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Anthony Giddens é um dos sociólogos contemporâneos que busca construir um arcabouço teórico capaz de superar a oposição da sociologia clássica entre a estrutura social e a ação humana. Na obra “A constituição da sociedade” (2003), ele faz referência às estruturas sociais possibilitando a ação, ao passo em que as ações criariam estruturas. Essa relação faz referência a qual teorema do autor?
Dialética negativa.
Dualidade da estrutura.
Funcionalismo estrutural.
Habitus.
Panoptismo.
A imaginação sociológica é fundamental para a sociologia, na medida em que estimula o estranhamento e a desnaturalização do mundo social. Segundo Anthony Giddens (2005), “um sociólogo é alguém capaz de se libertar da imediatidade das circunstâncias pessoais e apresentar as coisas em um contexto mais amplo”.
GIDDENS, A. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005, com adaptações.
Considerando a relevância do assunto para a prática profissional do sociólogo, é correto afirmar que o exercício da imaginação sociológica requer a (o)
aproximação dos métodos das ciências sociais com os métodos das ciências naturais.
engajamento político do pesquisador na superação de todos os tipos de preconceitos de raça, gênero, credo ou nacionalidade.
adoção de uma postura neutra por parte do pesquisador em relação aos fenômenos analisados.
busca de uma visão mais ampla na construção do conhecimento a respeito dos fenômenos sociais para além da experiência individual.
identificação de leis universais de explicação dos fenômenos da vida social.
Em seu manual de Sociologia, Giddens (2005) apresenta ao leitor os conceitos sociológicos de “identidade social” e de “autoidentidade”. São eles:
A identidade social é a forma como o indivíduo escolhe se apresentar para os outros indivíduos e é a expressão social da autoidentidade. Ambas são construídas no âmbito da consciência individual.
A identidade social é um conjunto de características que os indivíduos escolhem para se relacionar socialmente. Entende-se como autoidentidade a identidade social consolidada na vida adulta.
A identidade social é construída a partir das características que são atribuídas a um indivíduo pelos outros. Já a autoidentidade é o sentido de si mesmo construído em negociação com o mundo exterior, a sociedade.
A identidade social de um indivíduo é construída na relação com outros indivíduos, selecionando atributos que pareçam mais valorizados. A autoidentidade é o reflexo da identidade social na psiquê dos indivíduos.
A identidade social e a autoidentidade são construídas socialmente a partir da seleção de características identificadas como positivas. A diferença entre elas é que uma se manifesta na vida social e outra na vida privada.
Anthony Giddens (2005) diferencia três tipos básicos de sistemas políticos: monarquia, democracia liberal e autoritarismo. Baseando-se na diferenciação feita pelo autor, assinale a alternativa correta.
A monarquia constitucional caracteriza-se pela afirmação e legitimação do poder monarca com base na Constituição.
As especificidades dos estados modernos consistem no seu caráter republicano e no predomínio da democracia liberal.
A democracia liberal designa as nações que praticam a democracia representativa multipartidária e o direito de voto.
As monarquias, cuja autoridade era legitimada pela força do costume, desapareceram com a fundação dos estados modernos.
Os estados autoritários priorizam os seus interesses em detrimento aos dos cidadãos, que recorrem à lei para se opor ao governo.
No contexto da teoria da estruturação, de Anthony Giddens, há uma noção importante, a dualidade da estrutura. Com base nisso, assinale a alternativa correta.
A noção de dualidade da estrutura constitui-se de uma chave explicativa na teoria da estruturação para explicar as predisposições incorporadas em forma de patrimônios individuais de disposições, outro importante conceito dessa teoria.
A noção de dualidade da estrutura em Giddens tem por propósito esclarecer as relações sociais sob a perspectiva do estruturalismo, demarcando o duplo papel objetivo e simbólico das estruturas sociais e as contradições ou dualidades entre elas.
Em uma análise orientada sob a teoria da estruturação, não se deve conceber indivíduo e sociedade em separado, pois ambos têm as suas existências na relação recíproca entre si. É na relação entre as ações dos indivíduos e a estrutura social que se dão as transformações e as reproduções do sistema social em vigor, evidenciando a dualidade da estrutura.
A dualidade da estrutura é observada na dicotomia entre a própria capacidade de orientar as ações dos indivíduos e a de ser influenciada por essas ações, garantindo sua estável manutenção, na medida em que consegue superar as crises, aspecto que se observa no capitalismo.
