Questões de Concurso sobre Psicologia Jurídica/Forense

 
 
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Na visão de Donald W. Winnicott (2012), as falhas ambientais terão consequências distintas, dependendo do momento em que ocorrerem e da reação do ambiente diante de seu impacto na criança. Segundo esse autor, se o ego não tiver maturidade suficiente para reconhecer que a origem do problema é externa, e não interna, a criança desenvolverá

A
uma atitude paranoide, pautada pela desconfiança de que o ambiente não possa vir a suprir as suas necessidades.

B
uma doença psicótica, pois a ausência de defesas frente à deficiência ambiental leva a uma suspensão do processo de desenvolvimento.

C

um quadro depressivo, marcado pela ambivalância em relação à figura materna e, por extensão, ao ambiente.


D
um transtorno narcisista, com a consequente pouca disponibilidade para o estabelecimento de relações objetais.

E
uma estrutura fronteiriça, que oscila entre momentos de força egoica razoável e momentos de força egoica precária.
A Psicologia Jurídica pode atuar em diversas áreas. MESSA (2010) nos diz que: “A Psicologia Jurídica corresponde a toda aplicação do saber psicológico às questões relacionadas ao Direito, abarcando a Psicologia Criminal, a Psicologia Forense e a Psicologia Jurídica.” (p. 2). De acordo com LEAL (2008, apud MESSA) a Psicologia Jurídica abrange várias áreas, dentre elas o trabalho junto ao recluso, egressos e agentes de segurança. Assinale a alternativa que inclui esse trabalho:

A
Psicologia Judicial

B
Psicologia Penitenciária

C
Psicologia Jurídica e o Direito Penal

D
Psicologia Policial e das Forças Armadas

E
Psicologia Jurídica e Direito Civil
É consenso, entre os autores de orientação psicanalítica, a importância das relações mãe-bebê no desenvolvimento da criança. Para René Spitz (2013), no primeiro ano de vida,

A
bebê e mãe criam uma relação simétrica da qual a criança emergirá como sujeito após o estabelecimento do terceiro organizador, a palavra “não”.

B
estabelece-se o conflito edípico, o qual a criança poderá superar com o advento do segundo organizador, a angústia do oitavo mês.

C
a criança e seu meio ambiente formam um “sistema fechado” que consiste de apenas dois componentes conhecidos: a mãe e o filho.

D
cabe à mãe oferecer um ambiente que impeça a vivência de experiências de desprazer pelo bebê.

E
a díade mãe-filho é determinada pelos aspectos estruturais próprios do elemento mais forte de sua composição, a mãe.
A obra Processo Diagnóstico e as Técnicas Projetivas (Ocampo e colaboradores, 2009) recomenda iniciar o processo de psicodiagnóstico por uma entrevista

A
totalmente livre, que permita, ao sujeito, revelar sua visão da situação atual e expressar sua ansiedade diante da situação.

B
informal, deixando que o sujeito se sinta à vontade para escolher sobre o que falar, sem se sentir ameaçado.

C
dirigida, nos moldes da anamnese, de modo a coletar os dados mais relevantes do histórico e da demanda.

D
interventiva, que favoreça a elaboração e possivelmente o insight diante das questões mais relevantes trazidas pelo sujeito.

E
inicialmente diretiva, para apresentação mútua e de enquadramento, para então passar para a entrevista livre.

Sobre a execução das medidas socioeducativas, considere os itens a seguir:


X

Celebração de instrumentos de cooperação com vistas à correção de problemas diagnosticados na avaliação.

Y

Não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia, gênero, nacionalidade, classe social, orientação religiosa, política ou sexual, ou associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status.

W

Prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e, sempre que possível, atendam às necessidades das vítimas.

Z

Verificar a situação do adolescente após cumprimento da medida socioeducativa, tomando por base suas perspectivas educacionais, sociais, profissionais e familiares.


São princípios que regem a execução de medidas socioeducativas os descritos em:



A

X e Y, apenas.



B

Y e W, apenas.



C

W e Z, apenas.



D

Z e X, apenas.


Numere a COLUNA II de acordo com a COLUNA I, associando o funcionamento familiar, descrito por Beavers (1982), à sua classificação.


COLUNA I

1. Famílias adequadas

2. Famílias médias, de estilo centrípeto

3. Famílias médias, de estilo centrífugo

4. Famílias médias mistas


COLUNA II

( ) Intercalam comportamentos centrífugos e centrípetos. Tipicamente os encontros parentais variam de momentos de dominação-submissão a outros de luta de poder. Os filhos alternam aceitação e desafio do controle parental.

( ) Constituída por indivíduos competentes e sem patologia, mas constantemente se observa um ambiente mais tenso e sofrimento em algum membro da família, em geral manifestações psicossomáticas na mãe.

( ) Frequentemente apresentam pessoas com transtornos de comportamento. Os encontros parentais não são eficazes: ambos os pais se sentem ineficazes para seguir regras e habitualmente brigam pelo controle dos filhos. Alianças ilícitas entre um ou outro dos pais e filhos são frequentes.

( ) Frequentemente apresentam indivíduos neuróticos. Os encontros parentais não são nunca igualitários e sem conflito, alternam o padrão de submissão-dominação e de constante luta por controle. A interação dos pais com os filhos é caracterizada por lutas de poder explicitas ou subliminares.


Assinale a sequência CORRETA.


A

4 1 3 2


B

1 4 2 3


C

3 1 2 4


D

1 3 4 2

No processo de avaliação ou de perícia na área forense ou criminal a escolha das estratégias e dos instrumentos a serem empregados na avaliação psicológica é prerrogativa do psicólogo e deve atentar aos objetivos traçados pela necessidade da investigação. Constituem técnicas de avaliação psicológica:


A

dinâmicas de grupo, Gestalt terapia e entrevistas.


