Questões de Concurso sobre Concepções teóricas de aquisição e desenvolvimento da linguagem escrita

 
 
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Considerando as concepções de leitura e escrita na Educação Infantil presentes na Base Nacional Comum Curricular e no debate contemporâneo sobre a apropriação da linguagem escrita pelas crianças, analise as afirmativas a seguir.

I. Na Educação Infantil, as experiências com leitura e escrita devem integrar-se às interações, às brincadeiras e às múltiplas linguagens, envolvendo literatura, oralidade, narrativas, diferentes gêneros textuais, escrita espontânea e situações socialmente significativas de uso da linguagem escrita, de modo a respeitar os interesses, as curiosidades e as formas próprias de participação das crianças.

II. O trabalho pedagógico pode favorecer a formulação de hipóteses sobre a escrita, a exploração das relações entre oralidade e registro gráfico, a produção de textos com o professor atuando como escriba e a participação das crianças em práticas de leitura e escrita, sem que isso implique reproduzir, de forma antecipada, exercícios mecânicos e sistemáticos de alfabetização próprios do Ensino Fundamental.

III. Embora a Educação Infantil deva assegurar o contato cotidiano das crianças com livros, narrativas e diferentes portadores textuais, a intervenção pedagógica intencional sobre a escrita deve ser postergada para o Ensino Fundamental, pois a formulação de hipóteses, a produção de registros espontâneos e a reflexão sobre palavras configuram procedimentos próprios do ensino sistemático da alfabetização.

Após análise, conclui-se que está correto o que se afirma:


A

II, apenas.


B

III, apenas.


C

I e II.


D

II e III.


E

I, II e III.

Segundo a Psicogênese da Língua Escrita, as hipóteses construídas pela criança ao longo do processo de alfabetização são tradicionalmente identificadas como:


A

Pré-silábica, fonética, silábico-alfabética e ortográfica.


B

Silábica, fonêmica, alfabética e ortográfica.


C

Pré-silábica, silábica, fonológica e alfabética.


D

Pictográfica, silábica, silábico-alfabética e ortográfica.


E

Pré-silábica, silábica, silábico-alfabética e alfabética.

Solicitada a escrever a palavra CAVALO, uma criança registra AAO e, ao reler o que produziu, faz corresponder uma letra a cada sílaba pronunciada. Semanas depois, solicitada a escrever BONECA, ela registra BOECA. Conforme a psicogênese da língua escrita, é CORRETO afirmar que os dois registros indicam, respectivamente:


A

Hipótese silábica com valor sonoro convencional e hipótese silábico-alfabética.


B

Hipótese pré-silábica com exigência de quantidade mínima e hipótese alfabética plena quanto ao princípio.


C

Hipótese alfabética inicial com desvios de natureza ortográfica e hipótese silábico-alfabética consolidada.


D

Hipótese silábica sem valor sonoro convencional e hipótese alfabética já consolidada quanto ao princípio.


E

Hipótese pré-silábica com exigência de variedade interna e hipótese silábica com valor sonoro convencional.

Frade, Araújo e Glória (2018) defendem que “a relação com a leitura e a escrita se torna mais rica quando se aprende a lidar desde cedo com as possibilidades que cada um dos suportes textuais pode proporcionar àqueles que o experimentam”.


Para as autoras, isso significa, dentre outros aspectos,


A

assumir o material impresso como suporte preferencial da atividade pedagógica, reduzindo os ruídos imagéticos e sonoros dos suportes digitais.


B

revalorizar a linguística como centro do trabalho escolar sobre o letramento, cujas especificidades exigem distanciamento das práticas sociais.


C

migrar do trabalho com o texto verbal escrito para conteúdos audiovisuais, que caracterizam os suportes de maior valor social atualmente.


D

reformular o sentido da leitura e da escrita de acordo com o suporte e as possibilidades semióticas que seus recursos promovem.


E

identificar a permanência de gestos, comportamentos e atitudes nas práticas de leitura e escrita, pois estes independem do suporte envolvido.

Desde a infância, Caroline apresentava características que dificultavam suas interações sociais. Em situações de demonstração de afeto, como abraços, costumava demonstrar desconforto e pouca reciprocidade emocional. No ambiente escolar, mantinha poucas relações de amizade e apresentava dificuldades na interação com colegas. Na vida adulta, essas dificuldades também se refletiram em contextos profissionais e sociais. Após avaliação especializada, recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Considerando as práticas pedagógicas e o acolhimento educacional voltados a estudantes com TEA, julgue os itens a seguir:


I.Deve-se adaptar atividades individuais como principal estratégia escolar para o estudante, evitando interações que possam gerar desconforto emocional.

