Questões de Concurso sobre Filosofia e Educação

 
 
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Durante uma aula sobre discursos partidários e polarização política, um estudante afirmou que é impossível dialogar com pessoas que possuem opiniões políticas divergentes, o que, segundo ele, torna inviável qualquer acordo sobre problemas sociais. Diante dessa colocação, o professor decidiu introduzir a teoria da ação comunicativa, de Jürgen Habermas, para mostrar uma possível solução para o problema levantado.


Após a explicação, alguns estudantes continuaram céticos e argumentaram que, na prática, o diálogo racional entre opiniões opostas é inviável, especialmente em contextos polarizados.


Ao buscar em Habermas a resolução do problema, o professor estava atento


A

a razão instrumental, como ferramenta de acesso ao diálogo e acordos.


B

ao giro dialógico, a busca de consenso dentro do aspecto da intersubjetividade.


C

a ação comunicativa, a objetividade do discurso racional superior por consenso.


D

ao mundo da vida, a subjetividade frente à demanda de acordos entre indivíduos.


E

ao sistema, que permite o diálogo a fim de tecer acordos de forma intersubjetiva.

Um professor de Filosofia do 1º ano do Ensino Médio deseja introduzir o conceito de substância a partir da leitura do início da Metafísica, de Aristóteles. Ele menciona a seguinte definição: “o ente primeiro é ‘o que é’, o qual precisamente designa a essência” (1028a 10). Após perceber a dificuldade dos estudantes em acompanhar o vocabulário técnico do texto, ele reformula a abordagem da aula. Em vez de seguir com a leitura direta da obra, propõe uma reflexão a partir da seguinte pergunta: “O que faz uma coisa continuar sendo ela mesma mesmo quando muda?” A partir das respostas dos estudantes, ele reconstrói o conceito de substância de maneira gradual e dialógica.


ARISTÓTELES. Metafísica – Livros VII-VIII. Trad. Lucas Angioni. Campinas: IFCH-UNICAMP, 2002


Diante dessa situação, a estratégia adotada pelo professor representa uma prática de transposição didática que:


A

simplifica o conteúdo filosófico por meio de questões práticas do cotidiano.


B

substitui conteúdos clássicos por experiências subjetivas dos estudantes.


C

fragmenta o saber filosófico para atender a expectativas escolares.


D

substitui o texto original por debates livres sobre identidade pessoal.


E

adapta conceitos complexos sem perda de rigor filosófico.

Uma professora de Filosofia, em aula no 3º ano do Ensino Médio está trabalhando com seus estudantes o desenvolvimento argumentativo. Como atividade, propõe a seguinte pergunta: “O ChatGPT pensa?” Após apresentar respostas geradas pela própria ferramenta, os estudantes se dividem: alguns afirmam que a inteligência artificial apenas simula pensamento; outros acreditam que, com o tempo, poderá desenvolver consciência. A professora então propõe que os estudantes analisem os argumentos por trás dessas opiniões à luz de teorias da filosofia da mente, como o dualismo cartesiano, o funcionalismo e a ideia de inteligência artificial fraca e forte.


Considerando a atividade já realizada pela professora, qual das seguintes estratégias de aprendizagem é a mais adequada para fomentar o pensamento crítico dos estudantes e aprofundar esse aprendizado?


A

Aplicar questionário individual sobre a distinção entre mente e máquina.


B

Realizar uma exposição dialogada das principais correntes da filosofia da mente.


C

Promover a leitura de textos clássicos com resumo orientado por perguntas-guia.


D

Preparar uma júri simulado com defesa de visões filosóficas sobre inteligência artificial.


E

Organizar uma roda de conversa informal sobre o impacto das tecnologias na educação.

