Questões de Concurso sobre História e Teoria do Urbanismo

 
 
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Vicente Del Rio (1990), no livro Introdução ao Desenho Urbano no Processo de Planejamento, define Desenho Urbano como “campo disciplinar que trata a dimensão físico-ambiental da cidade, enquanto conjunto de sistemas físicos-espaciais e sistemas de atividades que interagem com a população através de suas vivências, percepções e ações cotidianas”. De acordo com Del Rio, analise as assertivas abaixo:


I. O geógrafo Goodey (1979) destacou cinco caracteristicas básicas que marcam o campo de atuação do Desenho Urbano, que são: escala espacial, interações homem/meio ambiente, cliente múltiplo, multiprofissional e monitoração/orientação.

II. As dimensões de performance apresentadas por Lynch (1981) são vitalidade, senso, congruência, acesso, controle, eficiência e justiça.

III. No tratamento do Desenho Urbano por temáticas, Shirvani (1985) propôs uma categorização, que inclui, dentre outras, o uso do solo. Este aspecto trata de tipos de funções e intensidade de utilização do solo e das edificações.


Quais estão corretas?


A

Apenas I.


B

Apenas II.


C

Apenas I e II.


D

Apenas II e III.


E

I, II e III.

Na obra “A imagem da Cidade”, o urbanista Kevin Lynch apresenta 5 tipos de elementos para interpretação do espaço urbano, os quais são:


A

Acessos, percursos, cruzamentos, eixos e praças.


B

Paisagem natural, vias, eixos, cruzamentos e setores.


C

Paisagem construída, paisagem natural, vias, bairros e monumentos.


D

Percursos, cruzamentos, pontos nodais, edifícios e eixos.


E

Bairros, vias, marcos, pontos nodais e limites.

Kevin Lynch (1918-1984), urbanista americano, escritor e um dos maiores pensadores do desenho urbano, define marco visual como elemento morfológico universal visto de qualquer lugar da cidade, importante na orientação e identificação de onde se vem e para onde se vai. Por essa definição, é correto conceituar como marco visual


A

o Central Park, na cidade de Nova Iorque.


B

a Torre Eiffel, na cidade de Paris.


C

o rio Capibaribe, na cidade de Recife.


D

a praia de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro.


E

o Picadilly Circus, na cidade de Londres.

Na dinâmica urbana de renovação e requalificação, pode ocorrer um fenômeno em que áreas centrais deterioradas, após serem recuperadas e revitalizadas, passam a ser vistas com maior potencial, ter maior valorização no mercado imobiliário e aumento do custo de vida. Como consequência, esses locais atraem novos moradores de maior renda e classe social e os moradores tradicionais, muitas vezes de baixa renda e vulneráveis, acabam sendo afastados e transferidos para outras áreas menos favorável.


Esse processo de reestruturação é denominado como:


A

Conurbação.


B

Imigração.


C

Gentrificação.


D

Pauperização.


E

Periferização.

A Carta do Embu, publicada em 1976, é um documento subscrito por urbanistas e juristas que marca a definição do instituto solo criado. Segundo Luisa Maffei Costa, observados os considerandos constantes deste documento, há preocupação dos autores em constatar dados fáticos da realidade do crescimento acelerado e desorganizado das cidades e, ainda, em apontar suas consequências.


Neste sentido, são dados fáticos, que justificam e embasam o instituto do solo criado:


I. no território de uma cidade, certos locais são mais favoráveis à implantação de diferentes tipos de atividades urbanas.

II. a legislação de uso do solo procura limitar este adensamento, diferenciadamente para cada zona, no interesse da comunidade.

III. um dos efeitos colaterais da legislação de uso do solo é o de valorizar diferentemente os imóveis, em consequência de sua capacidade legal de comportar área edificada, gerando situações de injustiça.

IV. o direito de propriedade, assegurado na Constituição, é condicionado pelo princípio da função social da propriedade, não devendo, assim, exceder determinada extensão de uso e disposição, cujo volume é definido segundo a relevância do interesse social.


É correto o que consta em


A

II e III, apenas.


B

I, II, III e IV.


C

I, II e III, apenas.


D

I, III e IV, apenas.


E

II, III e IV, apenas.

