Questões de Concurso sobre Psiquiatria

 
 
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Homem de 38 anos apresenta padrão persistente de desconfiança e suspeita em relação aos outros, interpretando ações neutras como intencionalmente hostis. Recusa confiar em colegas de trabalho e guarda rancor prolongado após críticas percebidas como ataques pessoais. O diagnóstico mais provável é


A

transtorno de personalidade narcisista.


B

transtorno de personalidade paranoide.


C

transtorno de personalidade borderline.


D

transtorno de personalidade esquizoide.


E

transtorno de personalidade esquizotípica.

Mulher de 30 anos apresenta episódios súbitos de medo intenso acompanhados de palpitações, sudorese, sensação de falta de ar, tontura e medo de morrer. Os episódios atingem pico em cerca de 10 minutos e ocorrem sem fator desencadeante claro. Após várias crises passou a evitar metrô e shopping centers por medo de não conseguir ajuda. Nessas circunstâncias, o diagnóstico e o tratamento farmacológico de primeira linha são:


A

Transtorno de ansiedade generalizada; alprazolam 0,5 mg/dia.


B

Transtorno de pânico com agorafobia; sertralina 50–200 mg/dia.


C

Transtorno de estresse agudo; paroxetina 10 mg/dia.


D

Transtorno somático; amitriptilina 25 mg/dia.


E

Fobia social; propranolol 40 mg/dia.

Uma mulher de 41 anos, com dois episódios depressivos prévios, estava bem há 24 meses com venlafaxina de liberação prolongada 150 mg/dia. Em virtude de disfunção sexual, solicitou avaliação para discutir redução da dose ou retirada da medicação. Permaneceu bem por oito semanas com 75 mg/dia e passou, então, a tomar 75 mg em dias alternados. Na mesma semana, enfrentou um conflito profissional. Desde então, alterna dias habituais com períodos de choro, irritabilidade, náusea, sensação de instabilidade e sono fragmentado. O diário registra oscilações dos sintomas, com períodos de maior intensidade no final dos dias em que não toma a medicação. Não há ideação suicida ou perda persistente de interesse.

Qual modificação inicial do plano é mais apropriada?


A

Alongar o intervalo entre as tomadas, preservando a dose por tomada e reduzindo a exposição semanal.


B

Manter as tomadas em dias alternados e acrescentar um benzodiazepínico para os períodos sintomáticos.


C

Restabelecer a última dose diária tolerada e, após estabilização, planejar reduções menores da dose diária.


D

Retomar a dose de 150 mg/dia e adiar novas reduções até obter estabilidade clínica sustentada.


E

Substituir a venlafaxina por outro IRSN, interpretando a oscilação como perda de eficácia do tratamento.

J.H.S, 45 anos, pedreiro, natural de Cocal dos Alves-PI, encontra-se no 3º dia de internação hospitalar na enfermaria de ortopedia devido a uma fratura de fêmur decorrente de queda de nível, aguardando programação cirúrgica. Nas primeiras 48 horas de internação, o paciente manteve-se calmo, queixando-se apenas de dor controlada com analgésicos. Na última madrugada, contudo, passou a apresentar insônia, ansiedade, sudorese profusa, tremor grosseiro de extremidades e episódios de agitação psicomotora. Ao exame, o paciente encontra-se desorientado no tempo e no espaço, com discurso desconexo, tentando retirar o acesso venoso e a tração esquelética, e relatando estar vendo aranhas subindo pelas paredes e lençol. Sinais vitais: FC 132 bpm, PA 170x110 mmHg, SpO2 97% em ar ambiente, Tax: 36,5°. Ausculta pulmonar sem alterações. Hemograma e a função renal estão normais. Coagulograma e enzimas cardíacas não mostram alterações significativas.

Sobre o quadro clínico acima e a hipótese diagnóstica mais provável para o caso, é CORRETO afirmar:


A

Deve-se evitar prescrição de benzodiazepínicos para controlar a agitação psicomotora do paciente, devido risco de piora do quadro de confusão mental e de depressão respiratória.


B

A condição apresentada pelo paciente trata-se de um quadro psicótico irreversível.


C

Deve-se encaminhar o paciente com urgência ao centro cirúrgico para resolução do trauma ortopédico.


D

O manejo inicial deve priorizar o uso de antipsicóticos atípicos de alta potência (como a olanzapina) em monoterapia.


E

A hipomagnesemia, caso presente, aumenta a gravidade do quadro, pois favorece a excitotoxicidade e crises convulsivas.

