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A execução das corretas técnicas na realização das necrópsias médico-legais é fundamental para a confecção de um laudo pericial consistente e confiável.
Assinale a opção corretamente dentro das boas práticas do exame cadavérico pericial realizado.
O exame externo, embora não tão importante quanto na necropsia hospitalar ou clínica, deve ser completo, não devendo ser negligenciado o dorso, os genitais, as dobras cutâneas como as axilares e as poplíteas e o couro cabeludo, podendo sim se dispensar detalhes irrelevantes, como :tatuagens e lesões de origem hospitalar, que não interessam ao estudo médico-legal da morte violenta.
Nosso Código de Processo Penal permite, expressamente, a realização de exames cadavéricos parciais, de forma que quando a lesão fatal se limita ao segmento cefálico, por exemplo, o exame do pescoço e a análise dos órgãos das cavidades torácica e abdominal são desnecessários, pois em nada acrescentam a essa perícia.
Após incisão bi-mastóidea coronal, rebatimento dos retalhos anterior e posterior do couro cabeludo, retirada do periósteo da calvária e rebatimento dos músculos temporais, o crânio deve ser serrado horizontalmente, com o cuidado de não atingir a paquimeninge, sendo retirada a abóbada, antes da análise do conteúdo da cavidade craniana.
O exame do pescoço, muito importante em Medicina Legal, consiste na retirada dos órgãos da laringe para baixo, incluindo a traqueia, o esôfago, a tireoide, e os grandes vasos sanguíneos, devendo-se abrir todos eles e descrever achados anormais, como hemorragias e conteúdos incomuns na luz dos órgãos.
Em geral, é usada a técnica de Ghon no estudo das cavidades torácica e abdominal, isto é, a retirada de órgão por órgão, após análise de conjunto, para estudo individualizado, não sendo necessário abrir vísceras como estômago, intestinos e útero, caso estas não apresentem lesões externas evidentes, não interessando à perícia judicial.
O campo da Toxicologia Forense é enorme e complexo. Conversar com o toxicologista do laboratório do Instituto Médico Legal, muitas vezes, é o indicado nos casos suspeitos, mas ainda precisamos conhecer um mínimo sobre as principais drogas de abuso para concluir o laudo.
Sobre o assunto, é correto afirmar que
o álcool costuma provocar alterações do equilíbrio acima de 100-150 mg/dL e coma acima de 200-300 mg/dL.
a morfina, habitualmente, mata por efeito hipertensivo com eventual hemorragia intracerebral.
as anfetaminas atuam nas sinapses monoaminérgicas, gerando efeitos parassimpatomiméiticos.
A cocaína, muito utilizada hoje, tem metabolização lenta e permanece no sangue do usuário por dias.
A maconha, usada na forma inalada (cigarros), tem rápida metabolização, desaparecendo em poucas horas da urina.
Os tumores neuroendócrinos do pulmão correspondem a neoplasias malignas neuroendócrinas de padrão arquitetural organoide bem diferenciado. Os pacientes com tumores carcinoides acometendo brônquios segmentares ou lobares podem apresentar alterações clínicas como tosse, hemoptise e pneumonias recorrentes. São características dos tumores carcinoides típicos de pulmão:
I. Menos de duas figuras mitóticas em campo de 2,0 mm2 e ausência de necrose.
II. Menos de cinco figuras mitóticas em campo de 2,0 mm2 e ausência de necrose.
III. Imunoexpressão positiva para cromogranina e INSM1.
IV. Raramente determinar metástases hepáticas e pulmonares.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
Apenas I, III e IV.
Apenas II, III e IV.
Em relação aos adenomas colorretais convencionais, é correto afirmar que:
Originam-se do epitélio da camada mucosa, com risco alto de progressão para adenocarcinoma na maioria dos casos.
As alterações genéticas que determinam o desenvolvimento dos adenomas colorretais surgem antes da identificação morfológica da lesão tumoral propriamente dita.
As alterações genéticas que determinam a transformação do epitélio da camada mucosa em adenoma colorretal não estão associadas aos genes APC e KRAS.
