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Para que uma criança Surda desenvolva sua linguagem de forma plena e natural, o ambiente escolar deve garantir certas condições.
Avalie o que se afirma com base no processo de aquisição de linguagem.
I- A criança Surda deve ser exposta à língua de sinais apenas em momentos de sala de aula, sob mediação direta do professor.
II- O aprendizado da língua deve ocorrer de forma sintética, por meio de treinos e exercícios de memorização de sinais.
III- É fundamental que a criança Surda seja inserida em uma comunidade linguística onde observe a língua de sinais sendo usada de forma espontânea e em diversos contextos sociais.
Está correto apenas o que se afirma em
I.
II.
III.
I e II.
I e III.
Considerando as características da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e sua importância no desenvolvimento cognitivo e social da criança Surda, é correto afirmar que(,)
embora seja uma ferramenta de comunicação, não possui as mesmas funções gramaticais e sociais que as línguas orais desempenham para crianças ouvintes.
sua aquisição pela criança Surda ocorre de forma mecânica, dependendo exclusivamente de treinamento formal, uma vez que a observação visual não é suficiente para a inferência de sentidos.
é uma língua verdadeira que cumpre as funções de qualquer outra língua, permitindo que a criança Surda, ao observar o mundo de forma instintiva, infira sentidos e significados por meio de uma modalidade visual plenamente acessível.
seu reconhecimento como língua deve ficar restrito ao ambiente escolar, visto que o uso amplo no núcleo familiar pode prejudicar a aprendizagem da língua oral.
sua natureza visual é uma particularidade que limita a expressão de conceitos abstratos, tornando-a inferior às línguas orais no cumprimento de papéis pedagógicos.
Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma sobre garantia dos direitos linguísticos da pessoa Surda.
( ) O respeito e a aceitação da língua de sinais como língua de modalidade gestual-visual e língua natural do Surdo é a prioridade inicial para a garantia de seus direitos.
( ) A consolidação da educação bilíngue de Surdos deve ser vista como uma opção secundária, priorizando-se sempre a integração total em salas regulares de ensino exclusivamente em Língua Portuguesa oral.
( ) O Direito Linguístico assegura que a informação que circula socialmente deve estar acessível em Língua de Sinais, promovendo a autonomia do cidadão Surdo.
( ) A garantia de serviços de interpretação de e para a língua de sinais é necessária de forma prioritária no ambiente escolar, sendo facultativa em outros contextos sociais ou jurídicos.
De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
V, F, V, F.
V, V, F, F.
F, V, V, V.
V, F, F, V.
F, F, V, V.
A Libras fundamenta-se em pilares que legitimam sua existência e uso no território nacional.
Associe corretamente a dimensão a sua respectiva fundamentação conceitual.
DIMENSÕES
1. Social
2. Linguística
3. Política
FUNDAMENTAÇÕES
( ) Refere-se à existência de uma comunidade de fala e de usuários que compartilham vivências, cultura e identidade por meio da língua.
( ) Diz respeito ao reconhecimento oficial da língua pelo Estado, garantindo amparo legal e o direito ao uso em esferas públicas e educacionais.
( ) Caracteriza-se pela existência de um sistema gramatical próprio, com regras e níveis linguísticos convencionados pela comunidade Surda.
A sequência correta para essa associação é:
1, 3, 2.
2, 1, 3.
3, 2, 1.
1, 2, 3.
2, 3, 1.
Na estrutura linguística de Libras, alguns sinais apresentam correspondência visual com aquilo que representam, como o sinal de CASA, que lembra o formato de um telhado, ou o sinal de COMER que se aproxima do gesto de levar a mão à boca. Essa característica da língua que permite Essa característica da língua, que estabelece uma relação de semelhança entre o signo e seu referente, denomina-se:
Iconicidade.
Diacronismo.
Polissemia.
Dialogismo.
Figuração.
Considerando a argumentação de Karnopp e Quadros (2001) a respeito do reconhecimento das línguas de sinais e de suas propriedades linguísticas universais, assinale a alternativa correta.
O reconhecimento das línguas de sinais como sistemas detentores de propriedades universais, a exemplo da produtividade infinita de frases e da estruturação abstrata, refuta frontalmente a concepção discursiva que as categoriza como recursos comunicativos primitivos ou patológicos.
A característica de universalidade inerente ao vocabulário sinalizado decorre de sua constituição prioritariamente icônica, propriedade conceitual que anula a arbitrariedade do signo e promove a inteligibilidade mútua entre comunidades surdas de diferentes países.
