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INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 5.
Os pequeninos
Ouvi certa vez uma conversa inesquecível. A esponja de doze anos não a esmaeceu em coisa nenhuma. Por que motivo certas impressões se gravam de tal maneira e outras se apagam tão profundamente?
Eu estava no cais, à espera do Arlanza, que me ia devolver de Londres um velho amigo já de longa ausência. O nevoeiro atrasara o navio.
– Só vai atracar às dez horas — informou-me um sabe-tudo de boné.
Bem. Tinha eu de matar uma hora de espera dentro dum nevoeiro absolutamente fora do comum, dos que negam aos olhos o consolo da paisagem distante. A visão morria a dez passos; para além, todas as formas desapareciam no algodoamento da névoa. Pensei nos fogs londrinos que o meu amigo devia trazer na alma e comecei a andar por ali à toa, entregue a esse trabalho, tão frequente na vida, de “matar o tempo”. Minha técnica em tais circunstâncias se resume em recordar passagens da vida. Recordar é reviver. Reviver os bons momentos tem as delícias do sonho.
Mas o movimento do cais interrompia amiúde o meu sonho, forçando-me a cortar e a reatar de novo o fio das recordações. Tão cheio de nós foi ele ficando que o abandonei.
LOBATO, Monteiro. Os pequeninos. Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/os-pequeninos-conto-de-monteiro-lobato/. Acesso em: 3 maio 2024. [Fragmento]
No último parágrafo do texto, a figura de linguagem predominante é a
metonímia, que substitui um termo por outro, havendo uma relação de contiguidade ou proximidade entre eles.
metáfora, que consiste na transferência de significado de uma expressão para outra, em uma relação de analogia.
hipérbole, que consiste na ampliação exagerada de uma ideia para enfatizar a mensagem de solidão do narrador.
eufemismo, que suaviza a expressão de irritação do narrador com as interrupções, consideradas desagradáveis.