Um programador de 42 anos comparece à Unidade de Pronto Atendimento, acompanhado do filho. Relata perda de peso, fadiga, tristeza e dificuldade de concentração há cerca de 30 dias. Acompanhante recorda ainda que o genitor passa a maior parte do tempo deitado e demonstra pouco ou nenhum interesse pelo computador de última geração recém adquirido. Nega, por fim, uso de substâncias psicoativas, perdas afetivas e/ou qualquer outra condição médica capaz de justificar o quadro.

Após oito semanas, o paciente retorna relatando melhora parcial dos sintomas, em uso de fármaco de primeira linha em dose máxima. Diante da boa tolerabilidade, optou-se pela manutenção do fármaco e combinação com outro fármaco.

São opções de potencialização, EXCETO:


A

Aripiprazol.


B

Quetiapina.


C

Bupropiona.


D

Lítio.


E

Lamotrigina.

As manifestações psiquiátricas associadas aos quadros epilépticos representam desafios diagnósticos e terapêuticos substantivos na prática neuropsiquiátrica. A classificação dessas manifestações (pré-ictal, ictal, pós-ictal e interictal) orienta a conduta clínica, uma vez que a fisiopatologia subjacente varia de acordo com o padrão de sincronização neuronal, a localização do foco epileptogênico e os mecanismos de redes neurais.

Adicionalmente, as interações farmacocinéticas e farmacodinâmicas entre fármacos anticonvulsivantes e psicotrópicos exigem manejo criterioso, considerando o potencial pró-convulsivante de determinadas medicações e o impacto sobre o limiar convulsivo.

Sobre a psicopatologia das epilepsias e o seu manejo farmacológico, analise as afirmativas a seguir:

I. A psicose pós-ictal caracteriza-se por um intervalo lúcido que dura de horas até alguns dias entre a cessação dos eventos ictais e a eclosão dos sintomas delirantes ou alucinatórios, associando-se comumente a descargas temporolímbicas bilaterais. O manejo farmacológico agudo prioriza antipsicóticos de segunda geração com menor propensão à redução do limiar convulsivo, como o aripiprazol ou a risperidona em doses baixas, evitando-se agentes de alto potencial epileptogênico como a clozapina.

II. A síndrome do transtorno disfórico interictal, descrita classicamente na literatura neuropsiquiátrica, apresenta sintomas pleomórficos intermitentes e recorrentes (labilidade emocional, irritabilidade, episódios depressivos e queixas somáticas) que mimetizam transtornos do humor primários. No tratamento dos episódios depressivos interictais, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina representam a primeira linha terapêutica segura, enquanto que a Bupropiona deve ser evitadas em virtude da redução dose-dependente do limiar epileptogênico.

III. A diferenciação clínica entre crises não epilépticas psicogênicas (dissociativas) e crises epilépticas focais disperceptivas baseia-se em parâmetros neurofisiológicos e semiológicos estritos. A presença de estado pós-ictal com elevação sérica transitória de prolactina colhida entre 10 e 20 minutos após o ictus confirma acometimento do lobo temporal mesial, ao passo que a ausência de elevação exclui etiologia epiléptica, em especial nas crises com origem no lobo frontal.

IV. No manejo conjunto de comorbidades psiquiátricas e epilepsia, anticonvulsivantes com perfil estabilizador do humor como valproato de sódio, carbamazepina e lamotrigina apresentam utilidade terapêutica consolidada; contudo, na terapia combinada entre lamotrigina e valproato, ocorre indução metabólica expressiva da glicuronidação mediada pelo valproato, o que exige a diminuição imediata da dose de manutenção da lamotrigina para prevenir toxicidade e manifestações cutâneas graves.

Assinale a alternativa CORRETA:


A

Apenas I e II estão corretas.


B

Apenas I e III estão corretas.


C

Apenas II e IV estão corretas.


D

Apenas I, II e IV estão corretas.


E

I, II, III e IV estão corretas.

Uma paciente de 27 anos com histórico de Transtorno de Ansiedade chega ao pronto atendimento após episódio de palpitações e síncope. No momento da avaliação, encontrava-se assintomática. O eletrocardiograma (ECG) realizado foi o seguinte:


Imagem associada para resolução da questão


Diante desse caso, qual a conduta CORRETA?


A

Encaminhar a paciente para cateterismo e angioplastia de urgência.


B

Encaminhar a paciente para avaliação eletrofisiológica.


C

Tranquilizar a paciente e orientar retorno precoce com o psiquiatra assistente.


