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O dualismo de propriedade surge como uma resposta ao desafio do reducionismo, em particular como uma tentativa de explicar os estados mentais qualitativos.
Sobre a diferença entre o dualismo de substância e o dualismo de propriedade é correto afirmar que o dualismo de substância
se compromete com uma distinção forte entre mente e corpo, ao passo que o dualismo de propriedade afirma um monismo ontológico.
tem como preocupação principal explicar a destinação da alma após a morte do corpo físico, ao passo que o dualismo de propriedade tem preocupações de ordem epistêmica.
é motivado, entre outras coisas, pela ideia de liberdade tanto teórica quanto prática, ao passo que o dualismo de propriedade restringe sua explicação aos estados cerebrais ou fisiológicos.
surge como uma tentativa de superação do determinismo biológico, ao passo que o dualismo de propriedade aborda os estados mentais a partir da sua funcionalidade.
defende uma distinção entre o vocabulário físico e o mental, ao passo que o dualismo de propriedade assume um único vocabulário para descrever tanto os estados mentais quanto os estados físicos.
Com relação à aplicabilidade dos saberes filosóficos, assinale a alternativa correta.
A filosofia reúne saberes antigos, sem aplicabilidade no mundo real. Trata-se de um conhecimento de caráter meramente cultural ou histórico.
As ideias dos filósofos podem ser livremente reunidas, sem consideração metodológica, visto que não têm consequências práticas.
As ideias dos filósofos levam à conclusão de que não é necessário integrar observações pessoais com ideias abstratas (princípios).
A filosofia é uma ferramenta que visa, entre outros objetivos, à verificação da veracidade das convicções racionais e de sua aplicabilidade na vida prática.
Considere as seguintes frases:
I - Todo escritor admira alguma obra literária.
II - Nenhuma obra literária é admirada por todos os escritores.
III - James Joyce é um escritor que não admira obras literárias.
IV - Crime e Castigo é uma obra literária que todos os escritores admiram.
Com base nas frases anteriores e na interpretação clássica dos quantificadores é INCORRETO afirmar que
a frase I é ambígua, pode expressar duas proposições distintas, sendo que apenas uma delas contradiz a proposição expressa por II.
a proposição expressa por IV implica logicamente apenas uma das proposições ambiguamente expressas por I.
se não existissem escritores mas, de alguma forma, existissem ainda obras literárias, as duas proposições ambiguamente expressas por I seriam verdadeiras.
as duas proposições ambiguamente expressas por I são logicamente equivalentes entre si, ou seja, a verdade de uma implica logicamente a verdade da outra.
se a proposição expressa por III é verdadeira, então uma das duas proposições ambiguamente expressas por I é falsa.
Considere o seguinte argumento:
O universo exibe, em todas as escalas do espaço e do tempo, estruturas complexas que se assemelham às máquinas. A melhor explicação para tal semelhança é que o universo tenha sido projetado e criado por um desígnio inteligente. Logo, o universo foi projetado e criado por um desígnio inteligente.
Sobre este argumento, é correto afirmar que ele é formalmente
válido, mas a sua correção ou incorreção é um problema aberto, já que não existem verdades objetivas no que diz respeito à estrutura do universo.
inválido, mas seria convertido em um argumento formalmente válido caso substituíssemos a expressão "a melhor explicação" por "a única explicação".
válido, mas falacioso, já que pressupõe uma comparação ou uma analogia inadequadas entre artefatos e cortes espaço-tempo do nosso universo como um todo.
inválido, mas pode ser avaliado como indutivamente forte e que reproduz um padrão argumentativo comum na ciência, o das inferências para a melhor explicação.
inválido, mas não pode ser avaliado como indutivamente forte; trata-se de uma falácia formal, conhecida como falácia da falsa causa.
De certa maneira, parece haver se constituído como espécie de senso-comum filosófico a narrativa hegemônica do exclusivo nascimento grego da Filosofia. No entanto, algumas pesquisas se levantam contra esse modelo de narrativa, como é o caso, por exemplo, de uma abordagem filosófica afroperspectivista, que, dentre outras características,
“é pluralista, reconhece diversos territórios epistêmicos, é empenhada em avaliar perspectivas e analisar métodos distintos. Tem uma preocupação especial para a reabilitação e o incentivo de trabalhos africanos e afrodiaspóricos em prol da desconstrução do racismo epistêmico antinegro e da ampliação de alternativas para uma sociedade intercultural e não hierarquizada” (NOGUERA, R. O ensino de filosofia e a lei 10.639. Editora Pallas: Rio de Janeiro, 2011, p. 68-69).
