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Na avaliação pré-procedimento de pacientes candidatos a intervenções endovasculares, a adequada preparação clínica é fundamental para reduzir complicações e aumentar a taxa de sucesso técnico. Nesse contexto, a conduta correta em relação à avaliação do risco de sangramento é:
realizar testes de coagulação apenas em procedimentos considerados de alto risco hemorrágico
solicitar testes de coagulação para todos os procedimentos intervencionistas, independentemente do risco
suspender anticoagulantes somente após a confirmação de sangramento ativo
contraindicar procedimentos intervencionistas em pacientes em uso de antiagregantes plaquetários
Em pacientes com obstrução biliar maligna, a drenagem biliar percutânea pode ser indicada quando não é possível a abordagem endoscópica. Sobre essa técnica, é correto afirmar que:
é indicada preferencialmente em obstruções distais do colédoco
dispensa antibioticoprofilaxia por se tratar de procedimento estéril
pode ser seguida de dilatação da estenose e implante de stent
apresenta risco desprezível de colangite
O implante de stents é frequentemente associado a procedimentos de angioplastia para melhorar os resultados a longo prazo. Sobre os stents utilizados em radiologia intervencionista, é correto afirmar que:
são utilizados exclusivamente em artérias coronárias
podem ser autoexpansíveis ou expansíveis por balão
dispensam o uso de anticoagulação pós-procedimento
não apresentam risco de reestenose
A embolização arterial é técnica consagrada no controle de hemorragias digestivas refratárias ao tratamento clínico e endoscópico. Em relação a esse contexto, é correto afirmar que:
deve ser evitada em pacientes hemodinamicamente instáveis
apresenta indicação apenas em sangramentos do trato gastrointestinal inferior
exige identificação precisa do vaso responsável pelo sangramento
elimina completamente o risco de ressangramento
Analise a Tabela 1 abaixo, que apresenta as medidas de um paciente obtidas via cateterismo cardíaco direito:

Tabela 1
A partir dessas medidas, calculou-se as seguintes informações: Débito Cardíaco (DC) = 4.6 L/min; Índice Cardíaco (IC) = 2.71 L/min/m²; Resistência Vascular Pulmonar (RVP) = 14.10 WU; Volume Sistólico (VS) = 44.66 mL; Volume Sistólico Indexado (VSi) = 26.27 mL/m²; Saturação Venosa Central de Oxigênio (SvO2) = 64.9%. Conforme as informações apresentadas, analise as assertivas a seguir:
I. Trata-se de paciente com Hipertensão Pulmonar (HP) do grupo II.
II. Trata-se de paciente com HP pré-capilar.
III. Uma segunda condição com inalação com óxido nítrico ou iloprost é recomendada para realização do teste de vasorreatividade.
IV. De acordo com as diretrizes para diagnóstico e tratamento de HP da European Society of Cardiology (ESC), de 2022, os parâmetros de pressão de AD e VSi classificam esse paciente como de risco intermediário.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas II e III.
Apenas III e IV.
I, II, III e IV.
Durante a intervenção coronária percutânea, a ocorrência de complicações mecânicas ou vasculares exige reconhecimento imediato e manejo apropriado, sendo determinante para a redução de mortalidade e de eventos adversos graves no laboratório de hemodinâmica. Com base nas estratégias contemporâneas de diagnóstico e tratamento das principais complicações da angioplastia coronária, analise as assertivas a seguir:
I. Na presença de dissecção coronariana extensa com oclusão de vaso de grande importância (tipo F) e impossibilidade de cruzamento com fio-guia 0,014", mesmo após técnicas avançadas de recanalização, está indicado encaminhamento imediato para cirurgia de revascularização miocárdica de urgência.
II. A dissecção iatrogênica de aorta ascendente (Dunning tipo III) após manipulação da coronária direita pode ser manejada de forma percutânea com implante de stent no óstio coronário, mesmo na presença de tamponamento cardíaco ou insuficiência aórtica grave.
III. Perfurações coronarianas em vasos de grande calibre podem ser tratadas com reversão parcial da anticoagulação, insuflação prolongada de balão a baixa pressão e, quando necessário, implante de stent revestido.
IV. Perfurações de ramos distais de pequeno calibre podem ser manejadas com reversão parcial da anticoagulação, insuflação prolongada de balão e técnicas de embolização, como uso de gordura subcutânea ou micromolas.
Quais estão corretas?
