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Os conceitos de morte violenta e de morte natural não costumam gerar dúvidas para os especialistas e até mesmo para os leigos. Contudo, a morte considerada suspeita, habitualmente, gera sérios questionamentos, especialmente nas emergências hospitalares.
Sobre a morte suspeita, na doutrina da Medicina Legal, é correto afirmar que
podemos dizer que toda morte que ocorre em via pública ou em casa é uma morte suspeita, independente de existirem antecedentes patológicos ou informações hospitalares da vítima.
é aquela que ocorre sem qualquer justificativa ou de forma duvidosa, e para a qual não se tem uma evidência de ter sido ela de causa violenta ou por antecedentes patológicos não conhecidos ou evidentes.
nas mortes que ocorrem em emergência hospitalares, os médicos clínicos estão corretos em não emitir a declaração de óbito, mesmo se a causa é evolução de doença terminal, por ser considerada a priori suspeita.
no conceito de morte suspeita, as circunstâncias e elementos do local do encontro do corpo pouco importam, já que sua definição se prende à incerteza quanto à causa médica da morte e não à causa jurídica.
alguns achados médico-laboratoriais no estudo da vítima, facilmente excluem a possibilidade de uma morte de interesse da justiça (morte violenta), como por exemplo: necrose tubular renal aguda e hepatite fulminante.
Os fenômenos cadavéricos devem ser analisados para o estabelecimento do diagnóstico da morte, tempo decorrido de sua ocorrência e aspectos causais da morte, dentre outros motivos médico-jurídicos.
Sobre a cronotanatognose, é correto afirmar que
corpo ainda flácido e quente, não se observando livores nas regiões declives do corpo, menos de 6 hs de morte.
rigidez generalizada, mancha verde abdominal incipiente, desaparecimento de artérias no fundo de olho, de 16 a 24 hs.
livores bem evidentes, rigidez de membros superiores, nuca e mandíbula, anel isquêmico no fundo de olho, 10 a 15 hs.
mancha verde abdominal evidente, flacidez completa, fundo de olho ainda reconhecível, acima de 96 hs.
início dos livores de hipóstase, rigidez só de membros inferiores, sem mancha verde abdominal, de 12 a 20 hs
As lesões por projéteis de alta energia, provenientes de armas de fogo usadas nas guerras (fuzis, metralhadoras etc.), tornaram-se comuns em nosso meio, devido à violência relacionada ao tráfico de drogas, dentre outras.
São considerados projéteis de alta energia aqueles com velocidade a partir de
100 m/s
300 m/s
450 m/s
600 m/s
1200 m/s
Embora não seja definidor do diagnóstico de gestação pretérita, o fenômeno de Arias-Stella, é um indício útil na perícia maternofetal em casos de aborto.
Tal fenômeno morfológico endometrial é corretamente descrito como
aumento e eosinofilia do citoplasma das células do estroma endometrial, associado ao aumento de granulócitos endometriais entre as arteríolas.
proliferação exagerada das artérias espiraladas endometriais, com irregularidade no calibre destas, além de angulações e bifurcações frequentes.
penetração e infiltração do endométrio pelas células do cito e sinciciotrofoblasto da massa embrionária que nidou, podendo atingir o miométrio.
transformação da mucosa endometrial em membrana corioamniótica, tanto no cório liso como no cório frondoso, por metaplasia epitelial e mesenquimal.
proliferação epitelial glandular, com aspecto serrilhado, exibindo células com núcleos volumosos, e hipercromáticos que se projetam para a luz.
Nas lesões de entrada de projéteis de arma de fogo curtas de alma raiada, encontramos com frequência, orlas em torno do orifício de penetração do projetil.
Acerca dessas orlas, está correto afirmar que
habitualmente, a orla de enxugo é mais externa que a de escoriação, nas entradas perpendiculares à pele, mas não, necessariamente, nos oblíquos.
nos tiros oblíquos a curta distância, as orlas de enxugo e de escoriação se mostram maiores no sentido de onde provém o projétil, mas, na de tatuagem, ocorre o inverso.
a orla de enxugo, tipicamente, é exclusiva das lesões de entrada, o que também ocorre com as orlas de equimose e de escoriação.
a famosa “lesão em boca de mina de Hofmann”, ocorre sempre que o tiro é efetuado com boca da arma encostada na pele, seja no crânio, seja em partes moles como abdome.
as orlas de queimadura, tatuagem, e de esfumaçamento são típicas dos tiros disparados a curta distância e, as duas últimas, normalmente, saem com a lavagem da lesão.
O líquen simples crônico caracteriza-se por:
I. Presença de pápulas e placas pruriginosas e escoriadas.
II. Hiperortoqueratose e hipergranulose.
III. Acantose irregular e fibrose na derme papilar.
IV. Infiltrado inflamatório perivascular com leve ectasia vascular.
V. Múltiplas lesões pruriginosas não contínuas, predominantemente encontradas em homens entre 50 e 65 anos.
Quais estão corretas?
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas II e IV.
Apenas I, II, III e IV.
I, II, III, IV e V.
