Questões de Concurso sobre Conhecimentos específicos de Língua Portuguesa

 
 
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Desde a Constituição Federal de 1988, a legislação prevê o direito à educação para toda a população, inclusive para aquelas pessoas que não tiveram acesso à escola em idade apropriada, na infância ou na adolescência. Dessa forma, é dever do governo federal, bem como de estados e municípios, assegurar a oferta pública e gratuita de educação escolar para jovens e adultos. Entretanto, apesar da previsão de direitos e deveres, passados mais de 30 anos, as estatísticas nacionais não deixam dúvidas sobre os desafios enfrentados pelo país para assegurar a educação de todos, em especial daqueles que tiveram seus direitos violados quando crianças ou adolescentes. Ademais, nos deparamos com um quadro de retrocessos, em um contexto de ausência de políticas e recrudescimento das desigualdades em decorrência da pandemia da covid-19.

Considerando as realidades sociais em nosso país, a desigualdade racial, econômica e de gênero aparece também no perfil das turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), majoritariamente compostas por pessoas negras e trabalhadoras. Nesse sentido, a EJA apresenta especificidades, problemáticas e metodologias próprias que não só devem ser visibilizadas, como também podem inspirar práticas pedagógicas e estratégias de gestão em todo o sistema de ensino, sobretudo no atual contexto de crise econômica e sanitária.

Vista muitas vezes como não prioritária, a EJA foi considerada durante as décadas de 80 e 90 como obsoleta, uma vez que a expectativa política era de que os investimentos em uma educação primária eficiente a longo prazo eliminariam sua necessidade. O fato é que, mais de trinta anos depois, a desigualdade social e a ausência de políticas públicas efetivas que promovam a equidade racial e de gênero se traduzem em números ainda preocupantes de analfabetismo entre adultos, evasão e abandono. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020 20,2% dos jovens de 14 a 29 anos não concluíram a Educação Básica, dentre os quais 71,7% são negros (pretos e pardos). Já em relação às taxas de analfabetismo, apesar de estas registrarem queda geral desde 2016, o país ainda possui 11 milhões de pessoas que não dominam plenamente a leitura e a escrita.

[...]


Disponível em: https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/em-debate/conteudo-multimidia/detalhe/. Acesso em: 9 fev. 2026.


No contexto das políticas públicas, dadas as afirmativas, ao se estabelecer uma relação entre o texto e a importância da EJA (Educação de Jovens e Adultos), nas escolas públicas, como modalidade de ensino,


I. A modalidade EJA foca em metodologias adaptadas às experiências de vida dos alunos adultos, visando à inclusão social e à qualificação para o mercado de trabalho.

II. A modalidade EJA garante o direito constitucional à educação, promovendo a emancipação social, utilizando-se de estratégias de inclusão e de equidade, fundamentais para a erradicação do analfabetismo.

III. A EJA, na atualidade, enfrenta desafios como a necessidade de metodologias específicas e a garantia de financiamento, uma vez que as metodologias existentes estão sendo consideradas obsoletas.

IV. Com o surgimento de políticas públicas efetivas e inovadoras, a EJA atua na interseção de políticas educacionais e sociais, visando apenas ao aprendizado acadêmico para jovens excluídos do processo escolar na idade regular.


verifica-se que está/ão correta/s apenas


A

IV.


B

I e II.


C

I e III.


D

II e IV.


E

I, II e III.

A divisão das palavras em dez classes é o padrão amplamente ensinado por meio da gramática tradicional em escolas. No entanto, é possível identificar um conjunto de problemas para essa classificação adotada:


I. Não é uma classificação precisa, como no caso dos advérbios, cuja definição geral é a de modificação de verbos; no entanto, também podem reforçar o sentido de adjetivos, outros advérbios e, ainda, de uma oração inteira.

II. É homogênea, utilizando-se do critério distribucional-funcional para todos os casos, evitando o critério semântico-filosófico.

III. Baseia-se em definições que dependem de conceitos não bem dominados por alunos, como a de que substantivos são palavras para designar ou nomear seres em geral, porém se questiona o que “seres” quer dizer, para além do senso comum, perante palavras como “beleza”, “nostalgia” e “ideal”.


