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Homem de 62 anos, previamente hipertenso, foi admitido na unidade de terapia intensiva (UTI) por pneumonia adquirida na comunidade. Na sala de emergência, havia recebido ceftriaxona e azitromicina, além de expansão volêmica com ringer lactato em um volume total de 30 mL/kg. Devido à manutenção da instabilidade hemodinâmica, foi iniciada norepinefrina, com a qual se obteve uma pressão arterial média de 67 mmHg. Na admissão à UTI, apresenta débito urinário de apenas 10 mL/h, extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 6 segundos e lactato sérico de 5,8 mmol/L (VR: 0,5-2,0). Para avaliar melhor o estado hemodinâmico, a equipe realizou ultrassonografia à beira do leito, que revelou ventrículo esquerdo dilatado, com padrão hipodinâmico e com presença de líquido posterior à aorta descendente no eixo paraesternal longo. A veia cava inferior apresentava diâmetro de 2,2 cm, sem colapsibilidade significativa.
Diante desse cenário, qual conduta deve ser priorizada para otimizar a perfusão do paciente?
Realizar pericardiocentese guiada por ultrassonografia
Administrar dobutamina associada a norepinefrina.
Otimizar dose de norepinefrina com o objetivo de manter PAM acima de 80 mmHg e diurese acima de 0,5 mL/kg/h.
Realizar expansão volêmica em alíquotas de 20 mL/kg até melhora do débito urinário.
Qual seria o regime terapêutico mais adequado para tratar essa endocardite infecciosa?
Vancomicina e gentamicina por 6 semanas devido à resistência bacteriana provável.
Oxacilina 2 g a cada 4 horas por 6 semanas, em dose recomendada para MSSA em válvula nativa.
Ceftriaxona associada à gentamicina por 4 semanas, com ajuste conforme sensibilidade do patógeno.
Iniciar antibiótico empírico com vancomicina e cefepime até que novas hemoculturas sejam realizadas.
Penicilina G por 2 semanas, seguida de gentamicina para completar 4 semanas de tratamento.
Paciente de 12 anos internada por quadro de cetoacidose diabética, com exames iniciais com pH = 7,08; bic = 6, pCO2 = 20; Na = 135; K = 5,4. Glicemia capilar da admissão de 428 mg/dL. Feito manejo inicial da hidratação e do potássio adequadamente. No momento, está na quinta hora de tratamento, recebendo soro com oferta hídrica de 120 mL/kcal/dia, sem glicose, com Na = 68 mEq/L e K = 40 mEq/L, além de insulina regular contínua na dose de 0,05 UI/kg/h. Exames do momento com gasometria com pH = 7,19; bic = 13; pCO2 = 26; Na = 138; K = 5,3 e glicemia capilar de 104 mg/dL.
Com base na evolução laboratorial e considerando que a paciente vem com boa evolução clínica, mantendo bom nível de consciência, assinale a alternativa que descreve a conduta adequada no momento, com relação ao manejo da cetoacidose diabética.
Interromper a insulina contínua. Manter soro da mesma forma. Liberar dieta via oral para diabetes.
Interromper a insulina contínua. Deixar soro de manutenção com glicose a 5% e diminuir o aporte de potássio do soro para 25 mEq/L. Manter paciente em jejum.
Manter a dose atual de insulina contínua. Deixar soro de manutenção com glicose a 5%, mantendo reposição de eletrólitos da mesma forma. Liberar dieta via oral para diabetes.
Começar esquema de insulina NPH e regular. Deixar soro de manutenção com glicose a 5% e diminuir o aporte de potássio do soro para 25 mEq/L. Manter paciente em jejum.
Em relação ao uso de corticosteroides no tratamento do choque séptico, assinale a alternativa correta.
A associação de hidrocortisona com fludrocortisona é recomendada com nível A de evidência em todas as formas de choque séptico refratário.
O uso de hidrocortisona intravenosa está indicado rotineiramente em todos os pacientes com sepse grave, independentemente da resposta a fluidos e vasopressores.
O tratamento com corticoide deve sempre ser mantido por mais de 14 dias e reduzido de forma gradual após.
