Questões de Concurso sobre Literaturas afro-brasileira e indígena

 
 
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Leia o trecho a seguir, adaptado especialmente para esta prova e retirado do texto de Beatriz Hermínio, “A escrevivência carrega a escrita da coletividade”:


“O termo ‘escrevivência’ traz a junção das palavras ‘escrever e vivência’, mas a força de sua ideia não está somente nessa aglutinação; ela está na genealogia da ideia, como e onde ela nasce e a que experiências étnica e de gênero ela está ligada, explicou a escritora e educadora. ‘A escrevivência não é a escrita de si, porque esta se esgota no próprio sujeito. Ela carrega a vivência da coletividade’.”


O termo “escrevivência” foi criado por uma importante autora da literatura afro-brasileira, que traduziu a experiência da mulher negra nas páginas de obras como “Ponciá Vicêncio” e “Olhos d’água”. Assinale a alternativa que apresenta o nome da autora a quem os trechos se referem.


A

Conceição Evaristo.


B

Maria Firmina dos Reis.


C

Carolina Maria de Jesus.


D

Eliana Alves Cruz.


E

Socorro Acioli.

O texto informa que a presença de populações indígenas no meio ambiente amazônico


A

inalterou o modo de vida e o aspecto da floresta tropical.


B

resultou na exploração irregular de riquezas naturais.


C

provocou alterações em mais de 80% do solo da região.


D

produziu importante diversidade da fauna e flora local.

O texto de Lynn Mario T. Menezes de Souza “Uma outra história, a escrita indígena no Brasil” traz a passagem: “A nova escrita indígena que nasce de e para a nova escola indígena aparece especialmente quando surge o desejo e a necessidade de reescrever a história indígena, e por que não, de reescrever até mesmo as estórias indígenas, numa tentativa desenfreada de arrancar o poder de autoria das mãos dos tradicionais e históricos tutores das comunidades indígenas” e continua a se posicionar em “Eu sou índio porque nós temos costume de falar nossa língua. E também nós temos costume de dançar a festa do mariri.[...] Por isso é que nós queremos continuar a ser índio. É pelos costumes de nossa aldeia que todo pessoal já conhece. Então não adianta a gente negar a nossa língua e dizer que não é índio. O índio não pode virar cariu, porque é de outro jeito e chama de índio. O índio também é gente. Nós somos índios Caxinauás do Jordão e queremos aprender a língua de português, ler, escrever e tirar conta para não ser roubado pelo cariu”.


Ao analisar o contexto e/ou utilizar o seu conhecimento prévio, assinale a alternativa correta.


A

Mariri e cariu são palavras que demonstram o poder de autoridade dos tradicionais e históricos tutores das comunidades indígenas, conhecidos europeus.


B

A nova escrita indígena nasce de e para a nova escola indígena, cumpre o desejo de o índio se manter com suas características indígenas, por isso há a necessidade de priorizar o ensino da língua portuguesa.


C

Ao negar a língua indígena e afirmar não ser índio, o indígena vira mariri, porque é outro jeito de chamar o índio. Assim, ele se sente gente.


D

Especificamente, neste depoimento, o entrevistado da tribo Caxinauás do Jordão quer saber a língua portuguesa para ler, escrever e fazer conta, a fim de não ser enganado pelo cariu.


E

O índio afirma ter costume de dançar a festa do mariri.[...] Por isso, ele quer continuar a ser índio, para mostrar ao cariu a sua superioridade.

Atente a definição do dicionário Houaiss sobre licença poética, em sua terceira acepção: “liberdade de o escritor utilizar construções, prosódias, ortografias, sintaxes não conformes as regras (...)”. Importa ressaltar que essa liberdade não está restrita apenas aos textos verbais. Ela ocorre também em textos não verbais e mistos. Observe as duas imagens de capa da obra “Iracema” de José de Alencar, e analise as afirmativas a seguir.


Fonte: Livraria Editora Pauliceia (1927).



Fonte: Edições Câmara (2018).



I. A capa de 1927 representa nitidamente o empoderamento feminino da mulher indígena no início do século XXI.

II. A capa de 2018, apesar de infantilizada, é mais fiel à imagem da indígena, ainda que esteja presa a um estereótipo.

III. A capa de 1927 apresenta uma índia com traços, roupas e penteado que remetem à sociedade europeia do início do século XX. Pode-se afirmar que ela não retrata a realidade. Essa capa demonstra nitidamente a tentativa de europeização do indígena da época.


Assinale a alternativa correta.


A

Apenas as afirmativas I e II estão corretas.


B

Apenas as afirmativas I e III estão corretas.


C

Apenas as afirmativas II e III estão corretas.


D

Apenas a afirmativa I está correta.


E

Apenas a afirmativa II está correta.

