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Mulher de 30 anos, com diagnóstico de asma desde os 9 anos, apresenta piora progressiva da dispneia nas últimas 72 horas. Refere chiado, tosse seca e aperto torácico, especialmente ao esforço leve. Relata rinite alérgica desde a infância e episódios frequentes de exacerbação após exposição à poeira e pelos de animais. Ela admite baixa adesão ao corticosteroide inalatório de manutenção. Nos últimos meses, teve duas crises após resfriados virais e percebe que quando está gripada sua asma “fica muito pior”. O exame físico demonstra FR 24 irpm, sibilância difusa bilateral, leve uso de musculatura acessória e saturação de O2 de 94% em ar ambiente. Sem febre. Pulso regular. Não há sinais de pneumonia. Sendo assim, assinale a alternativa que seja menos adequada ou contraindicada no seguimento dessa paciente.
Administrar broncodilatador de ação curta (SABA) repetido para alívio imediato, com monitoramento de resposta clínica em 1 hora.
Considerar corticosteroide oral de curta duração caso haja sinais de exacerbação moderada a grave ou sem resposta inicial a SABA.
Avaliar fatores desencadeantes, orientar afastamento temporário de gatilhos e reavaliar técnica inalatória.
Solicitar antiviral de rotina para todos os pacientes com exacerbação desencadeada por infecção viral, independentemente de confirmação de influenza.
Suponha a seguinte situação fictícia relativa a um atendimento em uma Unidade Básica de Saúde/Estratégia de Saúde da Família (UBS/ESF).
Homem de 65 anos, em uso de prednisona 20 mg/dia por polimialgia reumática há 6 meses, apresenta sibilos, dispneia progressiva e diarreia há 2 semanas. Exames confirmam larva de Strongyloides stercoralis em escarro e fezes, eosinófilos 15%, IgE elevada. Sem história de viagem ao exterior. Na UBS/ESF, diagnostica-se hiperinfecção pulmonar.
O manejo inicial apropriado para hiperinfecção por estrongiloidíase na UBS/ESF envolve, EXCETO:
Referenciar para reumatologia, com solicitação de ajuste de terapia imunossupressora.
Suspender corticoide, com avaliação de internação hospitalar se hipoxemia ou sepse associada.
Prover suporte respiratório, com salbutamol nebulizado e O2 se Sat.O2 <92% em ar ambiente.
Iniciar ivermectina 200 mcg/kg/dia por 2 dias, com repetição do esquema em 2 semanas.
“A insuficiência respiratória aguda é uma emergência médica que exige avaliação imediata para determinar a causa subjacente e guiar o tratamento”
(American Thoracic Society Guidelines, 2024).
Sobre os mecanismos e abordagem da insuficiência respiratória, assinale a alternativa correta:
A hipoxemia em insuficiência respiratória aguda ocorre exclusivamente por hipoventilação alveolar, sendo desnecessário investigar shunt ou desequilíbrios ventilação-perfusão.
A insuficiência respiratória hipercápnica está frequentemente associada a doenças restritivas pulmonares, sendo raramente observada em condições obstrutivas.
A avaliação inicial deve incluir gasometria arterial para diferenciar insuficiência respiratória hipoxêmica e hipercápnica, orientando a escolha de suporte ventilatório adequado.
O manejo inicial de insuficiência respiratória aguda deve priorizar ventilação invasiva em todos os casos, independentemente da gravidade ou da etiologia.
Paciente do sexo feminino, com 30 anos de idade, faz acompanhamento médico em um posto de saúde devido a um quadro de asma. Na última consulta, relatou ter apresentado, no último mês, despertar noturno por descontrole da doença. Relatou, ainda, ter sintomas diurnos mais de duas vezes por semana e fazer uso de salbutamol mais de duas vezes por semana. Referiu que, atualmente, faz uso regular de formoterol + budesonida 6/200 mcg, uma cápsula duas vezes ao dia, com técnica inalatória adequada.
Com base no quadro clínico apresentado, assinale a opção correta.
