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Em 2024 tivemos a publicação da Diretriz Brasileira sobre Diagnóstico e Tratamento da Cardiomiopatia Hipertrófica. Qual alternativa sobre a cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é condizente com a prática clínica?
A CMH é uma condição que deve ser tratada exclusivamente com intervenções cirúrgicas, independentemente da gravidade dos sintomas.
O diagnóstico de CMH é confirmado apenas por ressonância magnética cardiovascular (RMC).
A estratificação de risco para morte súbita é uma parte importante da avaliação de pacientes com CMH, especialmente em atletas.
A presença de sintomas como dispneia e palpitações não é relevante para a decisão de tratamento em pacientes com CMH.
O tratamento medicamentoso é desnecessário em pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo preservada.
São sinais da insuficiência cardíaca fetal:
I. Edema de couro cabeludo.
II. Ascite.
III. Derrame pericárdico.
IV. Aumento dos movimentos fetais.
Quais estão corretos?
Apenas I e IV.
Apenas II e III.
Apenas I, II e III.
Apenas I, II e IV.
I, II, III e IV.
A síndrome de Eisenmenger é definida como uma doença obstrutiva vascular pulmonar que se desenvolve em consequência de um grande shunt esquerdo-direito preexistente, de maneira que as pressões arteriais pulmonares se aproximam dos níveis sistêmicos e a direção do fluxo torna-se bidirecional ou da direita para a esquerda. Sobre essa síndrome, analise as assertivas a seguir:
I. Até 35% dos pacientes podem desenvolver fibrilação ou flutter atrial.
II. Hemoptise ocorre em quase 100% dos pacientes.
III. No exame físico, observa-se cianose central e baqueteamento dos leitos ungueais.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas III.
Apenas I e III.
I, II e III.
São defeitos cardíacos que tipicamente causam cianose central, EXCETO:
Comunicação interventricular.
Transposição de grandes vasos.
Tetralogia de Fallot.
Atresia tricúspide.
Anomalia de Ebstein.
Os defeitos cardíacos na síndrome de Down são muito frequentes e podem atingir até 40% das crianças. São patologias comuns na síndrome de Down, EXCETO:
Defeito do septo AV.
Bloqueio atrioventricular total congênito.
CIV.
PCA.
Doença vascular pulmonar mais precoce.
As cardiopatias congênitas cianóticas mais frequentemente diagnosticadas no período neonatal são a transposição das grandes artérias e a tetralogia de Fallot, sendo que esta última tipicamente apresenta um sopro sistólico e eixo do QRS desviado para a direita no eletrocardiograma, configurando um quadro de obstrução do fluxo da via de saída do ventrículo direito.
Certo
Errado
Quanto a Insuficiência Cardíaca (IC) em pediatria, todas estão corretas, EXCETO:
as principais causas de IC na criança são as cardiopatias congênitas estruturais e as cardiomiopatias, sendo que o grupo das cardiopatias congênitas é a causa mais frequente chegando a ser responsável por 50% a 70% dos casos de IC na infância.
as cardiomiopatias são responsáveis por 20% a 30% de todos os casos de IC na criança, podendo ser de origem primária ou secundária.
sintomas de IC na criança independem da causa , gênero ou idade.
para tratamento adequado de IC na infância, devemos dividi-los em dois grandes grupos : pacientes com sinais de congestão ou pacientes com sinais de baixo debito para melhor orientação de tratamento.
fenômenos tromboembólicos são frequentes em crianças que apresentam IC decorrente de miocardiopatias com disfunção ventricular. Na presença de trombo intracardíaco está indicada a anticoagulação com heparina na fase aguda e posteriormente varfarina. Quando a fração de ejeção de ventrículo esquerdo for menor que 25%, a anticoagulação profilática com heparina ou varfarina também deve ser considerada.
