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Leia o TEXTO 16 para responder às questões de 36 a 40

TEXTO 16

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Leia o TEXTO 15 para responder às questões de 31 a 34.


TEXTO 15

O TRABALHO NA BALANÇA DOS VALORES

  1. Em A condição humana, [Hanna] Arendt retoma a distinção grega das três
  2. atividades fundamentais: labor, trabalho e ação. O labor é a atividade que corresponde
  3. ao processo biológico do corpo do homem pela sobrevivência, com o fim de
  4. manutenção e reprodução da vida. O modelo é o do camponês sobre o arado, o trabalho
  5. na terra. Ressalta a passividade dessa forma de atividade humana submissa aos ritmos da
  6. natureza, às estações, à intempérie, às forças incontroláveis. O produto desse esforço é
  7. perecível, embora dele dependa a vida de quem trabalha, por isso não é um trabalho
  8. livre. A condição humana do labor é a vida.
  9. Por outro lado, o trabalho propriamente dito, que corresponde à poiesis grega,
  10. significa fazer, fabricação, criação de um produto por técnica ou arte, e corresponde ao
  11. artificialismo da existência humana. Poiesis é a obra da mão humana e dos instrumentos
  12. que a imitam. O modelo é o do escultor; por seu resultado concreto, o fazer do artista
  13. adquire a qualidade da permanência e torna-se presença no mundo, para além da vida de
  14. seu produtor. A mundanidade é a condição humana do trabalho.
  15. Por sua vez, a ação ou praxis se exerce diretamente entre os homens, sem a
  16. mediação das coisas nem da matéria. Não apresenta um produto concreto, portanto, não
  17. possui a permanência da fabricação. É o domínio da atividade em que o instrumento é o
  18. discurso, a voz e a palavra do homem. Corresponde à condição humana da pluralidade e
  19. realiza a liberdade.
  20. Arendt também analisa a marca da cultura judaica e cristã na concepção
  21. ocidental da condição humana, em cujos entrelaçamentos se mantiveram a primazia da
  22. teoria sobre a atividade e o menosprezo do trabalho manual. Na tradição judaica, o
  23. trabalho se apresentava como castigo, meio de expiação do pecado original, labuta
  24. penosa a qual o homem foi condenado. Nos primeiros tempos do cristianismo, o
  25. trabalho continuou a ser visto como punição, embora servindo à saúde do corpo e da
  26. alma. Nos mosteiros medievais, devia ser alternado com a oração e limitar-se à
  27. satisfação das necessidades básicas da comunidade.

(ALBORNOZ, Suzana. O trabalho na balança dos valores (trecho adaptado). Revista Cult. São Paulo, v. 139, n. 9. 2009)

Relacionando o TEXTO 16 com o TEXTO 15, é CORRETO dizer que


A

a conversa entre Miguelito e Mafalda, no TEXTO 16, pode ser vista como uma atividade profissional do campo da ação, conforme explica o TEXTO 15, pois se baseia na palavra.


B

o questionamento de Miguelito, no TEXTO 16, ignora que a atividade profissional também pode se dar na dimensão do trabalho e da ação, opções que não se encaixam na crítica feita.


C

quando Hanna Arendt explica que a dimensão do trabalho se baseia na permanência do produto, ela desconstrói a ideia de desperdício, criticada no TEXTO 16.


D

quando Miguelito diz, no TEXTO 16, que as pessoas “desperdiçam a vida trabalhando” ele, implicitamente, dialoga com a ideia de trabalho como “labuta penosa”, “punição” (TEXTO 15).


E

a fala de Miguelito “trabalhar para ganhar a vida, claro”, refere-se exclusivamente ao labor, que tem como condição humana a vida, como visto no TEXTO 15.