O uso de metilprednisolona em altas doses é o regime de escolha segundo as diretrizes internacionais.
A hidrocortisona intravenosa reduz o tempo de uso de vasopressores e pode melhorar a reversão do choque, mas o impacto em mortalidade global ainda é controverso.
O tromboembolismo pulmonar (TEP) pode se manifestar com diferentes graus de gravidade hemodinâmica, e a trombólise sistêmica deve ser indicada de forma criteriosa, considerando o risco de sangramento e o benefício esperado. Com base nas evidências atuais, assinale a alternativa correta em relação às indicações de trombólise.
A trombólise está indicada em todos os casos de TEP com disfunção de ventrículo direito, independentemente da estabilidade hemodinâmica.
O uso de trombolítico é reservado apenas a pacientes com TEP submaciço e baixo risco de sangramento.
A trombólise sistêmica está indicada no TEP maciço, definido pela presença de hipotensão persistente, choque ou parada cardíaca.
A trombólise está contraindicada em pacientes com TEP maciço e instabilidade hemodinâmica, sendo preferível o uso exclusivo de anticoagulante.
A trombólise deve ser administrada rotineiramente em TEP submaciço para prevenir hipertensão pulmonar crônica.
Homem, 39 anos, portador de HIV avançado (CD4 = 45 células/mm³), é admitido na UTI com cefaleia intensa há 10 dias, náuseas, vômitos e rebaixamento progressivo do nível de consciência (Glasgow 12). Apresenta rigidez de nuca. Qual deve ser a conduta imediata em relação à punção lombar (coleta de líquor)?
Realizar punção lombar imediata para confirmar o diagnóstico antes do início do antifúngico.
Evitar a punção lombar definitivamente, pois é contraindicada em todos os pacientes com HIV.
Solicitar neuroimagem antes da punção e iniciar tratamento empírico.
Administrar dexametasona e adiar a coleta de líquor por 7 dias.
Realizar punção lombar sob monitorização, coletando pequeno volume de líquor para reduzir o risco de herniação.
Um paciente de 40 anos, previamente hígido, é admitido 36 horas após uma picada de aranha identificada como Loxosceles (aranha-marrom), na face anterior da coxa. Ele apresenta febre, mialgia, icterícia e urina com coloração de “vinho do Porto”. Exames laboratoriais confirmam hemólise intravascular, acidemia e insuficiência renal aguda (creatinina 5.0 mg/dL, ureia 180 mg/dL). Além da soroterapia específica e medidas de suporte, qual das seguintes condutas é crucial para o manejo desse paciente?
Corticoterapia sistêmica em altas doses para modular a resposta inflamatória renal.
Alcalinização da urina com bicarbonato de sódio para prevenir a precipitação de hemoglobina nos túbulos renais.
Administração de N-acetilcisteína para proteção contra o estresse oxidativo tubular.
Combinação de N-acetilcisteína e corticoterapia sistêmica em altas doses para nefroproteção.
Terapia de substituição renal (hemodiálise) precoce.
Paciente em uso de heparina não fracionada há 7 dias para tratamento de tromboembolismo pulmonar evolui com queda da contagem de plaquetas de 250.000/mm³ para 100.000/mm³. Simultaneamente, desenvolve trombose venosa profunda em membro inferior. Nesse caso, a conduta mais adequada é
suspender a heparina e realizar nova contagem de plaquetas em 24h para definir a conduta terapêutica.
suspender a heparina e iniciar varfarina.
suspender a heparina e iniciar fondaparinux.
manter a heparina e transfundir plaquetas para corrigir a plaquetopenia.
aumentar a dose de heparina para tratar a nova trombose.
O reconhecimento e o manejo precoce da sepse na Atenção Primária são desafios que podem impactar significativamente o desfecho do paciente. O escore qSOFA (Quick SOFA) é uma ferramenta de triagem para pacientes com suspeita de infecção fora da UTI.Sobre a aplicação e interpretação do qSOFA, analise as afirmativas a seguir:
I.O escore é composto por três critérios clínicos: frequência respiratória ≥ 22 irpm, alteração do nível de consciência e pressão arterial sistólica ≤ 100 mmHg.