A miocardiopatia hipertrófica (MCH) é uma doença genética do sarcômero cardíaco, caracterizada por hipertrofia ventricular esquerda inadequada, na ausência de outra doença cardíaca ou sistêmica que a justifique. A forma obstrutiva (MCHO) é definida pela presença de um gradiente dinâmico na via de saída do ventrículo esquerdo (VSVE), frequentemente causado pelo movimento anterior sistólico (SAM) da valva mitral. No manejo da MCHO sintomática em um adolescente, qual das seguintes opções terapêuticas é considerada a primeira linha?
A utilização de agentes inotrópicos positivos, como a dobutamina, para melhorar a ejeção ventricular e superar o gradiente obstrutivo na via de saída.
A indicação de miectomia septal cirúrgica (procedimento de Morrow) como abordagem inicial para todos os pacientes diagnosticados, a fim de ressecar o tecido hipertrófico e eliminar o risco de morte súbita.
O implante de um marca-passo de dupla câmara com intervalo atrioventricular curto para induzir uma dissincronia ventricular e reduzir o gradiente, sendo esta a terapia inicial menos invasiva.
A terapia com vasodilatadores como os nitratos para reduzir a pós-carga e facilitar a ejeção ventricular através da via de saída obstruída.
A prescrição de betabloqueadores em doses progressivas, com o objetivo de reduzir a frequência cardíaca, diminuir a contratilidade e atenuar o gradiente dinâmico da VSVE, especialmente durante o esforço.
A Transposição das Grandes Artérias (TGA) é uma cardiopatia congênita cianótica crítica, caracterizada pela discordância ventrículo-arterial. A sobrevivência no período neonatal depende da existência de comunicações entre as circulações pulmonar e sistêmica. Acerca das estratégias de manejo da TGA, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas.
(__)A cirurgia de Jatene, ou cirurgia de troca arterial, é o procedimento corretivo de escolha, devendo ser realizada preferencialmente nas primeiras duas semanas de vida para evitar a regressão da massa do ventrículo esquerdo, que passaria a ejetar contra a baixa resistência da circulação pulmonar.
(__)A cianose na TGA é refratária à administração de oxigênio a 100% (falha no teste de hiperóxia), pois o sangue sistêmico venoso retorna ao corpo sem passar pelos pulmões e o sangue pulmonar oxigenado retorna aos pulmões.
(__)A atriosseptostomia por balão, ou procedimento de Rashkind, é uma intervenção paliativa realizada no período neonatal para criar ou ampliar uma comunicação interatrial, melhorando a mistura sanguínea e a saturação de oxigênio sistêmica, sendo uma ponte para a cirurgia corretiva.
(__)O eletrocardiograma na TGA com septo interventricular íntegro é tipicamente normal no recém-nascido, não demonstrando sobrecarga ventricular direita, pois o ventrículo direito está adaptado desde a vida fetal a bombear contra a resistência sistêmica.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
V, V, V, V.
V, F, F, F.
F, F, V, V.
V, F, V, V.
V, F, V, F.
O Canal Arterial Persistente (CAP) é uma condição na qual a comunicação fetal entre a aorta e a artéria pulmonar não se fecha após o nascimento. A sua repercussão clínica é variável, sendo particularmente problemática em recém-nascidos prematuros. Considerando as particularidades do CAP no prematuro, analise as afirmativas a seguir:
I.Em prematuros extremos, o CAP com grande shunt esquerda-direita pode levar a um quadro de "roubo de fluxo" da circulação sistêmica, resultando em enterocolite necrosante, hemorragia intraventricular e insuficiência renal, devido à queda da pressão diastólica aórtica.
II.O tratamento farmacológico do CAP em prematuros sintomáticos é realizado com inibidores da ciclooxigenase, como a indometacina ou o ibuprofeno, que atuam inibindo a síntese de prostaglandinas e promovem a constrição e fechamento do canal.
III.A presença de um sopro contínuo, em "maquinaria", em região infraclavicular esquerda, é o achado semiológico patognomônico do CAP hemodinamicamente significativo em recém-nascidos prematuros com menos de 1000g.
Está correto o que se afirma em:
I e III apenas.
II e III apenas.
