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A segurança radiológica em procedimentos de cardiologia intervencionista envolve tanto a aplicação de medidas físicas para redução de dose quanto a compreensão dos efeitos biológicos da radiação ionizante. Sobre o assunto, analise as assertivas a seguir:
I. O aumento da distância entre o operador e a fonte de radiação, associado à colimação adequada e ao uso de fluoroscopia pulsada com menor taxa de quadros por segundo, reduz a exposição radiológica do paciente e da equipe.
II. Efeitos determinísticos apresentam dose limiar para sua ocorrência e têm gravidade proporcional à dose absorvida, como observado nas lesões cutâneas induzidas por radiação em procedimentos prolongados.
III. Efeitos estocásticos independem da dose total recebida e não têm relação com estratégias de redução de exposição radiológica durante o procedimento.
IV. A utilização de projeções oblíquas extremas e angulações craniocaudais acentuadas tende a reduzir a dose de radiação, pois diminui a espessura de tecido atravessado pelo feixe.
Quais estão corretas?
Apenas I e II.
Apenas II e III.
Apenas III e IV.
Apenas I, II e III.
I, II, III e IV.
A perfuração coronária é a complicação mais frequente durante a intervenção percutânea em oclusões coronárias crônicas (CTO) e está associada a um aumento de morbimortalidade. Com base em dados do registro prospectivo internacional PROGRESS-CTO, foi desenvolvido um escore preditivo de risco de perfuração em procedimentos realizados por operadores experientes (PROGRESS-CTO Complications Score). Assinale a alternativa que indica o fator de maior peso nesse escore.
Comprimento da oclusão ≥20 mm.
Idade do paciente ≥75 anos.
Uso de técnica retrógrada.
Tortuosidade moderada a severa no segmento ocluído.
Fração de ejeção do ventrículo esquerdo <40%.
Homem, 72 anos, é portador de diabetes melito tipo 2 e doença arterial coronária estável com angina classe III da Canadian Cardiovascular Society (CCS). Foi submetido à intervenção coronária percutânea para tratamento de oclusão coronária crônica da artéria descendente anterior. A taxa de filtração glomerular estimada era de 65 mL/min/1,73 m². Durante a abordagem retrógrada via colateral septal, após 4 horas de procedimento, observavam-se os seguintes parâmetros:
• Dose kerma incidente na pele: 6,2 Gy;
• Tempo de fluoroscopia: 145 minutos;
• Volume de contraste iodado de baixa osmolalidade: 210 mL..
Com base nas recomendações contemporâneas do EuroCTO Club, assinale a alternativa correta.
A dose de radiação atingida constitui limiar de notificação e exige acompanhamento clínico para possíveis lesões cutâneas tardias.
O volume de contraste utilizado ultrapassa o limite de segurança recomendado para prevenção de nefropatia induzida por contraste.
O tempo de fluoroscopia isoladamente determina a interrupção mandatória do procedimento.
A manutenção do procedimento é sempre proibida quando a dose kerma excede 5 Gy, independentemente do estágio técnico alcançado.
O procedimento pode prosseguir sem necessidade de qualquer medida adicional, pois a dose de 6,2 Gy encontra-se dentro da faixa considerada segura para efeitos cutâneos determinísticos.
Os métodos não invasivos desempenham papel central na avaliação inicial das doenças vasculares. No que se refere ao uso do Doppler vascular no diagnóstico das doenças arteriais periféricas, é correto afirmar:
substitui completamente a angiografia diagnóstica
não permite avaliação hemodinâmica do fluxo sanguíneo
possibilita estimar a gravidade das estenoses arteriais
apresenta utilidade apenas no acompanhamento pós-operatório
Durante o planejamento de uma angiografia diagnóstica com possibilidade de intervenção no mesmo ato, a avaliação pré-procedimento é determinante para a segurança do paciente. Em relação à prevenção de complicações associadas ao uso de contraste iodado e ao acesso vascular, é correto afirmar que:
em pacientes com taxa de filtração glomerular estimada inferior a 30 ml/min/1,73 m², a angiografia está formalmente contraindicada
o risco de sangramento retroperitoneal está associado à punção alta da artéria femoral comum
a hidratação venosa profilática não apresenta impacto na redução do risco de nefropatia induzida por contraste
o acesso radial elimina a necessidade de avaliação prévia da coagulação


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A angioplastia transluminal percutânea é um procedimento amplamente utilizado no tratamento das doenças arteriais obstrutivas. Em relação à angioplastia das artérias dos membros inferiores, é correto afirmar que:
está indicada apenas em pacientes assintomáticos
visa a restaurar o fluxo sanguíneo por dilatação da estenose
apresenta contraindicação absoluta em pacientes diabéticos
dispensa controle angiográfico após o procedimento
Homem de 43 anos apresenta hipertensão arterial de início recente e episódios de cefaleia. Seus exames laboratoriais não demonstram marcadores inflamatórios elevados; a angiotomografia das artérias renais evidencia múltiplas áreas alternando estenoses e dilatações nas porções médias, sem microaneurismas viscerais distais. Considerando a distinção entre vasculites inflamatórias e arteriopatias não ateroscleróticas, assinale a alternativa que descreve de forma mais compatível o diagnóstico e a conduta inicial.
O quadro sugere poliarterite nodosa, indicada pela presença de lesões multifocais em “colar de contas”, devendo-se iniciar imunossupressão com glicocorticoide e ciclofosfamida.
O padrão angiográfico é típico de displasia fibromuscular, que cursa com quadro inflamatório sistêmico importante. Deve-se confirmar com PET/CT e, na presença de captação, iniciar terapia imunossupressora.
Trata-se provavelmente de fibromuscular displasia, uma vasculopatia não aterosclerótica e não inflamatória. A conduta inicial se baseia em controle da pressão arterial e avaliação de necessidade de angioplastia, sem indicação rotineira de imunossupressão.
O padrão em “colar de contas” é clássico da segmental arterial mediolysis, que deve ser tratada com pulsoterapia de metilprednisolona para reduzir o risco de ruptura aneurismática.
A combinação de hipertensão recente e lesões em “colar de contas” define automaticamente poliarterite nodosa associada à hepatite B, sendo desnecessária investigação adicional para vasculopatias não inflamatórias.
Durante angiografia diagnóstica realizada para investigação de sangramento pélvico, o paciente apresenta dor súbita e intensa no membro inferior direito após manipulação do cateter. A angiografia subsequente demonstra redução abrupta do fluxo arterial femoral, associada a defeito de enchimento mural focal, sem evidência de extravasamento de contraste.
Qual complicação técnica mais provavelmente explica esse achado?
Perfuração arterial com extravasamento ativo.
Vasoespasmo arterial induzido por cateter.
Embolização iatrogênica por trombo ou placa.
Dissecção arterial iatrogênica.
Fenômeno de roubo de fluxo (“steal”) por colaterais pélvicas.
Paciente de 71 anos, com carcinoma hepatocelular multifocal, função hepática preservada e doença restrita ao fígado, é avaliado para radioembolização hepática. O estudo angiográfico prévio demonstra desvio significativo do fluxo arterial para o pulmão.
Diante desse achado, a conduta mais adequada é
proceder à radioembolização (TARE) normalmente, pois shunt <20% é seguro.
aumentar a dose de Y-90 para compensar o shunt e garantir maior irradiação tumoral.
evitar radioembolização (TARE) com Y-90, pois o shunt >10–15% aumenta risco de pneumonite por radiação.
a presença de trombose portal é contraindicação absoluta à realização da radioembolização.
prosseguir com quimioembolização (TACE) em vez de SIRT, pois bilirrubina >1,5 mg/dL contraindica qualquer radioembolização.
Em pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico agudo avaliados nas primeiras horas de evolução, a seleção para tratamento endovascular (EVT) depende de achados de imagem específicos.
Assinale a alternativa que apresenta critérios de imagem suficientes para indicar trombectomia mecânica em pacientes dentro da janela de até seis horas.
Apenas a presença de hipodensidade extensa (>1/3 do território da ACM) na tomografia sem contraste é suficiente para indicar EVT, independentemente do status vascular.
A confirmação de oclusão proximal (carótida intracraniana ou M1) por angiografia por TC, associada a ASPECTS ≥ 6, é critério amplamente aceito para EVT na janela precoce.
O uso de perfusão (CTP) é obrigatório para selecionar todos os pacientes antes de qualquer terapia endovascular.
A ausência de colaterais na angiografia por TC não influencia a decisão terapêutica e não tem relação com prognóstico.
A realização de RM com DWI é obrigatória para excluir pacientes com núcleo isquêmico extenso antes de EVT em qualquer cenário.


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Um paciente com suspeita de insuficiência arterial femoropoplítea realiza US Doppler arterial. O exame mostra:
• onda monofásica no segmento femoral distal;
• aumento de PSV no poplíteo proximal;
• artefatos de aliasing e turbulência distal.
A equipe deseja complementar a investigação com exame anatômico para planejamento de possível intervenção. Considerando as vantagens e limitações de CTA (angiotomografia) e MRA (angioressonância magnética) descritas nas revisões clássicas, a melhor escolha para avaliação anatômica detalhada das artérias femoropoplíteas é
MRA contrastada, pois é menos afetada por calcificações e não depende de janela acústica.
CTA, pois é o método menos sensível a calcificações e melhor para vasos distais.
US Doppler repetido com aumento de PRF (frequência de repetição de pulso) para eliminar aliasing, dispensando outros exames.
MRA sem contraste (TOF - time-of-flight), que oferece melhor resolução espacial que CTA.
cateterismo diagnóstico imediato, pois permite a avaliação não só dos vasos, mas também de outras estruturas não vasculares adjacentes.
Homem de 73 anos é encontrado com déficit neurológico focal ao despertar, sendo que o último momento em que foi visto assintomático ocorreu há aproximadamente nove horas. A avaliação por tomografia computadorizada demonstra área isquêmica inicial limitada, oclusão arterial proximal e estudo de perfusão com discrepância significativa entre tecido isquêmico estabelecido e tecido potencialmente recuperável.
Com base na seleção por imagem em janela estendida, qual é a conduta mais adequada?
Não indicar EVT por estar fora da janela de 4,5h e porque a reperfusão tardia aumenta risco de hemorragia.
Não realizar EVT porque ASPECTS não é suficiente para determinar benefício após 6h, sendo necessária RM obrigatória.
Indicar tratamento endovascular, pois há discrepância entre tecido isquêmico estabelecido e tecido potencialmente recuperável, com núcleo isquêmico inferior a 70 mL, atendendo a critérios de seleção por imagem em janela estendida.
Realizar apenas trombólise venosa, pois a fisiopatologia tardia impede benefício da recanalização mecânica.
Adiar decisão até repetir a TC em 6h para avaliar progressão do infarto.
Durante a avaliação pré-procedimental de um paciente com indicação de angiografia diagnóstica, o radiologista intervencionista realiza anamnese dirigida, exame físico e revisão de exames prévios. Ao exame, identifica diminuição bilateral dos pulsos femorais e presença de área de hematoma inguinal antigo à direita, relacionada à punção vascular prévia.
Considerando os princípios da propedêutica clínica em procedimentos vasculares, qual é a conduta mais adequada antes da definição do acesso arterial?
Prosseguir com acesso femoral direito, pois o hematoma antigo não contraindica nova punção.
Prosseguir com acesso femoral esquerdo sem necessidade de revisar exames prévios, pois pulsos diminuídos não influenciam a escolha do acesso.
Cancelar o procedimento, pois a presença de hematoma prévio contraindica angiografia.
Revisar exames prévios e selecionar alternativa de acesso, considerando pulsos diminuídos e condições locais que aumentam risco de complicações.
Solicitar correção laboratorial imediata, pois pulsos diminuídos indicam risco iminente de sangramento arterial.
Diante da suspeita clínica de tromboembolismo pulmonar, foi solicitada uma angiotomografia computadorizada (angioTC pulmonar). Durante a análise das imagens, o médico observa a distribuição dos ramos arteriais pulmonares em relação à árvore brônquica, com o objetivo de identificar possíveis falhas de enchimento e reconhecer variações anatômicas. De acordo com os princípios anatômicos e a correlação com a angioTC pulmonar, assinale CORRETAMENTE:
Os ramos arteriais pulmonares não apresentam relação anatômica com os brônquios segmentares, sendo sua distribuição independente.
Os ramos destinados ao lobo médio e à língula originam-se da face posterior da artéria interlobar.
O ramo arterial para o segmento superior dos lobos inferiores origina-se da face anterior da artéria interlobar.
A angiotomografia pulmonar possui baixa sensibilidade, sendo indicada apenas quando outros exames são inconclusivos.
As artérias pulmonares acompanham os brônquios segmentares e subsegmentares, auxiliando na identificação dos territórios pulmonares.
Paciente de 68 anos, com angina instável, é indicado para angioplastia coronária. Durante o procedimento, o médico identifica lesão grave em outro vaso não previamente discutido com o paciente. Acerca do caso, a conduta ética CORRETA deve ser:
Realizar imediatamente a intervenção em todos os vasos, sem consentimento, pois o médico deve decidir sozinho.
Suspender o procedimento e encaminhar o paciente para cirurgia cardíaca, sem discussão prévia.
Intervir apenas na lesão previamente autorizada, garantindo respeito à autonomia do paciente, e discutir posteriormente a nova lesão.
Solicitar autorização verbal da família durante o procedimento, sem considerar o paciente.
Realizar angioplastia apenas parcial, sem informar riscos e benefícios.


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O conhecimento detalhado da anatomia vascular é essencial para a realização segura dos procedimentos intervencionistas. No que se refere à artéria femoral comum, é correto afirmar que:
localiza-se medialmente à veia femoral no triângulo femoral
apresenta trajeto exclusivamente intramuscular
não apresenta variações anatômicas relevantes
sua relação com a cabeça do fêmur é referência para punção segura
Durante a realização de procedimentos endovasculares complexos, o manejo das complicações trombóticas é fundamental. No que concerne à fibrinólise in situ, é correto afirmar que:
é preferencialmente indicada em tromboses crônicas organizadas
elimina a necessidade de monitorização em unidade intensiva
apresenta risco hemorrágico desprezível
requer monitorização clínica e laboratorial rigorosa durante o tratamento
A fibrinólise in situ é uma técnica utilizada no tratamento de tromboses arteriais e venosas selecionadas. Em relação a essa técnica, é correto afirmar que:
é indicada preferencialmente em tromboses crônicas organizadas
apresenta risco hemorrágico irrelevante quando comparada à trombectomia
permite administração localizada do agente fibrinolítico
dispensa monitorização clínica e laboratorial durante o tratamento
A escolha entre nefrostomia percutânea e o implante de cateter duplo J depende de fatores clínicos e anatômicos. Sobre o implante de cateter duplo J, é correto afirmar que:
é preferencial em pacientes com sepse urinária ativa
exige perviedade do ureter para posicionamento adequado
apresenta menor risco de infecção quando comparado à nefrostomia em todos os cenários
é contraindicado em obstruções ureterais malignas
Paciente de 49 anos, previamente hígido, apresenta dor e edema progressivos no membro inferior esquerdo há dois dias. O exame ultrassonográfico evidencia trombose iliofemoral aguda, com veia femoral comum dilatada e não compressível. O paciente encontra-se hemodinamicamente estável, sem sinais de isquemia venosa grave.
Considerando o manejo atual da trombose venosa profunda iliofemoral e a seleção de pacientes para terapias endovasculares precoces, a conduta mais adequada é
iniciar anticoagulação plena e indicar imediatamente trombólise sistêmica, pois ela reduz comprovadamente a ocorrência de PTS (síndrome pós trombótica) em todos os pacientes com DVT (doença venosa trombótica) proximal.
iniciar anticoagulação plena e programar trombólise dirigida por cateter ou trombólise farmacomecânica por cateter (CDT/PCDT) para todos os pacientes, independentemente da intensidade dos sintomas, com o objetivo de promover recanalização precoce e reduzir o risco de síndrome pós-trombótica.
iniciar anticoagulação plena e considerar trombólise dirigida por cateter ou trombólise farmacomecânica por cateter (CDT/PCDT) apenas se houver sintomas intensos, baixo risco de sangramento e trombose venosa profunda iliofemoral, pois o benefício é limitado a subgrupos específicos.
Iniciar anticoagulação plena e evitar CDT/PCDT em qualquer caso de trombose iliofemoral, pois os estudos demonstram aumento de sangramento sem qualquer benefício clínico.
Evitar anticoagulação inicial e realizar apenas CDT para acelerar a recanalização, uma vez que anticoagulação não influencia risco de PTS.


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