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No trecho “comem e agem de forma diferente da nossa”, a...

Pouso e decolagem


Por Martha Medeiros


  1. Tenho lido matérias que defendem a ideia de que viajar não é tão fundamental e que os
  2. turistas deveriam parar com tanta andança sem sentido. Alguns italianos concordam. “Não
  3. venham mais!”, têm gritado das janelas os nativos que ainda moram em Veneza, cidade que
  4. recentemente foi considerada pela Unesco um patrimônio em risco. Não demorará para Veneza
  5. ser ocupada só por visitantes, e aí não será mais uma cidade, e sim uma Disney para adultos,
  6. uma cenografia.
  7. Ainda que eu concorde que alguns lugares precisam controlar a entrada de tanta gente,
  8. como faz Fernando de Noronha, jamais defenderei que viajar é uma banalidade dispensável. Sei
  9. que é possível ser muito feliz sem jamais colocar os pés em um _______ – não eu.
  10. Por que viajar precisa ser um estado de e....eção? Passamos grande parte da vida morando
  11. no mesmo endereço, com alguns intervalos de fuga. Imagine o inverso: viajar constantemente,
  12. com alguns intervalos de permanência. Eu sei, o ser humano é gregário, precisa manter vínculos
  13. emocionais e ter um emprego a fim de ganhar dinheiro para sobreviver, não é prudente se
  14. aventurar (palavrinha tentadora, aventura: injustamente associada a algo temporário).
  15. Porém, morar para sempre numa única cidade, em geral a que nascemos, é que parece um
  16. desatino. Pense no que o planeta oferece. Ilhas. Florestas. Desertos. Montanhas. Geleiras.
  17. Canyons. Santuários. Templos. Pirâmides. Vulcões. Savanas. Praias. Ruínas. Aldeias. Caminhos
  18. sagrados. Metrópoles futuristas. Vilarejos históricos. E pessoas. Pessoas de todas as raças e
  19. culturas, pessoas que pensam, comem e agem de forma diferente da nossa. Cartões-postais
  20. e....istenciais.
  21. Não consigo chamar de aventureiro aquele que se dedica a conhecer o planeta em sua vasta
  22. representação, em vez de comprar uma geladeira, um fogão e formar família. Como eu fiz, e
  23. você, provavelmente, também. A gente não se arrepende, mas, no fundo, sabemos que estamos
  24. cumprindo ordens. A sociedade costuma ser intran...igente com os nômades.
  25. Não fomos educados para a experiência in loco, para as possibilidades de conexão com
  26. _______ variadas, para uma expansão geográfica que nos transforme de fato em cidadãos do
  27. mundo. A segurança nos atrai na mesma medida que a liberdade nos assusta. Compensamos
  28. nosso comodismo com livros, que são mais baratos que passagens aéreas. E, quando dá,
  29. fazemos turismo.
  30. Cada viagem de 10 dias ou de um mês é um jeito de colocar a cabeça para fora da gaiola.
  31. Depois, voltamos para casa ainda mais comprometidos com nossas raízes: condicionados ou
  32. não, _______ pelo amor romântico, pela criação de filhos, pelos cuidados com os pais. Confirmar,
  33. de tempos em tempos, que existe muito mais do que isso, é nosso ato de bravura. Mas aventura
  34. mesmo é ficar.


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2023/11/a-seguranca-nos-atrai-na-mesma-medida-que-a-liberdade-nos-assusta-clohbtgjp0044014yc9y0cw6h.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho “comem e agem de forma diferente da nossa”, a palavra sublinhada une as orações em uma relação de:


A

Adição.


B

Explicação.


C

Consequência.


D

Finalidade.


E

Conclusão.