Está CORRETO o que se afirma:


A

Apenas no item I.


B

Apenas no item II.


C

Apenas nos itens I e III.


D

Apenas nos itens II e III.

No Apoio Pedagógico de Língua Portuguesa, a consciência fonológica é um preditor essencial para a alfabetização. Sobre essa habilidade, é correto afirmar que:


A

consiste apenas na capacidade de decorar o nome de todas as letras do alfabeto em ordem crescente.


B

refere-se à habilidade de refletir e manipular os sons da fala (sílabas, rimas, fonemas) antes mesmo da associação com a grafia.


C

é um processo automático que não precisa ser ensinado, pois a criança aprende sozinha por imersão.


D

deve ser trabalhada apenas com alunos que já dominam a leitura fluente de textos complexos.


E

restringe-se ao ensino de regras ortográficas de palavras com dificuldades da língua (como X ou CH).

Falando da língua escrita, um texto didático da Internet diz:


A linguagem escrita é uma forma de comunicação que utiliza símbolos gráficos para representar palavras, frases e ideias. É uma das principais formas de registro e transmissão de informações, permitindo que as pessoas se comuniquem e compartilhem conhecimentos ao longo do tempo e do espaço.


Nesse caso, o texto prioriza a seguinte função da escrita:


A

Função de memorização, que nos lembra de coisas que devemos fazer.


B

Função de transferência, que faz com que os textos possam ser lidos em outros lugares e momentos.


C

Função artística, quando a língua escrita é utilizada na produção de obras literárias.


D

Função de preservação do conhecimento, quando a língua escrita preserva no tempo os conhecimentos.

“Chamo, pois, de coesão referencial aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elemento(s) nela presentes ou inferíveis a partir do universo textual. Ao primeiro denomino forma referencial ou remissiva e ao segundo, elemento de referência ou referente textual” (Koch, 2010). Considerando o trecho apresentado, assinale a alternativa que NÃO apresenta um grupo de palavras que possam ser consideradas formas remissivas ou referenciais.


A

Sinônimos.


B

Pronomes pessoais retos e oblíquos.


C

Conjunções coordenativas.


D

Formas adverbiais.

Nos estudos de semântica formal e pragmática, a distinção entre conteúdos implícitos é crucial para a interpretação textual. O tipo específico de inferência que está atrelado à própria estrutura lexical de certas palavras (como verbos factivos ou iterativos), cuja verdade é condição sine qua non para que a sentença tenha valor de verdade, mantendo-se inalterada mesmo sob a negação da sentença matriz, é tecnicamente definida como:


A

Implicatura Conversacional.


B

Acarretamento.


C

Pressuposição.


D

Ato Ilocucionário.


E

Ambiguidade Lexical.

A respeito do ensino de língua, João Wanderley Geraldi propõe que esse ensino deixe de ser "de reconhecimento de reprodução passando a um ensino de conhecimento e produção, em que o exercício sistemático só lhe conferiria maiores condições de formar sua identidade, cambiante que fosse. E o ensino de literatura passaria a ser de vivenciamento da obra literária enquanto experiência transformadora e não simplesmente como a assimilação de mecanismos codificados de escuta e apreciação" (Geraldi, 1997). Tendo essa concepção a respeito do ensino de língua, analise as sentenças a seguir:


I.O ensino de língua portuguesa deve se estruturar a partir da concepção de que o conhecimento é cumulativo e exato, tendo como objetivo didático a ordenação e a disciplinarização da aprendizagem.

II.O ensino de língua não deve se confundir com o estrito ensino de gramática porque uma coisa é dominar as habilidades de uso da língua em situações concretas de interação, entendendo e produzindo enunciados, percebendo as diferenças entre uma forma de expressão e outra. Outra coisa é saber analisar uma língua dominando conceitos e metalinguagens a partir dos quais se fala sobre a língua.

III.No processo de ensino de língua, aprender a respeito dela, tomar consciência dos mecanismos estruturais de seu sistema linguístico deve ser prioridade, sempre seguido de atividades que levem o(a) estudante à consciência da língua que ele(a) usa cotidianamente.