Entre as teorias urbanísticas, relata-se que, no período entre 1853 e 1870, o prefeito do Sena, em Paris, implantou o que se pode conhecer como o urbanismo estético-viário. Nesse período, houve a renovação da cidade, com a abertura de grandes espaços urbanos e avenidas, modificando os velhos quarteirões ainda medievais. Tal prefeito, autor dessas modificações e que ficou conhecido como “o artista da demolição”, colocou abaixo o antigo casario e, em seu lugar, edificou amplos bulevares, todos com novas construções padronizadas, apoiadas por serviços de esgoto, gás encanado e abastecimento de água tratada. Entre as opções a seguir, assinale a opção CORRETA de quem é o autor dessa renovação urbana.


A

Haussmann.


B

Agache.


C

Corbusier.


D

Garnier.

De acordo com Clara Irazábal (Arquitextos nº 19.03 ano 02, dez.2001): “A Carta de Atenas foi elaborada por um grupo internacional de arquitetos depois de uma série de congressos nos quais se discutiu como o paradigma da arquitetura moderna poderia responder aos problemas causados pelo rápido crescimento das cidades, causado, entre outros fatores, pela mecanização na produção e as mudanças no transporte. No IV Congresso do CIAM, este grupo de profissionais e visionários finalizou a Carta de Atenas, depois de haver analisado 33 cidades das mais diversas latitudes e climas no planeta. Portanto, suas observações e recomendações tinham um sentido bastante universal.” Em contraponto à Carta de Athenas, em 1996, é criada uma nova Carta. De acordo com Adilson Costa Macedo (Arquitextos nº 082.03 ano 07, mar.2007), sobre esta nova Carta: “A Carta estabelece princípios associados à formação do espaço regional, da cidade, e do bairro, com a intenção de: organizar sistemas regionais articulando áreas urbanizadas centrais com as cidades menores em setores bem delimitados do território, evitando a ocupação dispersa; valorizar a acessibilidade por transportes coletivos; favorecer a superposição de uso do solo como forma de reduzir percursos e criar comunidades compactas; estimular o processo de participação comunitária, e retomar os tipos do urbanismo tradicional relativos ao arranjo das quadras e da arquitetura.” Entre as opções a seguir, informe a que CORRETAMENTE identifica a nova Carta, de 1996:


A

Carta de Medelin.


B

Carta de Istambul.


C

Carta do Novo Urbanismo.


D

Carta de Seoul.


E

Carta de Quito.

Em 1585, foi fundada a cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves, atual João Pessoa, marco embrionário para a Capitania Real da Paraíba. Com relação aos conceitos fundamentais sobre urbanismo na formação das cidades no Brasil Colonial, analise as afirmativas a seguir e marque (V) para a verdadeira e (F) para a falsa:


I. O fato de a povoação fundada em 1585 não ter tido status de cidade, como na maioria dos aglomerados urbanos surgidos àquela época, levou à irregularidade de seu traçado urbanístico de cidade informal, cunho inequívoco da mãe-pátria, sendo por isso considerada como cidade portuguesa no Brasil do que propriamente cidade brasileira.

II. Apesar da ausência de um traçado urbanístico prévio ou de uma ideia diretriz para o plano da cidade, na aparente desordem havia certa coerência orgânica, correlação formal e unidade de espírito que lhe concedia genuinidade.

III. A cidade surgiu sob o estigma da Coroa espanhola, tendo sido desenhada sob as normas das “leis das Índias”, identificadas na regularidade do traçado das primeiras ruas, no desenho geométrico e na racionalidade do plano da cidade e sob forte influência da Igreja Católica.


As afirmativas são, respectivamente,


A

F, F e V.


B

F, V e F.


C

V, F e V.


D

V, V e F.


E

V, F e F.

“__________________ define-se como o conjunto de instalações e serviços básicos de uma cidade para o seu funcionamento, como rede de abastecimento de água potável e rede de esgoto, rede de energia elétrica e gás, rede de circulação e drenagem pluvial, telefonia, tv, internet, dentre outros.” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior.


A

Sistema sanitário


B

Sistema viário local


C

Infraestrutura urbana


D

Redes de comunicações

Em seu polêmico texto “Por uma cidade contemporânea” (1989), Rem Koolhaas desenvolve uma “alternativa paramoderna” para o urbanismo. Parte importante de sua crítica está na ideia de que, embora a “pureza” (por exemplo, a delimitação exata ou definição do objeto autônomo) pudesse ter sido desejável nos edifícios modernos, ela provocou problemas de desorientação na escala da cidade.


Considere as seguintes reflexões e ideias desse texto:


I. A tectônica e o detalhe significativo constituem uma crítica tanto às fórmulas convencionais do modernismo ortodoxo como à superficialidade do historicismo pós-moderno. A construção, como processo de “formação”, desenvolve-se às vezes como uma narrativa material. Deixar a estrutura à mostra, que uma parte da arquitetura moderna e pós-moderna associa à autenticidade, coincide com o “desvelamento” do ato poético.

