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Leia o texto a seguir.
Durante uma sessão da Câmara Municipal, um cidadão surdo usuário de Libras apresenta demandas relacionadas à comunidade surda do município. O discurso é realizado em Libras e há um intérprete responsável pela voz, que, em determinado momento, não compreende alguns sinais utilizados pelo orador. Diante disso, o intérprete de apoio se posiciona próximo ao intérprete de voz e fornece, de forma imediata e discreta, as informações necessárias, garantindo o bom andamento da sessão.
A atuação do intérprete de apoio, na situação descrita, caracteriza-se como interpretação
cochichada (chuchotage).
de acompanhamento.
intermitente.
de sentença por sentença.
A Libras utiliza o espaço de enunciação como elemento constitutivo de sua gramática. Por meio da localização de referentes, da apontação e do direcionamento do olhar, o sinalizante estabelece relações sintáticas e garante a coesão do discurso. Esse funcionamento diferencia a Libras das línguas orais-auditivas e evidencia sua natureza visuoespacial. A partir disso, pode-se afi rmar que a sintaxe espacial da Libras permite:
estabelecer relações gramaticais por meio da organização dos referentes no espaço
eliminar a necessidade do emprego de expressões não manuais na construção do sentido
substituir a ordem sintática por uma sequência fi xa de sinais lexicais que se apresentam de forma linear
organizar frases exclusivamente a partir da linearidade sujeito–verbo–objeto sequencialmente nessa ordem
restringir a referenciação apenas a elementos fi sicamente presentes no ambiente e que podem estar à frente ou ao lado do sinalizante
O Visual Vernacular (VV) é um artefato cultural surdo que se caracteriza pela criação de imagens detalhadas por meio do corpo. Nessa técnica, o artista utiliza o espaço de sinalização de forma criativa para narrar fatos ou histórias, numa produção realizada por meio da performance corporal.
A característica central que define a técnica do Visual Vernacular na literatura surda é a
priorização da clareza gramatical em detrimento dos elementos visuais e expressivos.
busca da comunicação universal por meio da mímica, evitando o uso de sinais de uma língua de sinais específica.
obrigatoriedade do uso de voz e sons externos para integrar a composição das imagens produzidas pelo artista durante a sua performance.
combinação de elementos da língua de sinais com recursos da linguagem cinematográfica, como o uso de zoom e a mudança de ângulos de câmera.
evitação de articuladores não manuais como desafio para a composição de narrativa que se delimitam pelos marcadores manuais com entradas lexicais convencionadas.
A Linguística Aplicada (LA) contemporânea é compreendida como um campo transdisciplinar que não se limita a transpor teorias, mas a gerar novos agenciamentos. No ensino de Libras, essa perspectiva é fundamental para conectar o sistema linguístico às práticas de uso real. Conforme Scheifer (2013):
“A LA como um campo de estudos no qual é frequentemente possível desenvolver práticas transdisciplinares só faz sentido se for problematizada como um território-rede, formado de lugares contínuos e de lugares em rede [...], que opera a partir da articulação complexa com distintos territórios-zona".
SHEIFER, C.L. Transdisciplinaridade na lingüística aplicada: um processo de desreterritorialização – um movimento do terceiro espaço. RBLA, B. Horizonte, v. 13, n. 3, 2013.
A partir da concepção da LA como um "território-rede" aplicado à educação de surdos, considera-se que a principal contribuição dessa área para o ensino de Libras consiste na
articulação entre o detalhamento linguístico-descritivo e a elucidação das tensões entre as perspectivas clínica e social, demarcando a língua como um espaço de pertencimento circunscrito às realidades específicas dos sujeitos.
definição de normas e de regras metodológicas que ditam o modelo correto de ensino e de aprendizagem, independentemente das especificidades dos sujeitos falantes, ensinantes e aprendentes envolvidos no processo.
padronização de metodologias de ensino universais, pautadas na experiência do ensino de línguas orais-auditivas, em prol de um modelo linguístico ideal pautado em quadros de referência globais.
defesa de que o desenvolvimento linguístico do aluno surdo é um processo cognitivo e neurológico, o que desobriga o professor de considerar os aspectos de identidade e de cultura surda no planejamento didático.
prevalência da descrição formal dos parâmetros gramaticais da Libras, garantindo que o ensino da língua não se confunda com as influências culturais e os atravessamentos históricos da comunidade surda.
No debate sobre a constituição da identidade das pessoas surdas, utiliza-se o conceito de identidade flutuante para explicar determinadas experiências vividas por sujeitos surdos. De acordo com essa perspectiva, a identidade flutuante caracteriza-se pela:
Consolidação de uma identidade surda estável, construída a partir do pertencimento à comunidade surda e do uso pleno da língua de sinais que se inicia desde os primeiros dias de vida.
