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A Análise do Discurso se propõe a estudar o discurso não com análises estritamente linguísticas, mas com uma abordagem histórico-ideológica. Segundo esse aspecto, é correto afirmar que:
A Análise do discurso investiga o conhecimento da expressividade humana por meio da metalinguagem do sistema do código e sua evolução retórica no meio social.
A Análise do discurso entende o estudo da língua por meio de um sistema estrutural organizado, o qual direciona a espontaneidade da fala das pessoas bem como o estreitamento destas com o mundo circundante.
A Análise do discurso ultrapassa os limites da frase e busca compreender o que está envolvido na estruturação do texto – oral ou escrito – e o que faz pessoas diferentes produzirem textos diferentes.
A Análise do discurso prescinde do conceito de língua como sistema, considerando trivial, neste contexto, a noção de sujeito e de situação de produção.
A Análise do discurso trata a língua em suas variedades, descrevendo os fatos linguísticos sem uma avaliação do que seja certo ou errado, o que torna essa linha de investigação do conhecimento uma ação mais democrática de inclusão social.
A Teoria da Enunciação e a Análise do Discurso, fundamentadas em Bakhtin e Ducrot, rompem com a visão de unicidade do sujeito falante. A propriedade constitutiva da linguagem que reconhece a presença simultânea e o entrecruzamento de diversas vozes, perspectivas ou discursos no interior de um único enunciado, revelando a natureza dialógica da construção do sentido, é a:
Intertextualidade Explícita.
Coerência Pragmática.
Dêixis Social.
Heterogeneidade Mostrada.
Polifonia.
Com base nos conceitos que fundamentam os estudos dos gêneros do discurso, analise as afirmativas a seguir e identifique a alternativa incorreta.
Os gêneros do discurso são chamados de relativamente estáveis porque têm características reconhecíveis, mas não são fixos: mudam ao longo do tempo conforme as transformações sociais, como mostram gêneros digitais atuais, como meme, story e thread.
Todo discurso é constituído por múltiplas vozes provenientes de outros discursos, que são assimiladas e reestruturadas pelo falante, de modo que a consciência individual se forma no diálogo entre essas vozes e não de maneira isolada.
Os gêneros primários são formados a partir de reelaborações dos secundários, de modo que um romance, ao incorporar um diálogo cotidiano, devolve a esse diálogo seu caráter imediato e espontâneo.
Os gêneros do discurso são formas relativamente estáveis de enunciados constituídas sócio-historicamente, de modo que todo ato comunicativo, oral ou escrito, se realiza necessariamente por meio de um gênero, ainda que o falante não tenha consciência disso.
No quarto parágrafo, a distinção entre "História" e “memória popular” é sustentada linguisticamente pelo uso de operadores de incerteza. Ao citar termos como “possivelmente”, “pode ter ocorrido' e "há indícios”, o texto mobiliza a Modalização Epistêmica. A função pragmática desses marcadores no discurso científico-histórico é:
Esvaziar a credibilidade do relato, demonstrando que não há conhecimento factual sobre o período.
Sinalizar a subjetividade emocional do autor, que expressa suas dúvidas pessoais sobre o destino dos colonos.
Delimitar o grau de comprometimento com a verdade, distinguindo o que é fato comprovado daquilo que é hipótese inferencial.
Criar um efeito de suspense literário, típico de romances policiais, para engajar o leitor na trama.
Diversas análises contemporâneas do discurso midiático têm evidenciado que, mais do que transmitir informações, os textos jornalísticos e opinativos operam com diferentes níveis de intencionalidade, organizando efeitos de sentido por meio de estratégias linguístico-discursivas nem sempre explícitas. Isso se manifesta na seleção lexical, na estrutura argumentativa e, sobretudo, na articulação entre os dados apresentados como fatos e os juízos subentendidos como consensuais. À luz dessas observações, considera-se que:
a distinção entre fato e opinião pode ser facilmente identificada quando o enunciador se abstém de modalizações avaliativas, permitindo que a objetividade do texto prevaleça como marca de neutralidade do discurso, sobretudo em gêneros informativos.