Sobre os tumores neuroendócrinos somatotróficos de hipófise, analise as assertivas abaixo:
I. Correspondem a neoplasias bem diferenciadas de linhagem PIT1 positiva.
II. Apresentam os subtipos densamente granulado e esparsamente granulado.
III. Quando associados à acromegalia, apresentam nível sérico elevado de IGF1.
IV. Os de subtipo densamente granulado são constituídos por células com escasso citoplasma acidófilo e discreta e focal imunoexpressão perinuclear para CAM5.2.
Quais estão corretas?
Apenas I e IV.
Apenas II e III.
Apenas I, II e III.
Apenas II, III e IV.
I, II, III e IV.
Um determinado paciente apresenta um tumor ósseo formado por capa de cartilagem madura, assentada sobre tecido ósseo trabecular que se projeta a partir do tecido ósseo subjacente. Nesse contexto, pode-se afi rmar que trata-se de um tumor do tipo:
condroma
osteocondroma
condroblastoma
condrossarcoma
fi broma condromixoide
O diagnóstico diferencial entre bócio nodular e adenoma, na maioria dos casos, não é difícil. Contudo, deve-se atentar para as características morfológicas de ambos, pois, em geral, o bócio nodular apresenta:
estrutura microscópica variável
nódulo completamente encapsulado
nódulo geralmente de forma solitária
compressão do tecido granular adjacente
padrão de crescimento diferente do tecido tireoidiano vizinho
Considerando os critérios de Cairo-Bishop para síndrome de lise tumoral, assinale a opção que contempla, além da hiperuricemia, as alterações laboratoriais de eletrólitos esperadas nessa patologia.
hipercalemia, hiperfosfatemia, hipercalcemia.
hipercalemia, hipofosfatemia, hipercalcemia.
hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia.
hipocalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia.
hipocalemia, hipofosfatemia, hipercalcemia.
A imunohistoquímica para p16 é utilizada na prática como marcador substituto de infecção por papilomavírus humano de alto risco em carcinomas escamosos.
Considerando os diferentes sítios anatômicos, assinale a afirmativa correta.
A positividade difusa e forte para p16 é marcador substituto validado para carcinoma escamoso relacionado ao papilomavírus humano na cavidade oral (língua móvel e assoalho) e na laringe.
Em carcinomas escamosos anogenitais, o p16 nunca é útil, pois sua expressão é sempre inespecífica.
O p16 é marcador substituto validado para carcinoma escamoso relacionado ao papilomavírus humano em qualquer localização do trato aerodigestivo superior, desde que haja positividade focal.
O p16 é marcador substituto para carcinoma escamoso relacionado ao papilomavírus humano exclusivamente no colo do útero, não tendo utilidade em tumores de cabeça e pescoço.
O p16 é marcador substituto validado para carcinoma escamoso relacionado ao papilomavírus humano principalmente na orofaringe (tonsila e base de língua), sendo necessário padrão difuso e forte para interpretação.
Paciente de 55 anos, sexo feminino, é submetida a colonoscopia por história familiar de câncer colorretal. O exame evidencia múltiplos pólipos serrilhados, predominantemente sésseis, distribuídos ao longo do cólon, com predomínio no cólon direito, alguns com mais de 1 cm. A histologia mostra serrilhamento envolvendo toda a extensão das criptas, com dilatação basal.
Com base nos achados descritos, assinale a afirmativa correta.
O quadro é compatível com pólipos hiperplásicos múltiplos, geralmente limitados ao reto e sigmoide, sem impacto no risco de câncer colorretal.
Trata-se de polipose adenomatosa familiar, associada a mutação germinativa do gene APC e progressão pela via adenoma–carcinoma.
O quadro é compatível com síndrome da polipose serrilhada, associada a risco aumentado de câncer colorretal e relacionada à via serrilhada de carcinogênese.
A presença de múltiplos pólipos serrilhados, na ausência de displasia, exclui potencial de transformação maligna.
O padrão descrito caracteriza polipose inflamatória secundária à doença inflamatória intestinal.
Homem, 46 anos, nódulo encapsulado na tireoide (3,2 cm). Microscopia mostra neoplasia folicular encapsulada, com arquitetura predominantemente microfolicular e macrofolicular. Núcleos mostram discreta sobreposição, alongamento, irregularidade de contorno, fendas nucleares mais evidentes na periferia do nódulo. Não há necrose. Mitoses raras (< 1/2 mm²). Papilas verdadeiras ausentes.
O exame histológico mostra um foco de tumor atravessando toda a espessura da cápsula, com continuidade para o tecido adjacente. O diagnóstico mais apropriado é
NIFTP (neoplasia folicular não invasiva com características nucleares de carcinoma papilífero).
carcinoma folicular minimamente invasivo.
carcinoma papilífero variante folicular infiltrativa.
carcinoma papilífero variante folicular encapsulado invasivo
carcinoma pouco diferenciado da tireoide.
Paciente do sexo feminino, 28 anos, com exantema malar (lesão em asa de borboleta) e fotossensibilidade. O diagnóstico clínico foi de lúpus eritematoso cutâneo.