II. A origem do significado em arquitetura está situado na construção, especialmente nas “junções e formas reais” entre materiais e espaços. A junção − o detalhe original − é a geradora da construção e, portanto, do sentido. O detalhe tectônico é, portanto, o lócus da inovação e da invenção. A arquitetura pode ser definida como o resultado do projeto de detalhes, e de sua resolução e substituição.

III. É extraordinária a incongruência entre a perfeição e a instantânea completude dos projetos arquitetônicos modernistas e a inflexível simplicidade, quase infantil, dos desenhos urbanos, imaginados como se a complexidade da vida urbana pudesse ser prontamente conciliada na liberdade oferecida pela planta livre, ou como se toda experiência de fragmentação e tudo o que representou para a perspectiva pudesse ocorrer sem perturbar o território da cidade.

IV. Dois motivos concorrem para fazer dos espaços urbanos vazios uma linha importante de combate para as pessoas que se preocupam com a cidade. O primeiro: é bem mais fácil controlar o espaço vazio do que jogar com volumes cheios e formas aglomeradas que se tornaram incontroláveis. O segundo: vazio, paisagem, espaço − se quisermos usá-los como meio, incluindo-os num projeto − podem tornar-se um campo de batalha e obter apoio genérico de quase todo mundo.


Está correto o que se afirma em


A

III, apenas.


B

II e IV, apenas.


C

I e II, apenas.


D

III e IV, apenas.


E

I, II, III e IV.

Considerando o modelo de cidade utópica que, segundo seu idealizador, seria caracterizada pela localização entre um rio e um platô, pela capacidade para abrigar 35.000 habitantes, pelo rígido zoneamento funcional entre a zona de residências, a zona de administração e estabelecimentos públicos, a zona de escolas, a zona de estabelecimentos sanitários, a zona da estação de trens, a zona dos serviços públicos e a zona da fábrica, além da proposta de uma geometria de ordenamento ortogonal, com quarteirões residenciais de 150 metros por 30 metros, e lotes de 15 metros por 15 metros. Assinale a alternativa que indica o modelo a que se referem as características descritas.


A

Cidade jardim, de Ebenezer Howard


B

Cidade industrial, de Tony Garnier


C

Falanstério, de Charles Fourier


D

Cidade socialista, de Nikolay Milyutin


E

Cidade dos anéis concêntricos, de Ernest Burguess

Sobre o nascimento da urbanística moderna, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.


I. Os antigos instrumentos de intervenção revelam-se inadequados, sendo necessária a elaboração de novos, adaptados às condições modificadas.

II. A cidade se caracteriza por forte densidade de construções, crescimento em anéis concêntricos em torno dos velhos centros ou dos lugares de trabalho.

III. A convivência dos homens na cidade industrial coloca novos problemas de organização que são tratados a partir dos instrumentos de intervenção existentes.

IV. Com o crescimento das indústrias, a remuneração e a condição de trabalho dos operários passam a proporcionar condição mais digna de habitação, o que leva os operários a buscarem habitações melhores.


A

Apenas I e IV.


B

Apenas II e III.


C

Apenas I e II.


D

Apenas I, II e III.


E

Apenas II, III e IV.

De acordo com Kevin Lynch, “[...] as imagens do meio ambiente são o resultado de um processo bilateral entre o observador e o meio. O meio ambiente sugere distinções e relações, e o observador - com grande adaptação e à luz dos seus objetivos próprios – seleciona, organiza e dota de sentido aquilo que vê.” Em sua metodologia de leitura ambiental – perspectiva e cognitiva, Lynch se baseia em cinco categorias. Sobre elas, assinale a alternativa correta.


A

As vias, os limites, os bairros, os cruzamentos e os pontos marcantes


B

As ruas, as calçadas, os edifícios, as praças e as indústrias


C

Os cruzamentos, os espaços cheios e vazios, os desníveis e os maciços


D

As cores, as texturas, os gabaritos os aromas e os pontos focais

CULLEN descreve as várias formas de apropriação do espaço. Sobre esse assunto, numerar a 2ª coluna de acordo com a 1ª e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

-

(1) Truncagem.

(2) Enclave.

(3) Recinto.

-

(_) É a síntese da polaridade entre pés e pneus, são espaços urbanos interiores caracterizados pelo sossego e pela tranquilidade, em que o vai e vem das ruas não é tão notado; a praceta tem escala humana e geralmente é um espaço pontuado por árvores e bancos, que permitem descanso e contato humano.

