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Uma criança de 4 anos é internada com vômitos intensos há dois dias, apresentando sinais de desidratação moderada, taquicardia e irritabilidade. Os exames laboratoriais mostram alterações nos níveis de sódio e potássio, além de alterações do pH sanguíneo. Considerando os distúrbios hidroeletrolíticos e do equilíbrio ácido-básico na criança, assinale a alternativa correta.
Alterações do pH sanguíneo raramente ocorrem em crianças com vômitos prolongados, sendo geralmente irrelevantes para o manejo clínico.
A reposição hídrica rápida com soluções hipotônicas é a primeira escolha em qualquer criança desidratada, independentemente do tipo de distúrbio eletrolítico ou ácido-básico.
Crianças são menos suscetíveis a alterações hidroeletrolíticas graves do que adultos devido à maior capacidade de compensação renal.
Avaliação cuidadosa do estado clínico, monitoramento laboratorial contínuo e reposição adequada de fluidos e eletrólitos são essenciais para corrigir desequilíbrios hidroeletrolíticos e ácido-básicos.
Recém-nascido do sexo masculino, a termo, apresenta distensão abdominal progressiva, vômitos biliosos e atraso na eliminação do mecônio. Evolui com episódios de diarreia explosiva, febre e piora do estado geral. Radiografia de abdome mostra distensão de alças colônicas, e a biópsia retal confirma ausência de células ganglionares. Considerando esse quadro, qual conduta inicial é a mais adequada no manejo dessa complicação?
Realizar imediatamente cirurgia definitiva de abaixamento do cólon.
Iniciar antibioticoterapia de amplo espectro associada à descompressão intestinal por lavagens retais.
Instituir dieta enteral precoce para estímulo do peristaltismo.
Indicar colectomia subtotal devido ao risco de perfuração intestinal.
Aguardar estabilização clínica sem intervenções invasivas iniciais.
Menina de 7 anos, com desnutrição moderada (IMC z = –2,3), foi submetida à correção eletiva de malformação gastrointestinal. Ingestão oral inadequada há 3 semanas, sem perda ponderal recente. No pós-operatório imediato, permanece hemodinamicamente estável, sem íleo significativo e com sinais de fome após 18 horas. A estratégia nutricional que deve ser priorizada nas primeiras 24-48 horas é
manter jejum até eliminação de gases e iniciar alimentação apenas após ruídos hidroaéreos e primeiro episódio de evacuação.
iniciar nutrição parenteral total imediata para evitar balanço nitrogenado negativo.
iniciar alimentação enteral precoce, preferencialmente via oral ou sonda, conforme exame físico da paciente e tolerância.
oferecer apenas glicose intravenosa por 48h para evitar sobrecarga metabólica.
aguardar 72 horas para reavaliar risco nutricional, pois a criança não perdeu peso recentemente.
No recém-nascido com defeito congênito da parede abdominal, o correto reconhecimento das características anatômicas e clínicas é essencial para o manejo inicial e prognóstico. Considerando as diferenças entre gastrosquise e onfalocele, assinale a alternativa correta.
A gastrosquise caracteriza-se por defeito de linha média com herniação visceral coberta por membrana.
A onfalocele apresenta maior associação com lesões intestinais isquêmicas decorrentes de exposição direta ao líquido amniótico.
A gastrosquise costuma apresentar menor associação com anomalias congênitas sistêmicas quando comparada à onfalocele.
O prognóstico da onfalocele depende principalmente da condição do intestino herniado ao nascimento.
A presença de fígado herniado é característica típica da gastrosquise.
No contexto da assistência cirúrgica pediátrica, a segurança do paciente envolve estratégias organizacionais, técnicas e comunicacionais voltadas à redução de eventos adversos e à melhoria da qualidade do cuidado. Considerando os princípios atuais de segurança do paciente em crianças, assinale a alternativa correta.
A segurança em cirurgia pediátrica baseia-se principalmente na padronização de protocolos técnicos, sendo a comunicação com familiares um componente acessório do cuidado
A utilização de checklists e ferramentas estruturadas de transferência de cuidado apresenta impacto limitado na segurança do paciente pediátrico, por depender excessivamente de fatores individuais.
