Questões de Concurso sobre Culpa consciente

 
 
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Durante a gravação de um vídeo para redes sociais, em um antigo galpão industrial desativado, Eduardo, influenciador digital, decidiu realizar um “desafio extremo” com seu amigo Mateus, consistente em permanecer suspenso por um cinto de segurança preso a uma viga metálica, a cerca de 6 metros de altura, por alguns minutos.

Eduardo foi o responsável por instalar o equipamento, utilizando um cinto antigo que havia encontrado no local, embora tivesse percebido que a fivela apresentava sinais visíveis de desgaste. Ainda assim, acreditou que o material suportaria o peso de Mateus pelo tempo necessário, afirmando que “já tinha visto coisa pior aguentar”.

Durante a gravação, a fivela se rompeu, fazendo com que Mateus caísse violentamente ao solo. Paula, técnica de segurança do trabalho que acompanhava a gravação a convite da produtora, presenciou a cena e, percebendo que Mateus estava gravemente ferido, optou por não acionar imediatamente o socorro, receando que a gravação irregular lhe causasse problemas profissionais. O resgate somente foi chamado cerca de 20 minutos depois, quando outros presentes insistiram. Mateus faleceu em razão de traumatismo craniano, sendo constatado que o socorro imediato teria chances concretas de evitar o óbito.


À luz da teoria do crime, especialmente no que se refere à imputação do resultado, ao nexo causal e ao elemento subjetivo da conduta, assinale a alternativa correta.


A

Eduardo responde por homicídio culposo, na modalidade de culpa consciente, ao passo que Paula responde por homicídio culposo por omissão, pois, na condição de técnica de segurança do trabalho presente no evento, ocupava posição de garantidora e, podendo agir, deixou de evitar o resultado.


B

Eduardo responde por homicídio preterdoloso, pois pretendia apenas expor Mateus a perigo, mas produziu resultado mais grave, enquanto Paula responde por homicídio culposo por omissão, em razão da omissão voluntária.


C

Eduardo responde por homicídio culposo, na modalidade de culpa consciente, por prever o resultado e confiar levianamente em sua não ocorrência, enquanto Paula responde por homicídio doloso por omissão, por ter assumido o risco do resultado ao deixar de acionar o socorro.


D

Eduardo responde por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, pois, ao utilizar equipamento visivelmente defeituoso, assumiu o risco de produzir o resultado morte, enquanto Paula não responde penalmente, por inexistir dever jurídico específico de agir.


E

Eduardo responde por homicídio culposo, na modalidade de culpa inconsciente, por não ter previsto o resultado, enquanto Paula responde por homicídio culposo por omissão, diante do dever genérico de solidariedade humana.

Uma promotora de justiça ofereceu denúncia perante Vara Especial do Tribunal do Júri em face de pessoa que, na direção de veículo automotor, sob a influência de álcool, produziu o resultado morte em transeunte que atravessava regularmente uma faixa de pedestres. A denúncia foi recebida e, após regular instrução, foi proferida decisão de pronúncia. Submetido o acusado a julgamento pelo Egrégio Tribunal do Júri, o Conselho de Sentença acolheu a tese apresentada pelo Ministério Público, que sustentou a acusação, nos termos da denúncia, confirmada pela decisão de pronúncia. A sentença proferida em plenário transitou em julgado.


Levando-se em consideração as informações contidas no enunciado, assinale a alternativa correta.


A

Reconheceu-se que o condenado agiu com culpa consciente.


B

A denúncia imputou ao condutor do veículo a prática de crime doloso contra a vida.


C

Não se reconheceu que o condenado agiu com dolo.


D

Reconheceu-se que o condenado praticou homicídio culposo.


E

A denúncia classificou o crime como sendo o definido no artigo 302, § 1⁠º, inciso II, primeira parte e § 3⁠º, da Lei nº 9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro).

Catarina, mãe de Júnior, de 5 anos de idade, ao passear com o filho no jardim zoológico, decidiu fotografá-lo em frente à jaula do tigre, e, para tanto, pediu que a criança se posicionasse bem próxima à grade.

Em dado momento, passou pela cabeça de Catarina a possibilidade de um acidente, caso a criança se aproximasse demais da jaula, porém ela supôs, sinceramente, que isso não iria acontecer, visto que o animal estava posicionado nos fundos da jaula. Quando Júnior encostou na grade, o tigre rapidamente foi ao seu encontro, e, com um golpe de sua pata dianteira esquerda, rasgou a garganta da criança, que morreu imediatamente.


Diante do caso narrado, Catarina


A

não cometeu crime, pois é um caso de perdão judicial.


B

cometeu o crime de homicídio doloso (dolo eventual).


C

cometeu o crime de homicídio culposo (culpa consciente).


D

cometeu o crime de homicídio culposo (culpa inconsciente).


E

não cometeu crime, pois a morte da criança decorreu de acidente.

