Questões de Concurso sobre São Tomás de Aquino

 
 
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São Boaventura e Santo Tomás de Aquino são dois clássicos da escolástica. Leão XIII falou deles como “due olivae et duo candelabre in domo Dei Lucentia” (duas oliveiras e dois candelabros resplandecentes na casa de Deus).


REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia. 2. Ed. São Paulo: Paulus, 2005. v. 2, p. 261.


São Boaventura diferencia-se de Santo Tomás de Aquino por


A

não defender a autonomia da natureza perante a sua raiz divina.


B

defender o fideísmo agostiniano contra o racionalismo aristotélico.


C

não defender a distinção ontológica entre o ser em si e o ser participado.


D

defender o panteísmo próprio do pensamento franciscano.

Com base no pensamento de São Tomás de Aquino, é INCORRETO afirmar que:


A

A alma humana é substância completa por si só e não necessita do corpo para realizar suas funções cognitivas e morais no mundo.


B

Fé e razão, embora distintas, são harmônicas: a razão pode demonstrar verdades naturais sobre Deus, enquanto a fé revela verdades sobrenaturais inacessíveis à razão.


C

A ética tomista considera a bem-aventurança (beatitude) como o fim último do homem, o qual só pode ser plenamente alcançado pela visão de Deus.


D

A existência (esse) é o ato supremo de toda realidade criada, sendo em Deus o próprio ser subsistente, sem distinção entre essência e existência.


E

As Cinco Vias propostas por Tomás partem de dados da experiência sensível e conduzem, por via racional, à existência de um primeiro motor ou causa primeira.

Um dos esforços filosóficos e teológicos mais célebres da história da filosofia é aquele empreendido por Tomás de Aquino no sentido de provar a existência de Deus. Para isso, utilizou-se de cinco vias. Sobre elas, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) Movimento: parte da consideração de que tudo o que se move é movido por outro e que, portanto, para não terminar em um regresso ao infinito que nada explicaria, é preciso admitir algo que move e que não é movido por nada: e este é Deus.

( ) Causa: constata que nenhuma coisa pode ser causa de si mesma e, assim, deduz o fato de que deve existir uma causa primeira e não causada, que produz e não é produzida, que se identifica com o ser que se chama Deus.

( ) Contingência: parte do princípio de que o que pode não ser não existia a um certo tempo; assim, nem tudo é contingente, mas é preciso que haja algo necessário, e é aquilo que costumeiramente se chama Deus.

( ) Graus de perfeição: deduz, da constatação empírica de uma gradação de perfeições, a existência de uma suma perfeição, que é justamente chamada Deus.

( ) Finalismo: parte da constatação de que os corpos físicos operam para um fim e deduz que eles agem de tal modo porque são dirigidos por um ser inteligente, como a flecha do arqueiro. O ordenador supremo é aquele que chamamos Deus.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


A

F - F - F - F - F.


B

V - F - V - F - V.


C

F - V - F - V - F.


D

V - V - F - F - V.


E

V - V - V - V - V.

O pragmatismo, partindo da verdade de que o conhecimento deva servir à vida e favorecer as finalidades práticas, inverte a relação, e faz com que a verdade deva ser reduzida a promover a prática da vida. Ora a própria condução da vida e de suas finalidades depende fundamentalmente da verdade que o homem tenha de si mesmo.


A verdade e a evidência − estudo introdutório. In: TOMÁS DE AQUINO, Verdade e conhecimento, p. 93.


Com base na concepção filosófica de verdade como problema gnosiológico e existencial, é correto e coerente afirmar que:


A

A verdade, no campo filosófico, deve sempre coincidir com os paradigmas da ciência moderna, por serem eles os únicos capazes de formular juízos válidos.


B

Toda forma de verdade é, por definição, relativa ao sujeito e ao contexto histórico, não sendo possível falar em verdade universal sem incorrer em autoritarismo conceitual.


C

A verdade é acessível por meio da experiência sensível organizada segundo os princípios da indução empírica, estando plenamente assegurada na observação científica.


D

A verdade, em sua dimensão filosófica, transcende a mera adequação entre juízo e fato, exigindo a problematização das condições de possibilidade do conhecimento e da relação sujeito-objeto, implicando uma abertura ao questionamento da própria linguagem.


E

O critério de verdade filosófica é fornecido pela coerência lógica entre as proposições, bastando à razão garantir a consistência interna dos argumentos.

Para Tomás de Aquino, os entes criados são contingentes e dependem ontologicamente de dois princípios: a essência e a existência. No caso de Deus, por outro lado, essência e existência coincidem.


