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Uma criança de 4 meses, não vacinada adequadamente, apresenta tosse paroxística intensa há 2 semanas, com episódios de cianose e vômitos pós-tosse, seguidos de um guincho inspiratório característico, sem febre alta ou sinais de infecção focal, mas com histórico de contato com familiar com tosse prolongada. O exame revela linfocitose no hemograma e ausência de infiltrados pulmonares na radiografia.
Qual o diagnóstico para esse quadro clássico de doença respiratória na infância?
Bronquiolite, causada principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR).
Coqueluche (pertussis), causada pela Bordetella pertussis.
Crupe (laringotraqueobronquite), causado pelo vírus parainfluenza.
Pneumonia bacteriana, causada por Streptococcus pneumoniae ou Haemophilus influenzae.
Asma infantil, desencadeada por alérgenos ou infecções virais.
Uma criança de 9 anos, com história de algumas cirurgias por mielomeningocele, apresentou urticária e dispneia durante procedimento odontológico. Sabe-se que foram utilizados luvas e materiais de borracha durante o atendimento. Diante do caso relatado e considerando o diagnóstico de alergia ao látex, assinale a alternativa correta.
A reação de alergia ao látex apresentada foi do tipo IV de Gell & Coombs, mediada por linfócitos T.
Pacientes com história de espinha bífida e cirurgias apresentam maior risco para desenvolver sensibilização ao látex.
O diagnóstico desse caso pode ser confirmado por teste cutâneo de contato (patch test).
Existe reação cruzada frequente entre o látex e alguns alimentos como banana, kiwi e abacate, devendo ser evitados esses alimentos.
O manejo consiste em evitar o contato direto com luvas de látex, não sendo necessária precaução com materiais hospitalares.
Durante uma roda de conversa organizada na UBS, o tema principal foi a obesidade infantil. Uma mãe relatou dificuldades em convencer o filho de 10 anos a manter uma alimentação equilibrada fora de casa.
Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (2025), assinale a alternativa que apresenta o enfoque mais adequado na educação em saúde para esse caso.
Envolver a família e a escola nas estratégias educativas, com foco em mudanças no ambiente alimentar do dia a dia da criança.
Explicar à mãe que a mudança alimentar depende exclusivamente do esforço e controle familiar.
Aumentar a quantidade de alimentos mais saudáveis em casa sem modificar o contexto das refeições escolares.
Fornecer uma dieta restritiva que proíba o consumo de alimentos ultraprocessados, ainda que de forma esporádica.
Encaminhar a criança ao nutricionista para seguir planejamento alimentar específico, sem necessidade de abordagem familiar.
Lactente, com 2 anos, sexo masculino, previamente hígido, é trazido ao pronto-socorro com história de episódios recorrentes de sangramento retal indolor nas últimas 48 horas. Os pais relatam que as fezes são ora vermelho-vivo, em grande volume, ora melena. O paciente está pálido e letárgico, mas sem queixas de dor abdominal significativa, febre ou vômitos. Ao exame físico, apresenta-se com perfusão periférica normal, taquicardia leve (FC 120 bpm), palidez cutâneo-mucosa acentuada e abdome flácido, indolor à palpação, sem massas. O toque retal revela fezes escurecidas e coágulos frescos. Hemograma de urgência mostra hemoglobina de 6,5 g/dL.
Com base no caso apresentado, quais são o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais adequada?
Angiodisplasia intestinal; realizar colonoscopia total para localizar a lesão e, se possível, efetuar hemostasia endoscópica.
Esofagite erosiva grave; iniciar inibidor de bomba de prótons intravenoso e considerar endoscopia digestiva alta de urgência.
Invaginação intestinal; realizar enema hidrostático sob fluoroscopia após estabilização hemodinâmica com concentrado de hemácias.
Colite infecciosa por E. coli enteroinvasora; iniciar antibioticoterapia com ceftriaxona e hidratação intravenosa vigorosa.
Divertículo de Meckel hemorrágico; iniciar estabilização hemodinâmica com transfusão e solicitar cintilografia com tecnécio-99 m para localização pré-cirúrgica, programando ressecção.
