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A prática de adquirir por transação financeira objetos etnográficos de grupos indígenas atuais para compor coleções etnográficas de museus é regulamentada no Brasil pelo(a):
I. Iphan.
II. Funai.
III. Iphan e Funai.
IV. Não é regulamentada.
V. Envolve negociação específica com os grupos envolvidos.
Somente o item IV está correto.
Somente os itens I, II e IV estão corretos.
Somente os itens I, III e V estão corretos.
Somente os itens III, IV e V estão corretos.
Somente os itens IV e V estão corretos.
Sobre manifestações culturais indígenas, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. As manifestações culturais dos povos indígenas não constituem parte da identidade do país.
II. As danças, modos de fazer, rituais e práticas artísticas indígenas são práticas culturais que não representam o patrimônio cultural brasileiro.
III. As manifestações culturais dos povos indígenas compõem parte da formação da sociedade brasileira e são reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro.
IV. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não considera expressões indígenas como bens representativos do patrimônio cultural brasileiro.
Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.
Somente a afirmativa III está correta.
Somente as afirmativas II e III estão corretas.
Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
Somente a afirmativa IV está correta.
Sobre os povos indígenas do sul do Brasil, assinale a alternativa correta.
Os povos indígenas do sul do país têm uma história que recua pelo menos dois mil anos, sendo encontradas ocupações ainda mais antigas em algumas regiões.
Todos os povos indígenas do sul do Brasil têm uma origem linguística comum e falam línguas mutuamente compreensíveis.
Os povos Kaingang e Laklãnõ/Xokleng apresentam, hoje, o mesmo repertório material por terem uma origem linguística comum.
O povo Krenak tinha seu território no sul do país e passou por um processo de migração em direção a Minas Gerais, onde habitam há mais de mil anos.
O sul do país possui mais de dez povos indígenas distintos, representando a maior diversidade cultural indígena do país.
O sistema alimentar das populações indígenas do rio Uaupés, envolve o uso de recursos naturais muito diversos para suprir a demanda nutricional.
A proteína é obtida por meio da caça e pesca, as vitaminas das frutas, os carboidratos principalmente da mandioca-brava.
Com relação à obtenção de carboidratos, o desenvolvimento da tecnologia de transformação da mandioca-brava, uma planta tóxica rica em ácido cianídrico, em farinha, garantiu a segurança alimentar indígena e a energia para as atividades diárias. Dentre as tecnologias desenvolvidas para o processamento da mandioca brava, destaca-se o tipiti, um instrumento feito de fibras vegetais trançadas.
GONÇALVES, Gabriela Granghelli. Etnobotânica de plantas alimentícias em comunidades indígenas multiétnicas do Baixo Rio Uaupés – Amazonas. Tese. Unesp: Botucatu, 2017. (Adaptado).
Tendo em vista as afirmações sobre adequabilidade das matériasprimas para uso em produtos e processos pelos indígenas do rio Uapés, assinale a afirmativa correta.
O traquejo na ampla gama de técnicas empregadas na obtenção de recursos da natureza passou a fazer parte das aldeias a partir da educação escolar.
O domínio de técnicas e de tecnologias utilizadas na manipulação e na domesticação de plantas faz parte dos saberes ancestrais dos indígenas.
Os recursos naturais usados para suprir a demanda nutricional dos indígenas dispensam processamentos técnicos e tecnológicos.
O controle da composição dos alimentos permite aos indígenas o lançamento no mercado financeiro de comida processada.
Os componentes químicos dos alimentos indicam a limitação nutricional da alimentação cotidiana dos povos indígenas do rio Uapés.
Leia o texto a seguir.
[...] a representação não gera apenas pensamentos, mas também atos de força. No estado de Santa Catarina, a ideia da periculosidade indígena, legitimou práticas de violências contra os índios.
Trecho extraído de Wittman, Luisa Tombini. O vapor e o botoque. Imigrantes alemães e índios Xokleng no Vale do Itajaí/ SC (1850-1926). Letras contemporâneas, 2007.
No contexto meridional, a temática indígena é invisibilizada por uma narrativa de colonização europeia, construída desde o século XIX e reificada até os dias de hoje no turismo, nos símbolos identitários, na arquitetura e em outras instâncias. Sobre o contexto meridional do país, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. O processo do estabelecimento de colônias de imigração europeia do séc. XIX ocorreu em áreas de floresta não habitadas por povos indígenas.
II. Os povos indígenas ocupavam o oeste do estado, uma vez que os vales do leste foram abandonados em um processo de fuga quando das levas de colonizadores do século XIX.