No caso das criaturas, estes dois conceitos designam, respectivamente,


A

a finalidade do ente e os meios que o conduzem ao seu propósito.


B

o que o ente é por sua natureza e o ato pelo qual ele vem a ser.


C

a forma do ente e as mudanças que ele sofre ao longo do tempo.


D

o princípio que põe o ente em movimento e sua atividade constante.


E

a materialidade do ente e sua aptidão para ser causa de outros.

Pode-se provar a existência de Deus por cinco vias. À primeira [...] parte do movimento. Nossos sentidos atestam, com toda a certeza, que neste mundo algumas coisas se movem. Ora, tudo o que se move é movido por outro. [...] Assim, se o que move é também movido, o é necessariamente por outro, e este por outro ainda. Ora, não se pode continuar até o infinito [...]. É então necessário chegar a um primeiro motor, não movido por nenhum outro, e este, todos entendem: é Deus.


TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. Vol. 1. 9. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2009.


Na primeira via, Tomás de Aquino explica o movimento com base em um princípio da filosofia clássica, qual seja:


A

o nous, inteligência cósmica introduzida por Anaxágoras para ordenar o real.


B

o ser imóvel e uno de Parmênides, em que o movimento é apenas ilusão sensível.


C

o apeiron, princípio indeterminado de Anaximandro como fonte de tudo o que existe.


D

a harmonia numérica dos pitagóricos, entendida como fundamento da ordem universal.


E

a causa eficiente, proposta por Aristóteles como origem da mudança na realidade sensível.

Sobre Tomás de Aquino (1225-1274), é possível afirmar que:


A

Para Tomás de Aquino, Deus é a fonte de toda a existência, havendo somente Nele diferença objetiva entre essência e existência.


B

Em sua obra Suma Teológica, Tomás de Aquino apresenta três provas da existência de Deus.


C

A primeira e a segunda provas da existência de Deus, na perspectiva de Tomás de Aquino, são de caráter neoplatônico.


D

Tomás de Aquino defende a ideia de que os universais existem fora da alma e, por isso, o intelecto compreende coisas que estão fora da alma.


E

Por um lado, ele sustenta uma visão unitária de ser e, por outro, cria um dualismo na esfera do conhecimento, à medida que propõe um conhecimento advindo da razão (que extrai da experiência dos sentidos seu conteúdo) e um conhecimento advindo da revelação como fonte independente de conhecimento.

São Tomás de Aquino lançou as bases filosóficas para a investigação racional do mundo natural. Isso se deve ao fato de ele ter repensado a relação entre


A

o indivíduo e a sociedade.


B

o ser e o nada.


C

o idealismo e o materialismo.


D

a razão e a fé.


E

a natureza e a graça.

A filosofia de São Tomás de Aquino é marcada, entre outros pontos, por sua teoria da lei natural, cujo preceito fundamental é:


A

Deve-se fazer o bem e evitar o mal.


B

O homem é a medida de todas as coisas.


C

Não se pode banhar-se duas vezes no mesmo rio.


D

Toda arte e toda investigação visam a um bem.

A filosofia de Tomás de Aquino se apoia na filosofia aristotélica e toma como uma das provas racionais da existência de Deus, o fato de haver um telos na natureza.


Isso significa que


A

a realidade possui variados graus de perfeição.


B

os seres possuem uma finalidade natural dada.


C

Deus é o primeiro motor de todo movimento.


D

os entes são simulacros das ideias de Deus.


E

todos os seres partilham da essência divina.

“Quanto ao 2º argumento, deve-se afirmar que talvez aquele que ouve o nome de Deus não entenda que ele designa algo que não se possa cogitar maior; pois alguns acreditaram que Deus é um corpo. Mas admitido que todos deem ao nome de Deus a significação que se pretende: maior que Ele não se pode cogitar, não se segue daí que cada um entenda que aquilo que é significado pelo nome exista na realidade, mas apenas na apreensão do intelecto. Nem se pode deduzir que exista na realidade, a não ser que se pressuponha que na realidade exista algo que não se possa cogitar maior, o que recusam os que negam a existência de Deus.”


AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. São Paulo: Edições Loyola, 2009.


O trecho citado mostra a refutação, por Tomás de Aquino, do argumento celebrizado por Anselmo de Cantuária. Assinale a opção que descreve corretamente este argumento.


A

Deriva a existência de Deus como consequência necessária de sua definição.


B

Encontra a evidência da existência de Deus na organização racional da realidade.


C

Sustenta que a existência de Deus só se pode provar mediante revelação.


D

Faz a demonstração da existência de Deus a partir de princípios matemáticos.


E

Toma a existência de Deus como necessária dada a cadeia causal da realidade.