A comunicação estruturada entre equipes multiprofissionais e com os familiares é reconhecida como elemento central para a segurança do paciente pediátrico.
A segurança do paciente pediátrico depende prioritariamente da experiência individual do cirurgião responsável pelo procedimento.
Estratégias de segurança em cirurgia pediátrica podem ser aplicadas sem adaptações específicas, utilizando-se os mesmos modelos empregados na população adulta.
Em crianças submetidas à cirurgia eletiva, evidências atuais de cuidado perioperatório recomendam a redução do tempo de jejum para líquidos claros, com o objetivo de diminuir desconforto, instabilidade metabólica e risco de hipoglicemia, sem aumentar a incidência de aspiração pulmonar. Considerando esse contexto, assinale a alternativa correta.
Interromper a ingestão de líquidos claros seis horas antes da anestesia, independentemente da idade da criança.
Permitir a ingestão de líquidos claros até quatro horas antes da anestesia em todas as faixas etárias pediátricas.
Permitir a ingestão de líquidos claros até uma hora antes da indução anestésica, desde que não haja contraindicações clínicas.
Permitir apenas a ingestão de água até oito horas antes do procedimento anestésico.
Suspender a ingestão de líquidos claros no momento da admissão hospitalar, independentemente do horário da cirurgia.
Em procedimentos pediátricos de alta complexidade, como correção de malformações congênitas graves ou cirurgias oncológicas extensas, o sucesso não depende apenas da técnica operatória, mas da integração de múltiplos fatores clínicos, laboratoriais, logísticos e multiprofissionais. Considerando os princípios da prática cirúrgica moderna, a abordagem indispensável para garantir segurança, qualidade assistencial e prognóstico favorável é:
Focar exclusivamente no ato cirúrgico, sem considerar avaliação pré-operatória detalhada ou acompanhamento pós-operatório estruturado, priorizando apenas a execução técnica imediata.
Delegar integralmente os cuidados clínicos e perioperatórios ao setor administrativo hospitalar, sem participação ativa da equipe médica multiprofissional.
Realizar planejamento pré-operatório com avaliação clínica e laboratorial minuciosa, assegurar monitoramento perioperatório multiprofissional com protocolos de segurança e manter acompanhamento pós-operatório estruturado, integrando prevenção de complicações e reabilitação.
Substituir protocolos institucionais e diretrizes internacionais por práticas informais baseadas apenas na experiência individual do cirurgião, sem validação científica ou institucional.
Evitar acompanhamento pós-operatório para reduzir custos hospitalares, limitando a atenção médica ao período intraoperatório.
Recém-nascido prematuro apresenta distensão abdominal, sangue nas fezes e pneumatoses intestinais na radiografia. A conduta CORRETA, nesse caso, é:
Manutenção da dieta oral, sem medidas adicionais.
Exclusiva analgesia, sem suporte clínico.
Alta hospitalar precoce, sem acompanhamento.
Observação clínica sem exames complementares.
Suspensão da dieta, antibioticoterapia de amplo espectro e avaliação cirúrgica em caso de perfuração ou necrose extensa.
Em relação à avaliação de qualidade em cirurgia pediátrica, assinale a alternativa que apresenta o indicador considerado crítico:
Exclusiva atenção ao tempo de internação, sem correlação com desfechos clínicos.
Substituição de indicadores clínicos por dados administrativos isolados.
Taxa de complicações pós-operatórias ajustada por risco, correlacionada com protocolos de segurança e qualidade assistencial, permitindo análise comparativa entre serviços.
Limitação da avaliação apenas ao número de cirurgias realizadas.
Evitar coleta de indicadores para reduzir burocracia institucional.
De acordo com as doenças crônicas pediátricas, o princípio indispensável para assegurar continuidade do cuidado é:
Integrar diagnóstico clínico detalhado, exames complementares, manejo multiprofissional e estratégias de prevenção, assegurando acompanhamento longitudinal e qualidade assistencial.
Limitar diagnóstico apenas a exames laboratoriais, sem correlação clínica.
Substituir manejo multiprofissional por conduta isolada do cirurgião.