D

Encaminhar a paciente para teste ergométrico de estresse.

Qual das seguintes afirmações sobre o tratamento do Transtorno Depressivo Maior (TDM) está CORRETA?


A

O aumento do risco de comportamento suicida com o uso de medicamentos antidepressivos é uma preocupação em todas as faixas etárias, especialmente em pacientes idosos, demandando monitoramento intensivo.


B

A estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) é amplamente reconhecida como uma terapia somática de primeira linha para o TDM refratário.


C

A psicoterapia isolada, embora benéfica, é geralmente insuficiente para o tratamento inicial de pacientes com TDM de intensidade leve a moderada, sendo sempre necessária a associação com farmacoterapia para otimizar os resultados.


D

A terapia eletroconvulsiva é preferida para as formas mais graves de depressão maior, incluindo a depressão maior com aspectos psicóticos.

Mulher, 24 anos, relata episódios, três vezes por semana, em que ingere grande quantidade de alimentos com sensação de perda de controle, seguidos de vômitos autoinduzidos e uso ocasional de laxantes. IMC é 23 kg/m2. Potássio de 2,9 mEq/L e amilase elevada.

Assinale a opção que apresenta a interpretação e a conduta inicial mais adequada para o caso.


A

Trata-se de bulimia nervosa. Deve-se corrigir distúrbios hidroeletrólíticos, avaliar risco cardíaco e iniciar abordagem multidisciplinar.


B

Trata-se de refluxo gastroesofágico funcional, devendo-se tratar com qualquer inibidor de bomba de prótons e liberar atividade física intensa.


C

Trata-se de anorexia nervosa purgativa, porque o IMC normal exclui bulimia nervosa, assim como os demais achados laboratoriais informados.


D

Trata-se de comportamento alimentar sem relevância médica se a hemoglobina e o IMC estiverem normais. A correção da hipocalemia pode ser oral.


E

Trata-se de transtorno de compulsão alimentar periódica, porque há episódios de compulsão com períodos compensatórios e por isso o peso está normal.

Sobre diagnóstico e tratamento dos transtornos relacionados ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas, assinale a alternativa INCORRETA.


A

O diagnóstico de transtorno por uso de substâncias exige um padrão problemático de uso que cause prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por, pelo menos, duas das onze categorias de sintomas dentro de um período de 12 meses.


B

O tratamento farmacológico do transtorno por uso de álcool pode incluir naltrexona e acamprosato, conforme indicação clínica individualizada.


C

No transtorno por uso de opioides, a buprenorfina e a metadona são consideradas terapias de substituição eficazes e fazem parte das recomendações de primeira linha para manejo da dependência.


D

Critérios fisiológicos como tolerância e abstinência são opcionais para o diagnóstico de transtorno por uso de substâncias, mas sua presença contribui para a avaliação da gravidade do transtorno, não constituindo um especificador diagnóstico próprio.


E

A presença de intoxicação aguda exclui automaticamente o diagnóstico de transtorno por uso de substâncias, pois ambos não podem coexistir no DSM-5-TR.

Um homem de 24 anos que iniciou recentemente o uso de haloperidol é transferido da unidade psiquiátrica local com: pirexia, flutuação do nível de consciência, rigidez muscular e instabilidade autonômica.


Qual é o seu diagnóstico provisório?


A

Acidente vascular cerebral


B

Meningite


C

Distonia aguda


D

Síndrome neuroléptica maligna


E

Síndrome serotoninérgica

Em relação ao Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), é correto afirmar que:


A

É mais comum nas populações de áreas rurais do que nas de áreas urbanas.


B

Para o seu diagnóstico, é obrigatório o paciente ter apresentado ataque de pânico.


C

Ocorre com maior frequência em mulheres, tendo proporção de 2:1.


D

Apresenta altas taxas de remissão completa.


E

Tem pico de incidência antes dos 12 anos de idade.

Sobre o TAB, é INCORRETO afirmar que:


A

Entre as alternativas farmacológicos existentes no momento, o carbonato de lítio é o agente com maior evidência de redução do risco de suicídio.


B

O paciente com TAB que apresentar sintomas psicóticos obrigatoriamente deverá ser diagnosticado com transtorno esquizoafetivo.


C

O uso de inibidor seletivo da recepção da serotonina poderá provocar virada maníaca em pacientes com TAB.


D

Sintomas depressivos atípicos como reatividade do humor, hiperfagia e hipersonia têm maior probabilidade de serem encontrados em pacientes com TAB do que naqueles com transtorno de humor unipolar.