A paciente deve ser alertada de que a dose de corticoide inalado por dia (400 mcg de budesonida) é muito alta.
Deve ser iniciado tratamento com um antimuscarínico de longa duração, como o tiotrópio, uma vez que a asma está parcialmente controlada.
O próximo passo para o tratamento da asma é definir o fenótipo da paciente, com o propósito de iniciar um imunobiológico, dado o quadro de asma grave.
Deve-se realizar uma avaliação pormenorizada em relação a fatores ambientais como poeira e mofo, e a comorbidades como rinite, refluxo gastroesofágico e obesidade, pois esses fatores podem prejudicar o controle da asma.
Os sintomas de asma da paciente estão parcialmente controlados, conforme os parâmetros do GINA (global initiative for asthma).
Um paciente com 57 anos de idade procura atendimento ambulatorial como parte de rotina preventiva. Relata bom estado geral, sem perda ponderal, febre, tosse, hemoptise ou dispneia. Como parte da investigação, é submetido a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose, que revela nódulo pulmonar solitário sólido de contornos regulares, medindo 5 mm, no lobo inferior direito. O paciente apresenta como antecedentes: tabagismo (35 maços/ano), sedentarismo e dislipidemia. Relata história familiar de câncer de próstata (pai) e doença pulmonar obstrutiva crônica em irmão.
Com base nesse caso clínico, assinale a opção em que é descrita a conduta médica inicial adequada em face do achado, conforme as recomendações da Sociedade Brasileira de Pneumologia de 2024.
tranquilizar o paciente e não realizar seguimento tomográfico, devido às características benignas do nódulo
indicar biópsia cirúrgica imediata
solicitar ressecção cirúrgica
solicitar tomografia por emissão de pósitrons associada à tomografia computadorizada (PET-CT)
seguir protocolo de rastreamento com acompanhamento tomográfico em seis meses
Paciente iniciou recentemente o tratamento padrão para tuberculose pulmonar ativa com tiamina associada. Ele toma os medicamentos regularmente e seus sintomas pulmonares têm melhorado progressivamente. Todavia, ele começou a notar alterações oculares, incluindo diminuição da acuidade visual e distúrbio na percepção das cores.
O medicamento que, mais provavelmente, é relacionado a essa complicação é
etambutol.
isoniazida.
pirazinamida.
rifampicina.
tiamina.
Durante o exame clínico de um paciente com dispneia crônica, na ausculta pulmonar, a presença de estertores crepitantes bilaterais nas bases sugere
asma brônquica.
pneumonia bacteriana.
doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
insuficiência cardíaca congestiva.
tuberculose pulmonar avançada.
Paciente de 65 anos, ex-tabagista, relata tosse crônica produtiva e dispneia aos esforços que vem piorando progressivamente. A espirometria confirma um padrão obstrutivo não reversível ao broncodilatador.
Iniciar corticoterapia inalatória em alta dose.
Prescrever antibioticoterapia de largo espectro.
Indicar oxigenoterapia contínua imediata.
Solicitar tomografia de tórax de alta resolução.
Introduzir associação de broncodilatadores de longa ação.
No estadiamento do Câncer de Pulmão Não Pequenas Células (CPNPC), a avaliação linfonodal mediastinal é determinante para a conduta terapêutica. Um paciente apresenta massa em lobo superior direito e linfonodo de 1,5 cm em estação 4R (paratraqueal inferior direita) positivo no PET-CT. Para a confirmação histológica desta estação linfonodal, o procedimento minimamente invasivo de escolha é:
Mediastinoscopia cervical padrão.
Biópsia transtorácica guiada por tomografia.
EBUS-TBNA (Ultrassonografia endobronquial com agulha).
Toracotomia exploradora lateral.
Mediastinotomia anterior (Cirurgia de Chamberlain).