A respeito da noção de racismo epistêmico, considere as afirmações abaixo:
I – No caso da filosofia, esse conceito demonstra que apenas o mundo ocidental pode garantir a filosoficidade de um saber.
II – Ao se arrogarem a autoridade de definir a filosofia, as guerras de colonização produziram epistemicídio, ou seja, o assassinato das maneiras de conhecer e agir dos povos africanos conquistados.
III – Tradicionalmente eurocêntrica, essa visão tenderia a excluir outros estilos, linhas e abordagens filosóficas, negando a legitimidade epistemológica dessas abordagens que não são ocidentais.
A alternativa que reúne as afirmações CORRETAS é:
Afirmações I e II.
Afirmações II e III.
Afirmações I e III.
Todas as afirmações estão corretas.
Uma das posições mais antigas referente ao conhecimento humano é o chamado ceticismo. A respeito dessa doutrina, assinale a alternativa correta.
O ceticismo consiste na afirmação de que é possível que o ser humano obtenha pleno conhecimento a respeito de ideias e objetos, a partir da revelação destes a respeito de si mesmos (dogma).
O ceticismo afirma que há limites para a razão humana, uma vez que cada indivíduo encontra limitações em sua capacidade de cognição e que esses implicam a impossibilidade de um conhecimento pleno.
O ceticismo é uma doutrina que foi superada pela posição dogmatista e que, por isso, não apresenta grande importância filosófica nas teorias da atualidade.
O ceticismo afirma que os limites de conhecimento que o homem enfrenta por estar preso à temporalidade podem ser superados por meio de um ato divino (milagre).
Leia o texto.
“Recebe o qualificativo de crítica porque, de fato, é uma consciência permanentemente atenta em denunciar as influências a que está submetida e criticá-las. É crítica no sentido etimológico da palavra, portanto procede à ‘crise’, isto é, à separação dos fatores atuantes, e capaz de apreciar a significação de cada um, a força da respectiva motivação e, de modo geral, o resultado deles, expresso nos julgamentos a que é levada em virtude da sua inclusão no contexto histórico, onde assentam os fundamentos de suas atitudes e de seu modo de pensar. Está sempre interessada em descobrir os determinantes do seu conteúdo, porque sabe que eles existem e tem por tarefa lógica distingui-los e avaliá-los. É, pois, um pensamento constantemente ocupado na indagação sobre a legitimidade dos seus enunciados, à procura das influências que os explicam, cuja revelação consciente é a finalidade que impõe a si mesma”.
(VIEIRA PINTO, A. Consciência e Realidade Nacional: volume I. Rio de janeiro: Contraponto, 2020)
Assinale a afirmativa que caracteriza a consciência crítica.
Formula juízos peremptórios acerca do conhecimento.
Assume os dados científicos como base do conhecimento verdadeiro.
Estabelece critérios inalteráveis para avaliação do pensamento e das ações.
Investiga os pressupostos do pensamento.
Considera que as ações prescindem dos condicionamentos sociais.
Constitui uma formulação desse imperativo: “Age somente de acordo com a máxima que possas, ao mesmo tempo, querer que se transforme em lei universal”.
Certo
Errado
Observe as figuras abaixo:


Analisando as frases contidas nas figuras e com referência às possíveis definições dos sentidos da filosofia, podemos concluir que a filosofia:
atende às inquietações inerentes à nossa capacidade natural de nos espantar, duvidar, imaginar, acreditar, enfim, de pensar.
faz com que o ser humano, com extrema facilidade, supra todas as dúvidas pertencentes ao senso comum.
regenera a falta de inteligência do ser humano, que sem ela vive em estado de natureza.
busca resgatar como chegaremos ao conhecimento total, sem a interferência do senso comum.
realiza os sonhos do ser humano ao revelar os segredos do senso comum.