E

Estão entre as alternativas terapêuticas de primeira linha para a depressão bipolar tipo I a quetiapina, o carbonato de lítio, a lamotrigina e a lurasidona.

O medicamento antagonista do receptor mu opioide, inibidor da neurotransmissão GABAérgica, que leva à diminuição do desejo de uso do álcool, mostrando-se como opção terapêutica aos quadros de adicção, é o psicofármaco:


A

diazepam


B

naltrexona


C

dissulfiram


D

bupropiona


E

carbamazepina

Acerca dos transtornos de Tiques, sendo o seu mais importante representante a Síndrome de Tourette, pode-se afirmar que:


A

Tiques não se beneficiam de tratamentos medicamentosos


B

estatisticamente têm considerável comorbidade com TOC e TDAH


C

vocalizações não costumam fazer parte da síndrome de Tourette


D

os movimentos costumam ser involuntários e não previstos pelos pacientes


E

tem curso rígido e não costumam apresentar remissões ao longo da linha de vida do paciente

Em relação aos transtornos alimentares, assinale a alternativa INCORRETA.


A

Vômitos, uso de laxantes, diuréticos e uso de medicamentos para emagrecimento correspondem a aproximadamente 80% dos comportamentos compensatórios inapropriados. Já os jejuns prolongados e os exercícios em excesso correspondem a aproximadamente 20%. Se ocorrerem até 7 episódios por semana, por pelo menos 3 meses, a bulimia nervosa é considerada moderada.


B

O uso de fluoxetina é a única medicação aprovada, pelo FDA e pela Anvisa, para o tratamento farmacológico da bulimia nervosa. O uso de 60 mg/dia é o recomendado para a redução de compulsões e purgações.


C

Atualmente, a amenorreia não faz parte dos critérios diagnósticos para anorexia nervosa.


D

Sobre os transtornos de compulsão alimentar, existem estudos robustos para que pacientes menores de 18 anos de idade possam utilizar a lisdexanfetamina com segurança.


E

O baixo peso provocado pelos transtornos alimentares pode provocar algumas complicações clínicas como alterações nos marcadores hepáticos e de coagulação, mas tendem a normalizar com a realimentação e recuperação nutricional.

Em relação aos transtornos do humor, assinale a alternativa correta.


A

O paciente com transtorno depressivo maior, mesmo em casos graves, não desenvolve sintomas psicóticos, pois isso ocorre apenas em casos de esquizofrenia.


B

O risco de suicídio em pacientes com transtorno depressivo maior grave é baixo.


C

Todos os pacientes com diagnóstico de transtorno depressivo maior leve devem realizar psicoterapia com tratamento farmacológico associado.


D

É critério diagnóstico do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB-II) apresentar 1 episódio de hipomania por pelo menos 7 dias consecutivos.


E

Um dos principais critérios para o diagnóstico do transtorno depressivo persistente é que o humor deprimido deve estar presente na maior parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos 2 anos em adultos. No entanto, em crianças e adolescentes, o humor pode ser irritável e a duração mínima é de 1 ano.

Em relação aos diagnósticos em psiquiatria há dois grandes manuais que são utilizados: DSM e CID. Nos textos sobre transtornos de personalidade na última versão da CID (CID-11):


A

Não há diferenças em relação às tradicionais descrições do DSM-V-TR.


B

Surgiu o transtorno de personalidade ciclotímica.


C

Surgiu o transtorno de personalidade depressiva.


D

Passou a usar os “domínios de traço” que são consideradas categorias diagnósticas.


E

O padrão borderline não foi excluído nesta versão.

Paciente do sexo masculino, 27 anos, procura atendimento com a queixa de ter endividamento crescente como consequência de excesso de aposta. Tem dificuldades em controlar o impulso de jogar, passa grande parte do dia pensando em apostas e sente irritabilidade e ansiedade quando tenta reduzir ou interromper o jogo. Apesar das consequências negativas no trabalho e nos relacionamentos, mantém o padrão de jogo. O quadro é persistente há mais de um ano e causa prejuízo funcional importante.


Das medicações abaixo, qual tem maior nível de evidência para o tratamento do quadro?


A

Carbonato de lítio


B

N-acetilcisteína


C

Memantina


D

Fluoxetina


E

Naltrexona

Qual a alteração psicopatológica descrita no caso?


A

Delírio


B

Alucinação


C

Ilusão


D

Obsessão


E

Compulsão

 
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