A reflexão sobre o ensino de filosofia na Educação Básica envolve diferentes abordagens. Franklin Leopoldo e Silva, por exemplo, questiona se a História da Filosofia deve ser o centro ou apenas um referencial do currículo: como centro, organiza o conteúdo; como referencial, submete-se às questões filosóficas. Diante disso, pode-se considerar o desdobramento de três eixos curriculares: o histórico, que segue uma certa ordem centrada na produção das obras filosóficas, mas que pode se tornar enciclopédico; o temático, que aborda temas filosóficos próximos da vivência dos estudantes; e o problemático, que organiza o ensino em torno de problemas filosóficos, que, conforme Silvio Gallo, permite integrar tanto os temas quanto a História da Filosofia e convidar o estudante ao exercício de elaboração de conceitos filosóficos.


Conforme as propostas e diretrizes mais atuais do ensino de filosofia, espera-se que os estudantes se apropriem dos conteúdos desse componente curricular. Dessa forma, como parte dos processos de ensino e de aprendizagem, um tipo de avaliação pertinente é a


A

realização de provas com questões dissertativas sobre os principais filósofos da tradição filosófica, organizando o conteúdo de forma cronológica.


B

aplicação de testes de múltipla escolha com base em conceitos filosóficos previamente explicados em sala, focando a memorização de definições.


C

organização de seminários em que cada grupo esquematize as principais correntes da Filosofia, valendo-se na linha do tempo e em textos dos autores dessas correntes.


D

elaboração de projetos com base em problemas, nos quais os estudantes sejam estimulados a encontrar soluções fundamentadas em diferentes referenciais filosóficos

Os princípios da Filosofia socrático-platônica se opõem ao estilo de pensar dos sofistas. Apesar do conhecido embate, a apresentação do pensamento e procedimento sofísticos na sala de aula permite aos estudantes o


A

desenvolvimento de atividades de argumentação focadas na persuasão alheia por meio do discurso eficaz.


B

exercício de categorização de conceitos e formulações lógicas de proposições alinhados ao modelo dedutivo de ciência.


C

diálogo reflexivo para o reconhecimento das contradições para a busca de coerência entre pensamento e ação conforme o ser.


D

treino discursivo de modelo dialético para o alcance do conhecimento da verdade e da realidade em consonância com a metafísica.

A hermenêutica interna a uma religião não pode tender a se igualar a uma fenomenologia universal do fenômeno religioso senão a favor de uma extensão segunda, regida por um procedimento de transferência analogizante, conduzida aproximativamente, a partir do lugar em que se está no início. Oponho esse procedimento ao da história comparada das religiões, que supõe ao menos idealmente adoção de um lugar fora de lugar, de um lugar de onde o sujeito epistemológico não interessado consideraria com um olho neutro e simplesmente curioso o campo disperso das crenças religiosas. Se certa descrição externa é acessível a esse olhar de parte alguma, a compreensão do que se trata, do que está em jogo, do Woraufhin, é inacessível. Não entrarei aqui nessa via de transferência agonizante e da compreensão aproximativa que esta última permite. Limitar-me-ei a fundar a sua simples possibilidade sobre a atitude de suspense fenomenológico praticado a respeito de minhas próprias convicções. Pedem-me então que eu pratique, em relação às religiões diferentes da minha, a mesma assunção imaginativa e simpática que peço aos meus ouvintes quando procede diante deles a hermenêutica da fé hebraica e cristã.


RICOEUR, P. Leituras 3: nas fronteiras da filosofia. São Paulo: Loyola, 1996.


Conforme esse texto, ao promover um debate acerca da diversidade cultural religiosa em sala de aula, cabe ao professor de filosofia direcionar o debate para


A

a busca do sagrado em si e nos outros.


B

a tentativa de racionalização do sagrado.


C

o relativismo entre as concepções do sagrado.


D

o acolhimento de visões diferentes do sagrado.

Ao simular uma ágora, um professor discutiu o problema ético envolvendo o poder dos algoritmos e a liberdade humana nas redes sociais. Ao se considerar a ética aristotélica, o que as interações com as redes sociais revelam sobre a liberdade?


A

A liberdade humana no uso das redes pode ser verificada quando se tem tempo livre o suficiente para rolar o feed das redes sem coerções externas.


B

O homem é livre quando dá total fluidez às suas inclinações e possui a capacidade de sair das redes sociais e se envolver em atividades diferentes.