Para Bakhtin e Volochínov, se privarmos o homem de todo e qualquer tipo de linguagem, não haverá homem social, dotado de uma consciência e de uma ideologia, mas apenas um homem fisiológico. Isso porque a linguagem é:
De natureza científica, produto da atividade de pesquisa e extensão e reflete em todos os seus elementos tanto a organização universitária como a de campos didáticos.
De natureza acultural, produto da atividade humana individual e reflete em todos os seus elementos tanto a organização econômica como a sociopolítica da sociedade que a gerou.
De natureza política, produto da atividade humana coletiva e reflete em todos os seus elementos tanto a organização democrática como a sociopolítica do poder que a gerou.
De natureza psicológica, produto da atividade humana mental e reflete em todos os seus elementos tanto a organização psíquica como a emocional do contexto familiar.
De natureza social, produto da atividade humana coletiva e reflete em todos os seus elementos tanto a organização econômica como a sociopolítica da sociedade que a gerou.
O conceito de livre-arbítrio denota:
impossibilidade de se escolher livremente como agir
incapacidade de agir segundo nossas próprias escolhas
inevitabilidade de realizar ações pré-determinadas pelo destino
capacidade de escolher livremente como agir
Em relação a Identidade da Filosofia, classifique os itens abaixo como Verdadeiros (V) ou Falsos (F):
( ) Não existe uma Filosofia – como há uma Física ou uma Química –, o que existem são filosofias.
( ) A identidade da Filosofia é única.
( ) Cabe-nos, porém, a tarefa de delinear alguns elementos para uma contextualização mais adequada dos conhecimentos filosóficos e sua identidade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
V, F, V
V, V, F
V, F, V
V, V, V
V, F, F
O conceito filosófico de identidade pessoal se refere a:
ideia de que apenas eu existo, e que as outras pessoas distintas de mim não existem
condições sob as quais uma pessoa pode permanecer a mesma ao longo do tempo
condições sob as quais uma pessoa pode realizar ações que considera contraditórias
ideia de que todas as pessoas particulares serão um dia um único e mesmo ser
É na fronteira que se pode observar melhor como as sociedades se formam, se desorganizam, ou se reproduzem. É lá que melhor se vê quais são as concepções que asseguram esse processo e lhes dão sentido.
[...] fronteira de modo algum se reduz e se resume a fronteira geográfica. Ela é fronteira de muitas e diferentes coisas: fronteira da civilização, [...] fronteira espacial, fronteira de cultura e visões de mundo, fronteira de etnias, fronteira de História e historicidades do homem e, sobretudo, fronteira do humano.
Fronteira: a degradação do outro nos confins do humano." MARTINS, José de Souza.SP: Hucitec, 1997
O Estado de Mato Grosso do Sul tem exemplos de cidades fronteiriças, Pedro Juan Caballero e Ponta Porã.
Pela leitura do texto acima conclui-se que:
mais do que um limite entre países, esta região representa ‘zona de interação’, onde intercâmbios são frequentes e fenômenos de mestiçagem se tornam comuns, tornando a população fronteiriça responsável pela sua própria história.
o Estado deve ter políticas públicas atentando para as peculiaridades das regiões abrangentes.
há necessidade de estudos sociológicos em conjunto com os dois Estados fronteiriços para a realização de um trabalho para atender de uma maneira uniforme a população local.
a fronteira entre países, em que existe cidades "gêmeas" sempre haverá problemas sociais pela tentativa de aculturação de uma cidade pela outra, o que revela uma xenofobia latente.
o problema da marginalização social crescente nas regiões apontadas é fruto da homogeneização cultural.
Assinale a alternativa correta a respeito do contexto de nascimento e desenvolvimento da filosofia:
Entre as escolas filosóficas surgidas no período socrático destacam-se escola jônica, escola atomista, escola itálica e escola eleática.
A partir da preocupação dos primeiros filósofos, surgem obras como a Teogonia, que busca explicar a existência através de elementos racionais.
A passagem do mito para a razão foi marcada por uma ruptura completa, já que os filósofos passam a negar, inclusive, a existência dos deuses.
Embora a filosofia grega tenha longa tradição histórica, considera-se que entre os fundadores da filosofia estão Lao Tsé e Zaratustra, pois estes abriram mão de explicações religiosas de mundo.