II.O estudante deve ser submetido à participação em atividades coletivas com um tempo reduzido em relação aos demais alunos, como estratégia de adaptação social.

III.É importante acolher as angústias e necessidades emocionais do estudante, respeitando suas particularidades.

IV.A escola pode orientar a família sobre estratégias de estímulo no ambiente doméstico, em articulação com o trabalho das equipes multiprofissionais.


É CORRETO o que se afirma em:


A

I, II, III e IV.


B

I e III, apenas.


C

I e IV, apenas.


D

III e IV, apenas.

Leia o texto a seguir:


A Teoria da Psicogênese da escrita pressupõe um processo evolutivo de apropriação da língua escrita por meio do qual as crianças se esforçam para compreender o que os sinais gráficos da escrita representam e como eles são organizados para formar um sistema notacional.


(MONTEIRO, Sara Mourão e MARTINS, Margarida Alves. Relação entre níveis conceituais de escrita e estratégias de reconhecimento de palavras. In.: Educação em Revista - Dossiê Alfabetização e Letramento.v.36. Belo Horizonte, 2020.)


De acordo com a teoria da Psicogênese da linguagem escrita na alfabetização, construída em 1999 por Emília Ferreiro e Ana Teberosky, a criança aprende a escrever por meio de um processo


A

hipotético e delimitado.


B

intuitivo e progressivo.


C

organizado e constante.


D

lúdico e particular.


E

sistemático e controlado.

A intervenção mais eficaz para a dislexia é aquela que utiliza métodos sistemáticos e explícitos na intervenção para dislexia. Para tanto, é CORRETO afirmar que se pode:


A

excluir as letras difíceis.


B

utilizar trabalho multisensorial com letras e sons.


C

ignorar erros para não frustrar o aluno.


D

usar exclusivamente de leitura silenciosa.


E

aplicar apenas de testes formais.

A psicogênese da língua escrita, segundo Ferreiro e Teberosky, identifica níveis conceituais na construção da escrita infantil. O nível onde criança estabelece correspondência entre pauta sonora e grafia, mas sem valor sonoro convencional, é denominado:


A

Pré-silábico.


B

Alfabético.


C

Silábico.


D

Silábico-alfabético.


E

Ideográfico.

No livro Temas em Psicopedagogia 1, organizado por Sâmia Silva Gomes, Lídia Andrade Lourinho e Antonia Cleilza Abreu de Vasconcelos, o capítulo “A intervenção psicopedagógica na aquisição da leitura e da escrita”, de Ana Beatriz Alves de Sousa, Lídia Andrade Lourinho e Antonia Cleilza Abreu de Vasconcelos, apresenta possibilidades metodológicas para o trabalho psicopedagógico com leitura e escrita, incluindo referências ao método de alfabetização integral de Oscar Oñativa. Neste contexto, sobre o método de alfabetização integral de Oscar Oñativa, é correto afirmar que:


A

o método inicia pela decomposição silábica e pela fixação grafema-fonema, usando cartelas-palavras para memorizar famílias silábicas; somente depois recorre às cartelas pictográficas, como apoio visual acessório, confeccionadas previamente pelo terapeuta; neste momento, as cartelas pictográficas são substituídas por cartelas-palavras.


B

o método organiza-se em etapa única, voltada à repetição de palavras e frases já escritas, sem atribuir função gramatical às cartelas; fraselógrafo, lousa magnética e flip chart servem ao registro final das respostas do estudante.


C

o método possui duas etapas: na primeira, enfatiza a estrutura semântica, com pictogramas que funcionam como ideogramas e cumprem função gramatical; na segunda, após a internalização de estruturas sintáticas e morfológicas, as cartelas pictográficas são substituídas por cartelas-palavras.


D

o método tem como eixo a elaboração de portfólio e atividades livres, sem progressão entre pictogramas e cartelas-palavras; as cartelas-desenho, quando usadas, destinam-se a estimular criatividade, sem relação com estrutura semântica ou gramatical; o ato de brincar, neste sentido, é correlato ao jogo semântico e gramatical.


E

o método recomenda que as cartelas-silábicas substituam desde o início as cartelas-desenho, pois a criança deve dominar primeiro as sílabas; as frases pictográficas são utilizadas apenas depois da alfabetização consolidada, para ampliar vocabulário.