É correto o que se apresenta em :


A

I e III, apenas.


B

I, apenas.


C

II, apenas.


D

II e III, apenas.


E

I, II e III.

De acordo com Austin (1990), as classes de atos de fala são atos locucionários, ilocucionários e perlocucionários. Para os atos ilocucionários, ele classificou cinco categorias:


I. Vereditivos: atos de fala que expressam julgamento;

II. Exercitivos: atos de fala que exercem poder ou tomada de decisão;

III. Comissivos: atos de fala que indicam curso de ação no futuro/;

IV. Comportamentais: atos de fala relacionados a atitudes e comportamentos sociais;

V. Expositivos: atos de fala que organizam, clarificam o contexto da enunciação.


Fonte: Austin, John. Quando dizer é fazer: palavras e ação. Tradução de Marcondes Filho, Danilo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.


Com base no conceito de Austin (1990), marque a resposta que contém a relação correta:


A

parabenizar - comportamental.


B

elogiar - comissivo.


C

amaldiçoar - exercitivo.


D

desafiar - veriditivo.

Para Travaglia, o objetivo central do ensino gramatical na escola deve ser:


A

A identificação técnica e a classificação morfológica de palavras isoladas em frases descontextualizadas.


B

O desenvolvimento da competência comunicativa do aluno, permitindo o uso dos recursos da língua para produzir sentidos.


C

A correção rigorosa de qualquer desvio da norma culta, visando a eliminação total das marcas de oralidade.


D

A memorização de listas de exceções gramaticais para garantir o sucesso do aluno em exames de admissão.

Considerando os termos sublinhados e numerados no trecho a seguir, assinale a alternativa correta.


A inauguração da Exposição Estadual do Rio Grande do Sul reuniu políticos, representantes da Igreja Católica (1), empresários, altos funcionários públicos, figuras da elite (2) e o povo em 24 de fevereiro de 1901, um domingo (3). Governo do Estado, Municípios e empresas construíram pavilhões na parte alta do Campo da Redenção (4), área hoje ocupada pelo campus (5) central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O prédio da Escola de Engenharia (6), ainda preservado, era o pavilhão central.


A

Em (2), (4) e (6), os termos são formados por um núcleo nominal acompanhado de uma locução adjetiva.


B

Os termos (1), (3), (4) e (6) são nomes próprios.


C

O substantivo “Igreja” deve ser sempre grafado com letra maiúscula, como em (1).


D

Em (5), tem-se um substantivo comum, plural e derivado do latim.

Observe o meme a seguir:



Disponível em: https://pt.memedroid.com/memes/detail/1618569?refGallery=tags&page=4&tag=portugu%C3%AAs&goComments=1. Acesso em: 20 dez. 2025.


As ideias do meme registram um perfil de professor de português pautado numa concepção de ensino baseada na


A

competência comunicativa.


B

construção visual de sentidos.


C

correção gramatical.


D

linguagem da internet.


E

significação das palavras

Em relação ao léxico da Língua Portuguesa e de acordo com o que Bechara (2019) apresenta, é INCORRETO afirmar que:


A

A polissemia designa palavras com significação semelhante, podendo uma estar em lugar da outra em determinado contexto, apesar dos diferentes matizes de sentido ou de carga estilística.


B

A homonímia é a propriedade de duas ou mais formas, inteiramente distintas pela significação ou função, terem a mesma estrutura fonológica, os mesmos fonemas, dispostos na mesma ordem e subordinados ao mesmo tipo de acentuação.


C

A paronímia designa palavras parecidas na sua estrutura fonológica e diferentes significados.


D

A antonímia designa palavras que entre si estabelecem uma oposição contraditória ou correlativa.

Em que opção o comentário acerca das análises sintáticas dos termos destacados estão corretos, sob o ponto de vista dos gramáticos Celso Cunha e Lindley Cintra?


A

Os termos destacados em "[...] era um gozador nato [...]." (§1°) e "É uma questão de perspectiva." (§4°) apresentam classificações sintáticas distintas.


B

Em "As superfícies espelhadas reproduzem uma imagem de aparente pausa [...]." (§5°) e "Assistia a um telejornal, distraida, [...]." (§1°), os predicados classificam-se como verbo-nominais.