Evitar prevenção para priorizar tratamento exclusivo de casos clínicos.
Delegar diagnóstico exclusivamente ao setor administrativo, sem participação médica.
Com base na prática da cirurgia pediátrica, o princípio bioético indispensável quando há divergência entre a decisão dos responsáveis legais e a indicação médica é:
Priorizar a autonomia dos responsáveis, mesmo que contrarie evidências científicas.
Assegurar o princípio da beneficência, fundamentando a decisão clínica em evidências e no melhor interesse da criança, respeitando limites legais e éticos.
Substituir decisão médica por protocolos administrativos, sem considerar individualidade do paciente.
Limitar a atuação médica apenas ao cumprimento da vontade familiar.
Evitar registro formal da divergência para preservar relação médico-família.
Uma criança de 8 anos com doença inflamatória intestinal apresenta dor abdominal recorrente, perda de peso e anemia. O Cirurgião pediátrico é chamado para avaliação devido à possibilidade de complicação cirúrgica. Nesse contexto, o princípio indispensável para assegurar continuidade do cuidado é:
Integrar diagnóstico clínico detalhado, exames complementares, manejo multiprofissional e estratégias de prevenção, assegurando acompanhamento longitudinal e qualidade assistencial.
Limitar diagnóstico apenas a exames laboratoriais, sem correlação clínica ou acompanhamento multiprofissional.
Conduzir o manejo exclusivamente pelo cirurgião, sem participação de pediatras ou nutricionistas.
Priorizar apenas o tratamento cirúrgico imediato, sem considerar medidas preventivas ou acompanhamento clínico.
Delegar diagnóstico e conduta exclusivamente ao setor administrativo hospitalar, sem participação médica direta.
A criança vítima de maus tratos frequentemente chega ao cirurgião pediátrico com lesões traumáticas, muitas vezes sem história adequada compatível com o padrão de trauma. Considerando esse tema, analise as afirmativas a seguir.
I.Fraturas metafisárias em alça de balde ("bucket handle"), lesões costais posteriores e hematomas múltiplos em diferentes estágios evolutivos são sinais altamente sugestivos de abuso físico.
II.Deve-se suspeitar de abuso frente a trauma abdominal com lesões pancreáticas ou hepáticas significativas sem mecanismo plausível, especialmente em lactentes.
III.Se a família apresenta "história explicativa" coerente, a investigação interna e a notificação obrigatória deixam de ser necessárias.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS.
I e II.
I, II e III.
II.
I e III.
O manejo perioperatório da criança exige atenção especial às diferenças fisiológicas em relação ao adulto, incluindo preparo pré-operatório, monitoramento intraoperatório e cuidados pós-operatórios. Diante disso, avalie as afirmativas abaixo e assinale a correta.
Durante a anestesia pediátrica, a monitorização contínua de glicemia não é necessária, pois hipoglicemia é rara em crianças saudáveis.
O controle da dor pós-operatória em crianças deve ser evitado, pois analgésicos opioides prejudicam a recuperação intestinal e respiratória.
O jejum pré-operatório rígido de 12 horas é recomendado para todas as crianças, independentemente da idade ou tipo de cirurgia.
A avaliação pré-operatória pediátrica inclui revisão de comorbidades, estado nutricional, alergias, histórico de jejum e risco anestésico, permitindo planejamento individualizado do cuidado perioperatório.
Em relação à hérnia diafragmática congênita no período neonatal, considerando os conceitos atuais de manejo cirúrgico, assinale a alternativa correta.
O reparo cirúrgico deve ser realizado após estabilização fisiológica cardiorrespiratória, respeitando as condições clínicas do recém-nascido.
A hérnia diafragmática congênita deve ser entendida prioritariamente como uma emergência cirúrgica anatômica.
A correção cirúrgica imediata após o nascimento é indicada para reduzir rapidamente a compressão pulmonar.
A abordagem toracotômica convencional é preferencial, pois permite melhor visualização das estruturas herniadas.
O uso rotineiro de técnicas minimamente invasivas é recomendado, independentemente do tamanho do defeito diafragmático.
No contexto da cirurgia minimamente invasiva em pediatria, considerando evidências atuais, princípios técnicos e segurança do paciente, assinale a alternativa correta.