A construção do sistema de escrita pela criança é um processo de investigação de natureza conceitual, no qual o sujeito elabora sucessivas hipóteses sobre as regras de funcionamento da língua escrita. No que se refere ao desenvolvimento da escrita e à transição entre os níveis evolutivos durante a psicogênese da língua escrita, é correto afirmar que:


A

a hipótese silábica com valor sonoro representa o estágio em que a criança utiliza obrigatoriamente letras que correspondem exatamente aos fonemas iniciais de cada sílaba.


B

o conflito cognitivo que conduz à hipótese alfabética surge quando a criança percebe que a correspondência de uma letra para cada sílaba é insuficiente para diferenciar palavras distintas.


C

a passagem do nível pré-silábico para o silábico ocorre quando a criança abandona a exigência de quantidade mínima de caracteres para que um registro possa ser lido.


D

o estágio alfabético caracteriza-se pelo domínio imediato das convenções ortográficas, eliminando as trocas entre letras que possuem o mesmo som.


E

a escrita silábico-alfabética constitui um retrocesso temporário no desenvolvimento, resultante da confusão entre os nomes das letras e seus respectivos valores fonéticos.

Sobre Alfabetização e Letramento, é CORRETO afirmar:


A

A aquisição mecânica da escrita sem contextos reais.


B

A capacidade do aluno de utilizar a leitura e a escrita em diferentes situações sociais.


C

A leitura apenas para decorar informações.


D

A escrita apenas como obrigação escolar na produção de textos.


E

O ensino exclusivo das regras gramaticais.

As dificuldades e os transtornos de aprendizagem repercutem na trajetória escolar e orientam intervenções pedagógicas distintas. Sobre o tema, assinale a alternativa CORRETA.


A

A dislexia caracteriza transtorno específico de aprendizagem que compromete a precisão e a fluência do reconhecimento de palavras, com prejuízo na decodificação e na ortografia.


B

A discalculia designa o comprometimento da coordenação motora fina responsável pelo traçado das letras, com caligrafia irregular e lentidão acentuada na cópia de textos.


C

O transtorno específico da aprendizagem decorre de escolarização insuficiente ou de baixa acuidade visual sem correção, fatores que integram os seus critérios diagnósticos.


D

As dificuldades de aprendizagem equivalem aos transtornos específicos, partilhando com eles a origem neurobiológica permanente e o diagnóstico firmado em avaliação bimestral.

Nos anos iniciais, avaliações internas indicam que parte dos estudantes lê palavras isoladas com fluência, mas tem dificuldade em compreender textos curtos, inferir informações e explicar escolhas. Em sala, predominam correções do produto final (certo/errado) e devolutivas pouco específicas; já a comunicação com as famílias ocorre quase sempre por recados operacionais, com baixa participação em reuniões. A coordenação precisa intervir sem transferir a responsabilidade principal para a família e sem aumentar burocracia.


Tendo em vista o ensino e aprendizagem, e articulação escola–família–comunidade, qual plano de ação é mais adequado?


A

Condicionamento da recuperação à presença obrigatória da família em encontros, mantendo práticas de sala para preservar estabilidade pedagógica.


B

Centralidade do treino domiciliar por tarefas diárias, com foco escolar em registro de notas e controle de devolução, atribuindo avanço à rotina familiar.


C

Mensuração mensal por prova padronizada e divulgação de resultados por turma, priorizando comparação e metas como motor de engajamento, sem observação sistemática.


D

Substituição do material por projetos livres de leitura, com mínima intervenção dirigida e sem rotina consistente de acompanhamento de evidências.


E

Articulação entre diagnóstico por habilidades, mediação em sala e devolutivas formativas, com comunicação institucional planejada e dialógica, monitorando evidências de progresso.

A apropriação do sistema de escrita alfabética exige o recrutamento de diversas áreas cerebrais que precisam estar integradas para a decodificação e a compreensão textual. Sobre os aspectos neurológicos das dificuldades de leitura e escrita, assinale a alternativa correta.


A

Interpreta a leitura e a escrita como funções que dependem de respostas localizadas, envolvendo áreas responsáveis pelo processamento fonológico, visual e semântico sem articulação entre os sistemas neurais.


B

Delimita a leitura e a escrita como funções que dependem da ativação de áreas isoladas, envolvendo áreas responsáveis pelo processamento fonológico, visual e semântico sem integração entre redes neurais.


C

Classifica a leitura e a escrita como funções que dependem de critérios formais, envolvendo áreas responsáveis pelo processamento fonológico, visual e semântico sem integração entre redes neurais.


D

Compreende a leitura e a escrita como funções que dependem da integração de redes neurais, envolvendo áreas responsáveis pelo processamento fonológico, visual e semântico na construção textual.

