Questões de Concurso sobre Endocrinologia

 
 
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Durante exame admissional, foi detectado exame de glicemia de jejum alterado em um adulto jovem. A fim de confirmar o diagnóstico suspeito, a médica do trabalho encaminhou o paciente para outra coleta de exame, seguindo as recomendações da Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), de 2024.


Tabela1. Critérios laboratórias para diagnóstico de DM e pré diabetes

Imagem associada para resolução da questão



Legenda: TTGO = teste de tolerância à glicose oral (75 g de glicose anidra); HbA1c = hemoglobina glicada; DM = diabetes mellitus.


Entre os valores do quadro acima, o que representa um critério diagnóstico para diabetes mellitus, é:


A

Glicemia de jejum: 123 mg/dL.


B

HbA1c: 6,3%.


C

TTGO-1h: 210 mg/dL.


D

TTGO-2h: 195 mg/dL.


E

Glicemia ocasional: 180 mg/dL + sintomas clássicos de DM.

De acordo com as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes acerca do Planejamento, das metas e da monitorização do diabetes durante a gestação, analise as assertivas abaixo:


I- É recomendado aconselhar mulheres com DM (Diabetes Mellitus) para que planejem a gestação e orientá-las sobre a importância dos cuidados pré-concepcionais, com o objetivo de alcançar melhores desfechos perinatais.

II- É recomendado aconselhar mulheres com HbA1c acima de 9% para evitarem a gravidez até que alcancem melhor controle glicêmico.

III- É recomendado para a mulher com DM pré-gestacional que a HbA1c seja medida na primeira consulta pré-natal.

IV- É recomendado o automonitoramento da glicemia capilar diariamente, iniciando logo após o diagnóstico do DMG (Diabetes Mellitus gestacional).


É CORRETO o que se afirma em:


A

I, II, III e IV.


B

II e III apenas.


C

II e IV apenas.


D

I e III apenas.


E

I, III e IV apenas.

No tratamento do hipotireoidismo por tireoidite de Hashimoto o controle da dosagem da levotiroxina é feito por:


A

Dosagem de T4 livre.


B

Dosagem de T3


C

Sinais e sintomas do paciente.


D

Dosagem do nível de anti-tireoperoxidase.


E

Dosagem de TSH.

Em relação ao tratamento do diabetes tipo 2 com análogos do GLP-1 e inibidores de SGLT2, assinale a alternativa INCORRETA.


A

Um dos efeitos colaterais mais comuns dos inibidores de SGLT2 é a ocorrência de infecções genitais, como vulvovaginites e balanites.


B

Análogos do GLP-1 são frequentemente associados a efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas e vômitos, o que pode limitar sua adesão em alguns pacientes.


C

Inibidores de SGLT2 promovem perda de glicose pela urina, o que pode resultar em um risco aumentado de cetoacidose diabética, mesmo em pacientes com diabetes tipo 2.


D

Os análogos do GLP-1 são contraindicados em pacientes com histórico de insuficiência cardíaca, devido ao aumento do risco de piora da função cardíaca.


E

Análogos do GLP-1 devem ser temporariamente suspensos antes de procedimentos que envolvem anestesia ou sedação, devido ao risco de broncoaspiração causado pelo esvaziamento gástrico retardado.

Um homem de 24 anos, com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1 desde os 12 anos, dá entrada nas urgências com queixas de náuseas, vômitos, dor abdominal difusa e respiração rápida e profunda. Ele refere que parou de tomar a insulina há dois dias devido a uma infecção respiratória recente. O exame físico revela sinais de desidratação, pele seca, taquicardia (130 bpm) e respiração de Kussmaul (respiração rápida e profunda). Há um odor adocicado (semelhante a acetona) no hálito. O paciente parece letárgico. Solicitados exames a seguir:


Glicemia: 550 mg/dL; Gasometria arterial: pH 7,1, HCO3 10 mEq/L; Cetonas urinárias: fortemente positivas; Potássio sérico: 5,2 mEq/L; Creatinina: 1,4 mg/dL; Sódio: 130 mEq/L; Leucócitos 18.000/mm3 .


Sobre o quadro clínico marque a alternativa correta.


A

O paciente possui quadro de infecção ativa, já que observamos leucocitose, desta forma deve-se iniciar antibioticoterapia imediatamente.


B

A utilização de insulina em bomba de infusão contínua é a primeira etapa no tratamento da Cetoacidose diabética (DAB).


C

O uso de bicarbonato de sódio está indicado neste paciente devido níveis baixos de HCO3, com meta acima de 20 mEq/L.


