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J.M.S., 59 anos, masculino, etilista crônico, foi internado com pancreatite aguda necrosante. No 2º dia de internação, apresenta dor abdominal intensa, distensão abdominal e pressão intra-abdominal (PIA) de 18 mmHg. A equipe médica deseja iniciar nutrição enteral, porém há dúvida sobre o momento e a via mais segura.
Qual é a conduta correta, de acordo com a diretriz ESPEN? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Iniciar nutrição parenteral total, pois a PIA contraindica qualquer via digestiva.
Aguardar normalização da PIA antes de qualquer intervenção nutricional.
Iniciar nutrição enteral via nasojejunal a 20 mL/h, com ajuste progressivo conforme tolerância.
Realizar passagem de sonda nasogástrica com dieta polimérica padrão em bolus.
M.L.T., 56 anos, sexo feminino, com histórico de ressecção extensa do intestino delgado (75 cm remanescente, ausência de válvula ileocecal), devido à isquemia mesentérica há 8 meses. Relata diarreia crônica, perda ponderal, edema de membros inferiores e fadiga persistente. Está em uso de dieta oral fracionada e suplementos orais, com ingestão hídrica > 3L/dia. Apresenta exames com hipoalbuminemia, hipomagnesemia e deficiência de vitamina B12. Evolui com múltiplas hospitalizações por desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos.
Com base na diretriz ESPEN 2023, qual é o diagnóstico e conduta nutricional mais apropriada? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Síndrome de má absorção moderada, com seguimento ambulatorial em dieta normocalórica e probióticos.
Insuficiência intestinal crônica tipo 3, com indicação de suporte nutricional domiciliar via nutrição parenteral.
Diarreia funcional idiopática, com uso de loperamida e hidratação oral como pilares terapêuticos.
Déficit de micro e macronutrientes compensáveis com reposição oral supervisionada e dieta hiperproteica.
J.M.A., 84 anos, sexo feminino, residente em ILPI, com diagnóstico de demência de Alzheimer em estágio moderado, apresenta perda de 7% do peso corporal em 2 meses. A equipe de enfermagem relata recusa alimentar frequente, distração ao redor de ruído, e episódios de engasgos leves. A paciente ainda se alimenta por via oral, com utensílios convencionais e dieta padrão da instituição.
Qual conduta está adequadamente orientada pela diretriz da ESPEN 2024? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Introduzir restrição proteica com foco em controle metabólico e redução de ureia plasmática.
Prescrever dieta hipercalórica enteral via sonda nasogástrica contínua, mesmo sem contraindicação absoluta da via oral.
Implementar suporte alimentar individualizado, com ambiente calmo, utensílios adaptados, supervisão durante refeições e flexibilização de padrões dietéticos.
Estimular alimentação intermitente com intervalos longos para modular o ritmo circadiano.
C.R.L., 64 anos, feminino, realizou colectomia laparoscópica por adenocarcinoma de cólon. No pós-operatório imediato, encontra-se estável hemodinamicamente, sem náuseas ou vômitos. Não há sinais de íleo paralítico. A equipe assistente considera iniciar dieta líquida após 48h e parenteral até lá.
Com base na diretriz ESPEN (2025), qual a melhor conduta? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Iniciar alimentação oral precoce, dentro de 24h, conforme tolerância, evitando uso rotineiro de nutrição parenteral.
Aguardar 48h e iniciar dieta líquida restrita apenas após evacuação espontânea.
Manter jejum absoluto por 3 dias e liberar via oral apenas com exame contrastado.
Utilizar nutrição parenteral total desde o 1º dia para acelerar cicatrização.
Assinale a alternativa que apresenta uma indicação de terapia enteral no paciente pediátrico.
Dobra cutânea bicipital (DCB) acima do percentil 5 para a idade.
Mudança de canal na curva de crescimento nos índices peso/idade (PI) ou peso/estatura (PE).
Crescimento ou ganho de peso inadequado por mais de 1 mês para crianças com idade inferior ou igual a 5 anos.
Perda ou peso estacionado por 1 mês, para as crianças com idade superior a 2 anos.
Obstrução mecânica do trato gastrointestinal.
Sobre a avaliação nutrológica e antropométrica do paciente idoso, assinale a alternativa correta.