No final do século XIX, obras como O bom crioulo e O cortiço, identificadas pela historiografia como naturalistas, trouxeram não só aquilo que o autor do texto chama de tema negro, mas também a autoria e o ponto de vista afro-descendentes.


C

Certo


E

Errado

A atração dos autores brancos pelo exotismo ao tratar do tema negro, referida pelo autor do texto, é criticada no fragmento a seguir, de Meu negro (publicado em 2018), do poeta Ricardo Aleixo: “Sou o que quer que você pense que um negro é. Você quase nunca pensa a respeito dos negros. Serei para sempre o que você quiser que um negro seja. Sou o seu negro. Nunca serei apenas o seu negro. Sou o meu negro antes de ser seu”.


C

Certo


E

Errado

No Ensino Fundamental e no Ensino Médio, de acordo com a legislação vigente, a seleção de textos de autores indígenas para o ensino de literatura contribui para assegurar o conhecimento e o reconhecimento desses povos para a constituição da nação.


C

Certo


E

Errado

A professora de literatura e língua portuguesa, ao ver a lista das obras trabalhadas no 1º ano do Ensino Médio, percebe a ausência de diversidade entre elas. A professora opta, então, por excluir Vidas secas, de Graciliano Ramos, um livro canônico, e inclui o livro Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, uma autora negra e contemporânea. Um grupo de pais e mães pergunta à professora a razão dessa mudança.


Utilizando o ensaio de Antonio Candido, “O direito à literatura”, a professora pode justificar sua escolha dizendo que:


A

A literatura é um valor universal, portanto não importa quem é o autor ou a autora de uma obra.


B

Os textos antigos perdem seu valor, já que o interesse que uma obra desperta está ligado a sua atualidade.


C

As diferentes perspectivas trazidas pela literatura permitem maior abertura ao diferente.


D

A construção literária e o trabalho com a forma são importantes para ensinar a organização das próprias ideias.


E

A literatura é, antes de tudo, uma escolha individual e não tem relação com a construção da empatia.

O negrismo pode ser encontrado em obras como Poemas negros, de Jorge de Lima, em que a subjetividade negra é representada pelo discurso do branco, em procedimento equiparável ao indianismo dos românticos, quando o nativo surgia reduzido a objeto da fantasia do colonizador.


C

Certo


E

Errado

No processo de formação da literatura brasileira, ao longo dos séculos XVII e XVIII, povos indígenas e africanos dividiram a atenção dos poetas e ficcionistas, no esforço de se elaborar uma mitologia para a nação.


C

Certo


E

Errado

Qual palavra indígena nomeia a erva-mate?


A

Tupã.


B

Caá.


C

Iari.


D

Caá-Iari.

“A escrita é uma novidade para os povos indígenas brasileiros.” A citação anterior pertence a Daniel Munduruku, escritor indígena brasileiro. Considerando o cenário da literatura contemporânea, é correto afirmar que:


A

Observa-se na literatura brasileira cada vez mais a presença indígena, assim como a inserção de discussões sobre a valorização de tal produção literária.


B

Diante de um histórico de dominação dos povos indígenas, o início de uma produção literária originária é um projeto que tem sido tema de discussões no meio literário.


C

A tradição oral é a principal característica da cultura indígena o que possibilita dizer que se torna, atualmente, uma reprodução da literatura de cordel praticada no nordeste brasileiro.


D

Tendo em vista notório reconhecimento, a produção literária indígena tem alcançado uma posição de destaque e predominância no cenário nacional em detrimento das vertentes do final do século XX.

Leia o fragmento a seguir, e assinale a alternativa correta:

“Era uma boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo, que lhe não permitia arrastar pelas ruas os seus estouvamentos e berlindas; luxuosa, impaciente, amiga de dinheiro e de rapazes.”

O trecho acima pertence a obra chamada:


A

Iracema


B

Senhora


C

O Cortiço


D

A Moreninha


E

Memórias póstumas de Brás Cubas

Na Educação Infantil, a literatura infantil traz reflexões de fortalecimento identitário que auxiliam na construção da identidade da criança e na socialização. Sobre o tema leia as afirmativas.


I. Acredita-se que, quando as referências das literaturas infantis são semelhantes à da criança, na qual esta percebe suas características físicas e/ou fenotípicas aparecem nas tramas de forma positiva, contribui expressivamente para o aumento da autoestima, na formação da identidade social e individual, na construção de conceitos e na interação como o outro.

II. A Literatura Afro-Brasileira, se usada de forma comprometida, tendo como princípio básico a desconstrução de estereótipos e preconceitos racistas, arrigados no seio da sociedade brasileira pode ser uma grande aliada no despertar da subjetividade infantil; na formação da identidade étnica-racial.