a compreensão interpretativa de textos exige a identificação de elementos explícitos, pois o conteúdo implícito pertence ao campo subjetivo do leitor e, portanto, não pode ser considerado como parte legítima da construção de sentido textual.
os efeitos de sentido estão ancorados na literalidade do texto, e sua apreensão correta ocorre quando o leitor evita interpretações extrapoladas, restringindo-se ao que está linguisticamente codificado de modo direto no enunciado.
a inferência de sentidos a partir de informações não enunciadas diretamente é parte fundamental do processo de leitura crítica, uma vez que muitos efeitos de sentido se constroem em camadas simbólicas e dependem do reconhecimento da intenção comunicativa do autor.


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Com base na leitura dos trechos, uma professora estabeleceu uma conexão entre clássicos da literatura e contexto digital contemporâneo, aproximando a obra literária da realidade dos estudantes. Um dos objetivos da proposta foi refletir sobre como os discursos se relacionam entre si.
Para construir conhecimento em torno da interdiscursividade, em uma perspectiva interdisciplinar, a professora considerou diferentes interpretações da obra de Pessoa, permitidas pela relação entre os textos assinados por ele mesmo e por seus heterônimos. Destaca-se como correta a interpretação que aponta a presença de
diálogo, por apresentar temáticas em comum como percepção, totalidade e identidade, permitindo relações com a filosofia e a psicanálise.
anulação mútua, por apresentar visões incompatíveis umas com as outras, impedindo articulações com outras áreas de conhecimento.
unidade do discurso, por apresentar a mesma compreensão cética do mundo, dialogando com abordagens filosóficas existencialistas.
independência literária, por apresentar personalidades próprias, sendo o interdiscurso pouco relevante nas análises poéticas.
Leia a sentença abaixo:
"- Mágica besta. Faz outra que te ensino." (5°§)
Considerando a intencionalidade discursiva manifesta no trecho, pode-se afirmar que a estratégia discursiva empregada pela personagem é chamada de:
Argumentum tu quoque.
Argumentum ad consequentiam.
Argumentum ad baculum.
Argumentum ad hominem.
Argumentum ad ignorantiam.
A ideologia e o discurso são elementos abordados por diferentes perspectivas teóricas, destacando-se especialmente os estudos da análise de discurso crítica.
Considerando essa corrente dos estudos discursivos, é INCORRETO afirmar que
o discurso é uma prática social que pode tanto reforçar quanto desafiar ideologias predominantes em uma sociedade.
a ideologia está sempre presente no discurso, mesmo que de forma implícita, influenciando as escolhas linguísticas e os sentidos produzidos.
todo discurso reflete de maneira direta e neutra as intenções do falante, sem ser afetado por contextos sociais e ideológicos.
a ideologia pode moldar o discurso de forma a manter ou questionar relações de poder em diferentes contextos sociais.
Van Dijk (2012) argumenta que há uma relação muito estreita entre o discurso e as relações de poder na sociedade, envolvendo várias questões que devem ser analisadas criticamente no contexto educacional.
A partir de uma reflexão sobre o discurso e a manutenção do poder, na perspectiva vandijkiana, afirma-se que
o discurso não afeta a manutenção do poder, pois já é uma coisa construída cultural e historicamente, ou seja, ele jamais reforça ou questiona as estruturas de poder estabelecidas.
a linguagem é um elemento que naturalmente estabelece as relações de poder, o que é possível investigar somente pelo estudo da filologia linguística, que analisa a evolução histórica dos usos linguísticos.
o discurso é o principal meio pelo qual os grupos dominantes mantêm o seu poder, pois ele possibilita a propagação de crenças e atitudes que legitimam ou naturalizam formas de desigualdade.
as formas de poder são mantidas principalmente por políticas econômicas e legais, sendo reforçadas por instituições e estruturas sociais, sem depender diretamente da influência do discurso.