III. Os povos Guarani, Kaingang e Laklãnõ/Xokleng foram igualmente impactados pela imigração alemã no Alto Vale do Itajaí.
IV. Os ataques sofridos por imigrantes alemães, poloneses e italianos no Alto Vale do Itajaí por povos indígenas ficaram registrados na história como justificativa suficiente para o genocídio étnico praticado pelo Estado e pelas empresas de colonização.
Todas as afirmativas estão corretas.
Somente as afirmativas I, II, III estão corretas.
Somente a afirmativa IV está correta.
Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
Somente a afirmativa III está correta.
O encanto das cerâmicas
KajiWaurá conta que o conhecimento da arte oleira vem do mito Kamalu Hai, que lhes concedeu um conhecimento artesanal exclusivo. A história que passa de geração a geração é que há muito tempo os artefatos cerâmicos chegaram navegando sobre o dorso da grande cobra-canoa Kamalu Hai, que ofereceu ao povo da tribo a visão desse material. Depois ela afundou, deixando grande quantidade de argila ao longo do Rio Batovi. “Quem viu contou aos outros e seguimos pegando esse barro no fundo da água, onde a cobra deixou, para fazermos nossas cerâmicas”, conta o indígena.
VIEIRA, Cibele. Estudantes da Unicamp, índios Wauja encantam com suas cerâmicas e adornos. Disponível em: <https://correio.rac.com.br/ Acesso em 4 mar. 2023.
Com base no texto, assinale a afirmativa correta.
A confecção de cerâmicas é uma estratégia para lidar e tirar proveito do que vem sendo chamado de conflito de gerações entre os Waurá.
As afinidades existentes entre determinados artefatos e animais ou seres sobrenaturais são harmoniosas, porque todos fazem parte do mesmo meio.
A tecnologia da cerâmica é entendida a partir de um conjunto de artefatos empregados pelo homem na transformação de matéria-prima do mundo material.
A atividade oleira artesanal serve como instrumento de desenvolvimento econômico para a região do rio Batovi.
A cerâmica de Waurá passa por um processo de revitalização, após um período de decadência, devido ao aumento de argila nos rios da área indígena.
A obra de Roberto Cardoso de Oliveira é um marco no campo de estudos da etnologia brasileira. Entre suas contribuições está a elaboração de um conceito que teve amplas repercussões para a antropologia nacional. Oliveira define tal conceito nos seguintes termos:
“o contato entre grupos tribais e segmentos da sociedade brasileira, caracterizados por seus aspectos competitivos e, no mais das vezes, conflituais, assumindo esse contato muitas vezes proporções “totais”, i.e., envolvendo toda a conduta tribal e não-tribal que passa a ser moldada pela situação de fricção interétnica. Entretanto, essa “situação” pode apresentar as mais variadas configurações [...]. Desse modo, de conformidade com a natureza socioeconômica das frentes de expansão da sociedade brasileira, as situações de fricção apresentarão aspectos específicos.”
(Oliveira, Roberto Cardoso. Estudo de áreas de fricção interétnica do Brasil (Projeto de Pesquisa). América Latina, v. 5, n. 3, p. 85-90, 1962.)
Assinale a opção que está relacionada ao conceito elaborado por Roberto Cardoso de Oliveira.
Conflito.
Aculturação.
Fricção interétnica.
Frente de expansão.
Segmentos tribais.
A promulgação do Decreto no 3.551, de 4 de agosto de 2000, promoveu alterações no processo de patrimonialização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que contribuíram para o reconhecimento do patrimônio cultural indígena.
O referido criou o seguinte programa e instituiu a seguinte forma de registro do patrimônio nacional.
Programa Nacional do Patrimônio Material / Registro de Bens Culturais de Natureza Material.
Programa Nacional do Patrimônio Imaterial / Registro de Rituais Indígenas.
Programa Nacional do Patrimônio Indígena / Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial.
Programa Nacional de Patrimônio Popular / Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial.
Programa Nacional do Patrimônio Imaterial / Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial.
“(...) seres não-humanos que se veem sob forma humana deveriam ver os humanos sob forma não-humana, uma vez que a humanidade é uma posição e não uma substância, uma propriedade intrínseca a certa porção de seres. Um porco-do-mato, por exemplo, se vê como humano enquanto vê o humano como jaguar ou como espírito predador. Ora, todos esses existentes são, potencialmente, humanos (partilham a mesma condição de humanidade) apesar de não serem todos da espécie humana. São todos sujeitos dotados de comportamento, intencionalidade e consciência, estando inseridos em redes de parentesco e afinidade, fazendo festas, bebendo cauim, reportando-se a chefes, fazendo guerra, pintando e decorando seus corpos.”