C

O uso dos botões de curtir ou o envio de emojis mostra que a escolha humana não é determinada, pois tais expressões reduzem a espontaneidade.


D

A liberdade das pessoas é controlada por mecanismos de engenharia comportamental, por isso é tão difícil parar de rolar o feed.

Considerando os fundamentos do ensino de Filosofia no contexto escolar e sua relação com o desenvolvimento do senso crítico, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:


(__)O ensino de Filosofia estimula a desnaturalização das práticas sociais e discursivas, contribuindo para a formação de sujeitos autônomos e capazes de interrogar criticamente os discursos instituídos.

(__)A criticidade promovida pela Filosofia depende da aplicação imediata de conceitos abstratos, o que dispensa a mediação com as experiências concretas e subjetivas dos estudantes.

(__)O espaço da Filosofia na escola deve propiciar a construção reflexiva de sentidos, valorizando a pluralidade de pontos de vista, sem se prender à reprodução acrítica de doutrinas ou dogmas.


Assinale a alternativa com a sequência correta:


A

V, V, F.


B

F, F, V.


C

V, F ,V.


D

F, V, F.


E

V, F, F.

A inclusão dos estudantes surdos no processo de ensino e aprendizagem do conceito trabalhado nessa turma de EJA é promovida por meio do(a)


A

desenvolvimento do conteúdo com a utilização de recursos visuais, da construção de sinalário específico e da participação ativa na elaboração dos conceitos.


B

realização de atividades de leitura individual com vocabulário simplificado, com mediação em Libras, incentivando a autonomia discente.


C

emprego de textos traduzidos para Libras, mantendo a fidelidade ao conteúdo, a fim de promover a padronização da aprendizagem.


D

exposição oral do conhecimento filosófico com apoio da intérprete, assegurando que os estudantes surdos acompanhem as explicações.

A pedagogia histórico-crítica propõe um método no qual o estudante, com base em sua prática social, problematize-a, seja instruído com o saber sistematizado, promova a catarse e realize sua prática social sob nova condição. Há aspectos que dialogam com o movimento “regressivo”, proposto por Silvio Gallo, que parte da problematização (afetação) em direção à apropriação crítica do conhecimento filosófico, visando o desenvolvimento do pensar por si próprio. Qual procedimento pedagógico é coerente com o diálogo entre a pedagogia histórico-crítica e a pedagogia do conceito?


A

Apresentar uma série de aforismos e pedir aos estudantes que escolham um deles para leitura coletiva, a fim de identificarem o tema central, interpretarem-no e formularem textualmente uma indagação significativa.


B

Entregar aos estudantes uma lista de perguntas e pedir-lhes que respondam individualmente, após consultar páginas da internet, a fim de desenvolverem a capacidade de busca e seleção de informações corretas.


C

Promover uma atividade na qual os estudantes identifiquem, classifiquem e debatam os problemas filosóficos com base em categorias conceituais, a fim de organizarem o conhecimento filosófico e sua terminologia.


D

Apresentar um filme cuja abordagem de dilemas éticos e sociais complexos permita mobilizar os estudantes na identificação de situações que remetam à sua própria realidade, a fim de formularem problemas filosóficos.

No antigo tempo da criação do mundo com toda sua beleza, os Munduruku viviam dispersos, sem unidade e guerreando entre si. Era uma situação muito ruim que tornava a vida mais difícil e indócil. Foi aí que ressurgiu Karú-Sakaibê, o grande Criador, que já havia realizado tantas coisas boas para este povo. Contam os velhos que foi ele quem criara as montanhas e as rochas soprando em penas fincadas ao chão. Eram também criações dele os rios, as árvores, os animais, as aves do céu e os peixes que habitam todos os rios e igarapés. Karú-Sakaibê, tendo percebido que o povo que ele criara não estava unido, decidiu voltar para unificá-lo e lembrá-lo como havia sido trazido do fundo da Terra quando ele decidiu enfeitar a Terra com gente que pudesse cuidar da obra que criara.