Os adenomas com displasia de alto grau não correspondem à lesão pTis no estadiamento TNM.
O envolvimento da via de sinalização WNT e o aumento da degradação de β-catenina são eventos tardios no desenvolvimento do adenoma colorretal.
Atualmente, o glioblastoma (IDH de tipo selvagem) corresponde a uma gliomas com diferenciação astrocítica que pode apresentar:
I. Áreas de necrose.
II. Proliferação microvascular.
III. Mutação do promotor TERT.
IV. Amplificação do gene EGFR.
Quais estão corretas?
Apenas I e IV.
Apenas II e III.
Apenas II e IV.
Apenas I, II e III.
I, II, III e IV.
A colangite esclerosante primária é uma doença colestática crônica, caracterizada por inflamação e fibrose progressiva com estenose e dilatações ductais. Um dos aspectos mais marcantes é a sua associação com outras doenças, como:
doença celíaca
colite ulcerativa
doença de Crohn
colangiocarcinoma
ductopenia idiopática
Em relação à pitiríase liquenoide e varioliforme aguda, assinale a alternativa INCORRETA.
A presença de inflamação perifolicular com exocitose e vários eosinofilos é frequente.
O diagnóstico diferencial pode incluir psoríase gutata e papulose linfomatoide.
A presença de necrose epidérmica, edema e vasculopatia linfocítica pode ser encontrada em alguns casos.
Ocorre com maior frequência em crianças, em geral sob a forma de pápula eritematosa coberta por crosta ou vesículas.
Histologicamente, identifica-se uma dermatite liquenoide de interface com exocitose de linfócitos e alteração vacuolar do estrato basal da epiderme.
Homem, 32 anos, com nódulo na face volar do dedo indicador há 10 meses, crescimento lento, medindo 1,5 cm. Lesão firme, bem delimitada. Na microscopia, observa-se lesão nodular bem circunscrita, composta por células fusiformes escassas, sem atipia, distribuídas em estroma de colágeno denso e hialinizado, com áreas hipocelulares alternando com áreas discretamente mais celulares. Presença de foco mixoide. Observam-se pequenas fendas e espaços alongados entre feixes colágenos. Mitoses raras. Ausência de necrose. O estudo imunohistoquímico foi negativo para ALK1, STAT6, desmina, S100, SOX10 e β-catenina.
O diagnóstico mais provável e o principal diagnóstico diferencial são:
fibroma da bainha do tendão e fasceíte nodular.
fasceíte nodular e fibroma da bainha do tendão.
tumor desmoide e tumor fibroso solitário.
schwannoma e neurofibroma.
fibroma da bainha do tendão e schwannoma.
Homem, 62 anos, submetido à ressecção de massa extra-axial dural na convexidade parietal. Ao microscópio observa-se neoplasia meningotelial com áreas de padrão meningotelial clássico e focos extensos de crescimento em lençóis. Há discreta hipercelularidade em algumas áreas. Não há padrão papilar ou rabdoide. Não há necrose geográfica evidente. A contagem mitótica foi realizada nas áreas mais ativas, com resultado de 5 mitoses por 10 campos de grande aumento (CGA).
Com base nos critérios atuais da OMS, assinale a afirmativa correta a respeito dos critérios diagnósticos para meningioma OMS grau 2.
O meningioma OMS grau 2 exige obrigatoriamente necrose tumoral extensa e índice mitótico ≥ 20 mitoses/10 CGA.
O meningioma OMS grau 2 pode ser diagnosticado por ≥ 4 mitoses/10 CGA, ou por invasão do parênquima cerebral, ou pela presença de pelo menos 3 critérios histológicos menores.
O meningioma OMS grau 2 só pode ser diagnosticado quando há invasão do parênquima cerebral associada a pelo menos 2 critérios histológicos menores.
O meningioma OMS grau 2 é definido por Ki-67 ≥ 10% e expressão difusa de EMA e SSTR2A, independentemente de mitoses ou morfologia.