II.Um escore qSOFA ≥ 2 em um paciente com infecção suspeita indica alto risco de desfechos desfavoráveis (mortalidade) e a necessidade de investigação para disfunção orgânica e manejo mais agressivo.
III.O qSOFA substitui os critérios da Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) para o diagnóstico de sepse, sendo um escore positivo necessário para confirmar a presença de sepse.
Está correto o que se afirma em:
I e II, apenas.
I, apenas.
I, II e III.
II e III, apenas.
A internação prolongada de pacientes graves em leitos de UTI pode aumentar o risco de lesões cutâneas relacionadas ao aumento da pressão nos tecidos de certas áreas do corpo a depender da posição do paciente. O local mais frequente para o surgimento dessas lesões, relacionando com a posição do paciente, é:
região sacral, quando paciente permanece mais tempo em decúbito lateral.
região trocantérica, quando paciente permanece em decúbito lateral.
região occipital, quando paciente se encontra em posição prona.
região da face, quando paciente fica em decúbito dorsal.
região do ísquio, quando paciente permanece em posição prona.
Um homem, de 81 anos e 55kg, é submetido a um by-pass coronariano após um infarto agudo do miocárdio. Chega ao CTI intubado e em ventilação mecânica sem suporte vasopressórico ou inotrópico. O sistema cardiovascular apresenta: pressão arterial de 131/78 mmHg, frequência cardíaca de 115 bpm, pressão venosa central de 19 mmHg, índice cardíaco de 1,9L/min/m2, pressão de artéria pulmonar encunhada 24 mmHg e índice de resistência vascular sistêmica de 2800 dina/s/cm5/m2. Seu débito urinário está menor que 20 mL/h e seu lactato sérico 6,1 mmol/L. Não há evidências de tamponamento no ecocardiograma.
A medicação mais apropriada nesse momento para esse paciente deve ser
dobutamina.
milrinona.
noradrenalina.
digoxina.
adrenalina.
Um paciente é trazido ao CTI após atendimento na Emergência com diagnóstico de quase afogamento.
Acerca desses casos, assinale a afirmativa correta.
Uma arritmia cardíaca pode ocorrer quando a temperatura central corporal estiver abaixo de 32 graus Celsius.
Pode haver evolução para morte por Síndrome de Desconforto Respiratória Aguda.
Imersão em temperaturas abaixo de 25 graus centígrados aumenta a ventilação/minuto e reduz o débito cardíaco.
Pacientes hipotérmicos em parada cardiorrespiratória na cena do acidente podem ser declarados mortos após algum tempo de realização das manobras de ressuscitação.
O reflexo de mergulho, que pode ser protetor, é mediado pelo nervo oftálmico.
O aumento significativo de qual enzima sérica é um dos principais indicadores laboratoriais de rabdomiólise, especialmente utilizado para o diagnóstico precoce desta condição?
Alanina aminotransferase (ALT).
Creatinoquinase (CK).
Fosfatase alcalina (FA).
Lactato desidrogenase (LDH).
Troponina T (TnT).
Identifique o sinal ou sintoma mais característico de uma crise tireotóxica, levando em consideração a apresentação clínica e a gravidade da condição:
Bradicardia.
Hipotermia.
Hipoglicemia.
Edema periférico.
Taquicardia.
Um paciente encontra-se em ventilação mecânica em tratamento para uma pneumonia comunitária, internado no CTI há 48 h. Além da antibioticoterapia e suporte hemodinâmico, para tratamento da sepse e prevenção da falência de múltiplos órgãos é necessário também a manutenção de um suporte nutricional.
A respeito do suporte nutricional do paciente, assinale a afirmativa mais correta.
Idade não é um fator de risco que exija uma alimentação pós pilórica.
Os níveis de albumina sérica são uma boa indicação do estado nutricional.
A eficiência dos procinéticos, como a eritromicina, diminui com o tempo e deve ser descontinuada a partir de 5 dias.
Nutrição enteral é recomendada dentro das 48 h para atingir 100% do gasto energético basal precocemente.
Nutrição enteral deve ser suspensa quando o volume residual gástrico atingir valores acima de 500 ml/24h.
