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O surgimento do logos na filosofia grega antiga marca uma nova abordagem racional frente às explicações míticas tradicionais. Com base nesse contexto, assinale a alternativa correta.
O logos rejeita completamente o mitos, substituindo-o em todas as formas de explicação.
O mitos fornece narrativas simbólicas que o logos adapta parcialmente, mas abandona como forma primária de explicação.
O logos depende do mitos para fundamentar suas explicações racionais, adaptando seus símbolos a novas interpretações.
Mitos e logos são formas equivalentes de explicar a realidade, coexistindo sem conflitos ou distinções.
O logos emerge como uma ruptura parcial com o mitos, substituindo-o em algumas áreas, mas dialogando com suas narrativas em outras.
O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador.
Marilena Chauí. Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2005 (com adaptações).
Diferentemente do mito, a filosofia inicia um conhecimento capaz de conduzir à ciência quando
interpreta e abandona os mitos, com fundamento na tragédia.
nega e abandona os mitos, com fundamento na ciência.
cita e interpreta os mitos, com fundamento na razão.
critica e julga os mitos, com fundamento na ontologia.
aceita e promove os mitos, com fundamento na metafísica.
A mitologia nunca se faz presente no discurso filosófico grego.
Certo
Errado
A filosofia grega recolhe-se à escuta do mito, mas esse recolher não elimina a diferença entre mito e filosofia.
Certo
Errado
A convergência entre mito e filosofia grega pode ser destacada pela maneira como ambos elaboram discursos cosmogônicos ou teogônicos, sempre transcendentes.
Certo
Errado


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No debate sobre a origem de todas as coisas, qual filósofo discordou de Tales de Mileto, afirmando que a origem de todas as coisas não é a água, mas o ápeiron, ou princípio indeterminado, sem fim, em um movimento perpétuo?
Anaximandro.
Heráclito.
Parmênides.
Santo Agostinho.
Platão.
Não é possível desconsiderar, na passagem de uma consciência mítica a um pensamento racional, a importância de elementos religiosos na reflexão dos primeiros filósofos. De acordo com Gerd A. Bornheim (2000), “[...] o surto da filosofia só pode ser compreendido através de certas características muito peculiares à religião grega”. Nesse sentido, uma característica fundamental à religiosidade grega seria a de que:
Os gregos não compreendem os deuses como pertencentes a um mundo natural, o que inspira os pré-socráticos a realizarem, em termos platônicos, uma segunda navegação.
Os gregos não compreendem os deuses como pertencentes a um mundo sobrenatural, de modo que a religião grega busca seus fundamentos na própria ordem natural.
Os poemas de Hesíodo e Homero formam o caráter religioso da sociedade grega antiga, de modo que a filosofia surge, primeiramente, como um esforço poético transcendente.
Não é possível dissociar a religião da filosofia até o período da Filosofia Moderna, uma vez que, com o fim do período pagão e a ascensão do cristianismo, a filosofia permaneceu influenciada por temas religiosos até o fim da Idade Média europeia.
Na filosofia de Parmênides, a presença de uma deusa que promete a revelação da verdade é exemplo de que a consciência mítica, ainda presente no pensamento dos pré-socráticos, torna esses pensadores pré-filosóficos.
O discurso mitológico iguala-se ao discurso filosófico grego.
Certo
Errado
“A religião é a cisão do homem consigo mesmo: ele estabelece Deus como um ser anteposto a ele. Mas na religião o homem objetiva a sua própria essência secreta. Esta essência nada mais é do que a inteligência, a razão ou o entendimento. Deus pensado como o extremo do homem.”
Adaptado de FEUERBACH, L. A essência do cristianismo. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2022.
Segundo o que afirma Feuerbach no trecho citado, a religião tem fundamentação:
metafísica.
social.
política.
antropológica.
instintual.
As disjunções entre mito, religião e ciência fazem parte da modernidade. Segundo Auguste Comte (1798-1857), toda sociedade passa cronologicamente por estágios sucessivos na forma de pensar. De acordo com o artigo publicado no National Bureau of Economic Research, os países mais religiosos tendem a ser menos inovadores. O artigo “Frutos proibidos: a economia política da ciência, da religião e do crescimento”, Roland Benabou de Princeton e Davide Ticchi e Andrea Vindigni, do Instituto IMT de Estudos Avançados, encontram uma forte correlação entre a inovação, medida pelo registro de patentes e a religiosidade, medida pela parcela da população que se autoidentifica como religiosa.