A cirurgia minimamente invasiva apresenta vantagens universais sobre a cirurgia aberta, devendo ser priorizada em todas as patologias pediátricas.
A redução do tamanho das incisões é o principal critério para indicação da cirurgia minimamente invasiva em crianças.
A escolha pela via minimamente invasiva deve considerar idade, peso, patologia, experiência da equipe e manutenção dos princípios oncológicos e funcionais.
A cirurgia minimamente invasiva elimina diferenças relacionadas à curva de aprendizado do cirurgião.
Resultados estéticos favoráveis justificam a adoção da técnica minimamente invasiva mesmo quando há incerteza quanto à equivalência de desfechos clínicos.
Menino de 4 anos é submetido a procedimento laparoscópico para correção de malformação congênita intestinal. Durante a dissecção, observa-se dificuldade técnica progressiva, sangramento que compromete a visualização adequada e aumento do tempo operatório, sem controle satisfatório do campo cirúrgico. Considerando os princípios da cirurgia minimamente invasiva em pediatria, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada para esse caso.
Persistir na via minimamente invasiva, priorizando a conclusão do procedimento por essa abordagem.
Converter para cirurgia aberta quando houver comprometimento da segurança ou dos princípios cirúrgicos fundamentais.
Solicitar auxílio tecnológico adicional, mantendo a abordagem minimamente invasiva sempre que possível.
Encerrar o procedimento e programar nova abordagem cirúrgica em outro momento.
Priorizar a finalização minimamente invasiva visando à menor dor pós-operatória e ao menor tempo de internação.
No contexto das anomalias congênitas cervicais na infância, o correto reconhecimento da origem embriológica e da topografia das lesões é fundamental para o diagnóstico e o planejamento cirúrgico. Considerando essas características, assinale a alternativa correta.
Cistos do ducto tireoglosso apresentam-se tipicamente como massas laterais ao longo do bordo anterior do músculo esternocleidomastoideo.
Anomalias do segundo arco branquial são as mais comuns entre as malformações congênitas cervicais e costumam localizar-se lateralmente no pescoço.
Cistos dermoides cervicais raramente simulam cistos do ducto tireoglosso, pois não apresentam mobilidade à deglutição nem se apresentam na linha média.
Fístulas do terceiro e quarto arcos branquiais localizam-se preferencialmente na linha média cervical.
A presença de drenagem cutânea exclui a possibilidade de origem branquial da lesão.
Recém-nascido a termo apresenta mielomeningocele lombossacra aberta, corrigida cirurgicamente nas primeiras 24 horas de vida. Durante a primeira semana, observa-se aumento progressivo do perímetro cefálico, abaulamento da fontanela anterior e episódios de apneia. Ultrassonografia transfontanelar evidencia dilatação progressiva dos ventrículos laterais e do terceiro ventrículo. Considerando esse cenário, a conduta mais adequada é
aguardar estabilização clínica completa antes de qualquer intervenção, pois a hidrocefalia pode regredir espontaneamente.
indicar derivação ventriculoperitoneal imediata em todos os casos de mielomeningocele operada.
avaliar a necessidade de tratamento cirúrgico para hidrocefalia, considerando critérios clínicos e radiológicos de progressão.
realizar descompressão da fossa posterior como primeira abordagem terapêutica.
instituir tratamento clínico com diuréticos como medida definitiva.
A segurança do paciente pediátrico em ambiente cirúrgico exige integração de múltiplos fatores. Dessa forma, é CORRETO afirmar que a prática indispensável para garantir rastreabilidade e prevenção de falhas é:
Delegar integralmente a responsabilidade pela segurança ao anestesista, sem integração com demais profissionais.
Limitar protocolos de segurança apenas ao pré-operatório, sem continuidade no intra e pós-operatório.
Substituir checklists formais por registros informais não validados institucionalmente.
Evitar comunicação multiprofissional para agilizar procedimentos e reduzir tempo cirúrgico.
Aplicação de checklists estruturados em todas as fases (pré, intra e pós-operatória), com participação ativa da equipe multiprofissional e registro sistemático de cada etapa.