Quando o agente assume o risco de produzir o resultado, é correto dizer que houve


A

imperícia.


B

negligência.


C

culpa consciente.


D

culpa inconsciente.


E

dolo.

Rebeca trabalha há muitos anos como instrumentadora cirúrgica e tem bastante experiência na sua atuação. Sabe que, via de regra, os centros cirúrgicos exigem tipos especiais de calçados para acesso. Tendo em vista sua larga experiência com a atividade de instrumentação, Rebeca passa a utilizar sapatos de salto alto, por ser muito vaidosa, e por ter certeza de que este fato não irá comprometer sua atividade.


Rebeca, certo dia, escorrega durante a atividade de instrumentação e derruba a mesa auxiliar de instrumentação, caindo alguns objetos na área cirúrgica. O acidente ocasionou danos graves no paciente, com sequela cicatricial não esperada ao tipo de procedimento a que se submetia.


Neste caso, é possível dizer que a conduta de Rebeca, que implicou no resultado lesivo ao paciente, foi praticada com


A

dolo eventual.


B

culpa inconsciente, na modalidade imperícia.


C

culpa inconsciente, na modalidade imprudência.


D

culpa consciente, na modalidade imprudência.


E

culpa consciente, na modalidade imperícia.

Túlio, um conhecido chefe de organização criminosa, plantou uma bomba no automóvel que transportava o presidente da empresa Beta (alvo da ação delituosa) bem como um motorista e um segurança. Túlio detonou o artefato a distância, durante o deslocamento do veículo em via pública, o que resultou na morte de todos os seus ocupantes.

Nessa situação hipotética, em relação à morte do segurança, Túlio agiu com


A

preterdolo.


B

culpa consciente.


C

dolo eventual.


D

dolo direto de primeiro grau.


E

dolo direto de segundo grau.

Majoritariamente a doutrina salienta que são duas as espécies de culpa: inconsciente e consciente.


Sobre o tema, é correto afirmar que na culpa:


A

inconsciente, o agente considera possível a realização do resultado típico, porém confia que isso não sucederá;


B

inconsciente, faz parte da representação do agente a violação do dever de cuidado e do resultado lesivo;


C

consciente, faz parte da representação do agente apenas a violação do dever de cuidado;


D

consciente, a censura penal deve ser menor quando considerada a mesma violação do risco proibido;


E

consciente, o agente sabe do risco de seu comportamento, mas acredita que não acontecerá o resultado.

Examine o caso hipotético narrado a seguir:


A.A. saiu de uma festa um pouco sonolento, pretendendo ir para casa conduzindo sua motocicleta. Na ocasião, foi advertido pelo sujeito B.B., que disse: “pilotando neste estado você pode matar alguém”. A.A., porém, afirmou que estava em condições de evitar qualquer acidente, até porque as ruas estariam quase desertas e o vento no rosto o manteria acordado. Afirmou, ainda, que não se arriscaria a sofrer um acidente, porque de moto “o para-choque era ele mesmo”. No trajeto para casa, porém, por estar com os reflexos mais lentos, A.A. não percebeu um pedestre que atravessava a rua e o atropelou, causando-lhe a morte. Embora tenha ficado bastante ferido, A.A. sobreviveu ao acidente e foi acusado de cometer crime.


A partir das noções de dolo e culpa aplicadas ao caso, é correto afirmar que A.A. agiu com:


A

dolo eventual porque basta a previsibilidade do resultado para configurá-lo.


B

dolo eventual porque expressamente consentiu com a possibilidade de causar o resultado.


C

culpa inconsciente porque o resultado era imprevisível, mas cabe responsabilidade objetiva em delitos de trânsito.


D

culpa consciente porque levianamente subestimou o risco de causar o resultado e confiou que ele não ocorreria.


E

culpa imprópria, pois embora não esperasse o resultado tinha o dever de antecipá-lo e evitá-lo.

No caso em que o sujeito realiza a conduta e prevê a possibilidade de produção do resultado, mas não quer sua ocorrência e conta com a “sorte” para que ele não se materialize, pois sabe que não tem o controle sobre a situação implementada, se configura um exemplo de “culpa consciente” e não de “dolo eventual”, porque se o sujeito soubesse de antemão que o resultado iria ocorrer, provavelmente não teria atuado.


C
Certo

E
Errado
Em relação a crime culposo, assinale a opção correta.

A
O agente de conduta culposa assume o risco do resultado produzido por sua conduta.

B
A conduta culposa é dirigida à prática de um fim ilícito.

C
O agente com culpa consciente prevê, mas não aceita, a superveniência do resultado de sua conduta.

D
O agente de crime culposo não tem previsibilidade objetiva do resultado de sua conduta.

E
A conduta negligente admite, em regra, tentativa no crime culposo.

Com relação ao delito culposo, assinale as afirmativas a seguir, colocando entre parênteses a letra "V", quando se tratar de afirmativa verdadeira, e a letra "F" quando se tratar de afirmativa falsa. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

(  ) O direito penal brasileiro admite a compensação de culpas.