I, II e III.
II apenas.
III apenas.
O defeito do septo atrioventricular é uma cardiopatia congênita que frequentemente se associa à trissomia do 21. Na forma “parcial” clássica estão presentes: comunicação interatrial ostium primum e cleft da valva atrioventricular esquerda. Assinale a alternativa correta quanto às características que diferenciam o cleft da valva atrioventricular (AV) esquerda do cleft isolado da valva mitral.
O jato de insuficiência do cleft da valva AV esquerda direciona-se para a artéria aorta.
O jato de insuficiência do cleft da valva mitral direciona-se para o septo interventricular.
O jato do cleft da valva AV esquerda direciona-se para a região septal e a valva é tricúspide.
No cleft isolado da valva mitral, é possível identificar que a valva apresenta três cúspides.
No cleft da valva AV esquerda, é possível identificar que a valva é bicúspide.
Um paciente de 59 anos com diagnóstico de cardiomiopatia crônica chagásica apresenta-se com dispneia aos esforços moderados, palpitações e episódios de síncope. O eletrocardiograma de repouso mostra bloqueio de ramo direito (BRD) e bloqueio divisional anterossuperior esquerdo (BDASE). O ecocardiograma com doppler colorido revela disfunção sistólica do ventrículo esquerdo com fração de ejeção de 35%.
Qual é a melhor abordagem terapêutica inicial para esse paciente?
Iniciar tratamento com diuréticos de alça e monitorar a resposta clínica.
Implantar um marcapasso definitivo devido ao BRD e BDASE.
Iniciar tratamento com inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) e betabloqueadores.
Realizar ablação por cateter para tratar as arritmias ventriculares.
Iniciar anticoagulação oral para prevenir eventos tromboembólicos.
Sobre a atresia pulmonar com septo íntegro, é correto afirmar que:
As artérias pulmonares, quando não confluentes, sempre recebem fluxo do canal arterial localizado à esquerda.
A valva tricúspide é displásica, com insuficiência importante e sempre apresenta tamanho normal.
As artérias pulmonares, quando confluentes, geralmente recebem fluxo de colaterais aortopulmonares ou de um canal arterial bilateral.
Os sinusoides (= fístulas entre o ventrículo direito e as coronárias) aliviam a pressão elevada do ventrículo direito.
O ventrículo direito apresenta hipertrofia importante, mas não é pequeno e nem hipoplásico.
A dupla via de saída do ventrículo direito (DVSVD) é classificada de acordo com a relação da comunicação interventricular. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta a correta relação entre os tipos de DVSVD e suas respectivas comunicações interventriculares.
Tipo CIV - subpulmonar.
Tipo Fallot —- subaórtica.
Tipo “Taussig-Bing” — não relacionada.
Tipo “Taussig-Bing” — duplamente relacionada.
Tipo Fallot - duplamente relacionada.
Menina, 12 anos, apresentava dispneia e taquicardia sem febre, mas após 48 horas teve piora do quadro. Ao chegar na emergência, verificou-se: PA 80x40 mmHg, FC 160 bpm, gemente, com palidez cutânea, ausculta cardíaca com ritmo regular em 3 tempos (B3), bulhas hipofonéticas e pulsos finos. O quadro atual foi precedido por uma infecção viral recente. O resultado do ecocardiograma funcional demonstrou: fração de ejeção do VE = 36,5% método Teichholz. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é choque
séptico.
restritivo.
cardiogênico.
hipovolêmico.
obstrutivo.
A Síndrome de Eisenmenger é uma complicação grave de cardiopatias congênitas não corrigidas e está associada a importantes alterações hemodinâmicas e clínicas. Sobre essa síndrome, assinale a alternativa correta.
A condição é rara em adultos, pois todas as cardiopatias congênitas que causam shunt são corrigidas cirurgicamente nos primeiros anos de vida.
Trata-se de uma condição reversível com o uso precoce de vasodilatadores pulmonares, anticoagulantes, anti-hipertensivos e oxigenoterapia contínua.