A asma é uma condição complexa mediada imunologicamente que envolve diversos tipos de alterações celulares e das vias aéreas; a inflamação e remodelação das vias aéreas são as vias finais comuns que resultam em broncoespasmo e limitação do fluxo de ar. Nesse contexto, edema, inflamação, produção de muco e hipertrofia da musculatura lisa das vias aéreas desencadeiam:
a estabilização do calibre bronquiolar para garantir a ventilação e a hematose.
a redução da sensibilidade imunológica das células pulmonares e do parênquima.
a broncoconstrição, obstrução das vias aéreas e limitação do fluxo aéreo.
a regeneração imediata do tecido epitelial e o relaxamento das vias respiratórias.
o aumento da área do leito vascular pulmonar para compensar a falta de oxigênio.
No caso de pacientes adultos com bronquiectasia, a cirurgia com ressecção de lobo ou segmento pulmonar pode ser considerada em casos de doença focal associada a pelo menos uma das seguintes condições, EXCETO
sintomas persistentes, apesar de 3 meses de tratamento otimizado.
exacerbações frequentes ou graves com impacto na vida social ou profissional.
hemoptise recorrente, refratária ou maciça.
bronquiectasia pós-obstrutiva distal a tumor.
lobo ou segmento pulmonar severamente comprometido, que funcione como foco de infecção e possa contribuir para a progressão da lesão pulmonar se mantido in situ.
Os efeitos vásculo-protetores da prostaciclina (PGI2) são mediados pelo receptor da prostaciclina (receptor IP). A redução na expressão dos receptores IP e a redução da síntese da prostaciclina contribuem para a fisiopatologia da HAP. Esse medicamento é um agonista do receptor IP, seletivo, oral e é estrutural e farmacologicamente distinto da prostaciclina e seus análogos, sendo um agonista do receptor IP com alta afinidade. A estimulação do receptor IP leva à vasodilatação, assim como a efeitos antiproliferativos e antifibróticos. Esse é o mecanismo de ação de qual dos seguintes medicamentos?
Citrato de sildenafila.
Iloprost.
Bosentana.
Sotatercepte.
Selexipague.
Homem de 62 anos, motorista de aplicativo, procura avaliação com pneumologista ambulatorial devido a quadro de fadiga progressiva e dificuldade de concentração durante o trabalho. Refere roncos altos e episódios de apneia observados pela esposa durante o sono. Apresenta IMC de 32 kg/m 2 e circunferência cervical de 44 cm. Nega doenças cardíacas conhecidas. Pressão arterial em consulta: 148/88 mmHg. Aplicado o questionário STOP-BANG, obtém-se pontuação de 7. A escala de sonolência de Epworth é 9. A polissonografia tipo III demonstra IAH = 34 eventos/hora, sem outras alterações. O paciente questiona sobre opções de tratamento e pede para evitar “equipamentos desconfortáveis”. Com base nas informações mencionadas e nas evidências atuais sobre SAHOS, assinale a alternativa correta.
O tratamento de escolha é dispositivo de avanço mandibular, pois apresenta eficácia equivalente ao CPAP em casos de SAHOS moderada a grave e melhor adesão.
A titulação de CPAP deve ser feita preferencialmente por polissonografia completa em laboratório (tipo I), visto que exames tipo III não permitem ajuste da pressão ideal.
O uso de agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida, é uma alternativa terapêutica primária para pacientes obesos com SAHOS, podendo substituir o CPAP quando há intolerância.
A terapia com CPAP é indicada, com impacto comprovado na redução da sonolência diurna e da pressão arterial, devendo-se priorizar interfaces nasais para otimizar a adesão.
Por apresentar hipertensão e obesidade, o paciente deve iniciar CPAP empiricamente antes da confirmação diagnóstica formal, conforme recomendação da AHA para profissões de risco.
Paciente com suspeita de tromboembolismo pulmonar (TEP) apresenta baixa probabilidade pré-teste (Escore de Wells). Qual exame laboratorial possui alto valor preditivo negativo, sendo útil para excluir o diagnóstico de TEP nesse cenário?
Dímero-D.
Peptídeo Natriurético Tipo B (BNP).
