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A inserção da psicologia em trabalhos com grupos sociais, vem acontecendo desde os anos 60. Com base na leitura de Campos (1996), assinale a alternativa INCORRETA:
A Psicologia na comunidade, toma como unidade de análise o grupo comunitário.
A Psicologia Comunitária tem como objeto de análise o sujeito construído sócio -historicamente.
A Psicologia Social Comunitária enfatiza em termos teóricos que o conhecimento se produz na interação entre o profissional e os sujeitos da investigação.
A Psicologia na comunidade visava deselitizar a Psicologia e melhorar as condições de vida da população trabalhadora (favelas, bairros populares etc.).
Sobre o tema da exclusão social, observe as afirmações abaixo.
I. É um conceito que demarca e distingue um país rico de um pobre: os excluídos constituem o conjunto da população dos países pobres que, pelas restrições oriundas das mudanças do mundo do trabalho ou pelos modelos e estruturas econômicas, são vítimas das desigualdades absurdas de qualidade de vida.
II. O processo de exclusão não é só físico, geográfico ou material, não apenas do mercado e de suas trocas, mas de todas as riquezas espirituais, inclusive do desconhecimento dos valores, costumes e crenças dos excluídos, portanto, a exclusão também é cultural.
III. No que pese a multidimensionalidade da exclusão, a instabilidade do vínculo de trabalho, dada sua relação direta com a pobreza, é um dos mecanismos que mais contribui para a exclusão social, levando, inclusive, à fragilização dos vínculos sociais (familiares, comunitários etc.).
Assinale a alternativa que identifica o(s) item(ns) correto(s).
I e II, apenas.
I e III, apenas.
II e III, apenas.
III, apenas.
No célebre experimento da prisão simulada desenvolvido na Universidade de Stanford, em 1971, o psicólogo Philip Zimbardo buscou estudar as reações humanas na situação de cativeiro, mas o estudo foi interrompido por importantes questões éticas incidentes sobre o experimento. O mais importante resultado dessa pesquisa para o campo da psicologia social se articula:
à socialização empática em ambientes hostis;
à motivação intelectual subjacente aos comportamentos antissociais;
à responsabilidade do líder pelos comportamentos grupais;
aos traços de caráter individuais que se associam à conduta submissa;
à desindividualização dos membros de um grupo coeso.
Dadas as afirmativas abaixo sobre a psicologia social, a qual se dedica a estudar o processo de trabalho,
I. A psicologia social do trabalho aborda temas como desemprego, vida do trabalhador fora do trabalho, saúde do trabalhador e as relações de trabalho.
II. A psicologia social do trabalho dialoga com a psicologia comunitária e com a psicologia política.
III. A questão de gênero é negligenciada pela psicologia social do trabalho.
verifica-se que está(ão) correta(s)
I, apenas.
I e II, apenas.
I e III, apenas.
II e III, apenas.
I, II e III.
Desde a ascensão do nazi-fascismo, no período entre as duas guerras mundiais, a psicologia social vem produzindo estudos sobre a exclusão, interrogando-se sobre os motivos pelos quais, em sociedades aparentemente democráticas e igualitárias, sejam aceitas práticas injustas e discriminatórias frente aos considerados “diferentes”. Essas pesquisas indicam que a exclusão se relaciona:
à atribuição da responsabilidade pela situação à vítima;
à crença em um mundo injusto, em que os sujeitos não têm o que merecem;
à fragilização dos processos educacionais nas famílias;
à anomia social que leva ao desinteresse da esfera pública;
à imprecisão dos limites identitários que ampliam a rede de pertencimentos interindividuais.
O modo de funcionamento do capitalismo contemporâneo é especialmente marcado por uma tendência à dispersão, à heterogeneidade em um funcionamento imanente (NEVES, 2004). Qual das ideias abaixo NÃO corresponde a do capitalismo contemporâneo?
Constituição de um mercado idealmente globalizado, sem fronteiras e de caráter transnacional.
Desenvolvimento de trabalhadores polifuncionais.
Exportação de miséria e do nível de desemprego em bolsões por todo planeta.
Modo de produção com valorização do sujeito do trabalho, enaltecendo sua singularidade.
Flexibilização e informalização da relação salarial, via terceirização.
