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A regularização fundiária rural consiste no conjunto de medidas jurídicas, ambientais e sociais que visam à regularização de assentamentos rurais e à tramitação da titulação de seus ocupantes, de modo a garantir a função social da propriedade rural, o direito à moradia e o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (Krama, 2024). Em relação a regularização fundiária rural, é correto afirmar que:
Identificada a ocupação ou a exploração de área objeto de projeto de assentamento por indivíduo que não se enquadre como beneficiário do Programa Nacional de Reforma Agrária, o ocupante será notificado para desocupação da área, nos termos estabelecidos em regulamento, sem prejuízo de eventual responsabilização nas esferas cível e penal.
A regularização poderá ser processada a pedido do interessado ou mediante atuação, de ofício, do Incra, desde que atendidas, cumulativamente algumas condições, sendo uma delas: ocupação e exploração da parcela pelo interessado há, no mínimo, um ano, contado a partir de 22 de dezembro de 2018.
É obrigatória a manutenção no Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR) de informações específicas sobre imóveis rurais com área de até cinco módulo fiscal.
As benfeitorias, reprodutivas ou não, existentes no imóvel destinado para reforma agrária não poderão ser cedidas aos beneficiários para exploração individual ou coletiva ou doadas em benefício da comunidade de assentados, na forma estabelecida em regulamento.
Assinale a alternativa correta sobre as condições para a seleção dos beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária, considerando que caberá ao Incra, observada a ordem de preferência, classificar os candidatos, conforme critérios estabelecidos. Não poderá ser selecionado como beneficiário dos projetos de assentamento aquele que:
for ocupante de cargo, emprego ou função pública remunerada;
tenham filhos entre dezoito e vinte e nove anos idade de pais assentados que residam na área objeto do mesmo projeto de assentamento;
a família for chefiada por mulher;
aquele que as famílias de trabalhadores rurais que residam em área objeto de projeto de assentamento na condição de agregados;
aquele que possua a família mais numerosa cujos membros se proponham a exercer a atividade agrícola na área objeto do projeto de assentamento;
Considere o texto sobre a reforma agrária no Brasil.
A reforma agrária no Brasil foi pauta de discussões durante as décadas de 1950/1960 e, posteriormente, nas décadas de 1980/1990, construindo-se diálogos com relação a sua necessidade, efetividade e à maneira como poderia ser aplicada. [...] A Constituição Federal de 1988 foi um marco institucional e jurídico, no que diz respeito à política de reforma agrária no Brasil. Após a redemocratização, os movimentos sociais voltaram a atuar livremente e, com novos projetos, pressionaram a inserção da função social da terra como condição para a utilização de terras no Brasil. No início da década de 1990, observa-se um crescimento no número de ocupações de terras e, a partir de 1996, houve um aumento expressivo. As ocupações realizadas continuaram aumentando até 1999, ano em que foram registradas 856 ocupações por todo o Brasil. A dinâmica rural vinculada à política federal variou bastante quanto aos condicionantes de uma reforma agrária, especialmente desde o governo de Fernando Henrique Cardoso até o governo de Michel Temer, passando pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff.
CATTELAN, R.; MORAES, M.; ROSSONI, R. A reforma agrária nos ciclos políticos do Brasil (1995-2019). Revista NERA, v. 23. n.55, set.-dez. 2020, p. 138. Adaptado.
Nesse contexto agrário, considerando-se os ciclos políticos do governo federal, efetivou-se a situação caracterizada pela seguinte dinâmica:
redução dos assentamentos de famílias entre 1995 e 1998
retração do número de famílias assentadas entre 2003 e 2006
ascensão de assentamentos de famílias rurais entre 2007 e 2010
redução progressiva dos decretos desapropriatórios nos anos 2010
incremento acelerado de assentamentos de famílias entre 2016 e 2018
No que tange à política agrícola, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Um dos objetivos da política agrícola é assegurar o abastecimento do mercado interno, com estabilidade e sem pressão inflacionária no custo da alimentação, em especial para a população de menor renda.
( ) O crédito rural é o mais importante instrumento de política agrícola existente no País, que foi institucionalizado na década de 1960.
( ) No Brasil, a política de garantia de preços mínimos foi instituída pela primeira vez com a criação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no início dos anos 90.