"Você já deve ter presenciado alguma dessas cenas: um dos seus amigos ou colegas de trabalho começa a fazer piadinhas com pessoas obesas, pretas ou mais baixas que a média da população. É possível que muitos deem risada, mas é provável que muitos sintam-se desconfortáveis ou com raiva... Esse tipo de ataque disfarçado, que muitas vezes vem camuflado em um comentário engraçado ou debochado, tem um nome: microagressão. E ela tem enorme impacto na saúde mental."
Considerando o trecho extraído do texto-base, identifique a alternativa que caracteriza o gênero discursivo presente nele.
Texto literário, uma vez que emprega metáforas, como em "morte por mil cortes", recurso característico desse tipo de escrita.
Texto jornalístico informativo, pois relata dados objetivos sobre a saúde mental de forma impessoal e científica.
Texto instrucional, pois apresenta instruções detalhadas sobre como identificar microagressões sem contextualizá-las socialmente.
Texto argumentativo-expositivo, pois combina informações sobre microagressões com orientação ao leitor sobre sua compreensão e impacto.


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À luz dos estudos bakhtinianos e de seus desdobramentos nas teorias do discurso, a linguagem é concebida não como um sistema abstrato de formas, mas como um fenômeno socialmente orientado, historicamente situado e constitutivamente dialógico. Considerando essa perspectiva e os conceitos de enunciado, enunciação, texto, polifonia e gêneros discursivos, assinale a alternativa que apresenta uma compreensão teoricamente consistente com esse modelo.
A polifonia, enquanto categoria analítica da linguística textual, refere-se à alternância de registros estilísticos no interior de um mesmo texto, constituindo um fenômeno exclusivamente retórico e estilístico, alheio às dimensões ideológicas do enunciado.
O conceito de dialogismo, no campo da linguagem, implica reconhecer a presença de múltiplas vozes na construção do sentido, mesmo quando essas vozes não se manifestam explicitamente, o que evidencia a inseparabilidade entre linguagem e ideologia.
A enunciação, na perspectiva dialógica, diz respeito exclusivamente ao momento empírico da produção verbal, sem relação com o modo como o sujeito se posiciona ideologicamente no interior do discurso proferido.
A análise do discurso, baseada na teoria enunciativa bakhtiniana, propõe que o enunciado é uma unidade linguística isolável, autônoma e autoexplicativa, cujos efeitos de sentido independem da relação entre locutor e interlocutor.
A noção de gênero discursivo refere-se a estruturas linguísticas recorrentes que, por sua regularidade sintático-semântica, permitem a classificação dos textos em categorias gramaticais objetivas, desvinculadas de condições de produção e circulação.
O texto é de cunho jornalístico e opinativo. Serve para apresentar o posicionamento crítico de determinado grupo sobre os principais assuntos do momento da publicação. Quanto aos gêneros do discurso, é um exemplo de:
notícia
editorial
reportagem
artigo de opinião
“Na modernidade líquida, as identidades tornam-se instáveis e negociadas” (Zygmunt Bauman, Modernidade Líquida, 2000). Perfis digitais, em redes sociais, são exemplos de construção discursiva fluida. Assinale a alternativa correta:
Perfis digitais impedem performatividade discursiva, convertendo identidades em categorias fixas.
Perfis digitais preservam identidades fixas, mantendo coerência uniforme em todos os contextos.
Perfis digitais anulam diversidade simbólica, impondo homogeneidade em práticas comunicacionais.
Perfis digitais encenam identidades fluidas, ressignificadas em interações contínuas e instáveis.
Perfis digitais cristalizam narrativas estáveis, afastando pluralidade de modos identitários.
Todas as frases abaixo mostram opiniões fundamentadas em posições individuais do enunciador. A única frase que diverge dessa estrutura, é:
A corrupção na democracia começa no fato de uma classe fixar os impostos e outra pagar.
Não se deve ser mais monárquico que o rei.
Diplomacia é lembrar o aniversário do cônjuge e esquecer a sua idade.
O poder sem abuso perde o encanto.
Como dizem os ingleses, os franceses nunca esqueceram Napoleão Bonaparte.