O grupo focal é bastante conhecido como instrumento de pesquisa, mas também pode ser utilizado no diagnóstico situacional, pois é um tipo de dinâmica:
que focaliza discussões sobre um determinado tema, a partir de um conjunto de perguntas ou a partir de uma pergunta-chave proposta pelo facilitador.
corporal que utiliza linguagem não verbal, permitindo que conteúdos que seriam censurados sejam expressados espontaneamente.
que trabalha com o princípio da associação livre, o que permite o acesso a lembranças e insights que contribuem para a compreensão dos fenômenos sociais.
coordenada pelos próprios participantes que elegem um tema que será o foco da discussão junto à equipe técnica.
Ao pensar a ferramenta “análise de implicações”, Lourau se refere
a um princípio equivalente à contratransferência freudiana, que permite conhecer o funcionamento dos grupos sujeitos e dos grupos submetidos frente aos confrontos e alianças institucionais.
ao engajamento e participação político-institucional, ferramentas fundamentais à emergência da transversalidade.
ao reconhecimento da objetividade e neutralidade técnicas do pesquisador, atravessadas pela dimensão da enunciação coletiva.
às análises transferenciais dos que fazem parte da intervenção, dos atravessamentos e produções socioculturais, políticas e econômicas dos estabelecimentos e sujeitos que deles participam.
à valorização do sobretrabalho e do ativismo da prática que buscam beneficiar os indivíduos atendidos nas instituições.
Baptista (2010) questiona a relevância para nós, psicólogos, em trabalhar com a questão da mobilidade/imobilidade humana no estudo da subjetividade, bem como em que política sobre este tema apostamos em nossas pesquisas e qual mobilidade desejamos. De acordo com o autor, está correto afirmar que:
I. Tradicionalmente os discursos psi utilizam o argumento que caracteriza a cidade como um exterior que age na subjetividade, como se o traçado urbano não contivesse em suas linhas formas particulares de experienciar o tempo, a alteridade e a nós mesmos.
II. Muros, pavimentos, espaços vazios, grades, calçadas e a paisagem construída, longe de reduzir-se a funções necessárias da vida urbana, enunciam memórias, medos, passagens, gestos nem sempre visíveis por aqueles que os usam.
III. O movimento das metrópoles não interfere no corpo citadino, como se o corpo fosse o efeito e a recusa deste movimento; adjetiva o móvel e o imóvel na contramão do argumento que os define como criações da história.
Quais estão corretas?
Apenas III.
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
I, II e III.
Kurt Lewin considerava sua proposta como uma teoria de campo, desenvolvendo uma perspectiva teórico-empirista. Esse autor compreendia o espaço vital como:
um campo psicológico que inclui a totalidade de fatos que determinam o comportamento (C) de um indivíduo em dado momento, incluindo a pessoa (P) e o ambiente (A);
um campo psicológico dirigido ao aprendizado comportamental associado ao condicionamento operante;
um campo psicológico articulado a estruturas filogenéticas que visa ao desenvolvimento sexual de um indivíduo(I), incluindo as variáveis ambientais (A) que incidem nesse processo;
um campo psicológico e linguístico fundamental para a aquisição e desenvolvimento de habilidades cognitivas;
um campo psicológico previsível e controlado envolvendo estímulos e reações em processos comportamentais e mentais.
“Ao mesmo tempo que produz desterritorialização contínua e enuncia – tenha criatividade, seja múltiplo, mude sempre, produz subjetivação serializada que encarcera a força de criação sobrecodificando-a nos limites das demandas do mercado de consumo” (NEVES, 2004). Esse tipo de poder, que foi descrito por Foucault, opera ao “ar livre” e, por modulação contínua, produz um determinado tipo de sociedade. Como se denomina essa sociedade?
Sociedade de Controle.
Sociedade Disciplinar.
Sociedade Consumista.
Sociedade Autoritária.
Sociedade Descentralizada.
Em seus diversos livros que retratam a contemporaneidade, Bauman destaca uma economia própria das sociedades em geral que se distingue da chamada sociedade de produtores, cujas condições necessárias à vida eram a segurança, o planejamento a longo prazo, a acumulação, entre outras. A economia das sociedades contemporâneas está centrada fundamentalmente
no narcisismo.
na satisfação sem limites.
no capitalismo.
no consumismo.
na sexualidade.
A emergência das primeiras escolas de Serviço Social brasileiras, na década de 1930, conjugava as seguintes influências principais e correlacionadas:
Psicologia do Ego norte-americana; estudo clínico de casos
Organização Médicos Sem Fronteiras; ideário marxista
Psiquiatria Social europeia; técnica das visitas sociais
Ideologia Social-Democrata; sindicalismo de base
Movimento de Higiene Mental; doutrina católica
Em seu clássico Estigma – Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada, Erving Goffman considerou que o termo estigma é usado em referência a um atributo profundamente depreciativo, mas o que é preciso, na realidade, é uma linguagem de relações e não de atributos. Sobre o tema tratado pelo autor, é INCORRETO afirmar que
um dos tipos de estigma está ligado às abominações do corpo.
por definição, acreditamos que alguém com um estigma não seja completamente humano.
os estigmas tribais de raça, nação e religião não são transmitidos através de linhagem.
há estigmas ligados às culpas de caráter individual, percebidas como vontade fraca, paixões tirânicas ou não naturais.
A sociedade do século XXI pode ser caracterizada no que concerne ao trabalho, ao convívio, ao exercício da cidadania e aos cuidados dispensados ao ambiente pelo uso
integrado da ação aos sentimentos.
de um saber fragmentado.
intensivo do conhecimento.
expressivo da comunicação informal.
desproporcional da razão.
Baremblitt (1994), ao citar Barbier (1985): "...engajamento pessoal e coletivo do pesquisador em e por sua práxis científica, em função de sua história familiar e libidinal, de suas posições passadas e atual nas relações de produção e de classe, e de seu projeto sócio-político em ato, de tal modo que o investimento que resulte inevitavelmente de tudo isso seja parte integrante e dinâmica de toda atividade de conhecimento." (p. 120), refere-se ao conceito de
“Nossa tese: o grupo, bem como o indivíduo e a sociedade, tem funcionado em um mesmo registro – um modo que é, ao mesmo tempo, totalizante e individualizante” (Barros, 2007:322).
Deste modo:
I. O grupo – definido como um todo – está aprisionado no mesmo modelo uno que a díade indivíduo/ sociedade há séculos produz.
II. Modo-indivíduo constituiu-se, históricamente, como o modo de subjetividade dominante.
III. O grupo é formulado e tornado instituição, passando a instaurar campos de real, bem como monopólios de legitimidade e redes de especialistas para geri-lo.
Pode-se afirmar que APENAS a(s) proposição(ões)
Assinale a alternativa que melhor descreve a noção de subjetividade, tal qual apresentada por Guattari e Rolnik (1996) em Micropolíticas: Cartografias do Desejo.
Conjunto de características psicológicas que determinam a individualidade pessoal e social.
Produção de modos de existência industrialmente fabricada, modelada, recebida, consumida.
Conceito dinâmico que descreve o crescimento e o desenvolvimento de todo sistema psicológico de um indivíduo.
Organização dinâmica interna daqueles sistemas psicológicos do indivíduo que determinam o seu ajuste individual ao ambiente.
São considerações de Batista (2003), em O Medo na Cidade do de Janeiro: Dois Tempos de uma História, EXCETO:
Dentre as inseguranças e incertezas do capitalismo tardio, o medo tem sido o condutor das subjetividades e um poderoso aliado dos dispositivos de controle social.
No Brasil, a difusão do medo do caos e da desordem tem servido, historicamente, para detonar estratégias de neutralização e disciplinamento do povo brasileiro.
O escravo era coisa perante a totalidade do ordenamento jurídico (seu sequestro correspondia a um furto), bem como perante o direito penal.
O escravo, nesta conjuntura, se transforma em obstáculo à higiene e à “criação de uma família brasileira sadia”, seja pelas “patologias introduzidas”, pela amamentação, pela degradação dos costumes, pela prostituição ou pela moral.
Em Post-Scriptum sobre as Sociedades de Controle, o filósofo Gilles Deleuze (1992) indicava alguns aspectos que poderiam distinguir uma sociedade disciplinar de uma sociedade de controle.
Sobre este tema, marque a assertiva correta.
A sociedade disciplinar seria marcada pela interpenetração dos espaços, por sua suposta ausência de limites definidos e pela instauração de um tempo contínuo, no qual os indivíduos estariam sempre enredados numa espécie de formação permanente, de dívida impagável, prisioneiros em campo aberto.
As sociedades de controle possuem dois polos: a assinatura, que indica o indivíduo, e o número de matrícula, que indica sua posição numa massa.
Nas sociedades disciplinares, “o essencial não seria mais a assinatura nem um número, mas uma cifra: a cifra é uma senha (...) A linguagem (...) é feita de cifras, que marcam o acesso ou a recusa a uma informação”. (Deleuze, 1992 ; 222)
Na sociedade disciplinar teríamos uma organização vertical e hierárquica das informações. O poder, hoje, seria cada vez mais ilocalizável, porque disseminado entre os nós das redes. Deste modo, na sociedade de controle, a ação não seria mais vertical, como anteriormente, mas horizontal e impessoal.