As afirmativas são, respectivamente,
V – V – F.
V – F – V.
F – V – F.
V – F – F.
F – V – V.
A reforma agrária é uma política de Estado que cumpre um papel fundamental no ordenamento territorial, na estrutura produtiva e na gestão do desenvolvimento humano. As leis que regem a reforma agrária definem uma série de instrumentos para articular essas múltiplas dimensões.
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De acordo com a Lei nº 4947/1966 e a Lei nº 4.504/1964, não são elegíveis de destinação, para fins de reforma agrária, as terras
da União sem destinação específica.
particulares de zonas críticas ou de tensão social.
devolutas da União, dos Estados e dos Municípios.
particulares que conservem recursos naturais e promovam o bem-estar de proprietários e trabalhadores.
reservadas pelo Poder Público para serviços ou obras de qualquer natureza.
O Plano Nacional de Reforma Agrária, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (INCRA) deve registrar, necessariamente,
a especificação dos regimes de contratação dos trabalhadores rurais de acordo com o estabelecido pelos órgãos regionais e a delimitação de zonas e locais que vierem a ser criados para a execução e a administração da reforma agrária.
a hierarquização das medidas a serem programadas pelos órgãos públicos, nas áreas prioritárias, nos setores de obras de saneamento, educação e assistência técnica e a fixação dos limites das dotações destinadas à execução do plano nacional e de cada um dos planos regionais.
a especificação dos órgãos regionais, zonas e locais que vierem a ser criados para a execução e a administração da reforma agrária e a determinação do plano de contingência a ser desenvolvido nas áreas de risco mapeadas pelo IBAMA.
a determinação do orçamento que deverá condicionar a elaboração dos planos regionais e a hierarquização das medidas a serem programadas pelos órgãos públicos, nas áreas de preservação ambiental.
a seleção de insumos agrícolas com o menor índice de toxicidade dentro dos padrões sanitários que deverão condicionar a elaboração dos planos regionais e a fixação dos limites de uso de sementes transgênicas na produção da ração animal.
Situação hipotética: A partir de denúncia formulada à ouvidoria de um órgão federal, constatou-se que determinado imóvel rural situado no Pantanal Mato-grossense não estava cumprindo sua função social. Após oitiva de testemunhas e realização de inspeção no local, agentes governamentais confirmaram que o proprietário não estava utilizando adequadamente os recursos naturais disponíveis de forma a preservar o equilíbrio do ambiente. A União pretende desapropriar o imóvel em questão para fins de reforma agrária. Assertiva: Como o Pantanal Mato-grossense é patrimônio nacional, o referido imóvel não está passível de atividade expropriatória destinada a promover e executar projetos de reforma agrária.
Certo
Errado
A propriedade compreende, em seu conteúdo e alcance, além do tradicional direito de uso, gozo e disposição por parte de seu titular, a obrigatoriedade do atendimento de sua função social, cuja definição é inseparável do requisito obrigatório do uso racional da propriedade e dos recursos ambientais que lhe são integrantes. O proprietário, como membro integrante da comunidade, se sujeita a obrigações crescentes que, ultrapassando os limites do direito de vizinhança, no âmbito do direito privado, abrangem o campo dos direitos da coletividade, visando o bem-estar geral, no âmbito do direito público.
JELINEK, R. O princípio da função social da propriedade e sua repercussão sobre o sistema do Código Civil. Disponível em: www.mp.rs.gov.br. Acesso em: 20 fev. 2013.
Os movimentos em prol da reforma agrária, que atuam com base no conceito de direito à propriedade apresentado no texto, propõem-se a
reverter o processo de privatização fundiária.
ressaltar a inviabilidade da produção latifundiária.
defender a desapropriação dos espaços improdutivos.
impedir a produção exportadora nas terras agricultáveis.
coibir o funcionamento de empresas agroindustriais no campo.
Quanto as disposições aplicáveis à reforma agrária, assinale a alternativa correta.
Compete à União e aos Estados membros desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação.
As benfeitorias necessárias serão indenizadas em dinheiro e as úteis em titulo da dívida agrária.
O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza os estados a propor a ação de desapropriação.
