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No perioperatório em cirurgia de cabeça e pescoço há componentes críticos que modulam mortalidade precoce e morbidade tardia. A adoção de protocolos ERAS (enhanced recovery) para cabeça e pescoço tem modificado condutas clássicas sobre timing de nutrição, anticoagulação profilática e metas de sedação e mobilização.
Diante disso, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta.
A recomendação contemporânea em microcirurgia reconstrutiva é de manter o hematócrito intraoperatório acima de 40% para garantir viscosidade suficiente e otimizar taxa de fluxo laminar no pedículo arterial do retalho.
No preparo pré-operatório, betabloqueadores instituídos recentemente (< 7 dias) para controle tensional devem ser mantidos até o intraoperatório, pois sua retirada abrupta aumenta risco de vasoespasmo arterial microvascular do retalho.
A sedação profunda prolongada no pós-operatório imediato (primeiras 48h) é preferida em pacientes com retalho livre reconstrutivo, pois diminui o tônus simpático e, portanto, diminui risco de trombose primária.
A introdução de nutrição enteral precoce dentro de 24h é um pilar de ERAS em cabeça e pescoço: correlaciona-se com menor taxa de infecção, menor tempo de internação e menor taxa de complicações relacionadas à cicatrização de anastomoses mucosas.
Na antibioticoprofilaxia de cirurgias de cavidade oral/faringe associada a esvaziamento cervical, a conduta mais apropriada é
cefazolina isolada por 72 horas.
ampicilina-sulbactam intraoperatória em até 24 horas.
metronidazol isolado por 48 horas.
clindamicina por 5 dias para cobrir anaeróbios.
piperacilina-tazobactam por 24 horas como rotina.
Paciente com carcinoma de laringe T3 operado há 10 dias evolui com dor orofaríngea intensa e mucosite grau 2 ao iniciar quimiorradioterapia adjuvante (cisplatina semanal). Qual medida imediata melhora tolerabilidade e não compromete o controle oncológico?
Aumentar intervalo de frações de radioterapia para três vezes por semana.
Suspender cisplatina até resolução completa da mucosite e manter RT diária.
Trocar cisplatina por carboplatina sem reavaliação funcional.
Reduzir dose total de radioterapia em 10% para acelerar término do tratamento.
Instituir analgesia multimodal, bochechos com anestésico tópico e suporte nutricional.
Em um paciente com CCE de língua, pT1 com DOI de 6 mm e pescoço cN0, qual é a melhor conduta para o pescoço?
Esvaziamento cervical eletivo e seletivo ipsilateral.
Esvaziamento radical clássico ipsilateral.
Observação clínica, pois DOI < 10 mm não altera conduta.
Realização de PET-TC e biópsia excisional do linfonodo se positivo.
Radioterapia cervical bilateral profilática.
Paciente apresenta massa indolor em glândula parótida, de crescimento lento, sem sinais clínicos de invasão ou metástase. Considerando o diagnóstico diferencial, a conduta cirúrgica e a preservação funcional, é CORRETO afirmar que:
O tumor mais provável é o carcinoma mucoepidermoide, cujo tratamento inicial é radioterapia exclusiva, dispensando cirurgia.
O tumor mais provável é o linfoma não-Hodgkin, tratado com quimioterapia sistêmica, sem necessidade de abordagem cirúrgica.
O tumor mais provável é o tumor de Warthin, cujo tratamento é observação clínica sem necessidade de cirurgia, pois não há risco de transformação maligna.
O tumor mais provável é o adenoma pleomórfico, cujo tratamento é a parotidectomia superficial com preservação do nervo facial, visto que a ressecção incompleta aumenta risco de recidiva e transformação maligna.
O tumor mais provável é o carcinoma adenoide cístico, tratado com quimioterapia neoadjuvante, sendo a cirurgia reservada apenas para casos refratários.


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Paciente com carcinoma espinocelular avançado de orofaringe é candidato a tratamento multimodal. Com base no caso, a alternativa que indica o princípio terapêutico CORRETO é:
A radioterapia exclusiva é suficiente para todos os tumores avançados, independentemente do estadiamento.
A quimiorradioterapia concomitante é indicada em tumores localmente avançados, visando maior controle locorregional e preservação funcional.
A quimioterapia isolada é considerada padrão, dispensando radioterapia.
A radioterapia deve ser evitada em tumores de orofaringe, devido ao risco de complicações.
A quimioterapia neoadjuvante é obrigatória em todos os casos, independentemente da extensão tumoral.
Paciente submetido a ressecção de tumor avançado de orofaringe evolui no pós-operatório com febre persistente, dor intensa, eritema cervical e drenagem purulenta profunda. Com base na microbiota típica da região, nos mecanismos envolvidos e nas condutas recomendadas, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE a abordagem inicial mais adequada:
Início de antibioticoterapia empírica direcionada exclusivamente contra bacilos gram-negativos entéricos, uma vez que estes são os principais agentes em infecções cervicais pós-operatórias.
Restrição alimentar absoluta até resolução espontânea da infecção, pois a nutrição enteral precoce aumenta o risco de translocação bacteriana e perpetuação da infecção.