Ano: 2023
Prova: FUNDATEC - Prefeitura de Porto Alegre - Professor - Área Filosofia - 2023

A respeito do debate entre Filosofia e Teologia proposto por São Tomás de Aquino, pode-se afirmar que:


I. Ele acreditava na Filosofia como uma demonstração racional vinda de princípios existentes com conclusões inteligíveis.

II. O conhecimento na interpretação teológica fundamenta-se na relação com o divino, portanto essa relação é um dos critérios para o conhecimento da verdade.

III. O conhecimento teológico é a identificação de um “primeiro motor imóvel” que movimenta alguma coisa, mas não é movimentado por nenhuma força, portanto, essa força que move sem ser movida é o próprio Deus ou o próprio conhecimento.


Quais estão corretas?


A

Apenas III.


B

Apenas I e II.


C

Apenas I e III.


D

Apenas II e III.


E

I, II e III.

Um dos principais filósofos do período conhecido como escolástica, Tomás de Aquino foi um filósofo da idade média proponente da teologia natural, disciplina dedicada a provar a existência de Deus ou de seus atributos por modos puramente filosóficos, e originador do tomismo, uma tentativa de conciliar as posições e métodos de Aristóteles com o cristianismo, adotado como a principal corrente filosófica oficial da Igreja Católica. Diversos aspectos da filosofia ocidental floresceram como respostas a posicionamentos de Aquino, com influência na ética, teoria politica e metafísica. (Willyans Maciel https://www.infoescola.com/biografias/sao-tomas-de-aquino/)


Segundo esse contexto, assinale a alternativa INCORRETA:


A

Diferente de seus antecessores, Tomás de Aquino foi mais ligado à filosofia de Aristóteles do que a Platão e o platonismo, colocando a escolástica em uma nova fase, com maior enfase no uso da razão e ampliando o uso das novas fontes aristotélicas, novas transcrições e traduções dos escritos de Aristóteles, especialmente acerca de metafísica e epistemologia.


B

Defendeu a razão e argumentação como base da filosofia, rejeitou o platonismo e agostinianismo, posições que dominaram os primeiros anos da escolástica.


C

Aquino promoveu, acompanhado por Alberto Magnus, uma síntese da doutrina cristã e da teoria aristotélica, ajudando a definir o que seria a filosofia da igreja Católica.


D

Aquino não defendeu a razão e argumentação como base da filosofia, e, portanto, não rejeitou o platonismo e agostinianismo.

A escolástica surge no final do século IX e alcança seu apogeu no século XIII, tornando-se a mais alta expressão da filosofia cristã medieval. É nesse período (século XIII) que Tomás de Aquino (1225-1274) busca sistematizar o pensamento aristotélico, adequando-o à fé cristã. Considerando o pensamento de Tomás de Aquino, analise as afirmações abaixo.


I – Para Tomás de Aquino, a revelação era critério de verdade e, em caso de contradição entre razão e fé, deveria predominar a verdade revelada.

II – Tomás de Aquino entende que o processo de conhecimento tem início com as coisas concretas, passando pelos sentidos internos até a apreensão de formas abstratas.

III – No entendimento de Tomás de Aquino, não é possível alcançar uma felicidade mais alta na vida presente.

IV – Nas chamadas “cinco vias”, Tomás de Aquino determina que há um motor que move todas as coisas e que não é movido por nada, mas, ao contrário de Aristóteles, pensa que esse motor está alheio ao mundo.

V – No argumento teleológico para “as provas da existência de Deus”, Tomás de Aquino defende que toda a natureza tem uma finalidade, pois, caso contrário, não haveria ordem. Sendo assim, deve haver uma inteligência ordenadora, que, no caso, seria Deus.


Estão CORRETAS:


A

Apenas I, II e V.


B

Apenas I, III e IV.


C

Apenas I, II, III e V.


D

Apenas III e V.


E

I, II, III, IV e V.

Tomás de Aquino formulou cinco demonstrações da existência de Deus, conhecidas com o nome de “cinco vias”. O ponto de partida de cada via é constituído por elementos extraídos da cosmologia aristotélica. Segundo Tomás, a primeira via é a mais evidente. Trata-se da via


A

do movimento.


B

da causa.


C

da contingência.


D

dos graus de perfeição.


E

do finalismo.

A respeito do conceito de justiça, assinale a alternativa correta.


A

Segundo São Tomás de Aquino, mesmo sendo injusta uma lei humana, deve ela ser sempre obedecida.


B

Para São Tomás de Aquino, a justiça natural tem como fundamento a própria existência na natureza.


C

Santo Agostinho reconhece a supremacia da lei divina, mas não deve ela influenciar a lei humana, fruto da criação legislativa, sendo instâncias separadas.


