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Adolescente, 15 anos, previamente hígido, residente em área endêmica de esquistossomose, é internado por suspeita de Doença de Wilson (DW). Ele apresenta aumento progressivo do volume abdominal há quatro meses, perda ponderal discreta e fadiga.
Ao exame: orientado, consciente, ascite volumosa, circulação colateral discreta, baço a 5 cm do rebordo costal esquerdo. Pressão arterial normal. Laboratório: Hemoglobina 12,4 g/dL; Plaquetas: 82.000/mm3; aspartato aminotransferase (AST) 76 U/L; alanina aminotransferase (ALT) 62 U/L; gama glutamil-transferase (GGT) 38 U/L; Bilirrubina total 1,5 mg/dL; Albumina 3,1 g/dL; INR 1,4. Paracentese - amostra: gradiente soro-ascite de albumina (SAAG) 1,7 g/dL; proteína no líquido ascítico 2,8 g/dL.
Ultrassonografia abdominal com doppler: hipertensão portal; esplenomegalia; fluxo portal preservado; fígado discretamente heterogêneo, sem sinais típicos de cirrose.
Para diferenciar DW da esquistossomose hepatoesplênica, assinale a afirmativa com melhor correlação entre os dados do caso, hipótese e eventual conduta.
A ausência de hiperbilirrubinemia significativa praticamente exclui diagnóstico de doença de Wilson, sendo importante solicitar a pesquisa parasitológica de fezes para confirmar esquistossomose hepatoesplênica crônica.
A presença de ascite volumosa praticamente exclui esquistossomose hepatoesplênica, tornando a dosagem de ceruloplasmina sérica e cobre urinário de 24 horas suficientes para confirmação diagnóstica de doença de Wilson.
Hipertensão porta e ALT/AST sugerem esquistossomose, mas se não definida, deve descartar DW com ceruloplasmina, cuprúria 24 horas, anéis de Kayser-Fleischer e, se necessário, cobre hepático, pois isoladamente, não possuem sensibilidade ou especificidade suficientes.
A presença de proteína elevada no líquido ascítico e o SAAG de 1,7g/dL, diferenciam de forma confiável esquistossomose hepatoesplênica de doença de Wilson, dispensando investigação etiológica adicional.
A ultrassonografia abdominal com doppler evidenciando fluxo portal preservado praticamente confirma esquistossomose hepatoesplênica e exclui doença de Wilson como causa da hipertensão portal.
A puberdade tem características próprias e diferentes entre os dois sexos. Segundo o livro Pediatria Ambulatorial – 6ed., em relação às modificações observadas nessa fase, marque a alternativa CORRETA.
O excesso de peso geralmente reflete em um atraso no início da puberdade em ambos os sexos.
A menarca marca a fase de desaceleração do crescimento podendo a adolescente ainda crescer, porém não mais do que 4 cm.
O desenvolvimento de pelos pubianos no sexo masculino marca na maioria das vezes o início da puberdade.
A telarca, na maioria das vezes, é a primeira manifestação da puberdade nas meninas.
Adolescente de 15 anos é levada para consulta devido a emagrecimento progressivo nos últimos meses, recusa em se alimentar na presença da família e episódios de tontura. Ao exame físico, apresenta pele seca, lanugo em membros superiores, bradicardia e hipotensão postural. Observam-se calosidades nas articulações interfalangianas proximais e erosão dentária. Considerando a avaliação clínica dos transtornos alimentares, qual é a conduta inicial mais adequada?
Realizar anamnese detalhada, incluindo hábitos alimentares, saúde mental familiar e avaliação completa com sinais vitais, IMC, temperatura, exame cardiovascular e inspeção de pele e mucosas.
Solicitar apenas exames laboratoriais para investigar disfunções endócrinas e excluir causas metabólicas secundárias.
Prescrever suplementação calórica e antidepressivos, adiando a avaliação nutricional até estabilização ponderal.
Iniciar psicoterapia sem necessidade de exame físico detalhado, pois o diagnóstico é essencialmente comportamental.
Orientar restrição hídrica e aumento de atividade física leve para evitar ganho ponderal excessivo durante o tratamento.
Adolescente, 13 anos, masculino, submetido a cirurgia paliativa na primeira infância por cardiopatia congênita complexa, apresenta fadiga progressiva, distensão abdominal e episódios de hipoxemia aos esforços.