(Países religiosos tendem a ser menos inovadores. Disponível em: ecodebate.com.br.)
Muitas discussões foram e são feitas acerca dos mitos e das suas concepções na Antiguidade, hoje e em outros momentos da história. Segundo Augusto Comte:
Com o coroamento do desenvolvimento humano, o estágio mítico passa a ser o principal viés plausível para a análise metafísica.
O mito, por mais que a ciência se desenvolva e as técnicas passem a fazer parte do ser humano, será preponderante no juízo humano.
A partir da fusão entre mito, religião e ciência na história do conhecimento, o mito conseguiu manter seu lugar prioritário na cognição humana.
O desenvolvimento do pensamento científico, principalmente a partir da idade moderna, subtrai o significado anteriormente quase hegemônico do mito.


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No que se refere à relação entre mito e filosofia, assinale a alternativa correta.
O mito é um conjunto de saberes reunidos durante a história de um povo, e seu conteúdo é mera fantasia sem significação filosófica.
A filosofia afasta-se do mito por conta de seu caráter popularesco e falso, que aponta para histórias como maneira de alienação e embrutecimento.
Filosofia e mito são duas maneiras diferentes de circulação de conhecimentos relativos a determinada sociedade.
O mito é uma característica apenas das sociedades ditas primitivas, sendo abandonado na medida em que o desenvolvimento do conhecimento floresce.
Acerca das diferenças entre pensamento mítico e pensamento conceitual, assinale a alternativa correta.
Enquanto o pensamento conceitual opera por bricolage (associação dos fragmentos heterogêneos), o pensamento mítico opera por método (procedimento lógico para a articulação racional entre os elementos homogêneos).
O pensamento lógico opera pela reunião de heterogêneos, isto é, reúne, junta, relaciona e faz elementos diferentes e heterogêneos agirem uns sobre os outros.
O mito organiza a realidade, dando às coisas, aos fatos, às instituições um sentido analógico e metafórico, isto é, uma coisa vale por outra, substitui outra.
O pensamento mítico submete seus procedimentos a métodos, isto é, a regras de verificação e de generalização dos conhecimentos adquiridos.
O pensamento conceitual estabelece relações entre seres naturais e humanos. Coisas e humanos se relacionam por participação, por formas secretas de ação à distância.
Na peça Orfeu da Conceição, Vinícius de Morais traz à tona um dos mitos clássicos gregos. Em sua tragédia carioca, o escritor coloca o herói grego em um cenário suburbano e repleto de referências populares e clássicas. No início da peça Apolo observa características de Orfeu e diz: “APOLO: Toca muito o meu filho, até parece não um homem, mas voz da natureza... Se uma estrela falasse, assim dizia. Escuta só (dá risada). Até ofende a Deus tocar dessa maneira. Olha que acordes!” (MORAIS, Vinícius. Orfeu da Conceição (tragédia carioca. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1956, p.18).
Acerca da mitologia é correto afirmar que:
I. A função de toda a mitologia é precisamente proteger o incompreensível de qualquer demanda para a justificação, a aceitar a sua existência enquanto despojamento todos os seus aspectos terríveis, graças ao suprimento infinito de imagens que emitem luz do livre jogo da imaginação.
II. Os mitos são encerrados em um tempo e localidade e, desta maneira, não tem um caráter universalizante. Os mitos revelam apenas os aspectos sociais e religiosos de um povo ou dos iniciados em um determinado culto, como na Grécia.
III. A fala de Apolo: “até ofende a Deus tocar desta maneira”, expressa um temor dos deuses em relação aos humanos. A caracterização deste temor é uma marca presente em diversas tragédias, revelando que os humanos têm a liberdade como marca durante suas vidas.
IV. A sobrevivência da mitologia em nosso cotidiano é perceptível em diversas expressões artísticas, seja em peças teatrais, animes, histórias em quadrinhos, músicas etc. Tais elementos representam um dos usos que são feitos do mito, como em Platão, a saber, a possibilidade de abertura para o diálogo.