Contribuíram para o avanço da filosofia, entre outros fatores, a invenção da escrita e o nascimento da polis.
A criação dos conceitos é subordinada à criação nas artes e nas ciências, o que faz da filosofia uma arte ou ciência das verdades.
Certo
Errado
No século VI a.C., nas cidades gregas situadas no litoral da Ásia Menor, foi elaborada uma nova forma de pensar que se consolidou com o nome de “filosofia”, vocábulo forjado em seguida por Platão, para designar etimologicamente a amizade pela sabedoria.
Em seu contexto de emergência, a filosofia enquanto nova forma de pensar,
foi um milagre grego, uma vez que a consciência filosófica, por si mesma, invalidou e substituiu a consciência mítica da Grécia arcaica.
está associada ao universo espiritual da polis, que afirmou a preeminência da palavra e do pensamento humanos sobre os outros instrumentos de poder.
foi um processo de esvaziamento do mito, demonstrando sua falsidade e ineficácia, que foi substituído pela efetividade e verdade da razão.
marcou a passagem do pensamento e do espírito humano do estado teológico, irracional, para o estado metafísico, baseado na racionalidade do mundo.
explica-se pela evolução da civilização grega no período clássico, que abandonou a explicação épica fantasiosa e desenvolveu a reflexão crítica.
O chamado ceticismo em relação ao mundo exterior, tal como se manifesta na filosofia moderna, problematiza a:
busca da igualdade no mundo econômico
busca da felicidade no mundo social
dúvida em relação à existência do mundo exterior
dúvida em relação aos valores de justiça no mundo político
Não se pode fugir à filosofia. Pode perguntar-se apenas se é consciente ou inconsciente, boa ou má, confusa ou clara. Quem recusar a filosofia está realizando um ato filosófico de que não tem consciência.
Karl Jaspers. In: Angélica Sátiro. Pensando melhor:
iniciação ao filosofar. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 39.
Quanto ao assunto do texto precedente, é corretor afirmar que a filosofia pressupõe constante disponibilidade para
a indagação.
a imposição.
o desprezo.
a atuação.
a anulação.
No seu livro Introdução à filosofia ocidental, o professor Antony Flew diz que filosofia consiste em argumentos “sempre, do início ao fim” e, como não há argumentos no pensamento oriental (ou conforme ele pensa), por consequência não existe filosofia no pensamento oriental. De modo similar, refere-se à tradição filosófica africana. Contudo, quando ele diz que sem argumentação e clarificação não há filosofia, tecnicamente falando, ele identifica filosofia com uma argumentação tipicamente ocidental. Em outras palavras, ele quer dizer que, se a atividade reflexiva não estiver baseada na argumentação e clarificação típicas do pensamento ocidental (recomendado pela tradição analítica anglo-saxã), ela não é filosofia. Em primeiro lugar, a essência da filosofia não é o argumento, mas a reflexão, o que faz com que não tomemos a argumentação tipicamente ocidental como padrão para a filosofia. Em qualquer lugar existe reflexão acerca das questões fundamentais sobre o ser humano e o mundo (seja qual for a forma de reflexão empreendida), isto é, filosofia.
Joseph I. Omoregbe. Filosofia Africana: Ontem e Hoje.
Internet:<www.filosofiaafricana.weebly.com> (com adaptações).
A partir da crítica apresentada no texto anterior, de Joseph Omoregbe, infere-se que, para esse autor,
uma vez que o essencial à filosofia é antes a argumentação que a reflexão, é possível que no futuro existam tanto uma filosofia africana quanto uma filosofia oriental.
uma vez que o essencial à filosofia é antes a reflexão que a argumentação, há também uma filosofia africana e uma filosofia oriental, apesar de ambas não utilizarem os modos de argumentação ocidentais.
há, na filosofia africana e na filosofia oriental, uma argumentação e uma clarificação de ideias semelhantes às presentes na filosofia analítica.
devemos assumir que a essência da filosofia é a argumentação, seja ela ocidental, africana ou oriental.
devemos assumir a reflexão tipicamente africana ou a oriental como as únicas que merecem a designação de filosofia.