Exames evidenciam hepatomegalia, sinais de hipertensão portal e alterações progressivas de função hepática. A avaliação cardiológica mostra elevação crônica da pressão venosa sistêmica e baixo débito cardíaco.
A principal hipótese diagnóstica é
trombose de veia porta.
hepatite medicamentosa.
angiossarcoma hepático.
fibrose hepática progressiva.
lesão hepática induzida por drogas.
Uma adolescente de 15 anos é investigada por cãibras musculares, tetania e cansaço crônico, ela não tem história de uso de diuréticos ou vômitos. Os exames laboratoriais revelam: alcalose metabólica (ph 7,49, bicarbonato 32 meq/l); hipocalemia (k+ 2,7 meq/l) e hipomagnesemia (mg++ 1,3 mg/dl); a pressão arterial é normal-baixa. Uma amostra de urina de 24 horas mostra uma excreção de cálcio urinário baixa (relação Cálcio/Creatinina urinária < 0,1). Qual é o diagnóstico mais provável e o segmento do néfron primariamente afetado?
Síndrome de Bartter; defeito no cotransportador Na-K-2Cl no ramo ascendente espesso da Alça de Henle.
Síndrome de Gitelman; defeito no cotransportador Na-Cl no túbulo contorcido distal.
Acidose Tubular Renal tipo II (proximal); defeito na reabsorção de bicarbonato no túbulo contorcido proximal.
Hiperaldosteronismo primário; produção excessiva de aldosterona pela adrenal.
Estenose de artéria renal; ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
Adolescente de 17 anos apresenta fadiga persistente, palidez e queda no rendimento escolar. Hemograma mostra anemia ferropriva. Acerca do caso, assinale a conduta diagnóstica CORRETA:
Prescrever apenas suplemento vitamínico inespecífico, sem investigação etiológica, considerando fadiga como sintoma isolado.
Solicitar apenas exames radiológicos, sem relação com anemia, priorizando avaliação estrutural.
Aguardar evolução clínica, sem intervenção diagnóstica, considerando quadro como autolimitado.
Prescrever apenas antibiótico, sem relação com anemia, tratando fadiga como infecção presumida.
Avaliar causas nutricionais, perdas menstruais, hábitos alimentares e contexto psicossocial, integrando diagnóstico biológico com fatores ambientais e emocionais.
Adolescente de 16 anos apresenta isolamento social, queda no rendimento escolar e uso abusivo de álcool. Diante do exposto, o diagnóstico psicossocial CORRETO é:
Situação de risco psicossocial, com vulnerabilidade para dependência química e transtornos mentais, exigindo abordagem multiprofissional e integração com família e escola.
Estado de saúde mental normal, sem necessidade de intervenção, considerando uso de álcool como comportamento típico.
Exclusiva alteração hormonal, sem impacto social ou emocional, justificando isolamento e queda escolar.
Exclusiva predisposição genética, sem influência ambiental, explicando abuso de álcool.
Exclusiva influência cultural, sem impacto clínico, justificando comportamento como norma social.
Adolescente de 16 anos procura atendimento por uso abusivo de álcool e relata episódios de comportamento sexual de risco. Os pais insistem em permanecer na sala durante toda a consulta. A conduta ética CORRETA, nesse caso, deve ser:
Permitir que os pais conduzam toda a entrevista, considerando apenas informações fornecidas por eles e limitando a participação do adolescente.
Solicitar exames laboratoriais imediatos, sem aprofundar anamnese, pois dados objetivos seriam suficientes para diagnóstico inicial.
Encerrar a consulta diante da resistência, recomendando apenas acompanhamento psicológico externo, sem prosseguir com avaliação médica.
Garantir parte da consulta em ambiente privado, explicando aos pais a importância da confidencialidade, utilizando escuta qualificada e acolhimento empático para favorecer vínculo e coleta de informações sensíveis.
Interrogar diretamente sobre hábitos de risco em frente aos pais, sem considerar vínculo ou sigilo, priorizando rapidez na coleta de dados.
Uma adolescente de 11 anos e 6 meses comparece à consulta de puericultura com sua mãe. Durante o exame físico, o pediatra avalia os caracteres sexuais secundários da paciente de acordo com os Critérios de Tanner, observando os seguintes achados:
• Mamas: A mama e a aréola apresentam elevação conjunta, formando um pequeno montículo distinto, sem aumento significativo do diâmetro da mama.