C

Os termos destacados em "Pertencemos à mesma turma de praia [...]." (§1°) e "O espelho do banheiro não conta a verdade [...]. " (§3°) são sintaticamente distintos.


D

Os pronomes destacados em "[...] ignoramos o que é visto toda hora." (§3°) e "[...] a imagem me atraiu." (§1°) são sintaticamente equivalentes.


E

Os termos destacados em "[...] ela me verá com o rosto completamente craquelado, miúda, corcunda [...]." (§4°) são sintaticamente distintos.

Considere os dois fragmentos textuais a seguir, ambos publicados em veículos de imprensa digital brasileiros no primeiro semestre de 2026, abordando a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6x1:


FRAGMENTO I


"A PEC do fim da escala 6x1, que está na CCJ, aguarda ter o relator designado. O presidente da comissão, Leur Lomanto Júnior (União-BA), adiantou que conduzirá a análise ouvindo a classe empresarial, sindicatos, trabalhadores e 'quem emprega'."


Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/com-ofim-do-carnaval-governo-retoma-ofensiva-pelo-fim-daescala-6x1/. Acesso: 19 de fev. 2026.


FRAGMENTO II


"O debate em torno da extinção da jornada 6x1 é bemvindo, mobilizado pela opinião pública, mas a pressa em conduzi-lo não pode comprometer os requisitos que a abordagem ao tema exige: uma condução técnica, qualificada e não contaminada por interesses eleitoreiros. Trata-se de um desafio, em se tratando que a proposta de emenda à Constituição está longe de ser consenso entre os parlamentares."


Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/02/7357 814-fim-da-escala-6x1-exige-debateresponsavel.html#google_vignette. Acesso: 19 fev. 2026.


Sobre os fragmentos anteriores apresentados, considerando seus contextos de produção, recursos linguístico-discursivos e estratégias textuais, analise as assertivas abaixo:


I. O Fragmento I apresenta predominantemente tipologia expositivo-informativa, com marcas de imparcialidade aparente, enquanto o Fragmento II caracteriza-se pela tipologia argumentativa, com marcas explícitas de posicionamento crítico em relação à celeridade do processo legislativo.

II. No Fragmento I, o uso das aspas na expressão "quem emprega" constitui recurso metalinguístico que reproduz o discurso direto da autoridade citada, conferindo credibilidade à informação sem que o enunciador assuma juízo de valor sobre a terminologia empregada.

III. No Fragmento II, o operador argumentativo "mas" introduz uma ressalva que relativiza o caráter positivo do debate ("é bem-vindo"), construindo uma orientação argumentativa que desloca o foco da legitimidade do debate para os riscos de sua condução apressada.

IV. A expressão "em se tratando que", presente no Fragmento II, está correta em relação à norma-padrão da língua portuguesa, sendo equivalente às formas "em se tratando de" ou "tratando-se de".

V. Considerando os multiletramentos e a leitura crítica, é correto afirmar que o Fragmento I, ao listar os atores sociais que serão ouvidos ("classe empresarial, sindicatos, trabalhadores e 'quem emprega'"), opera uma distinção implícita entre "trabalhadores" e "quem emprega" que pode refletir determinada concepção sobre as relações de trabalho.


Estão CORRETAS apenas as assertivas:


A

I, II e III.


B

I, II, III e V.


C

II, III, IV e V.


D

I, III, IV e V.


E

I, II e V.

Um professor organiza seu planejamento anual partindo da seguinte premissa:


"O ensino de Língua Portuguesa deve tomar o texto como unidade de trabalho, considerando as condições de produção, circulação e recepção dos gêneros discursivos, em situações reais de interação."


Essa perspectiva alinha-se à abordagem:


A

Estruturalista, que prioriza o estudo da frase e das classes gramaticais.


B

Comportamentalista, focada em estímulo-resposta e repetição de estruturas.


C

Comunicativa, que enfatiza o uso funcional da língua para a comunicação cotidiana.


D

Sociointeracionista, que toma o texto como evento dialógico situado historicamente.


E

Gerativista, que investiga a competência inata do falante para produzir sentenças.

