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A atuação nos Transtornos do Processamento Auditivo Central (TPAC) exige compreensão dos mecanismos neurofuncionais da audição e dos princípios neuroplásticos envolvidos na reabilitação auditiva. Com base nos fundamentos sobre o TPAC e sua intervenção terapêutica, assinale a alternativa CORRETA.
O diagnóstico de transtorno do processamento auditivo pode ser estabelecido por queixas escolares associadas à audiometria tonal normal, independentemente da avaliação específica das habilidades auditivas centrais.
O treinamento auditivo direcionado às habilidades alteradas fundamenta-se na neuroplasticidade do sistema nervoso auditivo central, podendo favorecer melhora em tarefas de figura-fundo, ordenação temporal e fechamento auditivo.
Crianças com transtorno do processamento auditivo geralmente apresentam perda auditiva periférica leve associada, condição diretamente relacionada às dificuldades de compreensão de fala no ruído.
A intervenção fonoaudiológica no transtorno do processamento auditivo deve priorizar adaptações ambientais, considerando a limitada possibilidade de modificação das habilidades auditivas centrais após a infância.
O Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) é um exame eletrofisiológico utilizado na investigação da integridade funcional da via auditiva até o tronco encefálico. Com base nos princípios relacionados às indicações e interpretação do PEATE, assinale a alternativa CORRETA.
O PEATE com estímulo clique possibilita análise detalhada das frequências graves da cóclea, sendo amplamente utilizado para definição eletrofisiológica dos limiares auditivos específicos por frequência.
O aumento das latências das ondas III e V, associado ao prolongamento dos intervalos interpicos l-lll e I-V, pode estar relacionado a alterações retrococleares ou comprometimento da condução neural em tronco encefálico auditivo.
Em perdas auditivas condutivas, o PEATE costuma apresentar alterações predominantes nos intervalos interpicos, em decorrência do comprometimento da transmissão neural central.
Na triagem auditiva neonatal, o PEATE apresenta finalidade semelhante à das emissões otoacústicas, uma vez que ambos investigam prioritariamente o funcionamento das células ciliadas externas.
As práticas de biossegurança em Fonoaudiologia são fundamentais para reduzir riscos de contaminação cruzada durante o atendimento clínico. Nesse contexto, a conduta mais adequada é:
Aplicação de medidas de proteção apenas em procedimentos invasivos.
Utilização de EPIs conforme avaliação individual do profissional.
Priorização de barreiras físicas em detrimento da higienização das mãos.
Realização de higienização apenas quando houver contato com secreções visíveis.
Adoção de medidas padronizadas de controle de infecção em todos os atendimentos.
Um trabalhador exposto a ruído intenso por vários anos apresenta dificuldade auditiva progressiva, especialmente para sons agudos, com zumbido associado e padrão audiométrico típico:
O quadro é compatível com perda auditiva causada por infecção aguda da orelha média.
O quadro sugere comprometimento auditivo relacionado exclusivamente ao envelhecimento.
O quadro corresponde a alteração transitória sem relação com exposição ambiental.
O quadro indica alteração vestibular com repercussão auditiva secundária.
O quadro caracteriza perda auditiva induzida por ruído ocupacional prolongado.
Durante avaliação miofuncional orofacial, observa-se em um paciente desvio da língua à protrusão, redução de força lingual e prejuízo na organização do bolo alimentar, com preservação da mímica facial e ausência de alterações velofaríngeas, exigindo correlação entre o achado clínico e a via neural envolvida:
Nervo trigêmeo.
Nervo facial.
Nervo vago.
Nervo hipoglosso.
Nervo acessório.
Na prevenção e na intervenção audiológica do trabalhador idoso exposto a ruído, a leitura clínica precisa separar o efeito ocupacional do envelhecimento sem perder de vista a sobreposição entre ambos. Assinale a alternativa correta.
A perda auditiva do trabalho costuma iniciar em frequências graves, o que ajuda a distingui-la da perda associada ao envelhecimento.
A perda auditiva ligada ao trabalho é flutuante e reversível nas fases iniciais, enquanto a do envelhecimento se estabiliza logo após o diagnóstico.
A presbiacusia atinge a sensibilidade periférica, enquanto a exposição ocupacional compromete sobretudo funções centrais de linguagem e memória auditiva.
O uso de aparelho auditivo encerra a reabilitação do idoso exposto a ruído, porque as dificuldades em ruído tendem a ceder com a amplificação adequada.
A perda auditiva induzida por ruído costuma ser neurossensorial, bilateral e irreversível, e o envelhecimento pode somar piora de fala em ruído e comunicação.
Considerando o processamento auditivo central e seu diagnóstico diferencial, analise as afirmativas:
I - Dificuldade para entender fala em ruído, em reverberação ou em mensagens competitivas pode aparecer tanto em alterações do processamento auditivo quanto em outros quadros.
II - O raciocínio diagnóstico pede audição periférica adequadamente estudada e leitura interdisciplinar das queixas de linguagem, atenção e aprendizagem.