D

Pode ser realizado apenas a infusão de insulina regular em Bomba de Infusão Contínua (BIC) 0,14 UI/Kg/h, sem dose de ataque.


E

O paciente se beneficiaria do uso dos ISGLT2, visto que eliminam glicose pela urina e devem ser prescritos na primeira hora de tratamento.

Paciente, sexo masculino, 40 anos, apresenta quadro de poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso inexplicada, há dois meses. Foi feita a hipótese diagnóstica de diabetes mellitus. De acordo com as diretrizes sobre o diagnóstico de diabetes mellitus, da Sociedade Brasileira de Diabetes, é correto afirmar que, na presença de sintomas típicos de hiperglicemia, recomenda-se que o diagnóstico seja estabelecido quando houver glicemia plasmática:


A

Maior ou igual a 120 mg/dl, em duas ocasiões.


B

Maior ou igual a 180 mg/dl.


C

Maior ou igual a 180 mg/dl, em duas ocasiões.


D

Maior ou igual a 200 mg/dl.

Paciente masculino, de 20 anos, com diabetes melito tipo 1, foi trazido à Emergência por vir apresentando poliúria, dor abdominal, náuseas e vômitos há 24 horas. Relatou ter feito, no dia anterior, consumo abusivo de álcool. Ao exame físico, encontrava-se muito desidratado, taquipneico, com respiração de Kussmaul, hálito cetônico e temperatura axilar de 38° C. Os exames laboratoriais revelaram glicemia de 480 mg/dl, pH de 7,15, bicarbonato de 8 mEq/l, cetonemia positiva, leucocitose e elevação do nível de amilase. Considerando o diagnóstico de acidose metabólica por ânion gap aumentado, foram prontamente iniciadas reposição volêmica, insulinoterapia intravenosa contínua e monitorização intensiva. Com base no quadro, assinale a assertiva correta.


A

Pancreatite aguda é a causa mais provável da descompensação da cetoacidose.


B

Hiperglicemia marcada não ajuda no diagnóstico diferencial entre cetoacidose diabética e cetoacidose alcoólica.


C

Bicarbonato de sódio deve ser prontamente administrado.


D

Todo o quadro pode ser explicado pela cetoacidose diabética.

Homem de 45 anos é avaliado com sintomas de mal­-estar, ganho de peso e intolerância ao frio. Ele tem hipotireoidismo autoimune primário em uso de tiroxina (100 mcg/dia) há 5 anos. Há 6 semanas, foi diagnosticado com tuberculose pulmonar, iniciando o tratamento com as 4 drogas recomendadas. Perfil da tireoide coletado há 3 dias: T4 livre: 0,79 ng/dL (normal: 0,9 a 1,8); TSH: 10,4 mU/L (normal: 0,35 a 5,5); anticorpo anti-TPO: positivo.


A explicação mais provável para seus sintomas e resultados bioquímicos é:


A

interação da tiroxina com etambutol.


B

interação da tiroxina com isoniazida.


C

interação da tiroxina com rifampicina.


D

interação da tiroxina com pirazinamida.


E

má adesão.

Mulher de 44 anos, eumenorreica e sem sintomas climatéricos, pergunta ao ginecologista qual deve ser o primeiro sinal de alteração menstrual que a ajudará a perceber o início da transição menopausal.


Assinale a alternativa mais adequada.


A

Aumento do fluxo menstrual.


B

Diminuição do fluxo menstrual.


C

Amenorreia.


D

Encurtamento do período entre os ciclos menstruais.


E

Atrasos menstruais.

Considerando-se o hiperparatireoidismo primário, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.


( ) As causas mais comuns são hiperplasia glandular e adenoma duplo.

( ) É esperado encontrar nível de cálcio total superior a 10,5mg/dL e de fosfato inferior a 2,5mg/dL.


A

C - E.


B

E - C.


C

C - C.


D

E - E.

Homem de 82 anos de idade refere fadiga diária e perda de peso de 6 kg em dez meses de modo não intencional. Refere não conseguir subir dez degraus sem interromper para descansar, mas caminha 500 metros no plano sem auxílio. AP: HAS; DM2 e dislipidemia. Índice de Katz 6 pontos. Escala de Lawton 5 pontos. Exame físico: peso: 52 kg.


De acordo com a escala FRAIL, o diagnóstico é


A

pré-frágil.


B

frágil.


C

robusto.


D

sarcopenia primária.


E

caquexia.

