Questões de Concurso sobre Processo de criminalização: criminalização primária e secundária

 
 
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O processo de criminalização secundária


A

é imune aos influxos do poder midiático, que atua, no entanto, no processo de criminalização primária.


B

é determinado de forma primordial pelo juiz de direito, uma vez que é na audiência de custódia o primeiro contato da pessoa criminalizada com as agências do poder punitivo.


C

representa a máxima de aplicação da lei penal a todos os casos de ocorrência de crime na sociedade, cumprindo o ideal do princípio da igualdade.


D

da política de drogas brasileira é caracterizado pela incidência massiva em grandes traficantes e quebra do poder real do crime organizado.


E

incide de forma especialmente desigual conforme critérios etários, de gênero e raciais.

Sobre o sistema penal e do poder punitivo:


A

O surgimento do sistema penal subterrâneo está diretamente relacionado ao desenvolvimento econômico de um país, sendo, portanto, um fenômeno específico de países periféricos onde há maior desigualdade social.


B

Grande parte do poder punitivo é exercido por agências informais que desempenham uma função latente de controle social punitivo, como autoridades assistenciais, médicos, e até federações desportivas, constituindo o chamado sistema penal paralelo.


C

A seletividade é uma característica estrutural do processo de criminalização secundária, não se verificando, entretanto, no processo de criminalização primária, uma vez que a elaboração de leis abstratas não se dirige a indivíduos ou grupos específicos.


D

A criminalização de condutas que violam direitos de grupos vulneráveis, como o racismo e a homofobia, constitui medida efetiva de combate à seletividade do sistema penal e do poder punitivo.


E

Nos Estados de Direito puros o poder punitivo é exercido de forma democrática e igualitária, razão pela qual o processo de criminalização não se dá de forma seletiva, mas sim isonômica.

Os processos de criminalização indicam a seletividade do sistema penal.


A esse respeito, é correto afirmar que


A

cabe à polícia a criminalização primária, por ser a primeira a se deparar com o crime.


B

os processos de criminalização são atribuição do Poder Judiciário, que é, em última análise, a instituição que decide.


C

a criminalização primária consiste no ato legislativo de criação de tipos penais.


D

a criminalização terciária é realizada pelas próprias organizações criminosas no chamado Tribunal do Crime.


E

a criminalização secundária consiste no ato legislativo de aumentar as penas para os crimes já existentes.

A criminalização


A

secundária é quase um pretexto para que agências judiciais exerçam um formidável controle configurador positivo da vida social.


B

secundária é exercida por agências com ampla capacidade operacional e sua contenção desemboca em uma utopia negativa.


C

primária é um programa que a lógica neoliberal pretende efetivar em toda a sua extensão.


D

primária aumenta o poder das agências judiciais do sistema jurídico-penal, inclusive seu poder punitivo subterrâneo.


E

primária é exercida por agências políticas que nunca sabem a quem caberá de fato, individual e concretamente, a seleção que habilitam.

A escravidão se sustentava tanto na rotina do abuso sexual quanto no tronco e no açoite. Impulsos sexuais excessivos, existentes ou não entre os homens brancos como indivíduos, não tinham nenhuma relação com essa verdadeira institucionalização do estupro. A coerção sexual, em vez disso, era uma dimensão essencial das relações sociais entre o senhor e a escrava. Em outras palavras, o direito alegado pelos proprietários e seus agentes sobre o corpo das escravas era uma expressão direta de seu suposto direito de propriedade sobre pessoas negras como um todo. A licença para estuprar emanava da cruel dominação econômica e era por ela facilitada, como marca grotesca da escravidão.


(DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Tradução de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2016, p. 180)


A coerção sexual praticada contra mulheres negras escravizadas, citada no trecho acima, evidencia um contexto de ausência da criminalização


A

secundária e ausência da vitimização secundária.


B

secundária e existência da vitimização primária.


C

secundária e existência da vitimização secundária.


D

primária e ausência da vitimização primária.


E

primária e existência da vitimização primária.

 
 
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