Uma puérpera primípara de 18 anos, residente em uma comunidade rural de difícil acesso e com ensino fundamental incompleto, deu à luz um recém-nascido (RN) pré-termo tardio (36 semanas de idade gestacional), com peso de 2.200g, por parto vaginal, em uma maternidade de alto risco. O RN permaneceu internado por 7 dias devido à dificuldade de ganho ponderal e icterícia, recebendo alta hospitalar em bom estado geral, exclusivamente em aleitamento materno. Durante a “alta qualificada” realizada pela equipe multiprofissional da maternidade, a mãe foi orientada a procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de sua referência para o primeiro acompanhamento do bebê. No entanto, a puérpera expressou à equipe médica da maternidade sua apreensão quanto à dificuldade de acesso à UBS, citando a distância significativa e a ausência de transporte público regular na região em que reside, além da falta de rede de apoio familiar próxima para auxiliá-la. O pediatra da UBS de referência, ao ser informado do caso pela maternidade, precisa agir em conformidade com as diretrizes da PNAISC.
Considerando a situação descrita e os princípios e eixos estratégicos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), qual é a conduta mais adequada a ser adotada pelo pediatra da UBS, em conformidade com a Portaria MS/GM no 1.130/2015?
Orientar a mãe a buscar o Conselho Tutelar ou a assistência social para resolver o problema de transporte, pois a PNAISC não prevê ações diretas da UBS para solucionar barreiras sociais e logísticas de acesso, sendo essa uma responsabilidade da rede de proteção social.
Solicitar à maternidade que rediscuta o processo realizado de alta hospitalar e forneça transporte exclusivo para a puérpera e o RN até a UBS, uma vez que a vinculação precoce à atenção básica é de responsabilidade exclusiva do serviço hospitalar, que falhou em garantir o acesso inicial.
Registrar a ausência da puérpera no sistema de agendamento e aguardar que ela procure a UBS quando conseguir superar as barreiras de acesso, pois a prioridade do pediatra deve ser dada aos casos que chegam espontaneamente à unidade para acompanhamento.
Ativar a rede de atenção à saúde para garantir o acolhimento da dupla mãe-bebê, planejando uma busca ativa ou visita domiciliar precoce, considerando a vulnerabilidade social e a articulação entre atenção especializada e básica.
Priorizar a convocação da família para as próximas campanhas de vacinação, visto que a PNAISC foca primariamente na prevenção de doenças imunopreveníveis nos primeiros anos de vida, e essa seria a forma mais eficaz de contato com a criança vulnerável.
Adolescente, 12 anos, sexo feminino, é trazida por sua mãe que acha que sua filha está muito pálida, principalmente com o início das menstruações. Apresenta um hemograma com os seguintes resultados: eritrócitos: 4.500.000/mm³; hemoglobina: 9,3g/dL; hematócrito: 31%; VCM: 71 fl; HCM: 22 pg; RDW: 16%. Leucometria com 6.100/mm³ (0% basófilos, 4% eosinófilos, 1% bastões, 59% segmentados; 29% linfócitos típicos; 6% monócitos) e plaquetometria de 160.000/mm³.
A melhor conduta para se confirmar a principal hipótese diagnóstica é:
solicitar eletroforese de hemoglobina.
pesquisa de parasitas intestinais.
dosagem sérica de ferritina.
solicitar sorologia para parvovírus B19.
solicitar mielograma.
Mãe, durante a consulta de puericultura aos 6 meses de idade, solicita orientações sobre a alimentação complementar de seu filho que ainda permanece em regime de amamentação exclusiva.
Assinale a alternativa que contém a orientação correta.
O mel é uma melhor opção para adoçar, para se evitar o açúcar refinado.
A carne do cozimento deverá ser retirada antes de se oferecer as papas iniciais à criança.
Sucos de frutas espremidas devem ser desestimulados, preferindo-se as frutas in natura.
Não se deve utilizar azeites no preparo das refeições do bebê.
O leite materno deverá ser complementado com uma fórmula de seguimento a partir da introdução dos novos alimentos.
Escolar de 4 anos de idade é levado ao consultório pediátrico pela mãe, que relata prurido intenso há, aproximadamente, 3 semanas. A coceira é predominantemente noturna, frequentemente interrompendo o sono, e parece piorar após o banho quente. A mãe menciona que o irmão mais velho, de 7 anos, também começou a se queixar de coceira semelhante, especialmente nas mãos, nos últimos dias. Ao exame físico, observam-se múltiplas pápulas eritematosas e escoriações lineares, com algumas pequenas vesículas e crostas finas, localizadas principalmente nas regiões interdigitais das mãos, punhos, axilas, cotovelos, umbigo e virilhas. Não há febre ou outras queixas sistêmicas.
Qual é o diagnóstico mais provável nesse caso?
Escabiose.
Urticária papulosa (picadas de inseto).
Miliária rubra.
Dermatite atópica.