O meningioma OMS grau 2 é definido exclusivamente por atipia citológica difusa, pleomorfismo marcado e necrose geográfica, mesmo com mitoses < 4/10 CGA.
Um homem de 52 anos apresenta dor óssea crônica em membros. A tomografia evidencia esclerose metafisária simétrica bilateral em ossos longos. Há também espessamento periaórtico e infiltração retroperitoneal.
Biópsia óssea mostrou infiltrado difuso por histiócitos espumosos (xantomatosos) em estroma fibroso, com células gigantes tipo Touton ocasionais, presença de infiltrado inflamatório linfoplasmocitário associado, ausência de necrose ou granulomas bem formados. O estudo imunohistoquímico mostrou positividade para CD68, CD163 e BRAF. Negatividade para S100, CD1a e CD207.
O diagnóstico mais provável é
histiocitose de células de Langerhans.
doença de Rosai-Dorfman.
doença de Erdheim-Chester.
xantogranuloma juvenil sistêmico.
sarcoidose óssea.
Homem, 41 anos, apresenta crises convulsivas há 6 meses. RM evidencia lesão cortical-subcortical frontal, infiltrativa, com calcificações e discreta captação heterogênea. Foi realizada biópsia.
Microscopia: neoplasia glial difusa com células monomórficas com halo perinuclear, rede capilar delicada em padrão “chicken-wire”, calcificações focais, ausência de necrose. O estudo Imunohistoquímico mostrou positividade para GFAP, OLIG2, ATRX e IDH1 R132H: positivo difuso. P53 com raras células positivas.
Estudo molecular: 1p/19q: codeleção detectada e TERT promotor: mutação detectada.
Com base nos critérios atuais da OMS para o diagnóstico de oligodendroglioma, assinale a afirmativa correta.
O diagnóstico de oligodendroglioma pode ser firmado apenas por morfologia típica (“ovo frito” e chicken-wire), mesmo na ausência de confirmação molecular.
O diagnóstico exige obrigatoriamente a presença de mutação no promotor de TERT e ausência de expressão de GFAP.
O diagnóstico de oligodendroglioma requer obrigatoriamente mutação em IDH e codeleção completa de 1p/19q, independentemente da morfologia.
A presença de ATRX preservado e p53 selvagem exclui o diagnóstico de oligodendroglioma e favorece fortemente astrocitoma difuso.
A positividade para IDH1 R132H, por si só, define oligodendroglioma, mesmo que 1p/19q seja intacto.
Um homem de 58 anos, tabagista crônico, apresenta tosse persistente, hemoptise e emagrecimento. A broncoscopia revela massa endobrônquica, e a biópsia mostra células indiferenciadas com alta taxa mitótica. Considerando os conceitos de neoplasia, assinale a alternativa CORRETA:
Trata-se de uma lesão inflamatória crônica, sem capacidade de invasão, cujo crescimento depende da persistência do estímulo irritativo.
Trata-se de uma hiperplasia reativa, com crescimento regulado e reversível após cessação do tabagismo.
Trata-se de uma metaplasia epitelial, sem risco de transformação maligna.
Trata-se de uma degeneração senil, sem relação com mutações genéticas.
Trata-se de uma neoplasia maligna, com crescimento autônomo, invasão local e potencial metastático.
Uma paciente com infecção urinária recorrente realiza urocultura, que mostra crescimento de E. coli resistente a ciprofloxacino. Com base no exame, assinale a alternativa CORRETA:
A cultura bacteriana avalia apenas vírus, sem relação com bactérias.
A cultura bacteriana permite crescimento em meio específico, identificação da espécie e realização de antibiograma, orientando escolha terapêutica.
A cultura bacteriana é restrita a protozoários, sem aplicação em infecções urinárias.
A cultura bacteriana mede apenas glicose sanguínea.
A cultura bacteriana avalia apenas células epiteliais.
Um paciente com derrame pleural realiza citologia do líquido, que mostra células malignas compatíveis com adenocarcinoma. De acordo com essa técnica, assinale CORRETAMENTE:
A citologia não ginecológica avalia apenas sangue periférico.
A citologia não ginecológica é restrita a doenças hepáticas.
A citologia não ginecológica não permite identificar células neoplásicas em líquidos corporais, como pleural, peritoneal e urinário.
A citologia não ginecológica é restrita a células musculares.
A citologia não ginecológica permite identificar células neoplásicas em líquidos corporais, como pleural, peritoneal e urinário, sendo essencial para diagnóstico de metástases.
Paciente com adenocarcinoma colorretal é submetido a NGS para avaliação de mutações em KRAS e NRAS. Sobre essa técnica, assinale a alternativa CORRETA:
Avalia apenas glicemia, sem relação com mutações genéticas.
É restrita a tecidos musculares, sem aplicação em tumores epiteliais.
É utilizada apenas em necropsias, sem aplicação em pacientes vivos.
Permite análise simultânea de múltiplos genes, identificando mutações relevantes para terapias alvo, sendo essencial em oncologia personalizada.
É restrita a proteínas plasmáticas, sem análise de DNA.
Uma paciente de 72 anos, imobilizada após fratura de quadril, desenvolve dispneia súbita e dor torácica. A angiotomografia mostra trombo em artéria pulmonar. De acordo com os mecanismos envolvidos, assinale CORRETAMENTE:
O evento resulta de lesão endotelial isolada, sem participação de estase ou hipercoagulabilidade.
O evento resulta apenas de trauma mecânico, sem relação com fatores sistêmicos.
O evento resulta de embolia gasosa, típica de mergulhadores.
O evento resulta da tríade de Virchow, com estase venosa pela imobilização, hipercoagulabilidade pela idade e risco aumentado de trombose venosa profunda.
O evento resulta de degeneração vascular senil, sem formação de coágulo.
Paciente com suspeita de amiloidose é submetido a coloração com vermelho Congo. Com base no método, assinale CORRETAMENTE:
Permite identificar depósitos de amiloide, que exibem birrefringência verde sob luz polarizada, sendo diagnóstico da condição.
Avalia apenas glicemia, sem relação com depósitos proteicos.
É restrita a tecidos musculares, sem aplicação em órgãos sólidos.
É utilizada apenas em necropsias, sem aplicação em biópsias.
Avalia apenas proteínas plasmáticas, sem relação com tecidos.
Um paciente apresenta linfoma não Hodgkin, e a imunohistoquímica é solicitada. Conforme sua aplicação é CORRETO afirmar que:
A imunohistoquímica utiliza anticorpos específicos para identificar antígenos celulares, permitindo classificação de neoplasias e diferenciação entre tumores de origem epitelial, mesenquimal ou hematológica.
A imunohistoquímica avalia apenas glicemia, sem relação com neoplasias.
A imunohistoquímica é restrita a tecidos musculares.
A imunohistoquímica é utilizada apenas em necropsias, sem aplicação em biópsias.
A imunohistoquímica é restrita a doenças infecciosas, sem aplicação em tumores.
Um paciente de 40 anos apresenta fadiga e palidez. O hemograma mostra hemoglobina 9 g/dL, VCM 72 fL, ferritina baixa e leucócitos normais. Nesse contexto, a interpretação CORRETA do caso é:
Anemia megaloblástica, caracterizada por macrocitose e deficiência de vitamina B12.
Leucemia aguda, caracterizada por leucocitose e blastos circulantes.
Anemia ferropriva, caracterizada por microcitose e hipocromia, confirmada pela ferritina baixa.
Anemia hemolítica, caracterizada por reticulocitose e bilirrubina elevada.
Trombocitopenia isolada, sem relação com hemoglobina.
A questão do tempo de sobrevivência da vítima após a agressão que evolui para seu óbito sempre foi, e ainda é, um grande desafio à Medicina Legal. Conhecer se a morte foi fulminante ou com agonia interessa muito ao legista.
Os métodos principais que nossa doutrina aponta para essa determinação são as docimasias
suprarrenal e cardíaca
hepática e suprarrenal
hepática e neuromuscular
cardíaca e ocular
medular e pulmonar