A circunferência abdominal é usada para avaliar o risco cardiovascular, exceto no paciente idoso, devido ao deslocamento de gordura decorrente do envelhecimento.
A ASG (avaliação subjetiva global) foi criada para avaliação de risco nutrológico em pacientes cirúrgicos e a MAN (miniavaliação nutricional) foi criada para avaliação de pacientes geriátricos. Elas podem ser utilizadas para avaliação do risco de desenvolvimento de complicação relativos à desnutrição no paciente idoso.
A circunferência da panturrilha (CP), embora seja um indicador sensível de alterações musculares no idoso, não é bom indicador clínico de sarcopenia.
A CB (circunferência do braço) pode ser utilizada para avaliação de desnutrição, mas não é um método confiável para esse diagnóstico.
A avaliação de pregas cutâneas é útil no seguimento nutrológico. No idoso, no entanto, devido à flacidez de pele, tal exame não é muito útil.
Paciente feminina de 58 anos, apresenta ansiedade, apneia do sono (IAH = 32 eventos/hora) e diabetes tipo 2 (HbA1C: 9%), estando em uso de hipoglicemiantes orais. Peso: 90kg, altura 1.64m, em acompanhamento clínico há 24 meses, com baixa resposta clínica. Nesse caso,
deve-se optar pela terapia cirúrgica, tendo em vista que a paciente tem obesidade grau II e comorbidades associadas.
como a terapia cirúrgica não é indicada para esse perfil de paciente, deve-se modificar o tratamento clínico, optando pelos inibidores de receptor de GLP-1.
a paciente não possui indicação cirúrgica devido à apneia do sono moderada e à falta de controle do diabetes tipo 2 mesmo em uso de hipoglicemiantes orais.
deve-se considerar a modificação do tratamento clínico do diabetes tipo 2 e também a terapia cirúrgica, se manutenção da baixa resposta.
a paciente precisa ganhar peso para ter indicação cirúrgica e usar medicação antiobesidade, como fluoxetina.
A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para redução e manutenção da perda de peso em longo prazo, promovendo melhora das comorbidades e da qualidade de vida e aumento da sobrevida. Sobre as técnicas dessa cirurgia, assinale a alternativa correta.
A gastrectomia vertical (Sleeve) tem como vantagens menor incidência de deficiências nutricionais e o fato de ser reversível.
O bypass em Y de Roux, procedimento mais aceito no Brasil, promove saciedade precoce e diminuição da fome pela redução da capacidade gástrica e de alterações hormonais.
No bypass, as alterações hormonais envolvem aumento dos níveis de grelina (hormônio orexígeno) e redução dos níveis de GLP-1 e de PYY (hormônios sacietógenos), o que resulta em perda de peso duradoura.
A derivação gástrica em Y de Roux auxilia na cura ou no controle das comorbidades a longo prazo, apresenta menor risco de deficiências nutricionais que as cirurgias puramente restritivas e maior que das derivações biliopancreáticas.
A derivação biliopancreática pela técnica de Marceau-Hess, também chamada de duodenal switch, consiste em uma modificação da operação de Fobi-Capella.
Paciente feminina, 30 anos, refere quadro de câimbras, fraqueza muscular, alteração eletrocardiográfica, anemia carencial, alteração hidroeletrolítica e arritmia cardíaca. Apresenta antecedentes de transtorno alimentar. Com base na descrição desse quadro, é correto afirmar que essa paciente possui
anorexia nervosa e o sinal de Gottron é comum no quadro.
transtorno de compulsão alimentar e o sinal de Gottron é comum no quadro.
bulimia nervosa e o sinal de Russell é comum no quadro.
anorexia nervosa e o sinal de Russell é comum no quadro.
bulimia nervosa e o sinal de Gottron é comum no quadro.
A respeito do tema terapia nutricional, assinale a alternativa correta.
Existem Indicadores de Qualidade em Terapia Nutricional (IQTN) com objetivo de conhecer a frequência da realização de triagem nutricional a partir do primeiro dia de hospitalização, até 48h. A meta é atingir, no mínimo, 50% em seu resultado.
O STRONG Kids é um método de triagem nutricional composto por 4 itens e sua pontuação máxima é 4 e indica alto risco.
Perda de peso ou ausência de ganho de peso por mais de 3 meses após 2 anos de idade e alteração do peso/idade ou peso/estatura abaixo de 2 desvios-padrão são fatores de indicação de terapia nutricional na criança.
Na fase de estabilização da terapia nutricional, o excesso de calorias pode acarretar overfeeding, consequentemente o aumento na retenção de CO2, esteatose hepática, hiperglicemia, diurese osmótica, desidratação, hipofosfatemia, uremia e uma maior letalidade.
Deve-se monitorar o sódio e o magnésio em crianças com desnutrição na fase de recuperação, pois os níveis séricos podem aumentar após a realimentação.
A avaliação nutrológica tem o papel de investigar e diagnosticar a deficiência e/ou o excesso de nutrientes associados ou não à presença de processo inflamatório agudo ou crônico. Sobre as deficiências nutricionais, assinale a alternativa correta.
Coiloníquia ou unha em forma de colher é um sinal que tem a carência de ferro como provável causa.
Petéquia é um achado que tem a carência de vitamina D como provável causa.
Perda de paladar e dermatite perioral estão associadas à deficiência de ferro como provável causa.
Pelagra está associada à deficiência grave de Tiamina como provável causa.
Demência, dermatite e diarreia (Doença dos 3 D’s ou Beribéri) podem ser sugestivas da deficiência grave de Tiamina como provável causa.
D.F.B., 90 anos, sexo masculino, com demência vascular avançada, está acamado e apresenta disfagia orofaríngea grave com alta dependência funcional. Vem apresentando declínio progressivo no estado nutricional, ingestão oral inferior a 25% das necessidades calóricas e perda ponderal significativa. A equipe cogita nutrição enteral por gastrostomia.
Qual é a conduta correta de acordo com a diretriz ESPEN 2024? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Contraindicar PEG em pacientes com demência avançada, priorizando conforto, cuidados paliativos e manutenção de via oral minimamente funcional.
Realizar gastrostomia endoscópica percutânea imediatamente para suprir as necessidades energéticas de forma contínua.
Implementar nutrição parenteral com acesso central por 30 dias para otimização nutricional.
Iniciar sonda nasoentérica de longa permanência associada a dieta hipoproteica.
C.D.F., 68 anos, sexo masculino, com DPOC grave e desnutrição proteico-calórica, está hospitalizado por pneumonia. Durante triagem nutricional, apresenta queilite angular, hiporreflexia, fraqueza muscular e alteração de sensibilidade nos membros inferiores. Relata uso crônico de diuréticos tiazídicos e consumo alimentar restrito nas últimas semanas. Exames revelam zinco: 37 mcg/dL (baixo), magnésio: 1,3 mg/dL (baixo), tiamina: indetectável.
Com base na diretriz prática de micronutrientes da ESPEN (2024), qual é a conduta imediata mais adequada? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Iniciar reposição intravenosa de tiamina, zinco e magnésio, mesmo antes da confirmação laboratorial completa, devido ao risco elevado de deficiência múltipla com manifestações clínicas.
Realizar apenas suplementação oral padronizada para idosos, monitorando sintomas e níveis séricos em 7 dias.
Priorizar suporte proteico-calórico e aguardar estabilização clínica antes de repor qualquer micronutriente.
Corrigir exclusivamente o magnésio, por ser o único eletrólito com risco imediato à vida, postergando demais correções.
L.M.O., 72 anos, sexo masculino, com ICC, diabetes tipo 2, e história de internações recorrentes. Após avaliação, recebeu suporte nutricional individualizado durante 10 dias com ONS hipercalórico e hipercarboidrato. Após a alta, não houve seguimento ambulatorial da intervenção nutricional.
Qual conclusão é sustentada pela diretriz ESPEN (2023), com base na EFFORT trial? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
O suporte oral isolado é suficiente para redução de mortalidade a longo prazo, independentemente de seguimento.
Os efeitos do suporte nutricional desaparecem após a alta se não forem mantidos, mesmo com benefício hospitalar confirmado.
A manutenção ambulatorial da suplementação é obrigatória por pelo menos 6 meses.
A mortalidade hospitalar não é impactada por suporte nutricional precoce, apenas o tempo de internação.
P.T.A., 64 anos, masculino, HIV positivo em TARV irregular, com histórico de alcoolismo e pancreatite crônica, internado por infecção respiratória. Ao exame: IMC 16,3 kg/m², edema periférico, confusão mental leve. Há 48h, iniciou dieta oral com ONS hipercalórico por conta da enfermaria, sem avaliação prévia da equipe nutricional.
Paciente evolui com hipofosfatemia, taquicardia e piora da consciência. Qual é a principal falha da conduta? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Ausência de protocolo de prevenção da síndrome da realimentação antes do início do suporte nutricional.
Administração de dieta hipossódica precoce, incompatível com a clínica.
Falta de suplementação com glutamina e arginina no início da terapia.
Opção por via oral em vez de nutrição enteral precoce.
R.R.F., 79 anos, sexo feminino, HAS, DRC estágio 3, demência leve e recente fratura de fêmur. Está hospitalizada há 6 dias, com ingestão alimentar < 40% das necessidades energéticas diárias. Recusa parte das refeições por inapetência. Manteve uso exclusivo de dieta oral e suplementos, com manutenção da perda ponderal e hipoalbuminemia progressiva.
Segundo a diretriz ESPEN (2023), qual é a conduta mais adequada? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Iniciar nutrição enteral precoce para atingir metas, preferencialmente antes de considerar parenteral.
Manter dieta oral e ampliar ONS com adição de bHMB e micronutrientes.
Iniciar nutrição parenteral total, pela baixa adesão à dieta.
Encaminhar à avaliação geriátrica para decisão posterior.
E.B.R., 62 anos, sexo masculino, com histórico de hepatopatia alcoólica crônica compensada e IMC de 31 kg/m², é internado por quadro de encefalopatia hepática leve. Apresenta força muscular reduzida, queda de cabelo e perda funcional progressiva. Avaliação de composição corporal com BIA indica sarcopenia significativa. Exames laboratoriais mostram albumina limítrofe, sem descompensação metabólica aguda.
Segundo a diretriz conjunta ESPEN/UEG 2022, qual a conduta prioritária neste paciente? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Estimular atividade física e perda ponderal sem necessidade de suporte nutricional formal.
Indicar redução calórica visando controle de peso, visto que o paciente está em obesidade grau I.
Iniciar suporte nutricional com foco na preservação e recuperação da massa muscular, independentemente da presença de obesidade.
Priorizar dieta hipossódica e controle eletrolítico, com restrição proteica temporária.
Sobre o papel ético e de biossegurança do nutrólogo, assinale a alternativa correta.
Não deve prescrever dietas em ambiente ambulatorial. Esse papel é do nutricionista.
Pode prescrever dietas desde que em sua clínica possua um nutricionista.
O nutrólogo é habilitado à prescrição de dietas e outras nutroterapias.
O nutrólogo não deve elaborar planos alimentares sem aval do nutricionista.
As terapias nutrológicas devem ser realizadas no âmbito hospitalar e não ambulatorial.
Na nutrologia geriátrica, é papel do nutrólogo
atenção ao estado de hidratação, pois os idosos são mais sujeitos à desidratação devido à menor dificuldade renal de concentrar urina.
controlar lipídios, visto que o idoso tem redução da gordura corporal de 20 a 30% e, por isso, deve-se controlar a ingestão de lipídios e limitar a ingestão de colesterol a 200mg/dia.
realizar reposição rotineira de vitaminas, sobretudo A, D, E, K.
controlar o peso, o qual se reduz principalmente pela redução da gordura e da massa muscular.
avaliar o estado nutricional, devido à redução da acidez gástrica que pode cursar com alteração na absorção de ferro, cálcio, ácido fólico, B12 e zinco.
Paciente pediátrico, 2 anos, com quadro infeccioso e de má nutrição, Apresenta-se com edema depressível bilateral, xerodermia, dificuldades de cicatrização da pele. Possui albumina sérica de 2.5g/dL, linfocitopenia. considerando o exposto, para esse paciente, qual é a possível doença e como espera-se a taxa metabólica?
Marasmo, taxa metabólica aumentada.
Kwashiorkor, taxa metabólica aumentada.
Marasmo, taxa metabólica diminuída.
Kwashiorkor, taxa metabólica diminuída.
Marasmo, taxa metabólica normal.