A delimitação formal de unidades fonológicas mínimas, circunscritas a um inventário de traços visuais como configurações de mão e movimento, atua como uma restrição estrutural que impossibilita o alargamento lexical para a expressão de ideias abstratas inéditas.
A universalidade do inatismo linguístico assegura que a progressão temporal das etapas de aquisição se concretize de forma endógena nas crianças surdas, prescindindo da intervenção e do contato externo frequente com usuários fluentes do idioma espacial.
Conforme Albres e Jung (2023), no que tange ao papel histórico da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) e à sua relação com o campo da interpretação em língua de sinais, assinale a alternativa correta.
A destituição da federação antecessora ocorreu com o propósito central de regulamentar a atuação de tradutores ouvintes, desvinculando imediatamente o serviço de interpretação do paradigma assistencialista vigente nas comunidades religiosas.
A institucionalização de um departamento de intérpretes na estrutura da entidade derivou das normativas de inclusão debatidas na Assembleia Constituinte, que tornaram compulsória a oferta de acessibilidade comunicativa em organizações filantrópicas.
A assunção do protagonismo surdo na direção da instituição estabeleceu uma nova dinâmica política interna, o que catalisou as demandas por acessibilidade e resultou na formalização de um setor específico para intérpretes.
A associação da federação às pesquisas acadêmicas propiciou a fundação de um grupo de trabalho focado em linguística descritiva, cujo objetivo primordial era alçar a prática interpretativa ao status científico dos Estudos da Tradução.
No que diz respeito à educação bilíngue de surdos, é uma afirmativa correta sobre o ensino de Português como L2 e a atuação articulada dos profissionais envolvidos (professor bilíngue e intérprete educacional) no processo pedagógico:
o Português como L2 é ensinado por imersão direta em textos, sem uso da Libras, para evitar interferência linguística
o professor bilíngue não precisa ser fluente em Libras, desde que domine o conteúdo curricular e utilize materiais escritos
o intérprete educacional atua apenas como tradutor, sem participação nos processos de ensino-aprendizagem e sem articulação com o professor
o Português como L2 é trabalhado de forma contrastiva com a Libras e requer atuação articulada, com professor bilíngue fluente e intérprete educacional
Considerando as especificidades visuoespaciais da Libras e as exigências da educação bilíngue de surdos, a alternativa que apresenta uma afirmativa correta sobre critérios para avaliação de materiais didáticos e princípios para sua produção pedagógica é:
recursos visuais e vídeos são centrais por registrarem e instruírem em Libras; ao avaliar materiais, deve-se observar uso autêntico da língua, integração entre compreensão e produção e evitar ensino restrito a vocabulário isolado
materiais de Libras devem concentrar-se em vocabulário isolado e listas de sinais, pois isso evita interferências e assegura a aquisição de morfologia e sintaxe
o uso de vídeo é recomendado apenas para exposição do professor, sendo inadequado para registro do estudante, pois gravações não favorecem autoavaliação nem organização do pensamento em Libras
diante da escassez, o professor não deve criar materiais próprios; deve aguardar a oferta do mercado editorial para garantir padronização e validade pedagógica
Na literatura sobre aquisição da linguagem, os “sinais caseiros” referem-se a sistemas gestuais criados por crianças surdas para se comunicarem quando não têm acesso a uma língua convencional. É uma informação verdadeira sobre esses sistemas desenvolvidos na ausência de input linguístico convencional:
os sinais caseiros constituem uma língua completa, com complexidade estrutural equivalente às línguas de sinais, independentemente do ambiente linguístico
os sinais caseiros são sistemas gestuais individuais, usados com a família, com regularidades estruturais, mas sem a complexidade de uma língua de sinais
os sinais caseiros surgem apenas quando há isolamento social e ausência de suporte familiar, sendo evitados quando a família oferece suporte social ajustado
os sinais caseiros não apresentam regularidades estruturais e se restringem a gestos aleatórios, sem propriedades típicas de línguas humanas
Considerando os argumentos apresentados por Bizzo (2022) no Trabalho de Conclusão de Curso Percepção e observação da didática e ensino na disciplina de Língua Brasileira de Sinais em curso da graduação na UFAM, espera-se que a disciplina de Libras, ministrada na graduação,
ofereça conhecimento básico-teórico e prático de Libras para favorecer acessibilidade e introdução à conversação, embora com limitações na formação pedagógica aprofundada.
considere, nos conteúdos ministrados, aspectos culturais dos surdos, mas concentrando-se prioritariamente no cumprimento da legislação vigente.
proporcione conhecimentos teóricos, considerando que as atividades práticas serão supridas na aplicação do uso da língua.
atenda irrefutavelmente todas as necessidades de formação pedagógica para o trabalho com surdos no ensino fundamental.
capacite o discente a atuar como docente com alunos surdos em escola inclusiva, com domínio total da Libras.