Em situações de choque séptico refratário à noradrenalina, diversos trabalhos, como o ensaio de Annane publicado no JAMA (2018), indicam que a insuficiência adrenal relativa compromete a resposta vasopressora, sendo a hidrocortisona endovenosa recomendada para potencializar receptores adrenérgicos e melhorar a reversão hemodinâmica. Com base nesse contexto, qual justificativa melhor fundamenta o uso do corticosteroide?


A

Hidrocortisona, induzindo expressão de receptores adrenérgicos e ampliando a resposta vasopressora.


B

Eritropoetina, estimulando eritropoiese medular e reduzindo a hipóxia tecidual em choque prolongado.


C

Amiodarona, controlando resposta simpática ventricular e prevenindo arritmias durante descompensação.


D

Vasopressina, estimulando receptores periféricos V1a e preservando simultaneamente o débito cardíaco.


E

Glucagon, promovendo gliconeogênese hepática imediata e revertendo a acidose metabólica instalada.

O PTH desempenha papel essencial no metabolismo ósseo ao estimular a reabsorção de cálcio renal, aumentar a reabsorção óssea e modular a síntese de calcitriol. Ensaios clínicos demonstram que a administração intermitente pode paradoxalmente induzir anabolismo ósseo, com efeitos explorados em terapias de osteoporose. Nesse contexto, qual alternativa expressa adequadamente esse duplo papel fisiopatológico?


A

Estimula síntese de calcitriol renal, aumentando absorção intestinal e preservando homeostase mineral.


B

Reduz excreção urinária de cálcio, intensificando perda óssea contínua sem potencial anabólico conhecido.


C

Mantém cálcio sérico estável, promovendo absorção intestinal independente de vitamina D ativa circulante.


D

Favorece unicamente catabolismo ósseo, sem efeito anabólico descrito em condições intermitentes clínicas.


E

Inibe produção hepática de calcitriol, dificultando absorção intestinal e agravando hipocalcemia persistente.

O carcinoma diferenciado da tireoide (CDT) apresenta prognóstico favorável, mas risco não desprezível de recidiva tardia, exigindo seguimento clínico-laboratorial rigoroso. As Diretrizes da American Thyroid Association (2022) destacam a integração entre marcadores bioquímicos, imagem seriada e supressão hormonal como pilares de acompanhamento. Nesse quadro, qual proposição reflete de modo mais consistente o manejo pós-terapêutico atual?


A

A dosagem de tireoglobulina sérica em supressão é suficiente para rastrear recorrência, dispensando avaliação por imagem.


B

A ultrassonografia cervical, realizada periodicamente, constitui o único exame recomendado em pacientes tratados com radioiodo ablativo.


C

A supressão de TSH com levotiroxina deve ser universal e permanente, independentemente do risco de recidiva individual.


D

A estratificação de risco inicial permite reduzir o seguimento a consultas clínicas, dispensando ultrassonografia e dosagem seriada de tireoglobulina.


E

O seguimento deve integrar supressão de TSH, dosagem de tireoglobulina (em supressão ou estimulada) e ultrassonografia cervical seriada.

Homem de 69 anos, com antecedente de diabetes mellitus tipo 2 há 15 anos, procura o ambulatório queixando-se de episódios frequentes de tontura e visão borrada ao se levantar, especialmente pela manhã e após refeições volumosas. Refere dois episódios pré-sincopais na última semana, um deles ao sair do banho. Usa metformina 850 mg 2x/dia para controle do diabetes. Ao exame, apresenta PA após cinco minutos em decúbito de 138 x 84 mmHg e FC de 72 bpm; após três minutos em posição ortostática, PA: 108 x 70 mmHg e FC: 70 bpm. Ausculta cardíaca com bulhas rítmicas, normofonéticas, sem sopros. Ao exame neurológico, reflexos discretamente reduzidos nos tornozelos e sensibilidade vibratória diminuída nos pés, com força preservada.


Qual é o diagnóstico mais provável para os sintomas desse paciente?


A

Hipotensão ortostática neurogênica por neuropatia autonômica do diabetes.


B

Hipotensão ortostática não neurogênica induzida por metformina.


C

Síncope vasovagal desencadeada por banhos quentes.


D

Síndrome de Taquicardia Postural Ortostática.

