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Para Sigmund Freud a neurose ocorria como resultado de um conflito entre o Ego e o Id, ou seja, entre aquilo que o indivíduo é (ou foi) de fato, com aquilo que ele desejaria prazerosamente ser (ou ter sido), ao passo que a psicose seria a concretização de um distúrbio entre o Ego e o Mundo. Segundo a psicanálise, a maioria das pessoas é afetada pela neurose de alguma forma, fazendo surgir um problema psicológico que começa a interferir com o funcionamento normal do indivíduo, causando ansiedade, ou então, com perturbações do sistema nervoso, sem lesão anatômica apreciável. De acordo com S. Freud, elas podem ser subdivididas em:
neurose de guerra e psicose
neurose atual e psiconeurose
neurose antiga e neurose atual
neurose narcótica e neurose epilética
Com base nas contribuições psicanalíticas sobre as estruturas psíquicas do sujeito, julgue os itens a seguir e assinale a alternativa CORRETA:
Sobre o Complexo de Édipo, o que difere a organização da estrutura psíquica entre neurose e perversão é que a neurose é marcada pela negação do Édipo e a perversão pelo recalque.
O sujeito inserido na estrutura clínica da neurose aceita a castração se submetendo a ela, mas desenvolve uma nostalgia sintomática diante da perda sofrida.
Freud afirma que a perversão tem suas raízes na angústia de castração e, com isso, mobiliza permanentes mecanismos defensivos para contorná-la: a fixação; a introjeção e a projeção.
A entrada do sujeito neurótico no mundo do simbólico se dá através da fixação no outro pólo da fantasia, no pólo pulsional, no pólo de gozo. Ele tem uma fantasia de completude de gozo.
O ser humano vive uma série infindável de frustrações e conflitos que geram ansiedade. Para fugir à ansiedade são criados pelo Ego uma série de mecanismos de defesa. Considerado o exposto, relacione os mecanismos de defesa e os sintomas característicos, numerando a segunda coluna de acordo com a primeira:
1, 2, 4, 3.
2, 1, 3, 4.
4, 3, 1, 2.
2, 1, 4, 3.
1, 2, 3, 4.
Assinale a opção INCORRETA.
Freud denomina a sexualidade das crianças de perverso-polimorfa, por se afastar do modelo genital de relação sexual, procurando formas de prazer derivadas de qualquer área ou órgão do corpo. O hetero-erotismo infantil é destacado justamente pelo fato de que, na infância, a sexualidade é hetero-erótica, sendo o corpo da criança o único meio de obter gratificação em circunstâncias normais.
Para Freud e para os psicanalistas em geral, o corpo, além de sua dimensão biológica, é um corpo simbólico. Simbólico no sentido de que a imagem que cada um tem de si é construída na relação com os adultos que ocupam a função de pais. O narcisismo primário postulado por Freud (1914/1976c) é instituído através do investimento narcísico parental que antecipa um sujeito e um lugar para o bebê antes mesmo de seu nascimento. Ou seja, Freud inverte a lógica do narcisismo enquanto amor a si mesmo, sugerindo que é necessário um investimento do outro para que haja um investimento no eu.
Na primeira infância, o olhar e a voz são elementos privilegiados na organização do psiquismo infantil. O olhar, por ter esta dimensão de unificar o corpo do bebê, humanizando-o; a voz, por ser um referencial simbólico que dá à criança um lugar e inicia uma narrativa que mais tarde a criança vai resgatar e modificar. Assim, na fase oral, a boca se constitui não somente em um órgão privilegiado de satisfação, mas principalmente em um tipo de relação entre o bebê e a mãe. Ao mamar, o bebê se nutre do leite para satisfazer uma necessidade orgânica, mas principalmente para se alimentar do olhar, da voz, do amor da mãe. Por ser um momento muito precoce da vida do bebê, a forma de relação estabelecida com a mãe é uma forma de incorporação, já que o bebê se "nutre" dela.
Nas últimas décadas, as pesquisas sobre a primeira infância ressaltaram a dimensão subjetiva do bebê, ou seja, sua procura ativa por interagir com o meio desde o nascimento. Autores como Stern e Cyrulnik indicam que o bebê possui, desde o nascimento, competências e capacidades que lhe permitem uma intensa forma de comunicação não-verbal intensa, que procura discriminar experiências a partir de um sistema de percepções e sensações vivenciadas em seu mundo relacional.
A concepção clássica de instinto tem como modelo um comportamento que se caracteriza por sua finalidade fixa e pré-formada, com um objeto e objetivo determinados, enquanto a noção freudiana de sexualidade defende a ideia de que a sexualidade humana não é instintiva, pois o homem busca o prazer e a satisfação através de diversas modalidades, baseadas em sua história individual e ultrapassando as necessidades fisiológicas fundamentais. Assim, se a sexualidade se inicia com a anatomia (no nascimento), sua conquista depende de um longo percurso durante a construção da subjetividade da criança.
Em Para Introdução do Narcisismo (1914), Freud designa um estado hipotético da libido infantil na qual a criança toma a si mesma como objeto de amor antes de escolha de objetos exteriores.
Esse estado hipotético é chamado de
narcisismo primário.
narcisismo secundário.
ego-realidade.
ideal de ego.
id.
O mecanismo de defesa no qual o indivíduo dirige sentimentos ou impulsos mal-adaptativos potenciais para comportamentos socialmente aceitos é denominado de:
Formação reativa.
Negação.
Sublimação.
Repressão.
Freud inaugurou uma perspectiva sobre a sexualidade infantil irredutível à dimensão cronológica presente na maioria das teorias evolucionistas sobre a criança. Segundo o pai da psicanálise, o caráter infantil da sexualidade comparece na vida adulta. Em sua origem, a sexualidade infantil está submetida à atuação das pulsões parciais, ligada à diversidade das zonas erógenas, cuja disposição é descrita como:
perverso-polimorfa;
narcisismo;
fase oral;
fantasia primitiva;
relação de objeto.
Desde os primeiros escritos, Freud procurou fazer a distinção entre psicose e neurose, cujo esforço é fundamental não somente para a direção do tratamento, assim como para a observação de certos fenômenos psíquicos. Sobre a psicopatologia psicanalítica, analise as afirmativas a seguir:
I. Apesar de remeter a aspectos psicológicos mais gerais e dotados de normalidade, a projeção predomina nos mecanismos alucinatórios e interpretativos das psicoses.
II. Enquanto na neurose a libido reflui para o Eu, na psicose o investimento de objeto persiste no sistema inconsciente.
III. No quadro da segunda tópica do aparelho psíquico, enquanto na neurose o ego recalca as reinvindicações pulsionais, na psicose há uma ruptura entre a realidade e o ego, deixando esse último sob domínio do Id.
Está correto somente o que se afirma em:
I;
II;
III;
I e II;
I e III.
No texto “Recordar, repetir e elaborar”, Freud (1970) menciona que “o início do tratamento em si ocasiona uma mudança na atitude consciente do paciente para com sua doença. Ele, habitualmente, se contentava em lamentála, desprezá-la como absurda e subestimar sua importância; quanto ao resto, estendeu às manifestações dela a política de avestruz de repressão que adotara em relação às suas origens. Assim, pode acontecer que não saiba corretamente em que condições sua fobia se manifesta, não escute o fraseado preciso de suas ideias obsessivas ou não apreenda o intuito real de seu impulso obsessivo. O tratamento, naturalmente, não é auxiliado por isto”. Com base nesse fragmento de texto, o início do tratamento seria auxiliado na verdade
por meio da revelação das resistências feita pelo analista ao paciente, evidenciando a compulsão que ele possui acerca dos sintomas da têmpera de sua personalidade explicitada numa doença artificial que o habilita a estar doente.
pelo manejo da transferência, instrumento principal para reprimir a compulsão do paciente à repetição, transformando-a em um motivo para recordar os fenômenos de sua moléstia, podendo assim, ser curado pelo trabalho terapêutico.
por meio da instrução ao paciente a nova atitude em relação à doença, evitando intensificar os conflitos e pôr em evidência sintomas até os momentos nebulosos, com vistas a consolar o paciente diante de agravamentos necessários e explicitados pela repetição.
pelo emprego da interpretação para identificar as resistências evidenciadas em inibições, atitudes inúteis, traços patológicos de caráter e sintomas, tornando-as conscientes ao paciente de modo que sua enfermidade se faça desprezível, fornecendo-lhe uma nova tônica psíquica.
Em “As neuropsicoses de defesa”, Freud (1976) estabelece que, EXCETO:
Após o estudo detalhado de inúmeros pacientes que sofriam de fobias e obsessões, Freud obteve êxito em chegar à origem das idéias patológicas.
Simultaneamente a essa teoria psicológica das fobias e obsessões, as suas observações permitiramlhe realizar uma contribuição à teoria da Histeria
Na histeria, a idéia incompatível é tornada inócua pela transformação da soma de excitação em alguma coisa somática.
Freud verificou que o fator característico da histeria era a divisão da consciência.
Segundo Freud, “tem saúde mental quem é capaz para o amor e o trabalho”. Trabalhar é meio de prover sustento para o corpo e para a alma. É no trabalho que fiamos um longo tempo, desenvolvemos nossa identidade, experimentamos situações, construímos e desconstruímos relações, realizamos nosso espírito criativo e inovador. E é também no trabalho que adoecemos. Dessa forma, um dos instrumentos de atuação do psicólogo na interface saúde/ trabalho e nas ações de promoção da saúde, capaz de medir as dimensões referentes à gestão, à organização e às relações interpessoais no trabalho, diz respeito à aplicação de
abordagens de coaching e feedback no trabalho.
pesquisas de climas institucionais e de fatores psicossociais do trabalho.
atividades de orientação de carreira para os indivíduos estarem alocados de acordo com sua identidade profissional aliada com sua satisfação na execução das tarefas.
processos ligados à reengenharia organizacional dos planos de benefícios e incentivos.
pesquisas pontuais de APO (Administração por Objetivos) com os gestores para definir planos, metas e programas de qualidade de vida para seus subordinados.