São isentas de tributos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
Sobre reforma agrária, é correto afirmar que:
a legislação estadual pode estabelecer modelos próprios de assentamento rural, a serem criados com base na desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, prevista no artigo 184 da Constituição Federal.
a falta de identidade entre a área declarada de interesse social para fins de desapropriação para reforma agrária e a área onde residem as famílias a serem beneficiadas pelo assentamento impede a desapropriação.
a vistoria prévia prevista no artigo 2º, §2º, da Lei 8629/1993, decorrência do devido processo legal, incide em qualquer desapropriação que venha a ser intentada pela autarquia agrária, mesmo nos casos de desapropriação por necessidade ou utilidade pública.
a invasão de imóvel rural de domínio particular, após regularmente realizada a vistoria prévia pela autarquia agrária, não impede a desapropriação para fins de reforma agrária.
para fins do disposto no artigo 2º, §2º, da Lei 8629/1993, entende-se regular e eficaz a notificação recebida diretamente pelo proprietário do imóvel, sendo mera irregularidade a ausência da indicação da data do recebimento.
A Reforma Agrária é um tema discutido no Brasil desde a época da colonização portuguesa. A discussão se faz presente até os dias de hoje e é conseqüência da estrutura fundiária em nosso país. Uma das grandes inovações da Constituição de 1988, ao regular a questão de terras, foi a de tornar a Reforma Agrária um dever fundamental do Estado. A desapropriação para fins de Reforma Agrária tem, como condição condicio iuris, o descumprimento, pelo proprietário, do dever fundamental de dar ao solo agrícola uma destinação produtiva. A Constituição de 1988 precisou que a função social da propriedade agrária é cumprida quando ela atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, a quatro requisitos.
São requisitos para a Reforma Agrária todos os citados abaixo, exceto:
não exploração da propriedade rural para fins agrícolas.
aproveitamento racional e adequado.
utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente.
observância das disposições que regulam as relações de trabalho.
exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
Com relação ao desenvolvimento rural na atualidade, analise as seguintes assertivas.
I. Agricultores familiares acionam novas estratégias de reprodução econômica e social, como a entrada em atividades não agrícolas, em resposta à reestruturação da economia resultante da modernização da agricultura e consequente exclusão do processo produtivo.
II. O turismo rural é uma atividade não agrícola nos espaços rurais que vem se desenvolvendo nas últimas décadas, e que entre outras modificações, ampliou as possibilidades de atividades remuneradas e a socialização para as mulheres, o que não era proporcionado pela agricultura.
III. No “novo rural”, a agricultura como atividade produtiva perde significância econômica e social, sendo substituída por atividades não agrícolas como forma de geração de emprego e renda, promovendo a incorporação de outras dimensões na reprodução social, como o patrimônio cultural, as tradições, o lazer e o turismo.
Quais estão corretas?
De acordo com o § 2º do artigo 1º da Lei Federal nº 4504, de 30 de novembro de 1964 – DOU de 30/11/64, alterado pela Lei Federal nº 6746, de 10 de dezembro de 1979 – DOU de 11/12/76, que dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências, o “conjunto de providências de amparo à propriedade da terra, que se destinem a orientar, no interesse da economia rural, as atividades agropecuárias, seja no sentido de garantir-lhes o pleno emprego, seja no de harmonizá-las com o processo de industrialização do país”, denomina-se:
Política agrícola.
Reforma agrária.
Estatuto da terra.
Movimento dos trabalhadores sem terra.
Política de ATER.
Nos anos 60, a agricultura brasileira esteve no centro das discussões sobre desenvolvimento. Um dos diagnósticos da época colocava a concentração fundiária como importante limitação ao processo de industrialização do país. Sobre os impactos negativos da concentração fundiária no desenvolvimento industrial indicado por essa corrente, analise os seguintes itens:
I - a relação entre concentração fundiária e inelasticidade da oferta de alimentos;
II - a auto-suficiência da grande propriedade, que produzia internamente grande parte do que necessitava;
III - o predomínio de relações de trabalho não capitalistas na grande propriedade;
IV - a fragilidade econômica da grande agricultura de exportação;
V - o predomínio das formas precárias de acesso à terra.
Os itens corretos são somente:
I e II;
I e III;
I, II e III;
I, II, III e IV;
I, II, III e V.
Considerando os Projetos de Assentamento, analise os possíveis responsáveis pela iniciativa de sua criação:
I - INCRA;
II - Pleito dos movimentos sociais;
III - Pleito dos Governos;
IV - Pleito da Entidade organizada da população da área;
V - Órgão ambiental.