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas III e IV.
Apenas I, III e IV.
I, II, III e IV.
Durante o planejamento da intervenção coronária percutânea em CTOs, diversos aspectos anatômicos, técnicos e de estratégia procedimental devem ser considerados para maximizar a taxa de sucesso e reduzir complicações. Sobre o assunto, analise as assertivas a seguir:
I. O escore J-CTO é amplamente utilizado para estimar a dificuldade do cruzamento da oclusão com fio-guia em até 30 minutos, considerando variáveis como calcificação, tortuosidade, comprimento da oclusão, ambiguidade da capa proximal e tentativa prévia falha.
II. O uso de introdutores longos associado a cateteres-guia de maior calibre (7 Fr ou 8 Fr), com suporte ativo, como JL para coronária esquerda e JR para coronária direita, pode aumentar o suporte do sistema e facilitar estratégias complexas em CTO.
III. Microcateteres com comprimento de 135 mm são preferenciais para abordagem retrógrada por oferecerem maior alcance nas colaterais.
IV. Dispositivos dedicados de dissecção e reentrada, como Stingray e CrossBoss, podem ser utilizados em estratégias anterógradas de reentrada controlada no verdadeiro lúmen distal.
Quais estão corretas?
Apenas I e II.
Apenas I e IV.
Apenas II e III.
Apenas III e IV.
Apenas I, II e III.
No cenário atual da cardiologia intervencionista, a reestenose intra-stent (RIS) permanece como condição de relevância clínica, apesar dos avanços tecnológicos relacionados aos stents farmacológicos de novas gerações e ao uso crescente de métodos de imagem intracoronária. À luz dos mecanismos fisiopatológicos, dos recursos diagnósticos disponíveis e das estratégias terapêuticas contemporâneas, analise as assertivas a seguir:
I. A principal causa de RIS tardia em stents farmacológicos está associada ao desenvolvimento de neoaterosclerose.
II. O IVUS e a OCT permitem diferenciar hiperplasia neointimal homogênea de padrões morfológicos compatíveis com neoaterosclerose.
III. A aterectomia coronária com Excimer Laser (ELCA) constitui ferramenta terapêutica potencialmente útil no manejo de lesões coronárias complexas, incluindo oclusões totais crônicas e lesões não cruzáveis ou não dilatáveis.
IV. A angioplastia com balão farmacológico representa estratégia terapêutica válida para o tratamento da RIS, particularmente quando se busca evitar a implantação de camadas adicionais de stent.
Quais estão corretas?
Apenas I e IV.
Apenas II e III.
Apenas I, II e III.
Apenas I, II e IV.
I, II, III e IV.
Adolescente de 15 anos apresenta dor progressiva e aumento de volume em coxa esquerda desde a infância. Ao exame, observa-se massa mole e compressível, sem sopros; a ultrassonografia com Doppler evidencia cavidades compressíveis com fluxo venoso lento e focos compatíveis com flebólitos; a ressonância magnética demonstra lesão infiltrativa hiperintensa em sequências ponderadas em T2, com realce tardio e ausência de sinais de alto fluxo.
Considerando a classificação das anomalias vasculares, os achados de imagem e as opções terapêuticas endovasculares, assinale a alternativa que apresenta interpretação e conduta mais adequadas.
Tratar como malformação arteriovenosa de alto fluxo (AVM), indicando embolização transarterial com Onyx ou cola N-butil cianoacrilato visando à oclusão imediata do nidus.
Classificar como hemangioma intramuscular (tumor vascular benigno) e indicar apenas corticoterapia sistêmica, reservando procedimentos endovasculares para falha medicamentosa.
Classificar como malformação venosa (VM) de baixo fluxo e indicar escleroterapia guiada por imagem (idealmente com espuma de etanol ou polidocanol/sodium tetradecyl sulfate), após flebografia, com atenção para coagulopatia local intravascular.
Considerar linfangioma macrocístico (malformação linfática) e indicar punções evacuadoras simples, evitando agentes esclerosantes devido ao alto risco de necrose cutânea.
Considerar angiodisplasia inespecífica; o melhor exame para definir conduta é arteriografia diagnóstica por via femoral, sem necessidade de ultrassom ou RM prévias.
Sobre os anticoagulantes, antiplaquetários e agentes fibrinolíticos utilizados na prática clínica e intervencionista, assinale a alternativa correta considerando mecanismos de ação, monitorização laboratorial e manejo perioperatório.