(  ) A culpa consciente ocorre quando o agente, apesar de não querer a realização do tipo, assume o risco da produção do resultado.

(  ) A violação de um dever objetivo de cuidado é suficiente para a configuração do delito culposo.


A

F -F - F.


B

F - F - V.


C

V - F - F.


D

V - V -F.


E

V -F - V.

Um indivíduo agiu prevendo o resultado naturalístico adverso de sua ação, mas esperava que este não viesse a ocorrer.

Nesse caso, a conduta do indivíduo corresponde ao conceito jurídico de


A
culpa consciente.

B
dolo eventual.

C
dolo de segundo grau.

D
culpa presumida.

E
dolo de perigo.

Assinale a alternativa que correta e respectivamente completa as lacunas.


A
dolo indireto ... dolo alternativo

B
dolo eventual ... culpa consciente

C
culpa inconsciente ... culpa consciente

D
culpa consciente ... dolo eventual

E
culpa inconsciente ... dolo eventual

Tema dos mais árduos, a distinção entre dolo eventual e culpa consciente ensejou o surgimento de diversas teorias, as quais se dividem em volitivas e cognitivas. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.


A

A teoria do risco, classificada entre as volitivas, é aquela adotada pelo Código Penal em seu art. 18, I. Seus adeptos entendem que só há dolo eventual quando o agente representa o resultado e assume o risco de produzi-lo.


B

A teoria da evitabilidade, cognitiva, pressupõe a representação do resultado como possível, o que bastará para a caracterização do dolo eventual. Contudo, se o agente busca evitar o resultado através da ativação de contrafatores, agindo concretamente, existirá culpa consciente.


C

O conhecimento do risco não permitido, com exclusão de qualquer conteúdo volitivo, determina o reconhecimento do dolo eventual para a teoria da probabilidade, adotada por Jakobs.


D

De acordo com a teoria do consentimento, de base unicamente cognitiva, não existe culpa consciente. Se há a representação do resultado, invariavelmente existirá dolo eventual.


E

Para a teoria da representação, que se situa entre as teorias volitivas, há dolo eventual quando o agente admite a possibilidade de ocorrência do resultado e demonstra alto grau de indiferença quanto à afetação do bem jurídico- penal.

Existe algum ponto de semelhança entre as condutas praticadas com culpa consciente e com dolo eventual?


A

Sim, pois, tanto na culpa consciente quanto no dolo eventual, há aceitação do resultado.


B

Não, pois não há ponto de semelhança nas condutas em questão.


C

Sim, pois em ambas o elemento subjetivo da conduta é o dolo.


D

Não, pois a aceitação do resultado na culpa consciente é elemento normativo da conduta.


E

Sim, pois, tanto na culpa consciente quanto no dolo eventual, o agente prevê o resultado.

Se o sujeito ativo do delito, ao praticar o crime, não quer diretamente o resultado, mas assume o risco de produzi-lo, o crime será culposo, na modalidade culpa consciente.


C
Certo

E
Errado
Na culpa consciente, o agente

A

prevê o resultado, mas espera que este não aconteça.


B

não prevê o resultado, nem assume o risco de produzi-


C

prevê e quer o resultado, atuando, porém, em erro de tipo inescusável.


D

conscientemente aceita e admite o risco de produzir o resultado.


E

não prevê o resultado, embora este seja previsível.

Culpa consciente é aquela em que o agente


A

prevê o resultado, e o aceita.


B

prevê o resultado, embora não o aceite.


C

não prevê o resultado, que era previsível.


D

prevê vários resultados, e os aceita.


E

prevê dois resultados, e não se importa em produzir qualquer dos dois.


A diferença entre dolo eventual e culpa consciente consiste no fato de que


A

no dolo eventual a vontade do agente visa a um ou outro resultado; e na culpa consciente o sujeito não prevê o resultado, embora este seja previsíve


B

no dolo eventual a vontade do agente não visa a um resultado preciso e determinado; e na culpa consciente o agente conscientemente admite e aceita o risco de produzir o resultado


C

no dolo eventual, não é suficiente que o agente tenha se conduzido de maneira a assumir o resultado, exige-se mais, que ele haja consentido no resultado; já na culpa consciente, o sujeito prevê o resultado, mas espera que este não aconteça


D

se o agente concordou em última instância com o resultado, não agiu com dolo eventual, mas com culpa consciente.


E

se não assumiu o risco de produzir, mas tão-só agiu com negligência, houve dolo eventual e não culpa consciente

Considere a seguinte situação hipotética.

Um atirador de elite, divisando a vítima junto ao criminoso, confia na sua pontaria e, embora prevendo que poderia atingir referida pessoa, e acreditando atingir o alvo, desfere tiro que, por erro, atinge a vítima.

A situação descrita acima configura hipótese de culpa consciente.


C

Certo


E

Errado

 
 
Gerar simulado