Em sua obra sobre ortografia, Artur Gomes discute estratégias de ensino que ajudam os alunos a superar as dificuldades comuns de escrita. Qual das alternativas melhor descreve a abordagem de Morais sobre o ensino da ortografia?


A

O ensino da ortografia deve considerar o contexto linguístico e a flexibilidade das regras, considerando a variação na língua.


B

A ortografia deve ser abordada de forma isolada, sem relação com outras habilidades de leitura e escrita.


C

Morais defende que a ortografia deve ser ensinada de maneira repetitiva e mecânica, sem fazer referência ao contexto ou à compreensão do significado das palavras.


D

A ortografia deve ser ensinada como um conjunto de regras fixas e imutáveis, sem espaço para variações linguísticas.

Leia:


(...) costumam apresentar dificuldades para resolver problemas, compreender ideias abstratas(como as metáforas, a noção de tempo e os valores monetários), estabelecer relações sociais, compreender e obedecer às regras, e realizar atividades cotidianas, como por exemplo, as ações de autocuidado.


O trecho traz características de crianças portadoras de:


A

deficiência visual.


B

deficiência motora.


C

deficiência auditiva.


D

deficiência de aprendizagem.


E

deficiência intelectual.

Entre os leitores de tela utilizados por pessoas cegas, há aqueles desenvolvidos para operar de forma predominante em computadores que utilizam o sistema operacional Windows, sendo comum em ambientes educacionais e profissionais que demandam alto nível de compatibilidade com softwares desse sistema. Assinale o nome do programa que atende a essa descrição.


A

VoiceOver


B

Orca


C

TalkBack


D

JAWS


E

Narror

O desenvolvimento da oralidade nos anos iniciais é um eixo fundamental da Língua Portuguesa. Observando as habilidades do eixo Oralidade, de acordo com a BNCC, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.


( ) Recontar oralmente, com e sem apoio de imagem, textos literários lidos pelo professor.

( ) Distinguir fatos de opiniões/sugestões em textos escritos (informativos, jornalísticos, publicitários etc.).

( ) Identificar em textos e usar na produção textual pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos como recurso coesivo anafórico.

( ) Cantar cantigas e canções, obedecendo ao ritmo e à melodia.


A

C - C - E - E.


B

E - E - C - C.


C

C - C - C - E.


D

C - E - E - C.

Em uma turma de 4º ano, a leitura de sondagens e a análise de produções escritas indicam um grupo de estudantes com dificuldades recorrentes de compreensão leitora, especialmente na elaboração de inferências e na articulação entre informações explícitas e implícitas. Para organizar um reforço pedagógico sistemático, a conduta metodológica mais adequada é


A

estabelecer metas gerais de melhoria da leitura, organizar encontros semanais com retomada de conteúdos já trabalhados e aplicar nova avaliação ao término do bimestre para verificar avanço global.


B

reorganizar, sem monitoramento, a turma por níveis de desempenho, reduzir a complexidade dos textos trabalhados e substituir parte das avaliações formativas por atividades de consolidação coletiva.


C

selecionar textos motivadores de interesse do grupo, ampliar o tempo de leitura silenciosa e registrar impressões gerais dos estudantes para replanejamento eventual.


D

definir linha de base e metas mensuráveis, agrupar por necessidade, ensinar estratégias explicitamente e monitorar o progresso para ajustar foco e intensidade.


E

encaminhar os estudantes para avaliação especializada, manter adaptações curriculares provisórias e aguardar devolutiva externa antes de redefinir o planejamento.

Durante uma atividade de escrita, crianças em processo de alfabetização produzem registros que ainda não correspondem integralmente à escrita convencional. Em vez de solicitar apenas a cópia das formas corretas, a professora analisa as produções e propõe comparações entre palavras para que as crianças reflitam sobre as relações entre partes faladas e partes escritas. Essa intervenção é coerente com a psicogênese da língua escrita porque:


A

Considera os registros não convencionais como falhas perceptivas que devem ser corrigidas antes da exploração das relações sonoras da escrita.


B

Pressupõe que a compreensão do sistema alfabético decorre principalmente da repetição de correspondências previamente apresentadas pelo professor.


C

Entende as diferentes escritas como etapas determinadas pela idade, cabendo à intervenção pedagógica aguardar sua evolução espontânea.


D

Reconhece que as crianças formulam hipóteses sobre o funcionamento da escrita, podendo confrontá-las e reorganizá-las em novas situações.


E

Considera desnecessário o ensino sistemático do sistema de escrita, pois a exposição a textos seria suficiente para alcançar a escrita convencional.

 
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