Impetigo contagioso.
Segundo o Tratado de Pediatria: SBP – 5ed., em relação ao eritema infeccioso, marque a alternativa CORRETA.
O exantema se inicia na face flexora dos membros, acometendo posteriormente a face, dando à criança o aspecto de “cara esbofeteada”.
Febre alta e mal-estar geralmente precedem o início do quadro.
A transmissão é maior durante o período exantemático, estando indicado o isolamento.
O Parvovírus B19 é o único agente etiológico.
Com relação à queixa de cefaleia na infância e na adolescência, segundo o livro Pediatria Ambulatorial – 6ed., analise as assertivas abaixo e, ao final, responda o que se pede:
I - A enxaqueca (migrânea) apresenta-se na maioria das vezes como cefaleia de duração de 2 a 72 horas, moderada a intensa, e geralmente se associa a náuseas e / ou fotofobia e fonofobia.
II - A cefaleia tensional apresenta-se tipicamente como cefaleia bilateral, pulsátil de fraca a moderada intensidade e geralmente não é agravada por atividade física de rotina.
III - A cefaleia é a queixa neurológica mais comum na população pediátrica, além de ser causa frequente de visita ao pronto atendimento.
IV - Cefaleia intensa de início recente ou com alteração de padrão de dor em crianças podem ser classificadas como cefaleias primárias e a necessidade de exames de imagem não precisa ser considerada nesse grupo de pacientes.
Marque a alternativa CORRETA.
Apenas as assertivas I e III são verdadeiras.
Apenas as assertivas I, II e III são verdadeiras.
Apenas as assertivas II e IV são verdadeiras.
Todas as assertivas são verdadeiras.
Segundo o Pronto Socorro do ICr -HCFMUSP – 4ed., são sinais de alerta para a Síndrome de Munchausen por procuração, EXCETO:
Doença piora ao se cogitar alta hospitalar.
Mães extremamente atenciosas, sem conhecimento técnico da área da saúde, mas, quando confrontadas mostram-se agressivas e arrogantes.
História familiar de doenças graves em outros membros da família, inclusive com mortes súbitas e inexplicáveis.
Entusiasmo materno com novos exames diagnósticos.
Um recém-nascido de 38 semanas, de gestação sem intercorrências, submetido à cesárea eletiva sem trabalho de parto prévio, bolsa rota no ato, com líquido amniótico claro, Apgar 7 e 9 no primeiro 1º e 5º minutos de vida, respectivamente, apresenta nos primeiros minutos de vida desconforto respiratório com frequência respiratória de 68 mpm, retrações intercostais e batimento de asa nasal. Necessita de FiO2 de 40% para manter uma saturação arterial de O2 de 95%. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual achado radiográfico pulmonar é mais característico?
Infiltrado grosseiro e heterogêneo e áreas de atelectasia contrastando com hiperinsuflação.
Padrão reticulogranular difuso, broncograma aéreo e hipoinsuflação.
Aumento da silhueta cardíaca e trama vascular pulmonar com vasos pulmonares visíveis até a periferia e edema pulmonar.
Infiltrado pulmonar focal, consolidações alveolares, broncograma aéreo e hipoinsuflação pulmonar.
Aumento da trama vascular perihilar, hiperinsuflação pulmonar e cisurite.
O instrumento de triagem de indicadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA), chamado Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT-R/F), deve ser aplicado em todas as consultas de puericultura em crianças com idade entre 16 e 30 meses. Em relação às características do transtorno, assinale a alternativa INCORRETA.
Fatores genéticos e ambientais estão presentes na etiologia. Entre os fatores ambientais, destacam-se a idade avançada dos genitores no momento da concepção, a hipertensão materna e o sobrepeso na gestação e o uso de ácido valproico.
Alguns sinais de alerta para diagnóstico no primeiro ano de vida incluem atraso no desenvolvimento motor, baixo contato visual e pouca resposta ao chamado pelo nome.
Rituais de saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente, englobam uns dos critérios diagnósticos do transtorno.
Entre 20% e 30% das crianças apresentam perímetro cefálico maior que o percentil 97 (macrocefalia).
Apresenta maior prevalência no sexo feminino (4,2:1), pela exposição ao estrógeno, e a taxa de concordância do TEA é significativamente maior em gêmeos fraternos.