A teoria da estruturação tem bases no estruturalismo, reforçando o papel da estrutura sobre as ações dos indivíduos, a qual exerce dupla determinação, sendo elas objetivas e simbólicas; daí a noção de dualidade da estrutura.
“A sociologia é um campo muito amplo e diverso, e quaisquer generalizações sobre ela são questionáveis. Mas podemos destacar três concepções amplamente defendidas, derivadas em parte do prolongado impacto da teoria social clássica na sociologia, que inibem uma análise satisfatória das instituições modernas. A primeira diz respeito ao diagnóstico institucional da modernidade; a segunda tem a ver com o foco principal da análise sociológica, a ‘sociedade’; a terceira se relaciona às conexões entre conhecimento sociológico e as características da modernidade às quais se refere este conhecimento”.
GIDDENS, Antony. As consequências da modernidade. São Paulo: UNESP, 1991. p. 19-20.
Ao discutir a relação da Sociologia com a modernidade, Giddens traz à tona teorias clássicas do pensamento fundante da Sociologia. Analise os itens e marque a alternativa CORRETA.
I - Para o pensamento marxista, a força transformadora principal que modela o mundo moderno é o capitalismo que rompe com a produção local do mundo feudal e expande-se a uma mundialização, tanto na produção quanto nas relações de trabalho.
II - a mobilidade e inquietude da modernidade vêm do ciclo investimento-lucro-investimento que, articulado com a tendência geral de queda da taxa de lucro, provoca o desejo constante de expansão do sistema.
III - Durkheim acompanha a natureza das instituições modernas primariamente até o impacto causado pelo industrialismo.
IV - Segundo Durkheim, a competição capitalista não é o elemento central da ordem industrial emergente; a rápida transformação da vida moderna seria impulsionada pela complexa divisão social do trabalho.
V - Max Weber apontou o capitalismo e não uma ordem industrial, compreendendo o capitalismo como um processo racionalizado pela técnica do ocidente.
Apenas os itens IV e V estão incorretos.
Apenas os itens I e III estão corretos.
Todos os itens estão corretos.
Todos os itens estão incorretos, exceto o I.
Apenas os itens I, II e V estão corretos.
Analise o texto abaixo.
Todas as organizações têm perfis políticos, mas apenas no caso de Estados é que envolve a consolidação de um poder militar em associação ao controle dos meios de violência dentro de uma extensão territorial. Um Estado pode ser definido como uma organização política cujo domínio é territorialmente organizado e capaz de acionar os meios de violência para sustentar esse domínio.
Anthony Giddens. O Estado-nação e a violência. São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2008, p.45.
Com relação à abordagem teórica do Estado elaborada por Giddens no livro O Estado-nação e a violência, marque a alternativa CORRETA.
Os Estados se formaram em conexão com mudanças específicas na distribuição de poder entre governantes e governados.
Define-se o Estado estritamente em termos de controle dos meios de violência.
O principal aspecto do Estado é o papel de órgão de comunicação com o resto da sociedade.
Estado é a expressão do domínio de classe e exerce o domínio territorial por meio da expropriação e da violência.
Todos os Estados incluem o monitoramento reflexivo dos aspectos da reprodução dos sistemas sociais subordinados ao seu domínio.
Nas últimas décadas, as dicotomias e os dissensos da sociologia em torno de noções como “ação” e “estrutura”, “indivíduo” e “sociedade”, “objetividade” e “subjetividade” passaram por uma profunda crítica e reformulação nas obras de Pierre Bourdieu (1930-2002), Anthony Giddens e Jürgen Habermas. A característica comum dessas revisões é
o retorno ao funcionalismo.
o predomínio da microssociologia.
a tentativa de síntese teórica.
a defesa do darwinismo social.
a ênfase no determinismo econômico.