Uso de antifúngicos profiláticos como primeira linha, devido à predominância de Candida spp. em infecções pós-operatórias de cabeça e pescoço.
Lavagem contínua da ferida com soluções hipertônicas, sem necessidade de intervenção cirúrgica, pois o controle local é suficiente para resolução da maioria dos casos.
Cobertura antimicrobiana ampla que inclua anaeróbios, estreptococos e estafilococos, associada à drenagem cirúrgica precoce da coleção purulenta, visto que a microbiota mista da cavidade oral é a principal responsável por infecções profundas.
Paciente submetido a ressecção extensa de carcinoma de mandíbula requer reconstrução funcional e estética. Sobre o tema, assinale a alternativa que indica CORRETAMENTE a técnica microcirúrgica considerada padrão para grandes defeitos ósseos mandibulares:
Enxerto de pele parcial isolado, suficiente para substituir grandes perdas ósseas.
Retalho pediculado cervical simples, adequado para reconstruções ósseas complexas.
Retalho anterolateral da coxa, indicado como substituto ósseo vascularizado.
Uso de matriz dérmica acelular, capaz de substituir tecido ósseo e muscular.
Retalho livre de fíbula, permitindo reconstrução óssea vascularizada, com possibilidade de múltiplos segmentos e integração funcional.
Lesões benignas e malignas das glândulas salivares maiores apresentam espectro histopatológico amplo, com implicações prognósticas e terapêuticas diretamente relacionadas à histologia do tumor e à topografia glandular. Considerando esse tema, analise as afirmativas a seguir.
I.No adenoma pleomórfico, a taxa de malignização transformativa para carcinoma ex-PA se correlaciona diretamente com o tempo de evolução da lesão não tratada, podendo exceder 10% em tumores com mais de 15 anos.
II.O carcinoma adenoide cístico raramente apresenta disseminação perineural, e, mesmo quando presente, esse achado não possui relevância terapêutica, não sendo jamais considerado na decisão pela radioterapia adjuvante, mesmo em casos avançados ou com margens comprometidas.
III.O carcinoma mucoepidermoide de baixo grau de risco é classicamente radioresistente, e o controle loco-regional não se altera com radioterapia adjuvante em margens positivas.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS.
I e III.
I.
I e II.
I, II e III.
Paciente, 62 anos, apresenta metástase de CCE HPV+, em nível II esquerdo, com extensão extranodal ao exame de imagem; primário não localizado após PET-CT e tonsilectomia unilateral. Qual é a melhor conduta para controle locorregional?
Rádio e quimioterapia concomitantes, abrangendo pescoço e eixo mucoso orofaríngeo, deixando a cirurgia para resgate.
Esvaziamento cervical radical clássico seguido de radioterapia adjuvante no pescoço, poupando mucosa orofaríngea.
Esvaziamento cervical super-seletivo (nível II) e observação clínica trimestral até eventual emergência do primário.
Imunoterapia neoadjuvante seguida de esvaziamento cervical radical bilateral e radioterapia adjuvante.
Imunoterapia neoadjuvante seguida de QT exclusiva por seis ciclos, deixando a cirurgia para resgate.


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Em caso de paciente com tumor de orofaringe em tratamento com quimio e radioterapia, evoluindo com xerostomia grave, cárie de radiação e disgeusia, qual deve ser o plano de mitigação baseado em evidências?
Anti-inflamatório tópico e hidratação oral constante.
Antibiótico sistêmico de longa duração.
Fluorterapia intensiva, saliva substituta e estimulação gustativa supervisionada.
Bochechos alcoólicos para assepsia.
Extração de todos os dentes desmineralizados.
Homem, 45 anos, apresenta linfonodo único no nível II direito, 2,5 cm, móvel, sem sinais inflamatórios, sem outras lesões evidentes ao exame clínico. Qual é a conduta diagnóstica mais apropriada nesse caso?
Biópsia excisional imediata do linfonodo.
Punção aspirativa por agulha fina guiada por ultrassom.
Antibioticoterapia por 14 dias e reavaliação clínica.
PET-CT e, se hipercaptação no linfonodo, programar esvaziamento cervical.
Biópsia incisional do linfonodo e esvaziamento cervical se positivo para neoplasia.
Após tireoidectomia total, paciente apresenta dispneia súbita, estridor e coloração cianótica no pós-operatório imediato. Considerando as complicações possíveis e a necessidade de intervenção rápida, diagnóstico e a conduta que devem ser prontamente estabelecidos são:
Hematoma cervical compressivo, que exige abertura imediata da ferida cirúrgica à beira do leito para descompressão, pois o atraso na intervenção pode levar à obstrução completa da via aérea e parada cardiorrespiratória.
Lesão do nervo laríngeo recorrente bilateral, tratada com corticoterapia em altas doses, pois o edema neural é a principal causa da obstrução respiratória.
Hipocalcemia aguda por hipoparatireoidismo, corrigida com infusão de cálcio intravenoso, sendo a causa mais comum de estridor pós-tireoidectomia.