Adaptação bem-sucedida do sujeito surdo à cultura ouvinte, alcançada por meio da oralização e da assimilação dos padrões linguísticos majoritários.
Fragmentação identitária decorrente da ausência de pertencimento pleno tanto à comunidade surda quanto à comunidade ouvinte, associada à falta de acesso à língua de sinais e à exclusão comunicacional.
Recusa do sujeito surdo em estabelecer vínculos culturais e linguísticos, resultando de uma escolha individual desvinculada de fatores sociais e históricos.
Em contextos formais, o intérprete deve:
Priorizar informalidade.
Adequar o registro linguístico.
Usar algumas gírias.
Simplificar termos.
Substituir explicações
O fenômeno dos empréstimos linguísticos na Libras está relacionado ao contato histórico e social com outras línguas de sinais e com línguas orais, resultando na incorporação e adaptação de itens lexicais. Estudos recentes apontam que esses empréstimos não ocorrem de forma aleatória, mas seguem critérios linguísticos que envolvem aspectos fonológicos, morfológicos, semânticos e discursivos das línguas visuoespaciais. Com base nos aspectos linguísticos da Libras e nos estudos sobre empréstimos linguísticos, destaca-se que:
os empréstimos linguísticos na Libras podem ser classifi cados quanto à origem e à fase de adoção, passando por processos de adaptação aos parâmetros
os empréstimos linguísticos na Libras restringem-se à datilologia da língua portuguesa para nomes próprios e não sofrem adaptações fonológicas ou morfológicas
a incorporação de empréstimos linguísticos na Libras ocorre apenas por infl uência direta da Língua Portuguesa oralizada, sendo utilizada somente por meio da datilologia
os empréstimos linguísticos confi guram desvios gramaticais, pois rompem com a estrutura linguística própria da Libras e vão de encontro aos elementos culturais da comunidade surda
o fenômeno dos empréstimos linguísticos é incompatível com línguas de sinais, por serem línguas de modalidade visuoespacial e não sofrerem infl uência de outras línguas, sejam elas sinalizadas ou orais
O reconhecimento legal da Libras implica:
Exclusão do português.
Universalidade.
Garantia de inclusão.
Oralização obrigatória.
Substituição de escritos.
O exercício profi ssional do tradutor/intérprete de Língua de Sinais/Língua Portuguesa (TILSP) no Brasil está associado a transformações históricas no reconhecimento da Libras, às lutas da comunidade surda por direitos linguísticos e à ampliação de políticas públicas de acessibilidade. Esse percurso histórico contribuiu para a consolidação da atuação do intérprete em diferentes espaços sociais e institucionais. Nesse contexto, o surgimento e a consolidação do profi ssional tradutor/intérprete de Libras/Língua Portuguesa no Brasil estão diretamente relacionados ao(à):
reconhecimento da Libras como língua e à ampliação das políticas de acessibilidade e inclusão
substituição progressiva do professor ouvinte pelo intérprete em contextos educacionais
atuação voluntária e assistencialista, desvinculada de formação específica.
centralidade da reabilitação clínica como eixo da educação de Surdos
adoção exclusiva de modelos oralistas na educação de Surdos
No alfabeto manual em LIBRAS, assinale a letra que é formada posicionando a mão com os dedos indicador, médio e anelar estendidos e apontados para baixo, enquanto o polegar e o mínimo ficam dobrados e unidos (ou escondidos), formando três "perninhas". A palma da mão deve estar voltada para trás ou para o corpo.
“C”
“M”
“D”
“A”
A literatura surda constitui uma forma legítima de produção cultural da comunidade surda, expressando valores, memórias, identidades e experiências próprias. Diferentemente das tradições literárias baseadas na oralidade ou na escrita, a literatura surda se desenvolve prioritariamente em língua de sinais, utilizando recursos visuais, espaciais e corporais como elementos narrativos centrais. No contexto educacional, essa produção assume relevância tanto linguística quanto pedagógica.
Com base nesse entendimento, assinale a alternativa correta.
A literatura surda limita-se à tradução de obras escritas da língua portuguesa.
A literatura surda possui caráter exclusivamente recreativo, sem função educativa.
A literatura surda constitui prática cultural que fortalece a língua de sinais e a identidade surda.
A literatura surda é incompatível com o currículo escolar formal.