Expondo a teoria de Raewyn Connell, Giddens (2005) afirma que as sociedades — entenda-se, as sociedades capitalistas, pelo menos — estão organizadas sob um princípio básico e estruturante: a dominação dos homens sobre as mulheres. A partir disso, estabelece-se uma hierarquia de gênero na qual existe:
uma feminilidade e uma masculinidade hegemônicas, grupos do mesmo nível na hierarquia de gênero.
uma masculinidade cúmplice, grupo social que possui poder menor na hierarquia social que todas as feminilidades.
feminilidades e masculinidades que estão fora da hierarquia de gênero e, portanto, fora da hierarquia social de poder.
feminilidades resistentes, grupo no nível mais baixo da hierarquia de gênero e que inclui lésbicas, solteironas, feministas, prostitutas entre outras.
uma masculinidade homossexual que partilha com a feminilidade homossexual o mesmo nível na hierarquia de gênero.
Partindo do entendimento de Anthony Giddens sobre a socialização, passando pelo aprendizados dos papéis sociais, assinale a alternativa incorreta.
A socialização é o principal canal para a transmissão da cultura através do tempo e das gerações. Ela conecta diferentes gerações com as outras. A socialização deveria ser vista como um processo que dura a vida inteira, em que o comportamento humano é continuamente modelado pelas interações sociais. Ela permite que os indivíduos desenvolvam a si mesmos e a seu potencial, a aprender e a fazer ajustes
Pelo processo de socialização, os indivíduos aprendem sobre papéis sociais, que são as expectativas socialmente definidas que uma pessoa segue numa dada posição social. Cada papel social guarda em si um conjunto de comportamentos que devem ser representados por aquele que vive o papel individualmente, sem levar em consideração suas opiniões ou perspectivas pessoais. Os indivíduos passam a entender e assumir papéis sociais por meio de um processo progressivo de interação social
Os sociólogos falam com frequência que a socialização ocorre em duas grandes fases, envolvendo um número de diferentes agentes de socialização. Estes, por sua vez, são grupos ou contextos sociais em que ocorrem processos significativos de socialização. A socialização primária ocorre na primeira infância e é o mais intenso período de aprendizagem cultural, e a família é o principal agente de socialização. A socialização secundária tem lugar mais tarde na infância e na maturidade. Nessa fase, outros agentes de socialização estão presentes, como as escolas, os grupos de iguais, as organizações, as mídias e o trabalho, por exemplo
Os animais que estão mais abaixo na escala evolutiva são capazes de se defender logo depois de terem nascido, com pouca ou nenhuma ajuda dos adultos. As crianças humanas são as mais indefesas de todas; uma criança humana não pode sobreviver sem ajuda pelo menos durante os primeiros quatro ou cinco anos de vida. Dito isso, podemos afirmar que a socialização é o processo pelo qual a criança indefesa gradualmente se torna uma pessoa autoconsciente e instruída, hábil nos modos da cultura na qual ela nasceu. A socialização é um tipo de “programação cultural”, em que absorve passivamente as influências com as quais ela entra em contato
Anthony Giddens afirma que as três das mais importantes e recentes perspectivas sociológicas são o funcionalismo, a abordagem de conflito e o interacionismo simbólico, e que há conexão direta ou indiretamente com os teóricos da Sociologia, Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim. Assinale as afirmativas abaixo e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) Os teóricos do conflito examinam as tensões entre grupos dominantes e desfavorecidos dentro da sociedade e buscam compreender como as relações de controle são estabelecidas e perpetuadas.
( ) Para o funcionalismo a sociedade é um sistema complexo cujas diversas partes trabalham conjuntamente para produzir estabilidade, motivo pelo qual entende que a Sociologia deve investigar a relação existente entre as partes de uma sociedade.
( ) A abordagem de conflito, assim como no funcionalismo, entende ser importante as estruturas existentes dentro de uma sociedade, mas considera importante as divisões existentes na sociedade para sua análise.
( ) O interacionismo simbólico considera mais importante a análise das interações existentes entre os membros da sociedade que formam as estruturas e tem como um de seus expoentes, o francês Émile Durkheim (influência indireta) e o alemão Max Weber (influência direta).
( ) Foi a teoria de Karl Marx que influenciou os teóricos do conflito, inclusive Ralf Dahrendorf, em sua clássica obra, Classe e Conflito de Classe na Sociedade Industrial, de 1959, em que relaciona o conflito mais amplamente à autoridade e ao poder.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
V, V, V, F, F
F, V, V, F, F
V, F, F, V, V
F, V, V, V, F
V, F, V, F, F
TEXTO I
A reflexividade tem dois sentidos: um que é bastante amplo e outro que diz respeito mais diretamente à moderna vida social. Todo ser humano é reflexivo no sentido de que pensar a respeito do que se faz é parte integrante do ato de fazer, seja no plano da consciência, internamente, ou no plano da consciência prática. A reflexividade social se refere a um mundo que é cada vez mais constituído de informação, e não de modos preestabelecidos de conduta. É como vivemos depois que nos afastamos da tradição e da natureza, por termos que tomar tantas decisões prospectivas. Nesse sentido, vivemos de modo muito mais reflexivo do que as gerações passadas.