Infecção profunda cervical, tratada com antibioticoterapia oral, pois o quadro de dispneia é secundário ao processo inflamatório.
Edema laríngeo leve, manejado apenas com nebulização de broncodilatadores, sem necessidade de intervenção cirúrgica imediata.
Durante a realização de uma tireoidectomia total, o cirurgião procede à ligadura do pedículo vascular superior da glândula tireoide. Sabe-se que, nessa etapa, a ligadura muito distante do polo superior da glândula pode aumentar o risco de lesão do ramo externo do nervo laríngeo superior, devido à sua íntima relação com o primeiro ramo anterior da artéria carótida externa. Assinale a alternativa que apresenta esse vaso.
Artéria lingual, ramo da face medial da carótida externa.
Artéria facial, ramo anterior que se origina ao nível do osso hioide.
Artéria faríngea ascendente, ramo medial da carótida externa.
Artéria occipital, primeiro ramo posterior da carótida externa.
Artéria tireóidea superior, ramo anterior que se origina logo após a bifurcação da carótida comum.
Durante planejamento de ressecção ampliada de maxila por tumor nasossinusal de infraestrutura, qual acesso cirúrgico facilita exposição sem incisão cutânea visível?
Degloving médio-facial.
Weber-Ferguson-Dieffenbach clássico.
Rinotomia lateral com extensão infraorbitária.
Craniotomia frontal isolada.
Swing maxilar para acesso ao espaço parafaríngeo.


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Em uma mulher, 52 anos, com hipercalcemia grave (Ca - 15,2 mg/dL), PTH > 3.000, US - nódulo sólido, de margens irregulares, aderido ao lobo tireoidiano esquerdo, o diagnóstico mais provável e a conduta primária com melhor controle oncológico e bioquímico são
adenoma de paratireoide; ressecção do adenoma e monitorização do PTH intraoperatório.
carcinoma de paratireoide; tratamento com radioterapia concomitante à quimioterapia exclusivas.
adenoma gigante de paratireoide; paratireoidectomia total à esquerda + lobectomia subtotal à esquerda.
hiperplasia de paratireoide; paratireoidectomia total com implante de fragmento de paratireoide em antebraço
carcinoma de paratireoide; ressecção em bloco da lesão com lobectomia tireoidiana e linfadenectomia cervical e mediastinal ipsilateral.
Paciente de 58 anos, tabagista, apresenta lesão glótica T1a com boa exposição à laringoscopia direta. Qual é a conduta terapêutica preferencial nesse caso, considerando preservação funcional?
Cirurgia parcial (cordectomia) por laringofissura.
Radioterapia exclusiva.
Microcirurgia endoscópica de laringe por laser
Laringectomia supracricóidea com crico-hioide-epiglotopexia.
Radioterapia concomitante à quimioterapia exclusivas.
Paciente de 58 anos, tabagista pesado, apresenta disfonia progressiva há 6 meses. A laringoscopia revela lesão infiltrativa em glote, com mobilidade preservada das pregas vocais. Considerando o estadiamento, o prognóstico e a conduta terapêutica, assinale a alternativa CORRETA:
A conduta inicial é a quimioterapia neoadjuvante, seguida de cirurgia radical, independentemente do estadiamento.
A laringectomia total é obrigatória em todos os tumores glóticos, mesmo nos estágios iniciais, para garantir controle oncológico.
O tratamento cirúrgico deve ser evitado, pois compromete invariavelmente a função vocal, sendo preferível apenas terapia sistêmica.
O prognóstico é reservado, com sobrevida global inferior a 20% em 5 anos, independentemente da modalidade terapêutica.
O tratamento padrão é a radioterapia exclusiva, pois tumores glóticos iniciais apresentam excelente resposta e preservação da função vocal.
Paciente de 42 anos apresenta nódulo tireoidiano de 2,5 cm, com citologia sugestiva de carcinoma papilífero. Não há linfonodos cervicais palpáveis. Nesse caso, a conduta considerada padrão é:
Lobectomia isolada, sem necessidade de seguimento, pois o carcinoma papilífero raramente recidiva.
Radioterapia externa exclusiva, indicada como primeira linha em tumores diferenciados da tireoide.
Tireoidectomia total, com ou sem esvaziamento cervical profilático, dependendo da avaliação intraoperatória.
Quimioterapia sistêmica inicial, seguida de cirurgia apenas em casos refratários.
Observação clínica sem intervenção, pois o carcinoma papilífero é indolente e não requer tratamento.
Paciente com carcinoma avançado de cavidade oral apresenta sangramento maciço de artéria carótida externa durante internação hospitalar. Diante do exposto, assinale a alternativa que indica a conduta imediata a ser tomada:
Compressão manual contínua, aguardando resolução espontânea do sangramento.
Controle cirúrgico urgente com ligadura da artéria carótida externa, associado a estabilização hemodinâmica.
Administração exclusiva de antifibrinolíticos intravenosos, sem necessidade de intervenção cirúrgica.
Observação clínica, pois sangramentos tumorais tendem a cessar espontaneamente.
Radioterapia imediata, indicada como medida de controle hemostático primário.


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