(_) Espaço interior aberto para o exterior e que permite acesso livre e direto entre ambos; é um compartimento que pode ser alcançado com facilidade, mesmo que seja desviado do movimento principal.

(_) Quando o primeiro plano corta a perspectiva, ou seja, em vez de contemplarmos um edifício por sua totalidade, o que há é uma acentuação muito marcada do primeiro plano e, deste para o edifício, um salto brusco, uma súbita ruptura visual.


A

1 - 2 - 3.


B

3 - 1 - 2.


C

2 - 3 - 1.


D

2 - 1 - 3.


E

3 - 2 - 1.

Considerando-se as imagens abaixo, extraídas da obra de FAZIO, MOFFETT e WODEHOUSE, mostrando desenhos da cidade do século XIX, assinalar a alternativa que indica os respectivos arquitetos de cada proposta:

Imagem associada para resolução da questão

Figura 1 - Paris - Modelo arquitetônico e urbano

Imagem associada para resolução da questão

Figura 2 - Barcelona

Imagem associada para resolução da questão

Figura 3 - Proposta da “Cidade Jardim”

Imagem associada para resolução da questão

Figura 4 - Proposta da Cidade Linear


A

Durand, Friedrich Gilly, Ledoux e Cerdà.


B

Weinbrenner, Antoni Gaudí, Blondel e Peyre.


C

Labroust, Vaudoyer, Choisy e Julien Gaudet.


D

Haussmann, Cerdà, Ebenezer Howard e Arturo Soria.


E

Tony Garnier, Charles Fourier, Repton e John Nash.

As reformas de Haussmann no Plano de Paris incluíram


A

a remoção de monumentos importantes, principal motivo para as críticas ao plano.


B

criação de parques públicos como o Bois Boulogne, que se tornou sede da vida social da classe popular.


C

intervenção nos sistemas de abastecimento de água e esgoto concentrando as melhorias na área central da cidade.


D

novas relações entre a altura das casas e a largura das ruas, sendo que a altura deveria ser sempre inferior à largura da rua.


E

a criação de nova malha viária de ruas largas e retilíneas comunicando os principais centros de vida urbana com as estações ferroviárias.

Dentro dos critérios de classificação para levantamento das características morfológicas da massa edificada de uma cidade, há um tipo de classificação onde, se enquadra prédios de três ou quatro pavimentos com a construção ocupando parte importante do lote. Assim classifica-se esse levantamento como:


A

Granulado Grosso.


B

Granulado Médio.


C

Granulado Fino.


D

Comercial.


E

Misto.

De acordo com LYNCH, há uma característica, em um objeto físico, que tem alta probabilidade de gerar uma imagem forte para qualquer observador, como forma, cor ou disposição, que facilita a criação de imagens mentais claramente identificadas, estruturadas e úteis no ambiente. Não tem, necessariamente, conotações com algo fixo, limitado, preciso, unificado ou ordenado e também não significa visível, óbvio, evidente, sendo Veneza um exemplo de cidade com este tipo de ambiente. O conceito a que o autor se refere é chamado:


A

Ambiência.


B

Imaginabilidade..


C

Permeabilidade.


D

Estrutura.


E

Identidade.

Jan Gehl, ferrenho crítico à ortodoxia do urbanismo modernista, especialmente no que diz respeito à falta da dimensão humanística que o projeto urbano deveria possuir, analisa em seu livro "A cidade para pessoas", publicado em 2010, os processos de planejamento urbano que deveriam nortear as cidades contemporâneas. Assinale a alternativa que expressa seu pensamento:


A

Para Gehl, uma cidade bem planejada deve ser pensada em três diferentes escalas: a grande (tratamento holístico da cidade abrangendo bairros, funções e instalações de tráfego); a média (planejamento dos bairros; organização dos edifícios e do espaço público); e a pequena (paisagem humana percebida por aqueles que caminham na cidade).


B

Gehl, apesar das críticas à urbanística modernista, aponta para a grande importância das avenidas expressas para carros como forma de interligar a cidade na sua macro escala.


C

As formas de segregação espacial presentes na cidade tradicional, segundo Gehl, são benéficas, pois estão de acordo com a setorização e uso de solo, permanecendo cada área com sua vocação própria. O que ele chama de "efeito Brasília".


D

Para Gehl, é importante que haja uma remodelação urbana, inclusive nos centros históricos da cidade, que não mais atendem as demandas sociais contemporâneas.

 
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