GIDDENS, A.; PIERSON, C. Conversas com Anthony Giddens: o sentido da modernidade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2000, p. 87 (adaptado).
TEXTO II
Dez afirmações falsas recorrentes sobre vacinas foram apresentadas a mais de 2 mil entrevistados nas cinco regiões do Brasil, e o resultado preocupa a Sociedade Brasileira de Imunizações: mais de dois terços dos entrevistados (67%) disseram que ao menos uma das informações era verdadeira.
Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2019-11/sete-em-cada-10-brasileiros-acreditam-em-fake-news-sobre-vacinas. Acesso em: 30 maio 2020 (adaptado).
TEXTO III
Uma parcela de 7% dos brasileiros acredita que o formato da Terra é plano, aponta uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha. O levantamento contou com 2 086 entrevistados maiores de 16 anos em 103 cidades pelo país e foi o primeiro a estimar quantos no país duvidam que o planeta seja esférico – cerca de 11 milhões de pessoas.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2019/07/7-dos-brasileiros-afirmam-que-terra-e-plana-mostra-pesquisa.shtml?origin=folha. Acesso em: 31 maio 2020 (adaptado).
Considerando os textos apresentados, avalie as afirmações a seguir.
I. A difusão de fake news pelas redes sociais tem contribuído para deslegitimar socialmente as descobertas científicas, contrariando as tendências, das quais falava Giddens, de constituição da reflexividade como algo distintivo das sociedades contemporâneas.
II. A modernidade reflexiva é um processo inacabado no qual os atores sociais são cada vez mais influenciados por um conjunto de saberes especializados que lhes permite, assim, manifestar discordância em relação a certos conhecimentos aceitos pela comunidade científica.
III. A secularização da vida social pode ser considerada um traço característico das sociedades modernas, mas está distante de orientar e condicionar igualmente as práticas humanas em todos os domínios da vida social.
É correto o que se afirma em
I, apenas.
II, apenas.
I e III, apenas.
II e III, apenas.
I, II e III.
Em “As consequências da modernidade”, Anthony Giddens (1991) se empenha em construir uma teoria para compreender as relações sociais e o funcionamento da sociedade em geral. No processo de compreensão da modernidade, Giddens aponta três fontes de dinamismo presente na modernidade: a separação entre tempo e espaço, a reflexividade e o desencaixe.
Para Giddens há dois mecanismos de desencaixe presentes nas instituições sociais modernas, que são:
fichas simbólicas e os sistemas peritos.
fichas cartoriais e os sistemas culturais
fichas comportamentais e os sistemas parentais.
fichas simbólicas e sistemas culturais.
fichas cartoriais e os sistemas peritos.
A Sociologia sempre debateu sobre as relações entre indivíduo e sociedade, entre modernidade e tradição. Um dos autores representativos desse debate é Anthony Giddens, que, em seu livro As consequências da modernidade, apresenta a seguinte afirmação:
“A reflexividade da vida social moderna consiste no fato de que as práticas sociais são constantemente examinadas e reformadas à luz de informação renovada sobre estas próprias __________, alterando assim constitutivamente seu caráter. [...] Todas as formas de vida social são parcialmente constituídas pelo conhecimento que os atores têm delas. Saber "como ir adiante" no sentido de Wittgenstein é intrínseco às __________ que são tiradas da, e reproduzidas pela, atividade humana. Em todas as culturas, as _________ sociais são rotineiramente alteradas à luz de descobertas sucessivas que passam a informá-las. Mas somente na era da modernidade a revisão da __________ é radicalizada para se aplicar (em princípio) a todos os aspectos da vida humana, inclusive à intervenção tecnológica no mundo material. Diz-se com frequência que a modernidade é marcada por um apetite pelo novo, mas talvez isto não seja completamente preciso. O que é característico da __________ não é uma adoção do novo por si só, mas a suposição da reflexividade indiscriminada — que, é claro, inclui a reflexão sobre a natureza da própria reflexão.”
A alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas do texto é:
convenções, práticas, convenção, práticas, modernidade.
práticas, práticas, convenções, convenção, modernidade.
práticas, convenções, práticas, convenção, modernidade.
convenções, práticas, práticas, modernidade, convenção.
práticas, práticas, convenções, modernidade, convenção.
"A forma que a democracia assume em um determinado contexto é resultado principalmente de como seus valores e objetivos são compreendidos e priorizados. A democracia, de um modo geral, é vista como o sistema político que é mais capaz de garantir igualdade política, proteger a liberdade, defender o interesse comum, satisfazer as necessidades dos cidadãos, promover o autodesenvolvimento moral e proporcionar uma tomada de decisões efetivas, que leve em conta os interesses de todos (HELD, 2006). O peso que se confere a esses diversos objetivos pode influenciar o fato de se a democracia é considerada, antes de tudo, uma forma de poder popular (autogoverno e autorregulação) ou se ela é vista como uma estrutura para dar suporte à tomada de decisões por outras pessoas (como um grupo de representantes eleito)"
(GIDDENS, Anthony. Política, governo e movimentos sociais. ln: Sociologia. Porto Alegre: Penso, 2012, p.703-706)
Levando-se em consideração o pensamento de Giddens (2012), assinale a afirmativa correta que retrate o tipo de democracia que caracteriza o sistema político instituído no Brasil a partir da Constituição Federal de 1988.
Sistema político caracterizado pela participação direta dos cidadãos por meio de abaixo-assinados no processo decisório de políticas relativas aos assuntos públicos e ao bem comum.
Sistema político em que as deliberações e decisões coletivas não ocorrem diretamente por seus membros, mas por representantes eleitos; e diretamente por meio de referendo, plebiscito e iniciativa popular.
Sistema político em que os cidadãos escolhem seus candidatos ao poder não pelo partido político, mas entre diferentes candidatos do mesmo partido.
Sistema político em que a participação dos cidadãos é negada ou muito limitada e o interesse do Estado se sobrepõe.
Sistema político em que a alternância de poder ou ocupação dos cargos ocorre de forma hereditária por membros de uma mesma família.
“O local e o global determinam-se reciprocamente, umas vezes de modo congruente e consequente, outras de modo desigual e desencontrado. Mesclam-se e tensionam-se singularidades, particularidades e universalidades. [Conforme Anthony Giddens,] ‘A globalização pode assim ser definida como a intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa. Este é um processo dialético por que tais acontecimentos locais podem se deslocar numa direção inversa às relações muito distanciadas que os modelam. A transformação local é, assim, uma parte da globalização’”.
(IANNI, Octávio. Teorias da Globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001).
O texto acima foi escrito no final do século XX, mas continua atual ao analisarmos os impactos e as condicionantes do processo de globalização, assunto de interesse da sociologia do desenvolvimento. Com base no fragmento, pode-se inferir que, para Giddens,
a globalização é um processo vertical e de cima para baixo. Dessa forma, os espaços locais estariam condicionados por dinâmicas e transformações globais.
as transformações locais possuem relação com as dinâmicas políticas e econômicas globais, todavia é mais afetada por políticas das esferas nacionais de governo.
a globalização é um processo irreversível e, consequentemente, resultado da correlação das políticas de governos subnacionais e nacionais.
a globalização é um fenômeno complexo e contraditório, pois influencia e pode ser influenciada por acontecimentos ocorridos em diversas regiões do planeta.
“A desorientação que se expressa na sensação de que não se pode obter conhecimento sistemático sobre a organização social, devo argumentar, resulta, em primeiro lugar, da sensação de que muitos de nós temos sido apanhados num universo de eventos que não compreendemos plenamente, e que parecem em grande parte estar fora de nosso controle. Para analisar como isto veio a ocorrer, não basta meramente inventar novos termos, como pós-modernidade e o resto. Ao invés disso, temos que olhar novamente para a natureza da própria modernidade a qual, por certas razões bem específicas, tem sido insuficientemente abrangida, até agora, pelas ciências sociais. Em vez de estarmos entrando num período de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as consequências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes. Além da modernidade, devo argumentar, podemos perceber os contornos de uma ordem nova e diferente, que é “pós-moderna”; mas isto é bem diferente do que é atualmente chamado por muitos de “pós-modernidade.”