Anticoagulantes orais diretos podem ser monitorados com precisão por testes convencionais de coagulação, como o tempo de protrombina e o tempo de tromboplastina parcial.
A varfarina exerce ação anticoagulante por inibição direta de fatores de coagulação, com início de efeito imediato, permitindo ajustes eficazes nas primeiras horas.
A fibrinólise sistêmica promove a formação de fibrina estável, contribuindo para a hemostasia.
Os inibidores do receptor plaquetário P2Y12 reduzem a agregação mediada por ADP e requerem suspensão alguns dias antes de procedimentos com maior risco hemorrágico.
A heparina não fracionada apresenta meia-vida prolongada, exigindo suspensão com grande antecedência antes de procedimentos invasivos.
A respeito da fisiopatologia, o diagnóstico e o tratamento das doenças linfáticas, incluindo linfedema e linfangite, assinale a alternativa correta.
A insuficiência venosa crônica (CVI) está entre os principais gatilhos de linfedema secundário, podendo evoluir para o quadro denominado “flebolinfedema”.
No linfedema, a linfocintilografia é considerada exame obrigatório, pois apresenta alta sensibilidade para todos os estágios da doença e direciona condutas na maior parte dos casos.
A linfangite é causada predominantemente por obstrução mecânica dos vasos linfáticos, sendo rara a associação com infecções bacterianas.
As úlceras vasculares relacionadas ao linfedema têm curso predominantemente isquêmico e, portanto, respondem melhor à revascularização arterial do que à terapia compressiva.
A drenagem linfática manual (MLD) é contraindicada em linfedema em estágio inicial, pois aumenta o risco de piora do edema pela hiperestimulação dos vasos linfáticos.
Sobre o Tempo de Tromboplastina Parcial ativada (TTPa), assinale CORRETAMENTE:
O TTPa avalia principalmente a via extrínseca da coagulação, sendo pouco útil na investigação de hemofilia.
O TTPa é utilizado no monitoramento da terapia com heparina, auxiliando na manutenção da faixa terapêutica adequada.
O TTPa não possui relação com a função hepática, sendo exclusivo para avaliação de distúrbios hereditários.
O TTPa reduzido está associado ao aumento do risco de sangramentos graves.
O TTPa não é indicado em triagens pré-operatórias ou na investigação de coagulação intravascular disseminada.
O exame de clearance de creatinina é amplamente utilizado na prática clínica para avaliação da função renal. Sobre esse exame, é CORRETO afirmar que:
Avalia exclusivamente a função hepática por meio da dosagem de creatinina no sangue.
Compara a concentração de creatinina no sangue com a quantidade eliminada na urina ao longo de 24 horas.
Mede apenas a creatinina urinária isoladamente, sem relação com valores sanguíneos.
É utilizado apenas para diagnóstico de doenças cardíacas, sem relação com a função renal.
Não possui utilidade na detecção de alterações na taxa de filtração glomerular.
A punção guiada por TC é amplamente utilizada na radiologia intervencionista, apresentando vantagens e limitações. Dessa forma, é CORRETO afirmar que:
A punção guiada por TC é inferior ao ultrassom em todas as situações clínicas, não sendo indicada para lesões profundas.
A técnica guiada por TC permite visualização contínua em tempo real da agulha, reduzindo o tempo de procedimento.
A punção guiada por TC apresenta como limitação a necessidade de varreduras intermitentes para localização da agulha, podendo aumentar o tempo do procedimento.
A TC não é eficaz para biópsias de lesões omentais e mesentéricas, especialmente em lesões profundas.
A utilização de fluoro-TC reduz a exposição à radiação em comparação com a técnica convencional.
No contexto do diagnóstico e da abordagem intervencionista da insuficiência arterial crônica dos membros inferiores, assinale a alternativa correta considerando evidências atuais e prática clínica.
A revascularização endovascular é indicada para todos os pacientes com doença arterial periférica, independentemente da presença de sintomas.
Em pacientes com claudicação funcionalmente limitante, a revascularização pode ser considerada após tratamento clínico otimizado e programas de exercício, sendo eficaz em lesões aortoilíacas ou femoropoplíteas selecionadas.
Na isquemia crônica ameaçadora de membro, a abordagem inicial deve ser exclusivamente clínica, reservando procedimentos para falha tardia.
Um índice tornozelo-braquial dentro da normalidade exclui doença arterial periférica significativa em todos os pacientes.
A cirurgia aberta deve ser priorizada em relação às técnicas endovasculares, independentemente da anatomia e do risco cirúrgico.
Em relação à insuficiência venosa crônica e ao manejo intervencionista das varizes dos membros inferiores, assinale a alternativa correta, considerando fisiopatologia, classificação clínica e opções terapêuticas atuais.
A classificação clínica da doença venosa baseia-se apenas nos sintomas, não incorporando dados anatômicos ou etiológicos.
A presença de refluxo segmentar da veia safena magna indica tratamento intervencionista imediato, independentemente da correlação clínica.
A ablação endovenosa apresenta eficácia semelhante à cirurgia aberta, com menor morbidade e recuperação funcional mais rápida em pacientes selecionados.
A escleroterapia com espuma apresenta taxas de oclusão superiores às técnicas endovenosas térmicas para varizes tronculares.
O estudo venográfico invasivo é obrigatório antes de qualquer decisão terapêutica em varizes primárias.
Paciente de 67 anos, no pós-operatório de colectomia, evolui com febre persistente e leucocitose. A tomografia contrastada evidencia coleção intra-abdominal profunda, com septações finas, pequeno nível gasoso e acesso seguro apenas por trajeto lateral, devido à interposição de alças intestinais.
Considerando os princípios técnicos da drenagem percutânea guiada por imagem, qual é a conduta mais adequada?
Optar apenas por aspiração da coleção, pois o conteúdo gasoso contraindica a colocação de dreno.
Realizar drenagem por US, já que este método permite visualizar qualquer coleção profunda, mesmo com alças.
Realizar drenagem percutânea guiada por TC, utilizando técnica de Seldinger, para acesso seguro em coleção profunda com interposição de alças.
Adiar o procedimento e repetir a TC em 48 h, pois coleções com septações não se beneficiam de drenagem precoce.
Contraindicar drenagem por risco absoluto de atravessar alças intestinais, devendo o caso ser tratado apenas com antibiótico.
Um paciente com coagulopatia secundária à hepatopatia avançada apresenta sangramento arterial ativo após biópsia hepática. A angiografia demonstra extravasamento em ramo segmentar de pequeno calibre e fluxo moderado.
Considerando as propriedades físicas e o mecanismo de ação dos diferentes agentes embolizantes, o material mais apropriado para promover oclusão eficaz, independentemente da coagulação, é
microesferas calibradas de 100–300 μm.
Coils de platina.
esponja de gelatina absorvível (ex.:Gelfoam).
agentes líquidos não adesivos, como EVOH/DMSO (ex.: Onyx).
partículas irregulares de PVA.
Segundo as diretrizes internacionais e nacionais sobre boas práticas clínicas em radiologia intervencionista, assinale a alternativa que descreve corretamente um elemento estruturante obrigatório para garantir segurança e qualidade no cuidado ao paciente durante procedimentos invasivos.
A responsabilidade clínica do paciente deve ficar prioritariamente com o médico solicitante, cabendo ao radiologista intervencionista atuar apenas como executor técnico do procedimento.
A ausência de checklists formais não compromete a segurança, desde que a equipe tenha experiência e comunicação ativa entre seus membros.
A equipe deve adotar um modelo clínico no qual o radiologista intervencionista assume responsabilidade integral no pré, intra e pós-procedimento, incluindo consentimento, critérios de indicação e seguimento.
A participação em reuniões multidisciplinares (MDTs) é opcional e depende exclusivamente da disponibilidade do serviço solicitante.
O programa de educação permanente da equipe deve ocorrer somente quando novas tecnologias são incorporadas, sem necessidade de revisões periódicas.
Durante planejamento de implante de desfibrilador em paciente com risco elevado de morte súbita, este recusa o procedimento por motivos religiosos, afirmando que não aceita intervenções invasivas. Nesse caso, a conduta ética do médico deve ser:
Insistir na realização do procedimento, pois a preservação da vida é prioridade absoluta sobre crenças pessoais.
Solicitar autorização judicial imediata, pois a recusa é considerada inválida em situações de risco de morte.
Respeitar a decisão do paciente, após garantir que ele recebeu todas as informações necessárias e compreendeu riscos e benefícios, mantendo registro formal da recusa.
Convencer o paciente por meio de familiares, sem necessidade de respeitar sua autonomia individual.
Prosseguir com o implante sem consentimento, justificando pela urgência clínica.