A aquisição da Língua Brasileira de Sinais pode ocorrer em diferentes momentos da vida e sob distintas condições de exposição linguística. Crianças surdas filhas de pais surdos, quando expostas precocemente à Libras, tendem a adquiri-la como primeira língua (L1), desenvolvendo competências linguísticas compatíveis com seu desenvolvimento cognitivo. Por outro lado, crianças surdas filhas de pais ouvintes frequentemente têm acesso tardio à Libras, o que pode caracterizar sua aprendizagem como L2, com implicações significativas para o desenvolvimento linguístico, escolar e identitário.
Assinale a alternativa correta.
A Libras só pode ser considerada L1 quando aprendida na adolescência.
A Libras adquirida tardiamente não exerce influência no desenvolvimento cognitivo.
A distinção entre Libras como L1 ou L2 não possui relevância pedagógica.
A aquisição precoce da Libras como L1 favorece o desenvolvimento linguístico e cognitivo da criança surda.
As identidades surdas não se constituem de forma homogênea nem exclusivamente a partir de fatores biológicos. Elas são construídas social e historicamente, mediadas pelas experiências linguísticas, pelo acesso ou não à língua de sinais, pela convivência com outros surdos e pelas relações estabelecidas com a cultura ouvinte. Estudos contemporâneos apontam que o reconhecimento da Libras como língua legítima e o pertencimento à comunidade surda desempenham papel central na consolidação de identidades positivas, enquanto contextos marcados pela negação linguística tendem a produzir processos identitários fragilizados ou conflitivos.
Assinale a alternativa correta.
A identidade surda resulta unicamente da condição auditiva do indivíduo.
A construção da identidade surda está diretamente relacionada ao acesso linguístico e ao reconhecimento sociocultural da surdez.
A identidade surda independe do acesso à língua de sinais e à comunidade surda.
A identidade surda consolida-se prioritariamente por meio da oralização e da leitura labial.
As políticas linguísticas voltadas à surdez configuram instrumentos fundamentais para a efetivação dos direitos linguísticos, educacionais e culturais da comunidade surda. Elas orientam ações estatais relacionadas ao ensino da Libras, à formação de profissionais e à oferta de serviços acessíveis.
Assinale a alternativa correta.
Promovem o reconhecimento, a difusão e o uso institucional da Libras.
Restringem o uso da Libras ao âmbito familiar.
Consideram a Libras apenas um recurso pedagógico auxiliar.
São irrelevantes para a inclusão educacional.
A atuação do intérprete de Libras no contexto educacional exige a adaptação de terminologias e a mediação da interação entre os sujeitos. Analise as afirmativas a seguir:
l. No ensino superior, o intérprete deve dominar o vocabulário técnico específico da área de formação do aluno surdo para garantir a precisão terminológica da tradução.
II. Na educação infantil, o intérprete assume o papel de cuidador e monitor de recreio, sendo responsável pela alimentação e higiene de todos os alunos surdos da turma.
III. A atuação do intérprete em diferentes níveis de ensino requer o planejamento prévio e o acesso aos materiais didáticos que serão utilizados pelo professor regente.
Está correto o que se afirma em:
II apenas.
III apenas.
I apenas.
I e III apenas.
I, II e III.
De acordo com Ferreira-Brito (1995), são diversas formas de configuração que a(s) mão(s) toma(m) na realização do sinal. A partir da configuração da mão de número 4, da imagem abaixo, podemos fazer os seguintes sinais. Assinale a alternativa CORRETA:

Nelson Pimenta e Ronice Muller de Quadros. Curso LIBRAS 1. 4a Edição. Editora Vozes, 2010.
Idade – avião – telefone – divulgar
Ontem – avião – correr – fei@
Telefone – avisar - trabalhar – brincar
Avisar – visitar – trabalhar – ter
Óleo – estratégia – evitar - pedir
Relacione corretamente os conceitos de educação de surdos, apresentados na Coluna I, com suas respectivas características pedagógicas, linguísticas e filosóficas, descritas na Coluna II.
I. Oralismo
II. Comunicação Total
III. Bilinguismo
( ) Abordagem educacional que prioriza o desenvolvimento da língua oral como principal meio de comunicação do estudante surdo, enfatizando a fala, o treino auditivo e a leitura labial, historicamente associada à restrição ou negação do uso da língua de sinais no processo educativo.
( ) Perspectiva pedagógica que defende o uso simultâneo e flexível de todos os recursos comunicativos disponíveis, como língua oral, língua de sinais, gestos naturais, leitura labial, escrita e recursos visuais, visando facilitar a comunicação e o acesso ao conteúdo escolar.