III - Diferenças decorrentes da aprendizagem de mais de uma língua pedem interpretação cuidadosa e, isoladamente, não caracterizam transtorno do processamento auditivo.
IV - O diagnóstico se fecha por questionário comportamental quando a queixa em ruído coincide com baixo rendimento escolar e os testes formais variam.
V - O mesmo conjunto de tarefas pode ser aplicado de forma indistinta em qualquer faixa etária e em qualquer repertório linguístico.
Estão corretas as afirmativas.
I, II e III, apenas.
I, II e IV, apenas.
III e V, apenas.
II, III e IV, apenas.
I, II, III, IV e V.
Durante o acompanhamento de um paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica em fase estável, o fonoaudiólogo observa redução do tempo máximo de fonação, quebras frequentes da cadeia falada, necessidade de inspirações suplementares em enunciados curtos e piora da inteligibilidade em fala encadeada, sem evidência de lesão estrutural laríngea primária ou alteração neurológica central associada. Considerando a base fisiológica que mais diretamente explica a limitação comunicativa descrita, o componente funcional predominantemente comprometido é:
Ressonância supraglótica.
Coordenação pneumofônica.
Mobilidade velofaríngea.
Discriminação auditiva.
Planejamento articulatório.
Na unidade de terapia intensiva, um adulto após extubação prolongada mantém voz molhada, tosse inconsistente, secreções abundantes e oscilação clínica que dificulta transporte até a radiologia. A equipe pede ao fonoaudiólogo um exame instrumental que ajude a responder sobre segurança da via oral e manejo das secreções nesse contexto.
Assinale a alternativa correta.
A videofluoroscopia ocupa escolha inicial porque revela melhor a anatomia laríngea em tempo real e pede menor participação clínica do paciente.
A ausculta cervical substitui o exame instrumental nesse cenário, pois o risco de aspiração já se mostra clinicamente delimitado.
A avaliação endoscópica da deglutição à beira leito ganha vantagem, porque permite analisar secreções, penetração e aspiração no contexto instável.
A oximetria de pulso seriada ocupa o recurso instrumental mais sensível para definir segurança alimentar em paciente crítico.
A avaliação clínica oral basta quando a tosse já aparece, porque a aspiração silenciosa deixa de ser preocupação relevante após extubação.
Considerando o diagnóstico diferencial entre afasia, apraxia de fala adquirida e disartria, analise as afirmativas:
I - A apraxia de fala adquirida envolve prejuízo de planejamento ou programação da fala e pode coexistir com afasia e disartria.
II - A disartria corresponde a um conjunto de distúrbios motores da fala com repercussão possível sobre respiração, fonação, ressonância, articulação e prosódia.
III - A afasia atinge o processamento da linguagem em modalidades orais e escritas e pode coexistir com mecanismo motor da fala relativamente preservado.
IV - Groping articulatório e inconsistência de erros figuram entre os marcadores clínicos mais estáveis da disartria no adulto.
V - A compreensão linguística ocupa o núcleo da disartria e ajuda a distingui-la das afasias nas avaliações clínicas iniciais.
Estão corretas as afirmativas.
I, II e III, apenas.
I, II e IV, apenas.
III e V, apenas.
II, III e IV, apenas.
I, II, III, IV e V.
Paciente destro, após acidente vascular encefálico isquêmico em hemisfério esquerdo, apresenta fala não fluente, produção verbal reduzida, agramatismo, dificuldade de repetição e relativa preservação da compreensão para comandos simples, sem evidência de fraqueza muscular periférica significativa que justifique o quadro:
Afasia de Wernicke.
Afasia anômica.
Afasia de Broca.
Disartria hipocinética.
Apraxia de fala.
Criança previamente submetida à correção cirúrgica de alteração craniofacial apresenta fala com escape aéreo nasal audível, redução da pressão intraoral durante a produção de consoantes oclusivas e fricativas e inteligibilidade comprometida em tarefas de fala dirigida, sem evidência de perda auditiva ou déficit motor global. A persistência do quadro, mesmo após intervenção adequada, sugere comprometimento funcional relacionado ao mecanismo de separação entre cavidades durante a fala:
Alteração auditiva condutiva.
Apraxia de fala.
Disartria flácida.
Transtorno fonológico.
Disfunção velofaríngea.
Durante o período perinatal, determinadas intercorrências podem comprometer o desenvolvimento neuropsicomotor.
Assinale a alternativa que apresenta uma condição associada à encefalopatia hipóxico-isquêmica.
Tremores finos de extremidades e ausência de reflexos primitivos.
Hipotonia inicial, seguida de hipertonia em padrão espástico nos meses seguintes.
Presença de microcefalia progressiva e espasticidade predominantemente facial.
Movimentos coreoatetósicos desde o nascimento, com preservação do tônus.
Hipertonia axial associada à ataxia cerebelar.
Em relação ao desenvolvimento neuropsicomotor típico, assinale a alternativa correta.