Gasometria arterial com hipoxemia.
Troponina.
Lactato desidrogenase (LDH).
Em relação à hiperplasia adenomatosa atípica do pulmão, analise as assertivas abaixo:
I. Corresponde à proliferação localizada de pneumócitos tipo II com atipias leves a moderadas e/ou células cuboides secretoras não ciliadas (club cells), acometendo a superfície alveolar da região centro-acinar do parênquima pulmonar.
II. Usualmente medindo 5,0 mm ou menos de dimensão, corresponde à lesão precursora do adenocarcinoma in situ.
III. O processo tipicamente revela imunoexpressão positiva para TTF1.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas II e III.
Apenas I e III.
I, II e III.
São fatores preditores de exacerbação aguda de asma grave, EXCETO:
duas visitas ao pronto-socorro em período inferior a 1 ano.
rápida piora clínica.
história de exacerbação grave, cujo aparecimento é súbito.
história de intubação ou de necessidade de UTI (mais importante preditor de evolução desfavorável).
acompanhamento ambulatorial inadequado.
Homem de 64 anos, ex-tabagista (45 maços/ano), procura a Unidade Básica de Saúde por dispneia progressiva aos esforços habituais, tosse crônica e expectoração matinal. Refere duas exacerbações no último ano, sendo uma com necessidade de internação hospitalar. Utiliza broncodilatador de curta duração sob demanda.
A espirometria pós-broncodilatador demonstra:
• VEF1/CVF = 0,62
• VEF1 = 48% do previsto
Na avaliação de sintomas, apresenta CAT = 18. Não há diagnóstico prévio de asma.
Qual deverá ser a conduta mais adequada para este paciente?
O paciente deve ser classificado pela gravidade espirométrica (VEF1), sendo indicada monoterapia com broncodilatador de curta duração e acompanhamento bimensal.
Trata-se de DPOC GOLD 3, grupo E, sendo indicada terapia com broncodilatador de longa ação associado (LAMA + LABA).
Por apresentar exacerbações frequentes, o uso de corticosteroide inalatório isolado é a melhor opção inicial.
A presença de VEF1 inferior a 50% indica necessidade imediata de oxigenoterapia domiciliar contínua.
São indicações de ventilação não invasiva no paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica, EXCETO:
Hipoxemia refratária à oxigenoterapia suplementar.
Dispneia moderada com uso de musculatura acessória sem melhora com medidas iniciais.
Dispneia grave com uso de musculatura acessória sem melhora com medidas iniciais.
Acidose respiratória pH <7,35 e pCO2 >45mmHg apesar de medidas terapêuticas.
Rebaixamento do nível de consciência.
Segundo as diretrizes ATS/ERS/JRS/ALAT mais recentes sobre Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), qual achado tomográfico isolado permite o diagnóstico de FPI sem necessidade de biópsia pulmonar, quando avaliado em contexto clínico apropriado?
Padrão em vidro fosco difuso.
Consolidações subpleurais migratórias.
Padrão de Pneumonia Intersticial Usual (PIU) típico.
Padrão em mosaico com aprisionamento aéreo.
Espessamento septal liso predominante.
A respeito dos mecanismos de defesa das vias aéreas, especialmente os relacionados à estrutura da mucosa respiratória, assinale a alternativa que descreve corretamente a função integrada do epitélio respiratório na defesa pulmonar.
O epitélio respiratório atua exclusivamente como barreira física, enquanto a resposta imune é função apenas de células inflamatórias residentes.
As junções de oclusão regulam principalmente a adesão mecânica entre células, enquanto desmossomos controlam a permeabilidade paracelular.
A depuração mucociliar depende da produção equilibrada de mucinas, do batimento ciliar coordenado e da integridade da camada periciliar.
A imunoglobulina A secretora exerce função apenas sistêmica, não tendo papel relevante na mucosa respiratória.
As células epiteliais das vias aéreas não expressam receptores de reconhecimento de padrões, dependendo exclusivamente de macrófagos para ativação imune inata.