O(s) item(ns) correto(s) é/são somente:
I;
III;
V;
I e V;
I, II e III.
Vários autores (Gonçalves, J.S., e outros) consideram a questão da distribuição de renda como estratégica para o desenvolvimento da agricultura brasileira. Segundo esses autores, uma melhor distribuição de renda permitiria:
I - criar uma importante alternativa de ampliação da demanda, frente às políticas protecionistas dos países desenvolvidos;
II - diversificar a oferta agrícola e desenvolver culturas mais intensivas em trabalho, impactando positivamente o emprego;
III - a liberação de terras agrícolas atualmente dedicadas à agricultura de exportação;
IV - uma melhor proteção ambiental através do desenvolvimento da agroecologia;
V - mudar o paradigma tecnológico da agricultura, extremamente dependente da agricultura de exportação.
As afirmativas corretas são somente:
I e II;
I e III;
III e V;
I, II, III e IV;
I, III, IV e V.
Pequenos produtores, minifundiários, produtores de baixa renda e, mais recentemente, produtores familiares, foram, em diversos momentos da história recente da agricultura brasileira, objeto de ações e planejamento governamental. Sobre essas categorias de produtor, analise as afirmativas a seguir:
I - Pequeno produtor, minifundista e produtor familiar são denominações diferentes para uma mesma forma de produção.
II - Diferentemente do minifundiário, o produtor familiar pode ser proprietário de extensão de terra superior ao módulo rural
III - O produtor familiar é sempre um pequeno produtor e o pequeno produtor é sempre um produtor familiar.
IV - O pequeno produtor se define pelo volume ou valor da produção e o minifundiário pelo tamanho da propriedade.
V - A produção familiar se define por uma forma específica de relação entre a família e a produção agrícola.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são somente:
V;
I e V;
II, IV e V;
I, II, III e IV;
II, III e IV.
A definição dos fatores determinantes do preço da terra sempre foi objeto de acirrado debate entre as correntes econômicas. A esse respeito, analise as afirmativas a seguir:
I - Para a economia tradicional, o preço da terra é determinado pela oferta e pela demanda de terras no mercado fundiário.
II - Para os economistas marxistas, o preço da terra é proporcional à lucratividade do empreendimento agrícola capitalista, e em particular ao grau de exploração dos trabalhadores rurais.
III - Dentro da tradição pós-Keynesiana, o preço da terra é determinado pelas expectativas de ganhos futuros %u2013 produtivos e não produtivos %u2013 esperados da propriedade.
IV - Para a economia política, a principal influência sobre o preço da terra é a política agrícola governamental, em particular o montante dos subsídios à agricultura.
V - A proposição de que o preço da terra tende a se elevar paralelamente à modernização da agricultura é uma afirmação comum a todas essas correntes teóricas.
As afirmativas corretas são somente:
I, II e IV;
I e III;
I, III e V;
I, II, III e IV;
I, II, III e V.
O mercado de terras apresenta, no Brasil, características bastante específicas. Analise os itens a seguir:
I - maior volume de operações em torno a pequenas propriedades;
II - duplicidade de títulos de propriedade, em particular nas regiões onde houve cartórios ineficientes e apropriação de terras públicas;
III - significativa proporção de estabelecimentos sem título de propriedade;
IV - baixo volume de transações e negócios de terra, sobretudo quando comparado com outros países;
V - elevada participação da parceria e do arrendamento.
Os itens que correspondem a características do mercado de terras no Brasil são somente:
I, II e III;
I, IV e V;
II e IV;
III e IV;
IV e V.
Em estudos realizados sobre associações de produtores em assentamentos de reforma agrária, em particular no norte e no nordeste, foi detectada a presença de associações constrangidas, que:
se caracterizam por funcionarem sem registro legal;
se caracterizam por praticarem uma agricultura de subsistência pouco mercantil;
se caracterizam pela utilização dos recursos obtidos junto a órgãos públicos em destinações não previstas no projeto que originou os recursos e sem a intenção de devolução posterior;
se caracterizam por não apresentar periodicidade regular de reuniões dos associados;
se caracterizam por uma posição crítica em relação aos órgãos governamentais.