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I. " Por isso a Educação começa, desde seus primórdios, a...

AS QUESTÕES 1 A 12 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO BAIXO


TEXTO I


1 _ __-- Antes do microscópio, muitos pensavam que o embrião humano, invisível a olho nu, fosse

2-- uma cópia minúscula do que é o ser humano pronto. Teria cabeça, tronco e membros - e também dois

3-- olhos, cada dedo, cada unha. O mesmo valia para o que hoje chamamos de Psicologia. Não se imaginava

4 -- uma psique diferente do bebê, da criança, mesmo do pré-adolescente. Uma das hipóteses é que sua

5 -- mente fosse uma tábula rasa, um papel em branco, no qual se escreveria o que seu mestre mandasse.

6 -- Em vez de Educação, tínhamos "instrução" - e não é por acaso que hoje essa palavra sobrevive

7-- principalmente nos manuais de instrução para usar máquinas ou outros aparelhos sem humanidade.

8 _ __-- A revolução na compreensão do homem, quem comandou foi Rousseau. Um dos erros

9-- -maiores dos cursos de graduação em Filosofia consiste em confiná-lo à disciplina de Ética, em vez de

10 -- dar-lhe a honra suprema de estrelar a História da Filosofia (por alguma brasileira razão, pensamos que

11 -- a Filosofia é menos que a História da Filosofia, que pensar é menos do que contar o que os outros

12 -- pensaram...). Sua teoria da Educação, exposta no Emílio, vem com uma revolução mais ampla, que afeta

13 -- a Política e a História.

14 ___-- Qual o cerne do Emílio? É que a criança não é um papel em branco. Ela, a cada fase de sua

15 -- vida, está apta a aprender e desenvolver certas coisas, outras não. Deve ser tratada da forma adequada

16-- à sua idade. Fazê-la brincar - "deixá-la sempre sem fôlego", como ele dirá - é uma das chaves para os

17-- pequenos. Há uma hora para ensinar a propriedade, outra para a religião. Perder essa relação entre o

18 -- ensino e a psique é jogar fora o trabalho de educar.

19 -- -- -- Educar é um movimento, pelo qual se sai de algo fechado para algo mais aberto (do latim

20 -- ex+ducere). É uma abertura para o mundo. A visão "antiga", que via no feto um homúnculo e na criança

21 -- uma tabula rasa, é substituída pela ideia de que desde o começo já somos alguma "coisa" (portanto,

22 -- não somos papel em branco). Mas diferente do que depois nos tornaremos (portanto, não somos um

23 -- microadulto). Por isso a Educação começa, desde seus primórdios, a namorar a ideia de mudar as

24 -- pessoas.

25 ___-- Um exemplo. La Bruyère, no final do século XVII, traduz Os caracteres de Teofrasto, obra

26-- velha de 2 mil anos, e acrescenta Novos caracteres. Caráter, plural caracteres, quer dizer duas coisas.

27 -- Primeira: o caráter da pessoa, no sentido de quem ela é, como ela é, algo como sua personalidade.

28 -- Segunda: a letra ou acento com que se escreve (aquilo que a ignorância da Microsoft chama de

29 -- "caractere"). Cada caráter é um tipo psicológico. É com uma série de caracteres - ou tipos psicológicos -

30 -- que se escreve a complexidade da vida. Haverá avarentos, pusilânimes, aduladores, só que esses tipos

31 -- não mudam com o tempo. Muda talvez tudo, mas não o caráter ou o tipo. O avarento de Teofrasto seria

32 -- como o avarento de hoje, só economizando moedas diferentes e de outra forma.

33 _-- __Pois bem, é isso que muda desde o século XVIII. Percebe-se que no tempo e no espaço

34 -- ocorrem diferenças enormes, que não cabem numa única tipologia. No tempo, é o que a História revela.

35-- Ela deixa de apenas referir datas que permitem localizar eventos indiferenciados, e passa a apontar

36-- modos de ser e de sentir diferentes: o pagão do cristão, o antigo do moderno. No espaço, é o que os

37 -- viajantes, alguns deles os primeiros etnólogos, mostram: sociedades em que não há vaidade, ou

38 -- avareza, ou algum dos outros traços, "bons" ou "maus", de nosso tempo. Assim nascem o que hoje

39 -- chamamos de História, Etnologia, Antropologia. Mas elas não permitem apenas descrever diferenças

40 -- profundas. Também nos levam a sonhar novos modos de ser, só que isso, tarefa da Educação, da

41 -- Política e da Psicologia.

...

42-------------------------- RIBEIRO, Renato Janine, In: Filosofia, ciência & vida, nº 116, p.82. Abril 2016.


I. " Por isso a Educação começa, desde seus primórdios, a namorar a ideia de mudar as pessoas." (L.23/24)

II. " Mas diferente do que depois nos tornaremos (portanto, não somos um microadulto).." (L.22/23)


Os conectivos em negrito, nos fragmentos em destaque, estabelecem, respectivamente, as relações de


A

conclusão e adição.


B

ressalva e ressalva.


C

explicação e oposição.


D

adversidade e alternativa.