III. Trabalhar com a literatura infantil afro-brasileira, onde os heróis são referências em histórias como protagonistas negros, pode contribuir, tanto para a construção da identidade e da autoestima de crianças negras como para a desvalorização da convivência na diversidade com a criança branca.


Está correto apenas o que se apresenta em:


A

II e III.


B

III.


C

I e II.


D

I e III.

“O problema das origens da nossa literatura não pode formular-se em termos de Europa, onde foi a maturação das grandes nações modernas que condicionou toda a história cultural, mas nos mesmos termos das outras literaturas americanas, isto é, a partir da afirmação de um complexo colonial de vida e de pensamento.

A colônia é, de início, o objeto de uma cultura, o “outro” em relação à metrópole: em nosso caso, foi a terra a ser ocupada, o pau-brasil a ser explorado, a cana-de-açúcar a ser cultivada, o ouro a ser extraído; numa palavra, a matéria-prima a ser carreada para o mercado externo.”


(BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1999. P. 11)


A partir dos seus conhecimentos sobre a literatura brasileira e considerando as afirmações de Bosi, é correto afirmar:


A

A Carta, de Caminha, tem papel decisivo na constituição da literatura brasileira, servindo de modelo aos escritores coloniais.


B

Os índios possuíam cultura oral rica, que foi registrada pelos jesuítas e passou a integrar o cânone da nossa literatura.


C

Os primeiros escritos são informações que viajantes e missionários europeus colheram sobre a natureza e o homem brasileiro.


D

A literatura de informação se concentrou na busca de recursos minerais que pudessem enriquecer os colonizadores.


E

Os primeiros navegantes trouxeram algumas obras literárias portuguesas, que ajudaram a constituir a nossa herança literária colonial.

Yaô


Aqui có no terreiro

Pelú adié

Faz inveja pra gente

Que não tem mulher


No jacutá de preto velho

Há uma festa de yaô


Ôi tem nêga de Ogum

De Oxalá, de Iemanjá


Mucama de Oxossi é caçador

Ora viva Nanã

Nanã Buruku


Yô yôo

Yô yôoo


No terreiro de preto velho iaiá

Vamos saravá (a quem meu pai?)

Xangô!


VIANA, G. Agô, Pixinguinha! 100 Anos. Som Livre, 1997.


A canção Yaô foi composta na década de 1930 por Pixinguinha, em parceria com Gastão Viana, que escreveu a letra. O texto mistura o português com o iorubá, língua usada por africanos escravizados trazidos para o Brasil. Ao fazer uso do iorubá nessa composição, o autor


A

promove uma crítica bem-humorada às religiões afrobrasileiras, destacando diversos orixás.


B

ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se mantém viva na produção musical brasileira.


C

evidencia a superioridade da cultura africana e seu caráter de resistência à dominação do branco.


D

deixa à mostra a separação racial e cultural que caracteriza a constituição do povo brasileiro.


E

expressa os rituais africanos com maior autenticidade, respeitando as referências originais.

No ano de 1985 aconteceu um acidente muito grave em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, perto da aldeia guarani de Sapukai. Choveu muito e as águas pluviais provocaram deslizamentos de terras das encostas da Serra do Mar, destruindo o Laboratório de Radioecologia da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, construída em 1970 num lugar que os índios tupinambás, há mais de 500 anos, chamavam de Itaorna. O prejuízo foi calculado na época em 8 bilhões de cruzeiros. Os engenheiros responsáveis pela construção da usina nuclear não sabiam que o nome dado pelos índios continha informação sobre a estrutura do solo, minado pelas águas da chuva. Só descobriram que Itaorna, em língua tupinambá, quer dizer ‘pedra podre’, depois do acidente.


FREIRE, J. R. B. Disponível em: www.taquiprati.com.br. Acesso em: 1 ago. 2012 (adaptado).


Considerando-se a história da ocupação na região de Angra dos Reis mencionada no texto, os fenômenos naturais que a atingiram poderiam ter sido previstos e suas consequências minimizadas se


A

o acervo linguístico indígena fosse conhecido e valorizado.


B

as línguas indígenas brasileiras tivessem sido substituídas pela língua geral.


C

o conhecimento acadêmico tivesse sido priorizado pelos engenheiros.


D

a língua tupinambá tivesse palavras adequadas para descrever o solo.


E

o laboratório tivesse sido construído de acordo com as leis ambientais vigentes na época.


Máscara senufo, Mali. Madeira e fibra vegetal. Acervo do MAE/USP.


As formas plásticas nas produções africanas conduziram artistas modernos do início do século XX, como Pablo Picasso, a algumas proposições artísticas denominadas vanguardas. A máscara remete à


A

preservação da proporção.


B

idealização do movimento.


C

estruturação assimétrica.


D

sintetização das formas.


E

valorização estética.

 
 
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