• Pelos Pubianos: Observa-se a presença de pelos longos, macios, ligeiramente pigmentados, que crescem predominantemente ao longo dos grandes lábios.
Com base nos achados de mamas (M) e pelos pubianos (P), qual é o estadiamento de Tanner mais provável para esta paciente?
M2P2.
M3P3.
M4P4.
M5P5.
Adolescente de 15 anos apresenta fadiga persistente, palidez e queda no rendimento escolar. Hemograma mostra anemia microcítica hipocrômica. Ferro sérico baixo e ferritina reduzida. A interpretação CORRETA em relação a esse caso é:
Anemia de doença crônica, caracterizada por ferritina normal ou elevada e ferro reduzido, sem microcitose acentuada.
Anemia ferropriva, caracterizada por microcitose, hipocromia e redução de ferro e ferritina, exigindo investigação de perdas e hábitos alimentares.
Talassemia menor, caracterizada por microcitose com ferro e ferritina normais.
Deficiência de vitamina B12, caracterizada por macrocitose e alterações neurológicas.
Anemia hemolítica, caracterizada por reticulocitose e bilirrubina indireta elevada.
Adolescente de 15 anos apresenta dor abdominal recorrente, diarreia crônica e perda ponderal. História familiar positiva para doença inflamatória intestinal. Com base no enunciado, assinale o diagnóstico CORRETO:
Doença de Crohn, caracterizada por inflamação transmural, acometimento segmentar e manifestações extraintestinais.
Síndrome do intestino irritável, caracterizada por dor abdominal funcional sem perda ponderal significativa.
Gastroenterite viral, caracterizada por diarreia aguda autolimitada.
Úlcera péptica, caracterizada por dor epigástrica relacionada à alimentação.
Intolerância à lactose, caracterizada por diarreia pós-ingestão de lácteos, sem inflamação transmural.
Adolescente de 16 anos apresenta icterícia, fadiga e hepatomegalia. Sorologias mostram positividade para HBsAg. Nesse caso, o diagnóstico CORRETO é:
Hepatite A, caracterizada por transmissão fecal-oral e curso autolimitado.
Hepatite B crônica, caracterizada por persistência do HBsAg por mais de 6 meses e risco de evolução para cirrose e carcinoma hepatocelular.
Hepatite C, caracterizada por transmissão parenteral e evolução silenciosa.
Esteatose hepática não alcoólica, caracterizada por acúmulo de gordura hepática sem infecção viral.
Colangite bacteriana, caracterizada por febre, dor abdominal e icterícia súbita.
Adolescente de 15 anos apresenta dor abdominal, diarreia sanguinolenta e perda ponderal. Colonoscopia mostra lesões contínuas no cólon, com mucosa friável e ulcerada. Em relação ao caso, o diagnóstico CORRETO é:
Retocolite ulcerativa.
Doença de Crohn.
Colite isquêmica.
Colite pseudomembranosa.
Parasitoses intestinais.
Adolescente de 15 anos apresenta queda no rendimento escolar, conflitos familiares e início de experimentação de álcool. Relata sentimentos de inadequação e busca intensa por aceitação em grupos de pares. Sobre a interpretação adequada em relação ao quadro biopsicossocial, é CORRETO afirmar que:
O quadro reflete apenas alterações hormonais transitórias, sem impacto psicossocial relevante, devendo ser acompanhado sem intervenção multiprofissional.
Trata-se de fase de estabilidade comportamental, em que conflitos familiares e escolares não são esperados, sugerindo ausência de vulnerabilidade social.
A adolescência é marcada por reorganização identitária, experimentação de papéis sociais e maior vulnerabilidade a comportamentos de risco, exigindo abordagem integral que considere família, escola e comunidade.
O adolescente apresenta maturidade emocional plena, sendo capaz de lidar sozinho com pressões externas, sem necessidade de suporte familiar ou escolar.
O desenvolvimento cognitivo já está completo, não havendo risco de vulnerabilidade social ou necessidade de acompanhamento especializado.
Adolescente de 17 anos apresenta maturação sexual completa, mas demonstra impulsividade, dificuldade em planejar o futuro e envolvimento em comportamentos de risco. Nesse caso, a alternativa que indica CORRETAMENTE o estágio de desenvolvimento é:
Adolescência inicial, caracterizada por ausência de maturação sexual e dependência familiar intensa, sem autonomia decisória.
Adolescência tardia, com maturação física consolidada, mas ainda em processo de amadurecimento cognitivo e emocional, especialmente em funções executivas.
