta técnica, deve-se evitar a medição de cotas acumuladas, capturando-se todas as medidas parciais, de forma a aumentar a precisão de cada parte do elemento a ser cadastrado.
O 3D laser scanning é uma técnica de levantamento indireto que se baseia na emissão e reflexão do feixe de laser na direção do objeto a ser registrado. O laser atinge o objeto e retorna ao sensor em um procedimento que possibilita a medição da distância entre eles. Este procedimento é repetido para realizar a varredura apenas em pontos de interesse da superfície, gerando como primeiro produto uma “nuvem de pontos” que destaca os elementos principais do objeto a ser cadastrado, como quinas, arestas e grandes superfícies.
A termografia é uma técnica não destrutiva para obtenção de informações ocultas que permite o registro e a medição da radiação ultravioleta emitida pelos objetos, sem contato físico com os mesmos. O registro da variação de temperatura é realizado por fios de cobre acoplados a sistemas computacionais de grande porte, sendo esta uma desvantagem da técnica, que apresenta custo elevado. No entanto, tem a vantagem de permitir identificar a forma e a cor de elementos ocultos nas superfícies de uma edificação, como estruturas, instalações elétricas e hidráulicas, dentre outras.
A fotogrametria digital é uma técnica que utiliza fotografias para levantar dados como medidas, formas, posições e texturas dos objetos. A partir desta técnica podem ser gerados modelos geométricos tridimensionais dos objetos, com ou sem textura, ortofotos e fotos retificadas, a depender do processo adotado. No cadastro de uma edificação de grande porte, esta técnica traz como aspecto negativo o longo tempo necessário para realizar o trabalho de campo, em comparação com outros métodos, como por exemplo, a medição direta e os métodos topográficos que permitem a medição utilizando distanciômetros e teodolitos.
A Carta de Veneza (1964) consagrou internacionalmente a importância da relação entre usos e a conservação de bens culturais, estabelecendo que, para que a conservação possa ser autorizada, a conservação dos monumentos
deve ser sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade, sendo, portanto, desejável, mas não pode nem deve alterar a disposição ou a decoração dos edifícios.
deve sempre ser favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade, podendo alterar a disposição ou a decoração dos edifícios.
deve sempre ser favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade, sendo, em alguns casos, recomendável que tal destinação altere a disposição ou a decoração dos edifícios dentro de limites exigidos por órgãos de tutela do patrimônio cultural.
pode ou não ser favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade, sendo, porém, desejável, mas não devendo alterar a disposição ou a decoração dos edifícios.
não deve ter sua destinação associada a uma função útil à sociedade, tendo em vista que tal destinação pode danificar e alterar a disposição e a decoração dos edifícios.
“(...) a noção de monumento compreende não só a criação arquitetônica isolada; mas também a moldura em que ela está inserida. O monumento é inseparável do meio onde se encontra situado e, bem assim, da história da qual é testemunho. Reconhece-se, consequentemente, um valor monumental tantos aos grandes conjuntos arquitetônicos quanto às obras modestas que adquiriram, no decorrer do tempo, significação cultural e humana.”
(Carta de Veneza de 25 a 31 de maio de 1964, Itália).
Segundo Françoise Choay (2006), o conceito de monumento evoluiu com o passar do tempo. Segundo a autora,
I- até a década de 1960, eram considerados monumentos históricos uma pequena porção de tipos de construção: os remanescentes da Antiguidade Clássica, edifícios religiosos da Idade Média e castelos.
II- os monumentos históricos envolvem a relação que a sociedade estabelece com seus traços culturais e passam a compor o domínio patrimonial, a partir de 1837, quando é criada a Comissão dos Monumentos Históricos na França.
III- a inflação patrimonial tem, entre seus aspectos negativos, o alto custo de manutenção, inadequação das edificações às necessidades da sociedade contemporânea e a paralização do desenvolvimento do espaço urbano.
IV- nas últimas décadas do século XX, passam a integrar o domínio patrimonial todas as formas de construir, sejam eruditas sejam populares, urbanas ou rurais.
Estão corretas apenas as afirmativas
I e II.
II e III.
I, II e III.
I, II e IV.
I, III e IV.
Uma prefeitura quer proteger o conjunto arquitetônico de seu centro histórico, situado em terreno plano, no qual predominam ainda o casario residencial, e cujo marco paisagístico é o campanário da igreja. Propõe-se um mecanismo de manutenção das visuais dessa paisagem e estudam-se medidas na legislação urbanística que complementem um eventual tombamento de imóveis isolados.
É mais adequado a essa finalidade, dentre as alternativas apresentadas a seguir, adotar, nas quadras de interesse para a preservação de visuais, limitações de
altura máxima das edificações.
taxa de ocupação máxima.
coeficiente de aproveitamento máximo.
número médio de pavimentos.
taxa de permeabilidade mínima.