Ao analisar as alternativas é correto afirmar que:
Apenas as alternativas II e III estão corretas.
Apenas as alternativas I e II estão corretas.
Apenas as alternativas III e IV estão corretas.
As alternativas II, III e IV estão corretas.
Apenas as alternativas I e IV estão corretas.
Ao abordar semelhanças, diferenças e possíveis relações entre mito e filosofia, diz que uma das semelhanças é o fato de ambas as formas de pensamento terem também oferecido discursos explicativos sobre a origem do mundo, ou do universo.
(CHAUÍ, 2003)
A diferença entre mito e filosofia apontada pela autora, com relação à explicação da origem do mundo, é que os discursos explicativos míticos
são calcados em um passado imemorial e os discursos filosóficos nas situações do presente.
são narrativas imaginosas e os discursos filosóficos iniciais são poéticos.
são cosmogonias e teogonias e os discursos filosóficos, ao surgirem, são cosmologias.
são cosmologias e os discursos filosóficos são cosmogonias.
preocupavam-se em não conter contradições e os da filosofia, neste momento de seu surgimento na Grécia Antiga, não se preocupavam com este aspecto do seu pensamento.
Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta.
Os gregos deram o nome de Filosofia a uma forma nova e inusitada de pensar. Essa palavra, atribuída a ___________, é composta de filo (vinda de philía, amizade) e sofia (sophía, sabedoria), philosophía: amizade pela sabedoria, amor ao saber. Afirmam os historiadores da filosofia que esta possui data e local de nascimento: nasceu entre o final do século VII a.C. e o início do século VI a.C., nas colônias gregas da Ásia Menor – particularmente as que formavam a Jônia –, e o primeiro filósofo, ___________, era natural de Mileto. Além da data e do local, a filosofia também possui, ao nascer, um conteúdo preciso: é uma ___________, isto é, uma explicação racional sobre a origem e a ordem do mundo.
Filolau de Crotona / Teofrasto / cosmogonia
Pitágoras de Samos / Tales / cosmologia
Heráclio de Éfeso / Anaxímenes / cosmogonia
Xenófanes de Colofão / Sócrates / cosmologia
Sócrates / Anaximandro / teogonia


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O mais conhecido oráculo dedicado ao deus Apolo situava-se em Delfos e constituiu um importante referencial para o pensamento grego.
Certo
Errado
O pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos essenciais da realidade em que vive: a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais e as origens deste povo, bem como seus valores básicos. O mito caracteriza-se, sobretudo, pelo modo como essas explicações são dadas, ou seja, pelo tipo de discurso que constitui.
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MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos
a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, com adaptações.
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De acordo com o texto assinale a alternativa que apresenta as explicações mitológicas oferecidas, isto é, o tipo de discurso da mitologia.
A explicação mítica nasce a partir dos problemas da realidade. Por isso, a elaboração de seu discurso depende do uso exclusivo da razão. Nesse sentido, importa muito mais a forma do discurso que o conteúdo.
A magia condiz com a explicação mitológica na medida em que funciona como um recurso para dirimir a insatisfação que os gregos sentiam quanto aos eventos desconhecidos do real. O discurso mítico é, portanto, inteiramente racional.
Uma das principais características da explicação mítica é o apelo ao sobrenatural. Como os mitos são frutos de uma tradição cultural e não de um indivíduo, seu discurso condiz com a visão de mundo de determinado povo; eles pressupõem adesão e aceitação em relação às explicações oferecidas.
Os deuses, na explicação mitológica, são fundamentais justamente porque conferem verdade ao que é cantado pelos rapsodos. Essa verdade radica-se por meio do discurso lógico de Aristóteles.
O poder explicativo dos mitos nunca foi contestado, pois o discurso mitológico é aquele que convence.
As mitologias, apesar de não serem subordinadas à lógica nem das realidades objetivas, nem das verdades científicas, relacionam-se com o pensamento filosófico.
Certo
Errado
As diferenças entre a dimensão mítica e a dimensão profana se dão até mesmo nas estruturas espaço-temporais segundo as quais o mundo é organizado.
Certo
Errado
Um exemplo de secularização do mundo é a noção da casa como “máquina de morar”.
Certo
Errado