MUNDURUKU, D. Contos indígenas brasileiros. São Paulo: Global, 2005.


É possível afirmar que a influência ameríndia pode ser discutida em sala de aula com uma proposta filosófica e pedagógica na qual se evidencia o(a)


A

caráter ambíguo da Constituição Federal frente à questão indígena no território nacional.


B

Lei n. 11 645/2008 como elemento contigente à consolidação epistêmica dos povos originários.


C

criacionismo expressado pelos Munduruku como reflexo das crenças indígenas.


D

contribuição dos saberes dos povos origirinários na formação da cultura e do pensamento brasileiro.

O ensino de filosofia deve valorizar seus pensadores e problemas clássicos, mas não pode ignorar a realidade dos estudantes de hoje. Mais do que repetir teorias, é preciso criar pontes entre os saberes e as vivências dos jovens. Isso exige que o professor dialogue com temas atuais e use métodos que incentivem a reflexão crítica, sem perder de vista a formação cognitiva dos educandos. Assim, a Filosofia deixa de parecer algo distante e passa a ajudar na formação de um pensamento mais livre e autônomo.


Uma professora, ao realizar uma avaliação, cita a seguinte passagem do livro Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento de ser, de Sueli Carneiro: “Os teóricos políticos são majoritariamente brancos que não veem que seu privilégio racial é político e, portanto, uma forma de dominação”. Espera-se, portanto, que a atividade avaliativa promova o(a)


A

enfoque na argumentação lógica para incentivar o desenvolvimento do pensamento filosófico, em termos da universalidade do conhecimento.


B

ênfase da abordagem do racismo estrutural em diversos contextos como opção ao uso da tradição filosófica ocidental para abordar o e desenvolver o ensino e a aprendizagem.


C

desenvolvimento de perspectiva crítica sobre questões raciais fundada em matrizes teóricas diversas, ampliando o horizonte dos estudantes sobre aquelas temáticas.


D

vínculo entre produções multiculturais e o pensamento de autores negros contemporâneos na promoção das ideias filosóficas espontâneas dos estudantes.

A proposta de um currículo que reforça a identidade e a cosmovisão dos estudantes de escolas indígenas e quilombolas passa por projetos pedagógicos que integram o conhecimento tradicional sobre a natureza e as práticas sustentáveis com os conhecimentos científicos. Em quais aspectos podemos analisar a relação entre o mitológico e o epistemológico nos textos 1 e 2?


A

Habermas e Krenak concordam que a principal função das mitologias e das narrativas tradicionais é a de reforçar a identidade cultural isolada, prevenindo a influência externa e a inevitável integração com a modernidade ocidental e seu avanço técnico-científico, sendo essa uma das formas de barrar a ideologia da racionalidade instrumental.


B

Habermas vê o progresso técnico-científico como um mecanismo de encantamento que legitima a dominação, enquanto Krenak aponta as mitologias e as narrativas tradicionais como saberes alternativos que revelam a presunção da modernidade, essenciais para a libertação e a revitalização cultural em contextos indígenas e quilombolas.


C

Habermas considera o progresso técnico-científico um mecanismo de encantamento superável pela razão comunicativa, enquanto Krenak vê as mitologias e as narrativas tradicionais como crenças a serem gradualmente substituídas por uma modernidade mais ecológica, por meio de projetos de conscientização popular.


D

Ambos os autores convergem na visão de que a dominação legitimada pelo progresso técnico-científico pode ser mitigada pela integração dessas mesmas tecnologias em projetos de desenvolvimento sustentável controlados por comunidades indígenas e quilombolas, sem necessidade de revisão epistemológica.

Em sala de aula, um professor expõe e promove o uso da dialética socrática-platônica para provocar nos estudantes um contato mais direto com o pensamento antigo. Uma proposta que faz com que eles experimentem esse modelo investigativo a fim de identificar as peculiaridades dessa dialética é


A

priorizar a memorização de conceitos filosóficos fundamentais com foco na reprodução de verdades universais.