O padrão morfológico mais encontrado nesse contexto é
dermatite espongiótica com vesiculação intraepidérmica, exocitose linfocitária e paraceratose focal.
dermatite psoriasiforme com alongamento regular das cristas epidérmicas, adelgaçamento suprapapilar e microabscessos de Munro.
dermatite de interface vacuolar com degeneração hidrópica da camada basal, infiltrado linfocitário perivascular e perianexial e espessamento da membrana basal.
dermatite bolhosa subepidérmica rica em eosinófilos, sem alteração significativa da camada basal.
dermatite granulomatosa intersticial com histiócitos epitelioides e células gigantes multinucleadas.
O quadro morfológico clivagem intraepidérmica alta (subcórnea) com células acantolíticas é característico de
penfigoide bolhoso.
pênfigo foliáceo.
pênfigo vulgar.
doença de Darier.
dermatite herpetiforme.
Homem, 62 anos, com massa de crescimento lento na parótida há 18 meses, recentemente com piora e dor local. A ressecção mostra neoplasia infiltrativa composta por células epiteliais e mioepiteliais formando estruturas tubulares e cribriformes, com áreas sólidas de células basalioides. Observa-se invasão perineural proeminente. Na imunohistoquímica, as células ductais são positivas para pancitoqueratinas, enquanto as células mioepiteliais são positivas para p63 e actina de músculo liso.
O diagnóstico mais provável é
carcinoma secretor.
carcinoma mucoepidermoide de alto grau.
carcinoma de células acinares.
carcinoma adenoide cístico.
carcinoma ex-adenoma pleomórfico.
O seguinte parâmetro apresenta maior acurácia para diferenciar radionecrose de recidiva tumoral:
volume sanguíneo cerebral relativo (rCBV).
tempo médio de trânsito (MTT).
volume extracelular (Ve).
permeabilidade capilar (Ktrans).
fluxo sanguíneo cerebral (CBF).
Em peça de ressecção pulmonar, há nódulo periférico único de 2,8 cm, totalmente incluído. A histologia mostra padrão predominantemente lepídico, com um foco único de invasão estromal medindo 6 mm.
Em outro caso, há extensos lagos de mucina extracelular distendendo espaços alveolares, com destruição de septos e apagamento do parênquima.
Em um terceiro caso, o tumor mostra em pelo menos 50% da área morfologia semelhante a adenocarcinoma colorretal, com positividade para CDX2, e investigação clínica sem neoplasia primária gastrointestinal.
Assinale a opção que apresenta descrições corretas para os três casos.
1º adenocarcinoma minimamente invasivo; 2º adenocarcinoma mucinoso invasivo; 3º adenocarcinoma fetal.
1º adenocarcinoma invasivo com padrão predominantemente lepídico; 2º adenocarcinoma coloide; 3º adenocarcinoma entérico.
1º adenocarcinoma in situ; 2º adenocarcinoma coloide; 3º metástase de adenocarcinoma colorretal.
1º adenocarcinoma minimamente invasivo; 2º adenocarcinoma coloide; 3º adenocarcinoma entérico.
1º adenocarcinoma invasivo com padrão predominantemente lepídico; 2º adenocarcinoma mucinoso invasivo; 3º adenocarcinoma entérico.
Mulher de 52 anos, sem hepatopatia crônica conhecida, é submetida à ressecção de um nódulo hepático sólido de 4,2 cm descoberto incidentalmente. A macroscopia mostra lesão bem delimitada, amolecida, com áreas focais de hemorragia.
Histologicamente, observa-se proliferação de hepatócitos benignos dispostos em placas de 1–2 células de espessura, com atipia citológica discreta, pseudoglândulas ocasionais, vasos anômalos e reticulina focalmente rarefeita, sem critérios inequívocos de CHC.
Imuno-histoquímica:
• Glutamina sintetase (GS): difusa homogênea
• β-catenina: nuclear ausente
• CD34: difuso no tumor
Estudo molecular revela mutação ativadora do CTNNB1 em éxon 3 (não S45).
Com base nos achados, assinale a afirmativa correta.
O quadro corresponde a adenoma hepatocelular β-catenina ativado, com alto risco de transformação maligna, mesmo na ausência de β-catenina nuclear evidente.
Trata-se de adenoma hepatocelular associado à inativação do HNF1A, caracterizado por perda de L-FABP.
Os achados definem carcinoma hepatocelular bem diferenciado, sendo a preservação parcial da reticulina critério suficiente para o diagnóstico.
A ausência de expressão nuclear de β-catenina deve excluir ativação da via WNT e afasta risco oncológico significativo.
O diagnóstico é adenoma hepatocelular inflamatório, com baixo risco de transformação maligna.
Em relação à conduta de Colectomia realizada por suspeita de adenocarcinoma, é CORRETO afirmar que:
Deve restringir-se apenas à descrição da mucosa normal.
Deve ser feita apenas após exame microscópico.
Deve incluir descrição da localização, tamanho, aspecto da lesão, relação com margens e estruturas adjacentes, além de coleta de linfonodos mesocólicos.
Deve excluir análise de linfonodos.
Deve ser realizada apenas pelo cirurgião.