Mulher de 21 anos, grávida de 29 semanas, procura atendimento para tratamento de hipoparatireoidismo. O histórico é relevante para câncer papilar da tireoide diagnosticado há 7 anos e tratado com cirurgia e iodo radioativo. Ela tem um longo histórico de parestesias frequentes e cãibras musculares, mas esses sintomas diminuíram nas últimas semanas. Seus medicamentos atuais são: levotiroxina (150 mcg/dia); calcitriol (0,5 mcg/duas vezes ao dia); e carbonato de cálcio (1.000 mg de cálcio elementar/duas vezes ao dia). Exames séricos: albumina: 3,2 g/dL; cálcio total: 9,5 mg/dL; creatinina: 0,78 mg/dL; TSH: 0,38 mUI/L (normal: 0,5 a 5,0); hormônio da paratireoide intacto (PTH): indetectável; 25-hidroxivitamina D: 33 ng/mL (normal: 30 a 80); fósforo: 4,7 mg/dL (normal: 2,3 a 4,6); magnésio: 1,8 mg/dL (normal: 1,5 a 2,3). Análise urinária: relação cálcio/creatinina: 0,47 mg/mg (normal: < 0,22).


Considerando o caso clínico exposto, é correto afirmar que a conduta adequada é


A

adicionar um agonista do receptor de PTH.


B

adicionar hidroclorotiazida.


C

reduzir a dosagem de calcitriol.


D

reduzir a dosagem de levotiroxina.


E

trocar o carbonato de cálcio por citrato de cálcio.

Homem de 58 anos com diabetes mellitus tipo 2, em tratamento com metformina e empagliflozina, procura o serviço de emergência com queixa de náuseas, dor abdominal difusa e taquipneia nas últimas 24 horas. Sinais vitais: estáveis. Exames arteriais: glicemia: 185 mg/dL; pH: 7,25; bicarbonato: 15 mEq/L; beta-hidroxibutirato: 4,5 mmol/L (normal: < 0,6); hiato aniônico: 12 mEq/L (normal: 8 a 16).


Com base nos dados apresentados e nas mais recentes diretrizes internacionais para o manejo das emergências hiperglicêmicas, é correto afirmar:


A

o diagnóstico de cetoacidose diabética (CAD) é afastado, pois o ânion-gap encontra-se dentro da normalidade, sendo este um critério essencial para o diagnóstico.


B

o diagnóstico é de CAD euglicêmica, confirmado pela presença de cetonemia significativa e acidose metabólica, em paciente com diabetes conhecido, independentemente do ânion-gap normal.


C

o diagnóstico de CAD é improvável pela ausência de hiperglicemia significativa (glicemia < 200 mg/dL), um critério mandatório para essa condição.


D

o quadro clínico é mais sugestivo de cetoacidose alcoólica, visto que o uso de inibidores de SGLT2 raramente causam cetonemia expressiva sem elevação concomitante do ânion-gap.


E

o diagnóstico primário é de acidose metabólica hiperclorêmica secundária ao uso de inibidor de SGLT2, e a prioridade imediata é a administração de bicarbonato para correção do pH.

Adolescente de 16 anos com poliúria, polidipsia e perda de peso há 15 dias. Glicemia: 450 mg/dL, pH: 7,15, bicarbonato: 10 mEq/L.


Após estabilização inicial, o esquema insulínico mais apropriado é


A

insulina NPH 2x/dia + regular antes das refeições.


B

insulina glargina 1x/dia + lispro antes das refeições.


C

insulina degludeca 1x/dia + regular 3x/dia.


D

insulina NPH 1x/dia.


E

bomba de infusão contínua de insulina.

Mãe com doença de Graves em tratamento, apresenta RN ao nascimento com FC =190 bpm, irritabilidade, exoftalmia. TSH: < 0,02 mUI/L, T4L: 4,3 ng/dL (VR: 0,7-1,7), TRAb: 25 UI/L ((VR <1,5).


Assinale a opção que apresenta o diagnóstico e o tratamento para o caso.


A

Hipotireoidismo congênito – levotiroxina.


B

Tireotoxicose neonatal - metimazol + propranolol.


C

Síndrome de resistência ao hormônio tireoidiano – observação.


D

Crise tireotóxica - iodo + hidrocortisona.


E

Hipertireoidismo transitório - apenas propranolol.

Paciente com incidentaloma adrenal de 4,5 cm, densidade 18 UH em TC sem contraste. Investigação funcional: cortisol após 1 mg dexametasona: 5,2 mcg/dL, metanefrinas urinárias normais, aldosterona/renina normal.


A conduta adequada é


A

seguimento com TC em 6 meses.


B

PET-CT para excluir malignidade.


C

biópsia percutânea guiada por TC.


D

RNM com chemical shift.


E

adrenalectomia por critério de tamanho e não supressão do cortisol.

 
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