O controle postural da cabeça surge após o início da deambulação independente.
A marcha independente precede o controle do tronco superior.
O controle cefálico e de tronco antecede o sentar independente, refletindo a sequência céfalo-caudal de desenvolvimento.
A coordenação óculo-manual se estabelece geralmente após o primeiro ano de vida.
O engatinhar é considerado um marco essencial e universal do desenvolvimento motor.
Um neonato com idade gestacional corrigida (IGC) de 35 semanas, com histórico de síndrome do desconforto respiratório e ventilação mecânica prolongada nos primeiros 10 dias de vida, está sendo preparado para a transição alimentar via oral.
Considerando os principais preditores de risco para dificuldades na coordenação sucção-deglutição-respiração descritos na literatura, qual dos fatores a seguir é corretamente associado à necessidade de intervenção imediata para disfagia neonatal?
Peso ao nascimento superior a 2.500 g.
Presença de reflexo de sucção exacerbado.
Ausência de sucção não nutritiva antes de 28 semanas de IGC.
Necessidade de uso de oxigênio suplementar por tempo prolongado ou presença de displasia broncopulmonar.
Tempo de internação em UTI neonatal menor que 14 dias.
Em uma criança com encefalopatia crônica não progressiva (paralisia cerebral do tipo discinética), espera-se observar
padrão motor espástico, com reflexos primitivos persistentes e tônus aumentado.
movimentos involuntários e flutuação do tônus muscular, com fala de difícil coordenação.
hipotonia generalizada e ausência de controle postural.
rigidez muscular e tremor de repouso semelhantes aos observados na doença de Parkinson.
padrão atáxico, com desequilíbrio e incoordenação motora fina.
Durante a avaliação audiológica completa, o achado de limiares tonais dentro da normalidade (ou com perda mínima), associado a um índice de reconhecimento de fala significativamente reduzido, é um indicador de
schwannoma vestibular.
perda auditiva mista.
otosclerose.
neuropatia auditiva.
disacusia neurossensorial coclear.
O transtorno do desenvolvimento da linguagem (TDL) é um diagnóstico de causa primária que impacta significativamente o funcionamento comunicativo.
Qual das seguintes alternativas resume corretamente a condição diagnóstica central do TDL, diferenciando-o de dificuldades de comunicação secundárias?
O TDL é definido pela dificuldade persistente na aquisição e no uso da linguagem que não é explicada por perda auditiva, disfunção neurológica evidente ou deficiência intelectual.
A manifestação principal do TDL é o comprometimento sintático-morfológico, com déficits severos na produção de verbos e flexões.
O diagnóstico preciso necessita da eliminação do transtorno do espectro autista (TEA) por meio de testes específicos.
O critério essencial é a dificuldade grave e isolada na fluência da fala e no planejamento motor.
O diagnóstico é estabelecido primariamente pela discrepância entre o desempenho linguístico (significativamente abaixo da média) e o quociente de inteligência não verbal (QI) na faixa de normalidade.
O achado de interposição lingual anterior durante a deglutição em um adolescente é mais corretamente interpretado como
Um reflexo compensatório primário de fonação que deve ser corrigido isoladamente antes da intervenção ortodôntica.
Um padrão de deglutição funcional adaptado em resposta a uma má oclusão de classe III.
Uma disfunção persistente do padrão neuromuscular imaturo de deglutição, sem relação direta com o tipo de oclusão dentária.
Uma compensação fisiológica decorrente de uma hiperfunção dos músculos orbicular da boca e bucinador.
uma deglutição disfuncional que, se persistente, atua como força extrínseca deletéria, frequentemente secundária a uma incompetência labial ou a um crescimento maxilar vertical (face longa).
A adoção da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) pela Fonoaudiologia orienta uma prática clínica que transcende o modelo estritamente biomédico.
Qual das alternativas a seguir reflete a orientação primordial da CIF para o fonoaudiólogo, especialmente na elaboração do Plano Terapêutico Singular?
O planejamento deve priorizar a correlação dos achados nosológicos (CID-11) com o nível de deficiência, visando à padronização e ao custeio dos serviços de saúde.
A intervenção deve ser primariamente direcionada à eliminação de barreiras ambientais (como a falta de acessibilidade comunicativa), pois elas são consideradas a principal causa da limitação da participação.
O foco terapêutico deve ser na descrição das limitações de atividades (o que o indivíduo não consegue fazer), sem a necessidade de intervenção nos fatores pessoais, que são considerados imutáveis.
A atuação deve focar na remediação das funções e estruturas do corpo (como o aumento da competência linguística ou vocal), pois esses são os componentes mais facilmente mensuráveis.
O fonoaudiólogo deve realizar uma análise circular e integrativa que correlaciona as funções e estruturas (deficiência) com a participação social (desempenho em contexto) e a influência dos fatores contextuais (ambientais e pessoais), definindo metas que promovam o desempenho comunicativo no ambiente real do indivíduo.