B

ensinar o conteúdo filosófico por meio da exposição sistemática de opiniões e doutrinas tradicionais de modo sequencial lógico.


C

utilizar situações-problema em que confrontem suas crenças e valores para uma investigação interna da turma.


D

propor debates orientados por teses e antíteses preestabelecidas para a construção de uma síntese conceitual comum entre os estudantes.

Em uma escola pública de Ensino Médio, após episódios de comentários sexistas entre os estudantes, a professora de filosofia propõe rodas de conversa para discutir as causas estruturais da violência de gênero. Inspirada na obra Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade (2013), de bell hooks, essa professora organiza debates mediados pelos próprios estudantes, com o objetivo de tornar a sala de aula um espaço democrático e crítico. Durante a atividade, ela compartilha sua motivação: “Fazer da sala de aula um contexto democrático onde todos sintam a responsabilidade de contribuir é um objetivo central da pedagogia transformadora”. Com base nesse princípio, os estudantes elaboram perguntas e hipóteses a partir de suas vivências, promovendo reflexões coletivas e construindo estratégias para enfrentar a desigualdade de gênero.


Caracteriza-se como conclusão compatível com a análise crítica desenvolvida pelos estudantes, promovendo também sua autonomia intelectual, a


A

compreensão da violência de gênero como expressão de relações desiguais de poder, naturalizadas na cultura escolar e nos espaços sociais.


B

atribuição dos episódios de violência de gênero a comportamentos individuais, com ênfase na necessidade de maior controle disciplinar.


C

valorização do protagonismo feminino por meio de ações simbólicas, como a celebração de datas comemorativas no calendário escolar.


D

proposição de debates sobre ética e moralidade, priorizando o consenso e evitando o enfrentamento de conflitos conceituais.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação afirma, no artigo 35-D, que a Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio estabelece direitos e objetivos de aprendizagem e denomina Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CHSA) a área integrada por Filosofia, Geografia, História e Sociologia, destacando habilidades e competências como elementos fundamentais. No entanto, pesquisas apontam que a implantação do Novo Ensino Médio (NEM) implicou a redução da carga horária destinada a esses componentes curriculares. Segundo o Jornal da Unesp, “entre o anos de 2020 e 2025, no estado de São Paulo, Filosofia e Sociologia perderam 62,9% da carga horária; Geografia, 25,9%. No total, as Ciências Humanas foram reduzidas em 35,1%”.


SAMPAIO, N. Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária critica

a redução da carga horária das disciplinas de Ciências Humanas para

estudantes paulistas. Jornal da Unesp, mar. 2025 (adaptado).


A integração da área CHSA presente no Novo Ensino Médio, além de contradizer as teorias do currículo que preconizam a disciplinaridade para que a (inter/trans)disciplinaridade ou a transversalidade seja efetivada, promove a redução da carga horária dos componentes curriculares que a compõe. Como a Filosofia foi afetada pelo Novo Ensino Médio (NEM)?


A

A integração da Filosofia à área CHSA exige o ensino dos fundamentos dessa área para justificar a presença da disciplina no currículo.


B

As alterações de conteúdos buscam atender direitos e objetivos de aprendizagem, ampliando sua especificidade.


C

A diluição e a fragmentação associadas com a redução da carga horária prejudicam sua especificidade.


D

As exigências de habilidades e competências coincidem com suas principais orientações específicas.

Um professor de Filosofia está planejando uma aula sobre ética ambiental e propõe como objetivo analisar criticamente o conceito de contrato natural, de Michel Serres. Para isso, considera revisar a aplicabilidade, na atualidade, da proposta do autor, que aponta para uma nova relação entre a humanidade e a natureza, baseada no reconhecimento de que os seres humanos não podem continuar explorando o meio ambiente como se fossem seus donos absolutos. Para ilustrar essa ideia, ele mostra a pintura “Duelo com porretes” (1820), de Francisco de Goya (1746-1828), no qual dois homens lutam com porretes enquanto afundam em areia movediça.


Qual das seguintes estratégias pedagógicas é a mais adequada para atingir o objetivo de aprendizagem planejado pelo professor?