(GIDDENS, Antony. As consequências da modernidade. São Paulo: Unesp, 1991).
No fragmento exposto, Giddens remonta à ideia de que não basta ao estudioso inventar novos termos. Para o autor, a noção de modernidade é constituída:
Pela ideia de que não é possível nenhum conhecimento sistemático das ações ou inclinações humanas ou do desenvolvimento social.
Pela separação entre tempo e espaço, pelo desenvolvimento de mecanismos de desencaixe e pela produção de conhecimento sistemático sobre a vida social.
Por um deslocamento das tentativas de fundamentar a epistemologia, pela perda de fé no progresso planejado humanamente e pelo desaparecimento da grande narrativa.
Pela produção de ambiente de risco dominado pelas vicissitudes do mundo físico, pela preponderância da violência humana e crescente contribuição da religião.
Considere o seguinte excerto:
O estudo objetivo e sistemático da sociedade e dos comportamentos humanos é um desenvolvimento relativamente recente, cujos primórdios datam de fins do século XVIII. Um desenvolvimento-chave foi o uso da ciência para compreender o mundo – a ascensão de uma abordagem científica ocasionou uma mudança radical na perspectiva e na sua compreensão. Uma após a outra, as explicações tradicionais e baseadas na religião foram suplantadas por tentativas de conhecimento racionais e críticas. [...] O cenário que dá origem à sociologia foi a série de mudanças radicais introduzidas pelas “duas grandes revoluções” da Europa dos séculos XVIII e XIX. [...] A ruptura com os modos de vida tradicionais desafiou os pensadores a desenvolverem uma compreensão tanto do mundo social como do natural. Os pioneiros da sociologia foram apanhados pelos acontecimentos que cercaram essas revoluções e tentaram compreender sua emergência e consequências potenciais.
(GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 27-28.)
Quais são as revoluções a que Anthony Giddens faz referência?
Revolução Russa e Revolução Chinesa.
Revolução dos Cravos e Revolução Francesa.
Revolução Industrial e Revolução Inglesa.
Revolução Francesa e Revolução Industrial.
Revolução Proletária e Revolução Comunista.
Para Anthony Giddens (1991), “a reflexividade da vida social moderna consiste no fato de que as práticas sociais são constantemente examinadas e reformadas à luz de informação renovada sobre estas próprias práticas, alterando assim constitutivamente seu caráter.”
(FONTE: GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade, São Paulo: Editora da UNESP, 1991, p. 45).
Levando em conta a importância decisiva da reflexividade no mundo social contemporâneo, analise as proposições abaixo.
I | A reflexividade expressa um dinamismo social exacerbado em que a tradição deixa de ser o fundamento para as práticas e escolhas individuais e coletivas . |
II | Tanto nas sociedades pré-modernas quanto nas modernas, a reflexividade ocupa um lugar central nas práticas sociais, mesmo nas atividades cotidianas . |
III | As instituições modernas incorporaram fortemente a reflexividade. |
IV | A reflexividade social não se expande globalmente e nem impacta todas as esferas da vida em sociedade. |
Na perspectiva analítica de Anthony Giddens, as proposições corretas são
I e III.
II e IV.
II e III.
I e IV.
Para Anthony Giddens, em uma de suas principais obras, “As consequências da modernidade”, o advento do mundo moderno levou a um desencaixe da experiência social. Assim, estamos cada vez mais conectados com processos e eventos que ocorrem em lugares muito distantes daquele no qual estamos fisicamente situados. Tomando em consideração o exposto, avalie as proposições abaixo.
I | Uma das consequências do desencaixe da experiência social é que a vida na comunidade local deixa de ser a referência fundamental para a construção da identidade. |
II | A globalização da economia é uma das expressões do desencaixe da vida social , na medida em que retira do entorno imediato o controle de atividades básicas, não sendo raro que decisões tomadas a milhares de quilômetros impliquem no fechamento de empreendimentos locais e na emergência de problemas sociais em nível local como o desemprego. |
III | O desencaixe da experiência social é uma tendência evolutiva que pode ser encontrada em todos os períodos históricos. |
IV | As práticas e saberes tradicionais não são afetados pelo processo de desencaixe da vida social. |
Estão corretas as proposições
I e III.
I e II.
II e IV.
III e IV.