(SZTUTMAN, Renato. Natureza & Cultura, versão americanista–Um sobrevoo. Ponto Urbe. Revista do núcleo de antropologia urbana da USP, n. 4, 2009.)
Essa formulação descreve a seguinte perspectiva teórica da etnologia contemporânea:
perspectivismo ameríndio.
culturalismo histórico.
vitalismo.
teoria-do-ator-rede.
humanização dos animais.
Nas cosmologias indígenas, os animais, as plantas e outros não humanos são importantes figuras da alteridade, que podem assumir a posição de sujeito, compreendidos como seres que têm intenções, que pensam e sentem, e com os quais se estabelecem relações sociais e políticas. O esforço de muitos antropólogos tem sido o de levar a sério essas ideias propostas pelas filosofias indígenas, como é possível observar no desenvolvimento dos conceitos de animismo, perspectivismo e multinaturalismo.
CUNHA, M. C.; MAGALHÃES, S. B. e ADAMS, C. Povos tradicionais e biodiversidade no Brasil: contribuições dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais para a biodiversidade, políticas e ameaças. São Paulo: SBPC, 2021.
De acordo com o texto, assinale a afirmativa correta.
A comunicação cultural permite distinguir a sociedade humana da animal, porque a transmissão de informações e a divisão do trabalho existem nas duas sociedades.
Os diálogos entre teorias antropológicas e sociológicas permitem compreender a relação entre direito dos animais e dos homens.
A carência de reflexões contemporâneas sobre questões postas pela cosmologia para a filosofia, contribuem para a incompreensão da relação homem-natureza.
Levar a sério o trabalho sensorial de animais, em diferentes situações, deve ser valorizado porque facilita entender o alcance do animismo.
A partir da visão dos povos originários, os estudos antropológicos procuram explicar como as plantas, os animais e os humanos são vistos como sujeitos que agem no mundo.
No livro “Arte Indígena no Brasil: agência, alteridade e relação”, a antropóloga Els Lagrou afirma:
“(…) a grande diferença [entre arte indígena e arte ocidental] reside na inexistência entre os povos indígenas de uma distinção entre artefato e arte, ou seja, entre objetos produzidos para serem usados e outros para serem somente contemplados, distinção esta que nem a arte conceitual chegou a questionar entre nós, por ser tão crucial à definição do próprio campo.”
(LAGROU, Els. Arte indígena no Brasil: agência, alteridade e relação. Belo Horizonte: C/Arte, 2009: p.14)
Assinale a opção que corresponde a princípios característicos da arte indígena descrita pela autora.
Na arte indígena a autoria individual é um elemento central.
A definição de arte para os indígenas não está baseada na beleza.
A definição de arte para os indígenas está baseada na utilidade.
Na arte indígena não pode haver cópia.
A arte indígena está limitada a produção de artefatos cerâmicos.
O antropólogo inglês Peter Gow tem uma vasta trajetória de pesquisa com o grupo indígena amazônico Piro. Em um artigo intitulado “O parentesco como consciência humana: o caso dos Piro”, Gow afirma:
“(…) analiso o sistema de parentesco dos Piro da Amazônia peruana como um sistema autopoiético, isto é, como um sistema que gera suas próprias condições de existência. Meu argumento é que o parentesco piro emerge espontaneamente do interior das estruturas da consciência humana (…)”
(Gow, P.. (1997). O parentesco como consciência humana: o caso dos piro. Mana, 3(2), 39–65.)
A proposta de Peter Gow está alinhada com a de outros autores da etnologia contemporânea. Para esses autores, o modo de organização do parentesco dos grupos amazônicos são determinados
estritamente por laços sanguíneos.
de modo muito semelhante ao das periferias das grandes cidades.
a partir dos princípios cosmológicos do próprio grupo em questão.
por meio de complexas árvores genealógicas registradas pela FUNAI.
segundo princípios genéticos.
Entre os clássicos do pensamento social brasileiro encontramos Florestan Fernandes. Uma das obras seminais e com importante impacto na antropologia é A função social da guerra na sociedade tupinambá (1952). A respeito dessa obra é correto afirmar:
Como um representante do marxismo brasileiro, Florestan Fernandes adotou na obra A função social da guerra na sociedade tupinambá o materialismo histórico como perspectiva teórico-metodológica.