A

Expor as deficiências que o contrato natural apresenta, enfatizando a inviabilidade de sua aplicação prática, já que os interesses econômicos sempre prevalecerão.


B

Propor aos estudantes que criem sua própria versão de um contrato natural, destacando as possíveis dificuldades e estratégias para sua aplicação.


C

Atribuir aos estudantes uma pesquisa sobre outros filósofos que abordam problemas ambientais contemporâneos e, em seguida, apresentá-la em sala.


D

Solicitar aos estudantes que interpretem o quadro de Goya “Duelo a garrotazos”, que mostra dois homens lutando com porretes enquanto afundam em areias movediças.


E

Explicar o caráter puramente filosófico da pergunta, ressaltando a impossibilidade de relacionar o contrato natural com problemas ambientais concretos como a mudança climática.

Em uma aula de Filosofia, um professor aborda com seus estudantes a perspectiva filosófica de Sartre, aprofundando-se especificamente em como o pensamento existencialista rompe com as visões essencialistas e deterministas do ser humano, abrindo espaço para reflexões a partir de diversas disciplinas éticas, sociais e subjetivas sobre a liberdade, a identidade e a responsabilidade individual. Diante disso, uma estudante pergunta: o que Sartre afirma sobre a liberdade humana que torna seu pensamento interdisciplinar?


Qual das seguintes afirmações do professor permite responder com precisão conceitual à dúvida da estudante?


A

Para Sartre, o ser humano é absolutamente livre para construir sua própria identidade, mas essa liberdade implica uma responsabilidade total por suas escolhas e ações.


B

A essência de um indivíduo, segundo Sartre, já está determinada ao nascer e é moldada principalmente por fatores genéticos e pelo ambiente social em que cresce.


C

A liberdade defendida por Sartre isenta o indivíduo de toda responsabilidade moral, pois não há regras fixas que orientem as decisões humana.


D

Segundo Sartre, a existência humana é definida pela cultura e pelas tradições, que podem eliminar a possibilidade de autodeterminação e da busca por uma essência.


E

Sartre afirma que o destino de cada indivíduo já está traçado desde o início de sua vida e que é impossível mudá-lo ao longo do tempo.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, são competências e habilidades a serem desenvolvidas por meio do estudo de Filosofia, EXCETO:


A

Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e registros.


B

Dominar o saber filosófico em suas diferentes etapas históricas e formas de expressão.


C

Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e modos discursivos nas ciências naturais e humanas, nas artes e em outras produções culturais.


D

Elaborar, por escrito, o que foi apropriado de modo reflexivo.


E

Debater, tomando uma posição, defendendo-a argumentativamente e mudando de posição face a argumentos mais consistentes.

Em uma aula de Filosofia, o professor propõe aos estudantes a análise da afirmação de Jean-Jacques Rousseau: “O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”. Para ilustrar essa ideia, utiliza a obra A Revolução dos Bichos, de George Orwell, destacando que os animais, ao assumirem o poder na granja, passaram a modificar os mandamentos criados inicialmente para reger a igualdade entre todos. A cada novo episódio, as regras eram alteradas em benefício dos que ocupavam o comando, revelando um processo progressivo de distorção ética e política.


Por que a trama apresentada na obra utilizada pelo docente permite ilustrar a frase de Rousseau discutida na atividade?


A

Porque mostra que os animais, após sua ascensão ao poder, foram alterando os mandamentos de acordo com sua conveniência.


B

Porque mostra que é necessário um poder forte para controlar os mais fracos e corruptos, como ocorre com alguns animais da granja.


C

Porque mostra que os animais mudaram os mandamentos para cada situação, considerando que qualquer ação é válida para alcançar um objetivo.


D

Porque mostra que a superação da corrupção e a troca dos mandamentos foi possível por meio de um pacto social, a partir do pleno acordo entre os animais.


E

Porque mostra que a troca dos mandamentos corresponde ao ajuste do comando do poder de forma absolutista, como ocorre na granja.

 
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