Referência: PASSARELLI, Lilian Maria Ghiuro. Ensino e Correção na produção de Textos Escolares.


Segundo a autora, a prática de correção de textos deve ser entendida como:


A

Um processo de mediação pedagógica e interação, em que o professor fornece pistas para que o aluno possa revisar seu texto.


B

Um ato final e punitivo, em que o professor utiliza a caneta vermelha apenas para assinalar falhas e atribuir nota.


C

Uma tarefa mecânica de verificação de regras, sem a necessidade de estabelecer um diálogo com as ideias do aluno.


D

Um procedimento dispensável, uma vez que a correção excessiva pode inibir permanentemente a criatividade do estudante.

No trecho “ao selecionar palavras, silenciar outras”, o autor estabelece uma relação interna entre os termos, que contribui para a construção do sentido global do texto. Esse recurso linguístico caracteriza-se como:


A

Paralelismo sintático com valor argumentativo.


B

Oposição lexical sem impacto semântico relevante.


C

Enumeração meramente ilustrativa, sem relação sintática ou semântica entre os termos.


D

Redundância expressiva sem função textual.

Na perspectiva histórico-cultural, o processo de ensinar e aprender é visto como a transmissão passiva de conhecimentos do professor para o aluno, sem considerar a influência do contexto social e das experiências prévias do estudante.


C

Certo


E

Errado

Sobre as orações reduzidas, à luz do que preconiza Bechara (2019), é correto afirmar que:


A

Todos os autores estudiosos da língua são unânimes quanto ao tipo, construção e nomenclatura dessas orações.


B

Havendo locução verbal, é o verbo principal que indica o tipo de reduzida.


C

Nem toda oração desprovida de transpositor é reduzida, uma vez que esse transpositor pode estar oculto.


D

Ocorre oração reduzida quando o gerúndio e o particípio aparecem com função qualificadora do substantivo.

Leia o excerto a seguir e analise as sentenças: "A noção de coerência textual surgiu, no campo da Linguística Textual, inicialmente, como um fator da aceitabilidade do texto pelo ouvinte/leitor, e a coesão textual era considerada um aspecto da gramaticalidade, no âmbito da frase. Portanto, ambas eram examinadas como propriedades estritamente linguísticas dos enunciados. A partir da contribuição de estudos voltados para o texto e o discurso (Análise do Discurso, Pragmática, Semântica, Análise da Conversação, entre outros), a coerência textual passa por redefinições, provocadas, especialmente, pelo deslocamento de foco do plano do enunciado para o plano da enunciação, isto é, da visão de texto como produto para a percepção de texto como efeito de processos sociointeracionais, ligados aos discursos."


(Disponível https://ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/coerencia-textual. Acesso em 13 abr. 2026. Adaptado.)


Nessa perspectiva:


I.O sujeito tem papel de relevância na construção dos sentidos do texto e, consequentemente, na atribuição de coerência aos textos que produz e com os quais interage, nas situações sociais.

II.Levando-se em conta a complexidade dos textos e hipertextos, na contemporaneidade, a coerência textual implica uma ação de interpretação por parte do sujeito-leitor/ouvinte. No caso do contexto da sala de aula, esse sujeito, representado pelo estudante, deverá sempre ser conduzido pelo(a) docente, que o motivará a ativar uma rede múltipla de processos sociocognitivos e interacionais para produzir sentidos.

III.No trabalho com textos na escola, a ideia de que a coerência textual (assim como o sentido) não se encontra a priori no texto, mas é construída na situação interlocutiva, levará o(a) professor(a) a mostrar aos(às) estudantes a necessidade de considerar aspectos ligados às condições enunciativas, tais como: intenções e finalidades dos interlocutores; lugares sociais e institucionais que ocupam e papéis que desempenham os interlocutores; conhecimentos compartilhados pelos interlocutores em relação ao tema e a outros intertextos, ao nível de linguagem, ao gênero textual e em função do evento de interação discursiva.


É correto o que se apresenta em:


A

I e III, apenas.


B

II, apenas.


C

I e II, apenas.


D

III, apenas.


E

I, II e III.

 
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