O atendimento a pacientes gravemente enfermos exige uma abordagem estruturada e sistemática, visando à rápida identificação de riscos iminentes e à aplicação imediata de medidas terapêuticas adequadas. Esse processo é fundamental para reduzir complicações, minimizar sequelas e aumentar as chances de sobrevivência.
Para isso, a avaliação do paciente deve seguir uma sequência organizada de quatro etapas: avaliação geral, primária, secundária e terciária. Cada uma dessas etapas tem um papel específico na condução do caso, desde a observação inicial até a realização de exames complementares.
Com base nesse protocolo de atendimento, assinale a alternativa CORRETA:
A avaliação geral consiste em um exame físico detalhado, incluindo a verificação dos sinais vitais, inspeção da cabeça aos pés e exame neurológico minucioso.
A avaliação primária segue o protocolo ABCDE, permitindo a identificação precoce de condições de risco iminente à vida e a implementação imediata de medidas de suporte.
A avaliação secundária é a primeira etapa do atendimento e consiste na observação inicial do nível de consciência, respiração e circulação do paciente.
A avaliação terciária é responsável pela identificação inicial de problemas críticos e pela aplicação imediata de intervenções terapêuticas básicas.
O protocolo de atendimento a pacientes graves é restrito a centros de terapia intensiva e não pode ser aplicado em unidades de pronto-atendimento.
Homem de 48 anos é internado na UTI/CTI devido abstinência de álcool. Em seu 5º dia de hospitalização, ele se queixa de dor abdominal intensa. Exame físico de agora: temperatura: 39,1 ºC; frequência cardíaca: 127 bpm; pressão arterial: 83 x 44 mmHg. Observa-se que ele tem uma nova icterícia escleral (não estava presente à admissão). A bilirrubina total é de 4 mg/dL. Considerando a principal hipótese diagnóstica, além da ressuscitação com fluidos, o germe que, mais frequentemente, constitui a etiologia do quadro descrito é
Acinetobacter.
Clostridium difficile.
Escherichia coli.
Enterobacter.
Pseudomonas.
Em relação à avaliação laboratorial da Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), assinale a alternativa correta:
O aumento isolado do dímero-D acima de 500 ng/mL é suficiente para o diagnóstico definitivo de CIVD, dispensando a necessidade de avaliação seriada de outros parâmetros da coagulação.
A trombocitopenia é um achado inconsistente na CIVD, sendo mais comum observar uma contagem de plaquetas normal ou elevada devido à resposta compensatória da medula óssea à coagulopatia.
O tempo de protrombina (TP) e o tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) estão invariavelmente normais nos estágios iniciais da CIVD, só se alterando nas fases tardias e descompensadas da condição.
A dosagem de fibrinogênio apresenta pouca utilidade diagnóstica na CIVD, pois seus níveis permanecem estáveis ou elevados devido à sua característica de proteína de fase aguda, mesmo em casos graves.
O escore da Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH) para CIVD inclui contagem de plaquetas, tempo de protrombina prolongado, níveis de fibrinogênio e um marcador de produtos de degradação da fibrina, como o dímero-D.
Uma paciente de 46 anos é trazida após ficar presa em sua casa por duas horas durante um incêndio. Na Emergência, providenciam uma linha venosa e iniciam a hidratação venosa. Ela apresenta 40% de área corporal queimada no dorso e nas extremidades e nos pelos nasais. Encontra-se agitada, queixando-se de dor, e está com a voz bastante rouca.
A melhor conduta para a abordagem da via aérea é
observação no CTI.
intubação acordada com fibra ótica.
intubação após sequência rápida de indução.
traqueostomia eletiva.
ventilação por pressão positiva.
Um paciente internado no CTI para tratamento de um quadro cardiológico apresenta deterioração dos parâmetros cardiorrespiratórios levando a um diagnóstico se infecção urinária concomitante. O estudo microbiológico confirma a presença de enterobactérias produtoras de betalactamases (ESBL).
A melhor cobertura antibiótica deve incluir
ciprofloxacina.
meropanem.
nitrofurantoína.
tigeciclina.
trimetropim.