Idade adulta plena, caracterizada por autonomia completa e estabilidade emocional, sem impulsividade significativa.
Infância tardia, caracterizada por dependência total dos pais e ausência de conflitos identitários ou experimentação social.
Senescência, caracterizada por declínio cognitivo e funcional, sem relação com impulsividade juvenil.
Paciente de 12 anos apresenta tremores, hepatomegalia e anel de Kayser-Fleischer. Sobre o tema, o exame laboratorial CORRETAMENTE característico é:
Ferritina elevada.
Ceruloplasmina sérica reduzida.
Bilirrubina indireta aumentada.
Anticorpos antinucleares positivos.
Alfa-fetoproteína elevada.
Adolescente de 13 anos apresenta estatura abaixo do percentil 3 e ganho ponderal insuficiente nos últimos dois anos. História familiar revela baixa estatura dos pais, mas sem doenças crônicas. Dessa forma, a interpretação diagnóstica CORRETA é:
Desnutrição grave, caracterizada por déficit calórico e proteico, independentemente da história familiar.
Baixa estatura constitucional, caracterizada por padrão familiar de crescimento reduzido, sem evidência de doença sistêmica, exigindo acompanhamento longitudinal.
Hipotireoidismo congênito, caracterizado por atraso global do desenvolvimento, sem relação com padrão familiar.
Doença renal crônica, caracterizada por comprometimento metabólico e estatural, sem relação com herança genética.
Puberdade precoce, caracterizada por aceleração do crescimento linear, sem déficit ponderal.
Adolescente de 16 anos apresenta fadiga, palidez, artralgias e história familiar de doença falciforme. Hemograma mostra anemia hemolítica. Diante do exposto, assinale o diagnóstico CORRETO:
Anemia ferropriva, caracterizada por microcitose e hipocromia, sem crises dolorosas.
Leucemia linfoblástica aguda, caracterizada por blastos circulantes e pancitopenia.
Doença falciforme, caracterizada por hemólise crônica, crises vaso-oclusivas e complicações reumatológicas e infecciosas.
Artrite reumatoide juvenil, caracterizada por inflamação articular crônica, sem hemólise.
Lúpus eritematoso sistêmico, caracterizado por manifestações multissistêmicas, sem hemólise crônica típica.
A respeito da Artrite Idiopática Juvenil (AIJ), assinale a alternativa incorreta.
O diagnóstico de AIJ é clínico e requer artrite persistente em uma ou mais articulações por pelo menos 6 semanas em crianças menores de 16 anos, após exclusão de outras causas, como infecções ou neoplasias.
A uveíte crônica anterior é uma complicação possível, especialmente em crianças com AIJ do tipo oligoarticular e anticorpo antinuclear (ANA) positivo, podendo ocorrer de forma assintomática e exigir rastreio oftalmológico regular.
O metotrexato é considerado uma droga modificadora da doença (DMARD) de primeira linha, eficaz e com perfil de segurança estabelecido, sendo amplamente utilizado no tratamento da AIJ poliarticular.
A fisioterapia deve ser evitada nas fases iniciais da doença para não agravar a dor e a inflamação articular.
Um menino de 12 anos é atendido com história de febre de 38,3 °C há 5 dias, fadiga, odinofagia intensa e desempenho escolar reduzido. Ao exame físico, apresenta temperatura de 38,5 °C, exsudato amigdaliano bilateral, petéquias em palato e linfonodomegalia cervical posterior dolorosa. O teste rápido para Faringite Estreptocócica não foi realizado, e o paciente recebeu amoxicilina por hipótese de amigdalite bacteriana. Após 24h, o paciente retorna com persistência dos sintomas anteriores e, agora, com exantema maculopapular difuso e pruriginoso. Ao exame físico abdominal, apresenta esplenomegalia. Com base nesse quadro, é correto afirmar que:
Trata-se de uma infecção viral e o vírus mais provável nesse caso faz parte da família do herpes vírus.
Os linfócitos atípicos que podem ser encontrados no sangue periférico do paciente são células T CD4+ infectadas pelo vírus.
O paciente pode ser liberado para retornar à aula em 1 semana, sem necessidade de limitar atividades físicas, pois a evolução do quadro é benigna.
Devido ao antibiótico ter sido iniciado há 24h, é necessário aguardar mais 24h-48h para definir que houve falha terapêutica.