O ensino de Libras (Língua Brasileira de Sinais) como primeira língua (L1) para surdos ou como segunda língua (L2) para ouvintes exige didáticas distintas. Ao ensinar Libras para ouvintes, o professor deve considerar as diferenças de modalidade entre a língua fonte (oral-auditiva) e a língua alvo (visual-espacial). Assinale a alternativa que apresenta uma estratégia didática CORRETA para o ensino de Libras como L2.
A tradução constante de cada sinal para o Português falado simultaneamente, garantindo que o aluno ouvinte compreenda o significado através de sua língua materna o tempo todo.
O ensino focado exclusivamente na memorização de listas de vocabulário isolado, pois a gramática da Libras é idêntica à do Português e será adquirida naturalmente.
O uso intenso de recursos visuais e a imersão na língua, evitando-se o uso excessivo da voz (Português) durante as aulas para estimular o pensamento visual e a fixação dos sinais.
A utilização de músicas em Português como principal ferramenta pedagógica, exigindo que os alunos façam a tradução literal palavra por palavra para treinar a agilidade das mãos.
A sintaxe da Libras (Língua Brasileira de Sinais) analisa a ordem dos constituintes na frase e os mecanismos gramaticais que estabelecem as relações sintáticas. Diferente do Português, a Libras possui uma estrutura espacial e flexível, embora obedeça a regras específicas, como a topicalização.
I. Embora SVO (Sujeito-Verbo-Objeto) seja frequentemente tratada como a "ordem base" na literatura generativista, a Libras é considerada uma língua flexível. Outras ordens como OSV (Objeto-Sujeito-Verbo) são comuns, especialmente em casos de topicalização.
II. A topicalização é um mecanismo sintático irrelevante na Libras, pois a língua exige uma ordem rígida dos constituintes, impedindo que o objeto ou o adjunto adverbial sejam deslocados para o início da sentença para fins de ênfase.
III. Na sintaxe da Libras, a ausência de preposições e artigos é compensada pelo uso do espaço, da direção do olhar e da concordância verbal, que marcam as relações gramaticais que, em línguas orais, seriam marcadas por conectivos.
IV. A estrutura SOV (Sujeito-Objeto-Verbo) é uma organização sintática onde a frase segue a ordem: quem realiza a ação (sujeito), o alvo da ação (objeto) e, por fim, o verbo.
Assinale a alternativa que apresenta somente a(s) proposição(ões) CORRETA(S)
II e III.
I, II, III e IV.
I e II.
I, III e IV.
A área da educação possui termos específicos que exigem padronização na Libras (Língua Brasileira de Sinais) para evitar ambiguidades. Sobre a terminologia educacional e sua sinalização, analise as afirmativas a seguir e assinale V, para as verdadeiras, e F, para as falsas.
(__) O sinal para 'INCLUSÃO' é geralmente realizado com a ideia de trazer algo ou alguém para dentro de um grupo ou círculo, representando o conceito de pertencimento.
(__) Não existem sinais específicos para disciplinas como 'Biologia', 'Matemática' ou 'Geografia'; o professor deve sempre usar a datilologia (soletração) para se referir a essas matérias durante todo o ano letivo.
(__) A criação de sinais para termos técnicos (neologismos) é um processo comum em ambientes acadêmicos, muitas vezes negociado entre professores surdos, alunos e intérpretes para dar conta do currículo.
(__) Termos como 'CONSELHO DE CLASSE' e 'PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO' são intraduzíveis para a Libras, devendo ser mantidos exclusivamente em Português escrito.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
V, V, F, F
V, F, V, F
F, V, F, V
F, F, V, V
A atuação do professor de apoio, especificamente quando habilitado em Língua Brasileira de Sinais − Libras, é multifacetada e essencial para a permanência do aluno surdo. Sobre as funções desse profissional na mediação pedagógica, assinale a alternativa correta.
A atuação do professor de apoio deve focar na reabilitação auditiva do aluno, utilizando técnicas de oralização para que o estudante deixe de depender da Língua Brasileira de Sinais.
O professor de apoio deve atuar como um tutor exclusivo que retira o aluno da sala de aula regular sempre que o conteúdo for considerado complexo para a compreensão surda.
O professor de apoio deve colaborar com o professor regente na flexibilização de materiais didáticos, garantindo que o conteúdo seja acessível através da Libras e de recursos visuais.
O papel do professor de apoio restringe-se à interpretação literal das aulas, sendo proibido o desenvolvimento de qualquer intervenção pedagógica direta com o aluno em sala.
A responsabilidade pela avaliação da aprendizagem do aluno com deficiência cabe unicamente ao professor de apoio, que deve aplicar provas diferenciadas em local isolado.
A demonstração da dupla articulação nas línguas de sinais foi fundamental para seu reconhecimento científico.
Esse princípio refere-se:
À oposição entre gestos naturais e artificiais.
À relação direta entre forma e significado.
À existência de níveis mínimos e combinatórios na língua.
À predominância da expressão facial sobre os sinais manuais.
À tradução literal da língua oral.
A estrutura sintática da Libras demonstra que:
A língua não possui ordem básica.
A ordem das palavras é idêntica ao português.
A organização sintática é determinada por recursos espaciais e discursivos.
A sintaxe depende da escrita.
A ordem é sempre fixa.
A datilologia, nas línguas de sinais, é utilizada principalmente para:
Substituir a língua de sinais.
Representar nomes próprios e empréstimos da língua oral.
Representar conceitos inexistentes na língua oral.
Indicar flexões verbais.
Marcar pluralidade.
Com base na legislação brasileira e nos princípios éticos que orientam a atuação do tradutor/intérprete de Libras/Língua Portuguesa, correlacione corretamente a COLUNA I com a COLUNA II, relacionando dispositivos legais e princípios éticos às suas respectivas implicações profissionais.
COLUNA I | COLUNA II |
(1) Lei nº 10.436/2002 (2) Decreto nº 5.626/2005 (3) Código de Ética do Tradutor e Intérprete de Libras (4) Lei nº 14.704/2023 (5) Princípio da fidelidade ao discurso | (__) A atividade profissional de tradutor, intérprete e guia-intérprete de Libras–Língua Portuguesa é realizada em qualquer área ou situação em que pessoas Surdas ou Surdocegas precisam estabelecer comunicação com não falantes de sua língua em quaisquer contextos possíveis. (__) Exige que o intérprete preserve o conteúdo, a intenção e o sentido do discurso original, sem acréscimos, omissões ou interferências pessoais. (__) Orienta a conduta profissional do intérprete, delimitando deveres, responsabilidades e limites de atuação. (__) Estabelece a Libras como meio legal de comunicação e expressão das comunidades surdas brasileiras. (__) Estabelece diretrizes para a formação de professores para o ensino de Libras e para a formação de tradutores e intérpretes com proficiência em Libras e Língua Portuguesa. |
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
2 – 5 – 1 – 3 – 4
2 – 4 – 1 – 5 – 3
3 – 4 – 2 – 5 – 1
4 – 5 – 3 – 2 – 1
4 – 5 – 3 – 1 – 2
O modelo de interpretação simultânea envolve múltiplos componentes que interagem para que o intérprete produza uma interpretação fiel, fluente e adequada em tempo real. Considerando as dimensões cognitivas, linguísticas, comportamentais e contextuais envolvidas nesse processo, é INCORRETO afirmar que:
A compreensão profunda da língua-fonte e da língua-alvo exige não apenas conhecimento lexical e gramatical, mas também sensibilidade à cultura e às nuances discursivas, de modo que o intérprete seja capaz de captar significados implícitos durante a fala do locutor.
O princípio de fidelidade à mensagem requer que o intérprete não apenas recomponha o conteúdo linguístico na língua-alvo, mas também preserve o tom e a intenção comunicativa originais, demonstrando capacidades interpretativas avançadas.
O intérprete deve permanecer neutro e imparcial ao transmitir a mensagem, independentemente de concordar ou discordar do conteúdo, contudo é importante que a interpretação reflita as opiniões pessoais do intérprete.
A neutralidade na interpretação simultânea implica que o profissional deve evitar a introdução de opiniões pessoais ou julgamentos de valor, permanecendo imparcial mesmo quando o conteúdo for controverso ou emocionalmente carregado.
O gerenciamento de estresse é um componente essencial do modelo de interpretação simultânea, uma vez que a natureza imediata da tarefa impõe sobrecarga cognitiva e demanda habilidades de autorregulação do intérprete no ambiente de atuação.