A artrogripose designa um grupo variado de distúrbios que afetam crianças através de contraturas congênitas com deformidade e rigidez articular. Com base na classifi cação de Hall e colaboradores, a artrogripose é considerada do tipo III quando há acometimento:
generalizado de partes moles
de vísceras, com alteração do sistema nervoso central
de vísceras, sem alteração no sistema nervoso central
dos membros, com disfunção do sistema nervoso central
dos membros, sem disfunção do sistema nervoso central
Criança de 2 anos de idade, com história de febre diária, pico máximo de 39°C, há 7 dias. Ao exame físico, presença de eritema de lábios com fissuras, hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, edema no dorso das mãos e dos pés, língua em framboesa e irritabilidade. O restante do exame físico não revela outras anormalidades.
Com relação ao caso clínico descrito acima, marque a alternativa CORRETA.
Na fase aguda da doença, o Ácido Acetilsalicílico deve ser iniciado em dose baixa, com ação antiagregante plaquetária, entre 3 e 5 mg/kg/dia.
O tratamento inicial de escolha é a corticoterapia venosa, devendo ser realizado em todos os pacientes.
A principal complicação é neurológica.
Não preenche os critérios para Doença de Kawasaki completa.
Menino de 5 anos, previamente hígido, apresenta exantema vesicular polimórfico pruriginoso e febre baixa. Foi vacinado com 1 dose de varicela aos 15 meses. Encontra-se bem, sem sinais de gravidade. Qual é a melhor conduta?
Aciclovir venoso e internação.
Aciclovir oral obrigatório em toda criança hígida.
Tratamento sintomático e afastamento da escola até que todas as lesões estejam em crosta; se não houver crostas, até 24 horas sem novas lesões.
Imunoglobulina específica anti-varicela.
Antibiótico profilático.
Lactente de 14 meses apresenta palidez, irritabilidade e atraso no ganho ponderal. História de consumo excessivo de leite de vaca e baixa ingestão de alimentos ricos em ferro. Hemograma mostra anemia microcítica e hipocrômica. A ferritina encontra-se normal, e há suspeita de infecção associada. Qual exame laboratorial adicional é mais útil para confirmar deficiência de ferro nesse contexto?
Eritrograma.
Capacidade total de ligação do ferro.
Proteína C reativa.
Receptor sérico de transferrina (sTfR).
Tempo de protrombina.
Em relação ao diagnóstico sorológico da toxoplasmose congênita, assinale a alternativa correta.
Os anticorpos IgM anti-Toxoplasma gondii são melhor identificados pelas técnicas de Imunofluorescência Indireta (IFI) e ELISA indireto, por apresentarem alta sensibilidade.
A presença de anticorpos IgG em títulos baixos confirma infecção aguda recente, independentemente do tempo de evolução.
O teste de avidez de IgG é útil na gestação, pois a presença de IgG de alta avidez no primeiro trimestre indica infecção ocorrida antes da gestação.
Os anticorpos IgA e IgE surgem tardiamente, apenas após o desaparecimento da IgM, não tendo utilidade no diagnóstico da infecção aguda.
A reação de Sabin-Feldman é amplamente disponível em laboratórios clínicos de rotina e substituiu os testes de ELISA no diagnóstico atual.
Um hospital de referência recebe uma criança de 5 anos, procedente de área endêmica, com história de febre diária há 30 dias, palidez, emagrecimento progressivo e abdome globoso. Ao exame físico, observa-se hepatoesplenomegalia acentuada, pele seca, cabelos quebradiços e edema em membros inferiores. A mãe refere episódios de epistaxe e gengivorragia nos últimos dias.
Com base nas informações e nos aspectos clínicos da leishmaniose visceral (LV), assinale a alternativa correta.
A LV apresenta evolução autolimitada e raramente cursa com comprometimento hematológico.
A doença de Pitaluga é caracterizada por comprometimento hepático agudo e não se associa à desnutrição.
A LV deve ser suspeitada em crianças com febre prolongada, esplenomegalia, plaquetopenia e palidez progressiva.
A coinfecção com HIV é rara e sem impacto clínico relevante no curso da doença.
A presença de ascite e icterícia descarta a hipótese de LV e sugere hepatite viral aguda.
Uma criança de 7 anos apresenta, 2 semanas após um episódio de amigdalite bacteriana (cultura de orofaringe positiva para Streptococcus pyogenes), inchaço facial (edema periorbital), urina escura (“cor de Coca-Cola”) e elevação da pressão arterial. Os exames laboratoriais mostram elevação da ureia e creatinina, além de consumo do complemento sérico (C3 baixo) e ASLO elevado. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE).
Glomerulopatia por C3 (C3G).
Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU).
Nefrite Lúpica.
Nefrite intersticial aguda.