Refere-se a pacientes com comunicação interatrial (CIA) no qual o sangue é desviado parcial ou totalmente da esquerda para a direita como resultado de desenvolvimento de doença vascular pulmonar.
Refere-se à obstrução do fluxo de saída do ventrículo direito para a artéria pulmonar resultando em aumento da pressão sistólica do ventrículo direito e estresse da parede, o que leva à hipertrofia do ventrículo direito.
Refere-se a pacientes com comunicação interventricular (CIV) no qual o sangue é desviado parcial ou totalmente da direita para a esquerda como resultado de desenvolvimento de doença vascular pulmonar.
A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum após o primeiro ano de vida. Seu manejo clínico envolve a vigilância e o tratamento das crises de hipóxia (crises cianóticas). Um lactente de 6 meses com diagnóstico de Tetralogia de Fallot é trazido à emergência com um episódio de irritabilidade intensa e cianose acentuada após um acesso de choro. O manejo adequado da crise é fundamental para prevenir lesão neurológica. Qual medida farmacológica é utilizada na profilaxia (prevenção) de novas crises de hipóxia e qual é o seu principal mecanismo de ação?
Furosemida; redução da pré-carga e do volume sanguíneo ejetado para a aorta.
Sildenafil; vasodilatação da artéria pulmonar, reduzindo a resistência ao fluxo.
Propranolol; relaxamento da musculatura do infundíbulo do ventrículo direito.
Digoxina; aumento da contratilidade miocárdica e melhora do fluxo pulmonar.
Um lactente de oito meses, portador de comunicação interatrial tipo ostium secundum, é submetido a estudo hemodinâmico para avaliação do grau de shunt. Os dados obtidos estão apresentados a seguir.

Considerando os dados apresentados, qual é o valor aproximado do Qp/Qs?
1.2.
1,6.
2.
2,4.
1,8.
Em relação ao diagnóstico e manejo da hipertensão arterial (HA) em crianças e adolescentes, assinale a alternativa correta.
A medida da pressão arterial (PA) deve ser realizada rotineiramente a partir dos 5 anos de idade, antes dessa faixa etária os valores são instáveis e pouco reprodutíveis.
Em adolescentes com idade ≥ 13 anos, considera-se hipertensão quando a PA é ≥ 130/85 mmHg em três ocasiões distintas, independentemente do percentil de estatura.
Pressão arterial ≥ percentil 95 apenas se houver lesão de órgão-alvo documentada.
Recomenda-se a monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) para confirmação diagnóstica de HA em crianças e adolescentes com medidas de consultório compatíveis com pré-hipertensão por pelo menos 1 ano ou com valores de PA compatíveis com HA estágio 1 em três consultas.
A terapêutica medicamentosa deve ser iniciada em todos os casos de HA estágio 1, independentemente da resposta às medidas não medicamentosas.
Um homem de 75 anos, com histórico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida é admitido no pronto-socorro com dispneia progressiva, ortopneia e edema de membros inferiores. Seus sinais vitais são PA de 95/60 mmHg, FC de 120 bpm e SpO2 de 88% em ar ambiente. Apresenta sinais clínicos de hipoperfusão, como extremidades frias e confusão mental leve. No ultrassom point-of-care (POCUS) pulmonar, observa-se padrão B difuso bilateral. O ecocardiograma recente mostrou fração de ejeção de 25%. Qual é a melhor sequência de manejo inicial para esse paciente?
Iniciar infusão de vasodilatadores intravenosos (como nitroglicerina), administrar diurético de alça em dose baixa e monitorar resposta clínica.
Fornecer oxigênio suplementar, iniciar infusão de inotrópicos e considerar suporte ventilatório não invasivo se necessário.
Administrar bolus de cristaloides para otimizar a perfusão, seguido de vasopressores para manter a pressão arterial.
Fornecer oxigênio suplementar, administrar diurético de alça em dose alta e iniciar ventilação invasiva precoce para controlar a hipoxemia.