Florestan Fernandes adotou, para o desenvolvimento de sua pesquisa junto à sociedade tupinambá, a observação participante, o que possibilitou compreender como pensavam, criam e agiam.
A obra A função social da guerra na sociedade tupinambá inaugurou no Brasil a antropologia simbólica ao apontar caminhos teóricos metodológicos para a compressão dos sentidos da guerra entre os tupinambás.
A função social da guerra na sociedade tupinambá é uma obra baseada na metodologia funcionalista, que observou a guerra em suas conexões e vinculações com os demais fenômenos do contexto social.
O interacionismo simbólico teve grande importância na formação inicial de Florestan Fernandes, o que o influenciou fortemente na produção de A função social da guerra na sociedade tupinambá.

A arte kusiwa (pintura corporal e arte gráfica dos índios wajãpi do Amapá) foi o primeiro bem de natureza imaterial registrado pelo Iphan, em 2002.
A linguagem gráfica dos índios wajãpi foi considerada um bem cultural de natureza imaterial por
compor um sistema oral de transmissão do modo indígena de conhecer, conceber e agir sobre o universo.
preservar uma técnica decorativa de corpos e objetos que envolve altas habilidades de desenho, entalhe e tingimento.
comunicar visualmente a hierarquia social de cada membro da comunidade e manter o status no interior do grupo.
representar o repertório original, pré-colonial, dos padrões comunicativos codificados próprios dos wajãpi.
constituir modos de transmitir e renovar os elementos específicos da forma de pensar e estar no mundo dos wajãpi.
No Brasil, os princípios e definições referentes à cultura, direitos e relações com a sociedade brasileira por parte da população indígena estão presentes na Lei nº 6.001/1973, que dispõe sobre o Estatuto do Índio. Com base nessa Lei, assinale a alternativa INCORRETA.
Restringe, no próprio benefício das populações indígenas, a possibilidade de escolha dos seus meios de vida e subsistência; garante aos índios a permanência voluntária no seu habitat.
A proposta aponta ao mesmo tempo a necessidade de preservação da cultura indígena e propõe uma integração progressiva e harmoniosa com a sociedade não índia.
É de responsabilidade da União, dos Estados, dos Municípios e dos órgãos das respectivas administrações indiretas, nos limites de sua competência, a proteção das comunidades indígenas e a preservação dos seus direitos.
No que diz respeito às comunidades indígenas ainda não integradas à sociedade nacional, é necessário proporcionar aos índios meios para o seu desenvolvimento. O ritmo de integração será respeitado de acordo com seus ritos e costumes.
Nos termos da Constituição, as comunidades indígenas detêm direito ao usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades naquelas terras existentes.
Segundo dados do portal do governo de Roraima (2002-disponível em http://www.rr.gov.br/roraima.php?area=dados, acessado em 20.08.2019), 46,37% do território do Estado são áreas indígenas e a população indígena é de aproximadamente 46.106 sujeitos divididos em 8 povos indígenas. Nesse contexto, o conhecimento antropológico no âmbito do trabalho social com famílias indígenas torna-se fundamental, visto que permite:
compreender que, mesmo diante da diferença, o trabalho social com indígenas deve ser de cunho universalista, construindo uma política de assistência social assimilacionista
entender o respeito à diferença como expressão do princípio de equidade e evidenciá-lo no atendimento aos indivíduos de acordo com suas necessidades específicas, respeitando a diversidade e construindo uma política de assistência social culturalmente adequada
entender diversidade como expressão da desigualdade e buscar minimizá-la no atendimento aos indivíduos construindo uma política de assistência social universal
compreender que o princípio da equidade somente pode ser alcançado quando sujeitos culturalmente diversos são atendidos de maneira igualitária, construindo uma política de assistência social universal
No tocante à questão indígena brasileira o envolvimento das ciências sociais em dar aporte a garantia dos direitos instituídos pelo Estatuto do Índio (1976) e ratificados pela constituição de 1988 são fundamentais. A respeito do processo de demarcação dos territórios indígenas assinale a alternativa correta:
Os geógrafos são os responsáveis pela elaboração de relatórios e estudos sobre as questões territoriais indígenas
As pesquisas desenvolvidas sobre esta temática pouco contribuem para com os desdobramentos jurídicos da questão
No processo demarcatório são necessários estudos que revelem aspectos cosmológicos do grupo, das áreas de usos rituais, cemitérios, lugares sagrados, sítios arqueológicos, etc
Os estudos de caráter objetivo e quantitativos são os mais apropriados para tal finalidade
Por se tratar de uma questão fundiária a delimitação dos territórios indígenas é formalizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária