Questões de Concurso sobre Estado Brasileiro

 
 
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Sobre o livro “Cultura brasileira e identidade nacional”, de Renato Ortiz, assinale a alternativa que NÃO exprime as ideias do autor:


A

O período entre 1964 e 1980 foi marcado por enorme repressão política e ideológica, o que acarretou considerável diminuição da produção, distribuição e consumo de bens culturais.


B

A ideologia do sincretismo exprime um universo isento de contradições, uma vez que a síntese oriunda do contato cultural transcende as divergências reais que porventura possam existir


C

A “memória coletiva” se diferencia da “memória nacional”. A primeira delas é da ordem da vivência, já a memória nacional se refere a uma história que transcende os sujeitos e não se concretiza imediatamente em seu cotidiano, vinculando-se ao domínio da ideologia.


D

Para o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) os intelectuais tinham um papel fundamental na elaboração e na concretização de uma ideologia do desenvolvimento, explicitando o processo de tomada de consciência, e, por conseguinte, viabilizando o projeto de transformação do país.


E

A distribuição e a criação dos produtos culturais reproduzem as contradições do próprio modelo capitalista brasileiro, que acentua a diferença entre as regiões e reforça a divisão do trabalho entre campo e cidade.

Considerando a discussão sobre cidadania e direitos sociais no Brasil, José Murilo de Carvalho cunha a expressão “estadania” em oposição à concepção de cidadania em seu sentido pleno. Nesse sentido, assinale a alternativa CORRETA:


A

Estadania significa o repertório das políticas públicas governamentais.


B

Estadania remete ao papel desempenhado pelos estados, excluindo os municípios e o distrito federal.


C

Estadania é parte da herança da metrópole portuguesa durante o período imperial.


D

Estadania é uma cultura orientada mais para o Estado do que para a representação política, fomentando o paternalismo e o clientelismo.


E

Estadania é o principal mecanismo de concessão de direitos sociais a partir da nova república.

Há, atualmente, novos arranjos institucionais em operação no governo federal brasileiro, definidos como o conjunto de regras, mecanismos e processos que determinam como se coordenam os atores e interesses na implementação de uma política específica. A respeito desses novos arranjos institucionais, assinale a alternativa correta.


A

Os novos arranjos têm tido sucesso em institucionalizar: práticas participativas, a dimensão territorial das políticas e mecanismos de formulação e implementação intersetoriais.


B

Os novos arranjos institucionais são voltados a introduzir, na gestão pública brasileira, os princípios do New Public Management.


C

A análise dos novos arranjos institucionais demonstra que tem havido uma homogeneidade nas políticas conduzidas pelo governo federal no Brasil, buscando reduzir a desigualdade entre municípios.


D

Há uma grande heterogeneidade nos novos arranjos institucionais, que tentam incorporar questões como intersetorialidade, participação social e relações federativas.


E

Os novos arranjos institucionais têm avançado em dimensões como aumento da eficiência e corte de custos das políticas públicas brasileiras.

Segundo a literatura especializada, o processo de consolidação da democracia no Brasil deve ser examinado à luz de características específicas derivadas dos legados histórico-culturais e político-institucionais prevalecentes no país. Um dos entraves ao pleno funcionamento da democracia no Brasil é a:


A

instabilidade dos mecanismos que mantêm a democracia formal funcionando.


B

existência de partidos fortes, mas com baixa permeabilidade aos interesses da sociedade.


C

expressiva desigualdade social, que se expressa no acesso à também desigual arena política decisória.


D

fragilidade das instituições e o caráter segmentado e poliárquico de representação de interesses.


E

fragmentação da sociedade civil aliada à centralidade do Poder Legislativo que determina a tomada de decisão no âmbito do Executivo.

“O processo de judicialização [da política] tem dois componentes: o primeiro deles e provavelmente o mais importante é a expansão do poder dos juízes em detrimento daquele dos políticos e administradores, e o segundo é a expansão de métodos jurídicos de decisão para além do domínio do Poder Judiciário. (...) A tradição brasileira anterior a 1988 é de fraca autonomia do Judiciário que, ao longo dos primeiros cem anos de República, diferentemente do caso norte-americano, não instituiu uma tradição de revisão dos atos do Executivo na tradição política brasileira até 1988 é o poder mais ativo, que atua sem um processo de equilíbrio das suas prerrogativas” (AVRITZER, Leonardo. Judicialização da política e equilíbrio de poderes no Brasil.)


Acerca da relação entre os poderes no Brasil a partir da vigência da Carta de 1988, pode-se dizer que:


A

o Poder Legislativo tornou-se hegemônico, impulsionado pelo fortalecimento da relação com o Poder Executivo;


B

o Poder Judiciário se viu cada vez mais enfraquecido em sua autonomia, impossibilitado formalmente de operar revisões constitucionais;


C

o Poder Judiciário se fortaleceu, como atesta o enfraquecimento do Congresso Nacional diante do STF;


D

o Poder Executivo continuou predominando, em que pese a mudança formal expressa na nova Constituição;


E

o Poder Legislativo reconquistou a autonomia, assim sobrepujando o Poder Executivo.

O patrimonialismo é uma característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado. Em qual período da nossa história o patrimonialismo foi mais marcante?


A

Estado novo.


B

Ditadura constituída a partir do golpe de 1964.


C

Governo Fernando Henrique Cardoso.


D

Período Colonial.


E

Governo Lula.

No Brasil, a modernidade veio deitar raízes em terreno já profundamente atravessado por ambiguidades. Eram dois os “brasis” que coexistiam no século XIX: o Brasil agrário, das casasgrandes e senzalas, onde nada parecia ameaçar a vontade senhorial, a dominação pelo privilégio e a lógica do favor; e o Brasil das cidades, de modas e imigrantes europeus, nas quais o progresso imprimia ao tempo aceleração vertiginosa. A independência fora costurada sob influência de ideias americanas e européias de diferentes colorações liberais, e a República veio aprofundar o alcance e a penetração deste ideário. Contudo, se por um lado a influência da ideologia burguesa era nítida, por outro o próprio sistema escravista bastava para desmentir um de seus pressupostos básicos, a racionalização produtiva. Havia, portanto, uma incompatibilidade claramente definida: em teoria, adotava-se a igualdade perante a lei, a liberdade trabalhista, a universalidade dos princípios; as práticas econômicas, entretanto, descortinavam outra realidade. Aqui, o sopro ideológico que animava a modernidade de nossos vizinhos ao Norte parecia ter serventia menos como motor e espelho de um sistema econômico do que para emprestar uma coloração moderna ao discurso das elites.


Neste cenário, tomou forma uma importante disputa sobre as matrizes políticas que deveriam moldar institucionalmente (e ideologicamente) a administração do Brasil e, por conseguinte, guiar-nos o desenvolvimento. Intelectuais e políticos como Paulino José Soares de Souza, o Visconde de Uruguai, Aureliano Cândido Tavares Bastos (deputado pelo Partido Liberal) e Oliveira Vianna, envolveram-se em tal debate, polarizado em torno das matrizes do:


A

Americanismo, que pregava a descentralização política, a fim de fortalecer a noção de indivíduo e as virtudes do associativismo, e a liberalização das atividades econômicas; e Iberismo, que reconhecia a centralização política como uma necessidade instrumental – o Estado defendendo a unidade territorial e os indivíduos frente ao poder dos caudilhos, a quem não interessava o acesso das massas aos direitos civis e políticos;


B

Brasilianismo, que fazia do reconhecimento da singularidade brasileira – nosso modelo de colonização agrário e escravocrata – a mola mestra do desenvolvimento econômico; e Bolivarianismo, que enfatizava a justiça social e união dos países latino-americanos contra a exploração das potências do Norte;


C

Iberismo, que reconhecia a centralização política como uma necessidade instrumental – o Estado defendendo a unidade territorial e os indivíduos frente ao poder dos caudilhos, a quem não interessava o acesso das massas aos direitos civis e políticos; e Brasilianismo, que fazia do reconhecimento da singularidade brasileira – nosso modelo de colonização agrário e escravocrata – a mola mestra do desenvolvimento econômico;


D

Americanismo, que pregava a descentralização política, a fim de fortalecer a noção de indivíduo e as virtudes do associativismo, e a liberalização das atividades econômicas; e Brasilianismo, que fazia do reconhecimento da singularidade brasileira – nosso modelo de colonização agrário e escravocrata – a mola mestra do desenvolvimento econômico;


E

Iberismo, que reconhecia a centralização política como uma necessidade instrumental – o Estado defendendo a unidade territorial e os indivíduos frente ao poder dos caudilhos, a quem não interessava o acesso das massas aos direitos civis e políticos; e Bolivarianismo, que enfatizava a justiça social e união dos países latino-americanos contra a exploração das potências do Norte.

A Constituição Federal de 1988, marco da transição política no Brasil, ignorou a chamada Lei da Anistia, de 1979, que criminalizava os crimes contra os direitos humanos cometidos por militares durante o período de 1964 a 1978.


C
Certo

E
Errado

A primeira Constituição brasileira — a Constituição Imperial, de 1842 —, além de concentrar muitos poderes nas mãos do imperador, caracterizou-se pelo silêncio com relação aos direitos humanos, que passaram a ser incluídos somente nas constituições posteriores.


C
Certo

E
Errado

A partir da promulgação da atual Constituição, o discurso em defesa da democracia participativa e do controle social sobre o Estado disseminou-se entre setores da sociedade civil e da administração pública.


C
Certo

E
Errado

No que se refere ao racismo no Brasil, assinale a opção correta.


A

Após os golpes de estado de 1964 e 1968, o mito da democracia racial continua a servir como ideal ou inspiração na sociedade brasileira.


B

A formulação de Gilberto Freire sobre o país constituir uma democracia social foi, historicamente, rejeitada no Brasil.


C

Para Florestan Fernandes, o racismo mascarado desempenhou importante papel na manutenção das desigualdades na sociedade brasileira.


D

A existência de mobilidade social e de abertura racial significa ausência de preconceitos e de discriminação, conforme Florestan Fernandes.


E

O racismo brasileiro deve ser lido como reação à igualdade legal entre cidadãos formais e informais que se instalou com o fim da escravidão.

O Estado-Novo (1937-1945) implantou um modelo corporativista estatal de regulação das relações de trabalho. No que se refere às relações entre sindicatos e Estado, são características desse modelo:


A

representação coletiva colegiada em setores industriais de interesse nacional, padrão distributivista de políticas sociais focadas em setores emergentes e política monetária de massificação do assalariamento no setor rural.


B

implantação da liberdade sindical, estrutural horizontal da representação coletiva por federações e confederações aglutinadas por categorias profissionais legalmente reconhecidas e remuneração compulsória das horas extras.


C

instituição do imposto sindical anual para a manutenção financeira dos sindicatos, monopólio do reconhecimento dos sindicatos patronais pelo Ministério do Trabalho e incentivo para a legitimidade para as ações diretas e para a mobilização grevista.


D

restrição do direito de greve por intervenção direta nos sindicatos patronais, implantação da liberdade sindical e controle estatal sobre as eleições dos representantes das cúpulas sindicais verticalizadas.


E

limitação da representação sindical por categoria ou setor econômico na mesma base territorial, necessidade de reconhecimento legal da personalidade jurídica dos sindicatos pelo Estado e mediação dos conflitos trabalhistas pela Justiça do Trabalho.

Muitos autores definem a lógica da política brasileira como sendo “uma expansão lenta do poder do Estado que aos poucos penetra na sociedade e engloba as classes via patrimonialismo, clientelismo, coronelismo, populismo e corporativismo”. Acerca desses elementos da política brasileira, marque a alternativa INCORRETA:


A

Fazem parte da dinâmica política e visam a perpetuação da elite no poder.


B

São formas de manter os privilégios que tanto fascinam a sociedade brasileira.


C

São formas de governo adotadas para buscar a estabilidade política.


D

Demonstram a existência local de estruturas oligárquicas e personalizadas de poder.


E

Representam o modelo hierarquizado da política brasileira.

É correto afirmar que a Revolução de 30 do século passado significou uma profunda mudança nas relações de poder na estrutura federativa brasileira.


C
Certo

E
Errado

Apesar de ser um dos níveis de exercício do poder público (nível local), guarda total autonomia em relação às instâncias superiores de poder (federal e estadual).


C
Certo

E
Errado

No entender desse estudioso, no Brasil é comum que o preconceito racial fique disfarçado sob a forma de preconceito de classe.


C
Certo

E
Errado

O preconceito racial no Brasil, para esse autor, tem uma carga afetiva de natureza intelectiva e estética e não de natureza emocional.


C
Certo

E
Errado

Nos anos 50 do século XX, a UNESCO patrocinou várias investigações sociológicas acerca das relações raciais no Brasil.


C
Certo

E
Errado

O preconceito racial no Brasil, segundo Oracy Nogueira, define o membro do grupo discriminado pelo fenótipo ou aparência racial.


C
Certo

E
Errado
   
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