A acumulação compulsiva é um transtorno emocional com fortíssima repercussão comportamental e cognitiva, caracterizado por recolhimento excessivo e incapacidade para descartar coisas, geralmente sem utilidade. O comportamento de acumulação compulsiva geralmente causa, para a pessoa que sofre da doença e para membros da família, prejuízo emocional, social, financeiro, físico e até mesmo legal.
A acumulação compulsiva é um transtorno pouco explorado pelas pesquisas científicas, e ainda não há critérios estabelecidos para um diagnóstico diferencial dessa patologia psíquica.
Do ponto de vista da psicanálise freudiana, porém, comportamentos acumuladores ou colecionistas costumam ser explicados como uma fixação na fase:
oral;
anal;
fálica;
de latência;
genital.
Sandor Ferenczi inventou uma técnica que formulava injunções e proibições a respeito de certos comportamentos repetitivos do analisando, quando proporcionavam satisfações que impediriam a rememoração e o progresso do tratamento.
Tal procedimento era chamado
técnica ativa.
associação livre.
acting-out.
ato analítico.
corte significante.
Pierre Legendre é um autor de inegável importância nas discussões entre o direito e a psicanálise. Para o autor, a humanidade vive e se reproduz dando sentido ao face a face entre pais e filhos, de acordo com a estrutura do interdito e as modalidades jurídicas. Donde a importância das categorias genealógicas de filiação, sem as quais não é possível sequer a reprodução da vida humana. As categorias de filiação e, portanto, de reprodução são garantidas pelo poder genealógico que emana:
do totem e tabu;
do Pai primitivo;
do Estado;
da sociedade disciplinar;
do complexo de Édipo.
Freud destacou desde cedo um fenômeno que surgia no tratamento psicanalítico como sendo uma resistência ao trabalho de rememoração do material recalcado. Mas, posteriormente, passou a considerá-lo como força motriz para a direção da cura. Tal fenômeno consistia na repetição atualizada de protótipos infantis que interrompia o fluxo associativo do paciente, sendo chamado por Freud de:
projeção;
transferência;
idealização;
imaginação;
acting-out.
Apesar de não ter escrito especificamente sobre a aprendizagem, Freud se preocupava com os determinantes psíquicos que levam à busca do saber, como diz Kupfer. Essa autora também diz que, na perspectiva analítica, refletir sobre o processo de aprendizagem é tentar responder a uma questão essencial sobre o que se busca quando se quer aprender algo e que, enquanto a criança elabora teorias sobre a sexualidade para tentar se entender, também elabora respostas para tentar explicar como vê o mundo. Nessa perspectiva analítica, o complexo de Édipo propicia uma forma de organização psíquica que é condicionante para a aprendizagem da escrita e da leitura e, também, para a aquisição da noção de número e das operações matemáticas. Essa forma de organização psíquica diz respeito ao pensamento:
pré-operatório
lógico-operatório
equilibrativo
acomodativo
operatório concreto
Fonseca, baseada em Freud, mostra que o desejo de saber sobre a sexualidade possibilita a investigação da criança. Esclarece que existem três destinos para a investigação sobre a sexualidade. Aquele que limita o desejo de saber, a curiosidade e a liberdade da atividade intelectual denomina-se:
sublimação
compulsão pelo saber
inibição neurótica
recalque
conversão histérica
Segundo Fonseca, há muitos anos o fracasso escolar apresenta-se como um dos problemas mais graves na realidade educacional brasileira. É frequente sua origem ser atribuída à realidade socioeconômica da criança e também a disfunções neurológicas. Diferentemente, na ótica da psicanálise, o sujeito está subordinado ao inconsciente, logo as causas do seu não saber são desconhecidas até por ele mesmo e o fracasso aparece como sintoma. Alguns psicanalistas mostram a influência dos pais nesse processo e outros o entendem como uma defesa do aparelho psíquico. Segundo esses últimos, dois conceitos básicos da psicanálise possibilitam o entendimento do fracasso escolar. Um é o complexo de Édipo e o outro é:
o pré-consciente
a pulsão sexual
o superego
a repressão
a angústia de castração
Concentrar-se na maneira como as reações defensivas do ego determinam o comportamento do indivíduo é utilizar-se o campo da psicologia:
Das relações objetais.
Do inconsciente.
Dinâmica.
Do ego.
Antônio foi sentenciado pelo Juiz do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher a frequentar um grupo de reflexão, destinado a homens agressores. Durante a reunião, Antônio definiu-se como um homem calmo e religioso, mas admitiu bater às vezes na esposa, ressaltando que só o fazia porque ela o provocava por ciúmes.
No exemplo acima, é correto afirmar que o mecanismo de defesa utilizado é:
deslocamento;
projeção;
conversão;
transferência;
compensação.