Em Os Gêneros do Discurso, Bakhtin (2016) enfatiza que a língua se manifesta através de enunciados concretos, sejam orais ou escritos. É por meio desses enunciados específicos que a língua é efetivamente utilizada. Essa visão nos direciona para as atividades humanas mencionadas pelo autor, já que os enunciados refletem e se adaptam às condições e propósitos dos contextos em que estão inseridos.
BAKHTIN, M. M. Os gêneros do discurso. Tradução e notas de Paulo Bezerra.1. ed. São Paulo, Editora 34, 2016.
Bakhtin define o enunciado como:
A "coletividade da comunicação discursiva" e caracteriza-o pela "alternância dos sujeitos do discurso".
A "unidade da comunicação dialógica" e caracteriza-o pela "simultaneidade dos sujeitos do discurso".
A "coletividade da comunicação dialógica" e caracteriza-o pela "simultaneidade dos sujeitos do discurso".
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Considerando BAKHTIN, Mikhail, em Estética da criação verbal, capítulo: Os gêneros do discurso, observe as assertivas abaixo, assinalando a INCORRETA:
Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão sempre relacionadas com a utilização da língua.
A utilização da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, que emanam dos integrantes duma ou doutra esfera da atividade humana.
O enunciado reflete as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, não só por seu conteúdo (temático) e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos recursos da língua — recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais —, mas também, e sobretudo, por sua construção composicional.
A riqueza e a variedade dos gêneros do discurso são limitadas, pois a variedade virtual da atividade humana é extinguível.
Identifique a afirmativa correta acerca das diferenças entre Texto e Discurso.
Um mesmo Discurso pode ter diversas manifestações textuais.
Discurso é a manifestação concreta da língua no uso diário, podendo ser oral ou escrito.
O Texto não é passível de análise mais profunda, restringindo-a à coesão.
O Texto é, ao mesmo tempo, instituído histórica, social e culturalmente.
Entre os fragmentos textuais abaixo, assinale o que pertence a um modo de organização discursiva (descrição, narração, argumentação, exposição e injunção) diferente dos demais.
Numa decisão rápida, segurou-se a uma saliência do rochedo deixando a vaga passar sobre ele.
O vão da caverna que era iluminado pela tocha era ainda mais amplo do que o imaginara. Sua cúpula imensa era alta, coberta es estalactites.
A estátua de Atena estava de pé, com a deusa vestindo uma túnica que descia até os pés, e sobre seu peito estava esculpida uma cabeça da Medusa de marfim.
Eu nunca vi tanta graça unida a tanta gravidade. Sua roupa a tornava muito elegante e fazia que parecesse frágil. Um manto marrom que ele trazia ao entrar estava jogado sobre as costas.
O computador era dos antigos, com um grande teclado cujas letras estavam dispostas à moda inglesa e com pouca luminosidade na tela pequena.
Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social.
Qual é um dos aspectos destacados sobre a Análise de Discurso Crítica, de acordo com as ideias expressas no texto?
A abordagem de Bakhtin (1997) é desconsiderada devido à sua desconexão com o contexto histórico e político.
A abordagem se concentra exclusivamente na aplicação de teorias já existentes, sem modificar seu contexto epistemológico.
A transdisciplinaridade da abordagem envolve a operacionalização e transformação de teorias para os propósitos críticos no ensino da língua materna.
A Análise de Discurso Crítica se baseia principalmente nos estudos de Foucault (1977, 2003) e descarta outros estudos fundadores.
No que diz respeito aos conceitos de discurso, analise as assertivas a seguir:
I.No discurso indireto há utilização do travessão, pois geralmente as orações são subordinadas, ou seja, dependem de outras orações, o que pode ser marcado através da conjunção "que" (verbo + que).
II.No discurso direto, o narrador dá uma pausa na sua narração e passa a citar fielmente a fala do personagem.
III.No discurso indireto, o narrador da história interfere na fala do personagem preferindo suas palavras. Assim, não encontramos as próprias palavras da personagem.
IV.O discurso indireto é narrado em primeira pessoa.
É correto o que se afirma em:
Apenas I, II e III.
Apenas II, III e IV.
Apenas I e IV.
Apenas I e II.
Apenas II e III.


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