D

Santo Agostinho aceita a existência de vários conceitos de “justiça”, tendo em vista as peculiaridades das diversas sociedades.


E

Segundo Aristóteles, o conceito de justiça particular corretiva é aplicável aos indivíduos em situação de igualdade e é baseado no mérito dos indivíduos.

Na Summa contra gentiles, falando a propósito das verdades relativas a Deus, Tomás escreve: “há algumas verdades que superam todo poder da razão humana, como, por exemplo, a verdade de que Deus é uno e trino. Outras verdades podem ser pensadas pela razão natural, como, por exemplo, as verdades de que Deus existe, de que Deus é uno, e outras mais”.

-

REALE, G.; ANTISIERI, D. História da filosofia: patrística e escolástica.

Volume 2. Tradução de Ivo Storniolo. São Paulo: Paulus, 2003.

-

Com base no texto e em seus conhecimentos a respeito de Tomás de Aquino, assinale a alternativa correta.


A

A razão natural é complementada, e não negada, pela fé.


B

Somente a fé pode aceder à verdade da existência e à unicidade de Deus.


C

Apenas a racionalidade pode desvelar a verdade das três pessoas na única substância de Deus.


D

Tal qual Aristóteles, o qual chamava de “O Filósofo”, Tomás de Aquino afirma que há verdades, como a da Trindade, que a razão natural não pode alcançar, enquanto outras, como a da existência de Deus, são acessíveis a ela.


E

Razão natural é aquela que, exercida com método, chega indubitavelmente a toda verdade revelada.

Trazida até o século XIII por uma tradição na história da filosofia, a chamada sindérese é, segundo Tomás, parte responsável pela apreensão dos primeiros princípios da razão prática.


Sobre a sindérese no pensamento de Tomás de Aquino, assinale a alternativa correta.


A

A apreensão da lei natural pela razão prática independe da razão especulativa


B

Pelo fato de a razão ser uma só, prática e especulativa, a apreensão dos primeiros princípios decorre de um processo intelectivo dedutivo, o que implica que os princípios da lei natural são princípios inatos, visto que de outra forma a razão incorreria em regresso ao infinito. Sendo assim, a razão, por algo como uma intuição intelectual ou iluminação, já teria em si os primeiros princípios da razão prática


C

A sindérese, como hábito dos primeiros princípios da razão prática, ainda que razão una seja com a especulativa, e proceda de modo dedutivo, partindo de premissas que funcionem como princípios, não implica em aceitação da teses de que os homens possuem os princípios da lei natural como inatos: tal como qualquer outro conhecimento, estes também são “compreendidos”


D

A sindérese não pode ser posta ao lado de vontade, intelecto agente e razão como partes do processo intelectual e epistemológico que fundamenta as ações morais

Mas, como princípio de individualização é a matéria, disto talvez parecesse decorrer que a essência, que abarca em si simultaneamente a matéria e a forma, seja apenas particular e não universal. Do que decorreria que os universais não teriam definição, se a essência é aquilo que é significado pela definição. Por isso, cumpre saber que a matéria é princípio de individuação, não tomada de qualquer maneira, mas apenas a matéria assinalada. Denomino matéria assinalada a que é considerada sob dimensões determinadas. Esta matéria, no entanto, não é posta na definição do homem na medida em que é homem, mas seria posta na definição de Sócrates se Sócrates tivesse definição. A matéria não assinalada é posta, no entanto, na definição do homem. De fato, não se põe na definição do homem esta carne e este osso, mas carne e osso de maneira absoluta, os quais são a matéria não assinalada do homem.


AQUINO, T. de. O ente e a Essência. Trad. de Carlos Arthur do Nascimento. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013 (adaptado).


Acerca do princípio de individuação, conforme a teoria de Tomás de Aquino, avalie as afirmações a seguir.


I. Sócrates e a definição de homem são equivalentes, em função da matéria não assinalada.

II. A definição de homem não admite matéria assinalada, pois, como definição, não comporta matéria.

III. A matéria assinalada em dimensões determinadas é condição necessária para a individuação.

IV. Os universais têm essência, a saber, a forma e a matéria não assinaladas, assim não podem ser somente nomes aplicados a muitos.


É correto apenas o que se afirma em


A

I e II.


B

II e III.


C

III e IV.


D

I, II e IV.


E

I, III e IV.

Assinale a alternativa que complete corretamente a lacuna: “a definição formal de verdade inclui não somente ______ em sua essência, mas ______.”


A

o ser e a verdade


B

o ente e o intelecto


C

a verdade e a realidade


D

a sensação e o intelecto

 
 
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