( ) Concepção educacional que reconhece a Língua de Sinais como primeira língua (L1) da pessoa surda e a língua majoritária da sociedade como segunda língua (L2), fundamentando-se no respeito à identidade linguística e cultural surda.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de associação entre a Coluna I e a Coluna II:
I – II – III
III – II – I
I – III – II
II – III – I
II – I – III
O Art. 7º do Decreto nº 5.626/2005 estabelece critérios transitórios para a oferta da disciplina de Libras no ensino superior, enquanto não houver número suficiente de docentes com formação específica. Considerando esse dispositivo legal, analise as proposições a seguir:
I. O Decreto autoriza, em caráter temporário, que a disciplina de Libras seja ministrada por profissionais com diferentes perfis formativos, desde que comprovem proficiência na língua por meio de exame reconhecido pelo Ministério da Educação.
II. O exercício da docência em Libras, nesse período, restringe-se exclusivamente a professores com graduação específica em Letras: Libras, não sendo admitidos outros perfis profissionais.
III. O instrutor de Libras, usuário da língua e com formação de nível médio, pode atuar no ensino superior, desde que possua certificação de proficiência em Libras emitida por exame promovido pelo Ministério da Educação.
IV. O professor ouvinte bilíngue pode ministrar a disciplina de Libras, desde que possua formação superior ou pós-graduação e certificação de proficiência em Libras.
Assinale a alternativa que indica as proposições CORRETAS.
I e II apenas.
II e III apenas.
I, III e IV apenas.
I e IV apenas.
II, III e IV apenas.
Segundo Quadros (2019), os verbos simples na Língua Brasileira de Sinais (Libras) apresentam características específicas quanto à marcação gramatical e à organização sintática.
Com base no texto acima, assinale a alternativa CORRETA:
Os verbos simples em Libras apresentam, em sua sinalização, marcas obrigatórias de pessoa e número, dispensando o uso de estruturas sintáticas explícitas.
Esse tipo de verbo não admite variações aspectuais nem locativas, sendo utilizado apenas para indicar ações pontuais e invariáveis.
Os verbos simples caracterizam-se por indicar pessoa e número por meio do movimento direcional do sinal, ocorrendo predominantemente em estruturas Verbo+Sujeito.
Verbos como CONHECER, AMAR e SABER são classificados como verbos direcionais, pois exigem marcação espacial obrigatória do sujeito e do objeto.
Os verbos simples não apresentam marcação de pessoa e número em sua sinalização, podendo, contudo, expressar marcas aspectuais e locativas, e tendem a ocorrer em estruturas do tipo Sujeito+Verbo+Objeto.
A regulamentação da Língua Brasileira de Sinais por meio do Decreto nº 5.626/2005 ampliou o reconhecimento da diversidade linguística no contexto educacional brasileiro, ao definir responsabilidades institucionais voltadas à garantia do acesso da pessoa surda à comunicação e ao conhecimento. Entre seus principais dispositivos, destacam-se as orientações sobre a formação de profissionais da educação, a presença de tradutores e intérpretes de LIBRAS–Português, a oferta do ensino de LIBRAS nos cursos de formação e a estruturação de práticas educacionais bilíngues.
À luz dessas disposições, analise os conceitos a seguir e estabeleça a relação adequada entre as colunas.
(1) Libras
(2) Pessoa surda
(3) Formação de professores
(4) Tradutor e intérprete de Libras–Português
(5) Educação bilíngue
(6) Atendimento educacional especializado (AEE)
(7) Ensino de Libras nos cursos de formação
( ) Profissional qualificado que atua na garantia da acessibilidade linguística, promovendo a interlocução entre a língua de sinais e a língua portuguesa em diferentes contextos institucionais.
( ) Organização educacional que assegura à pessoa surda o acesso ao conhecimento por meio da Libras como língua de instrução e do português na modalidade escrita.
( ) Sistema linguístico de natureza visual-espacial, reconhecido legalmente como língua da comunidade surda brasileira.
( ) Conjunto de ações pedagógicas e recursos específicos que complementam o processo de escolarização do estudante surdo.
( ) Determinação legal que estabelece a inserção da Libras como componente curricular obrigatório em cursos de formação docente e áreas afins.
( ) Sujeito que constrói sua experiência social e comunicativa predominantemente por meio de recursos visuais, em função de sua condição auditiva.
( ) Percurso formativo que contempla saberes teóricos e práticos voltados à educação de surdos e ao uso da Libras no contexto escolar.
Assinale a sequência CORRETA:
5 – 4 – 1 – 7 – 6 – 2 – 3
4 – 1 – 5 – 6 – 7 – 3 – 2
4 – 5 – 1 – 6 – 7 – 2 – 3
4 – 5 – 2 – 6 – 7 – 1 – 3
3 – 5 – 1 – 6 – 7 – 2 – 4