B

observação lúdica, testes psicológicos e diagnóstico psiquiátrico.


C

observação, diagnóstico psiquiátrico e entrevista motivacional.


D

entrevistas, observação e testes psicológicos.


E

provas situacionais. entrevista motivacional e Gestalt terapia.

Um psicólogo que trabalha no sistema judiciário, após muitos anos de trabalho realizando inúmeras avaliações de denúncias sobre crianças vitimadas por violência sexual, observa que, sendo a denúncia feita pela mãe em relação ao pai, especialmente durante um processo de separação litigioso e contrário a vontade dela, é necessário muito cuidado, pois pode se tratar de uma falsa denúncia, cujo objetivo é prejudicar o ex-companheiro. Segundo esse contexto e somente ele, pode-se afirmar que essa atitude avaliativa do Psicólogo, necessariamente cautelosa, deve-se ao uso da Heurística de


A

Reconhecimento.


B

Numerosidade.


C

Disponibilidade.


D

Representatividade.


E

Maximização.

Sobre a violência conjugal contra as mulheres afirma-se que


A

é um fenômeno circunscrito às camadas mais pobres da população.


B

não se caracteriza como um problema de saúde, à medida que pode corresponder a um ato involuntário do seu parceiro, que muitas vezes exerce o papel de seu protetor.


C

a vítima é frequentemente vista como vítima e consequentemente como quem necessita de alguém que lhe diga o que fazer. O terapeuta, contudo, deve resistir a esse lugar, abrindo a possibilidade de um espaço no qual ela possa encontrar outra forma de se relacionar, que não pela subjugação à vontade do outro.


D

não há leis suficientes que punam os homens agressores no Brasil.


E

os serviços de saúde têm se negado a realizar a notificação compulsória em todos os casos de violência contra a mulher que se apresentam nos serviços e a rede de proteção social tem alcançado a eficácia e à eficiência necessárias às demandas das mulheres agredidas.

Para Donald W. Winnicott (2011), em relação à agressividade, o indivíduo deve

A
compreender que destrutividade e amor são incompatíveis, na medida em que a destrutividade é reação à falta de amor.

B
desenvolver mecanismos de repressão dos impulsos agressivos, de modo a redirecioná-los à atividade criativa.

C
aceitar que impulsos agressivos são incompatíveis com a vida em sociedade e, dessa forma, dizer “sim” à sua condição de ser biopsicossocial.

D
procurar projetá-la em um objeto amado, de modo a poupar o próprio eu dos impulsos autoagressivos.

E
assumir total responsabilidade por todos os sentimentos e as ideias que pertencem ao “estar vivo”, inclusive os de destrutividade.
Em um processo judicial, a produção de prova pericial é uma forma de revelar ao juiz a verdade sobre determinado fato. Considerando a perícia, assinale a alternativa INCORRETA.

A
Um processo judicial poderá estar instruído por diversos documentos que as partes consideram importantes para a causa.

B
Em um processo judicial, somente serão aceitos documentos elaborados por peritos nomeados pelo juiz, jamais serão aceitos documentos produzidos unilateralmente pelo interessado.

C
O juiz poderá receber uma perícia psicológica ou social, produzida unilateralmente pelo interessado, porém estes documentos não terão força de perícia judicial.

D
A perícia judicial se distingue da perícia extrajudicial em relação ao meio em que são produzidas.

E
Não há hierarquia entre as provas apresentadas no processo, cada uma delas tem a sua importância, e é a análise do conjunto que deverá contribuir com a decisão do juiz.

De acordo com ANDROVANDI et al (2007): “O exame para verificação da responsabilidade penal, no Brasil, é realizado por peritos médicos psiquiatras e o psicodiagnóstico forense, quando solicitado, é complementar à perícia. O psicodiagnóstico, na perícia forense, inclui ainda o estudo dos autos processuais, a entrevista psicológica, a aplicação de testes psicológicos, o estudo dos quesitos e das hipóteses diagnósticas médico-legais.” Os autores, do texto acima, chegaram a algumas conclusões.

Analise as afirmações abaixo, atribuindo valores de Verdadeiras (V) ou Falsas (F).

( ) A técnica de observação é vista como uma avaliação complementar pericial.

( ) A simulação e a dissimulação são muito mais frequentes em pacientes não vinculados à Justiça.

( ) Os testes psicológicos são capazes de fornecer subsídios para o desenvolvimento de uma avaliação forense, mesmo que utilizados isoladamente.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo:


A
V; V; F

B
V; V; V

C
V; F; F

D
F; F;V

E
F; F; F
Ao analisar as questões relacionadas à adolescência na contemporaneidade, Isabel da Silva Kahn Marin (2002) constata que, na atualidade,

A
os bens materiais valorizados pelo grupo social assumiram a função dos rituais de passagem tradicionais da adolescência.

B
o adulto realiza, nas ações do adolescente, os próprios anseios narcísicos que sua posição pessoal não permite.

C
o peso da dívida dos adolescentes com as gerações anteriores tem sido exagerado, alimentando sua motivação para a rebelião.

D
a liberdade proporcionada ao jovem pelos pais da contemporaneidade favorece o desenvolvimento da autonomia.

E
não se observa uma oposição que valorize e enfrente o desafio colocado pelo adolescente para ser reconhecido.

Quando buscamos informações na área da Psicologia do Crime, detectamos várias classificações e tipologias. Este fato ocorre pois, todo comportamento humano é resultado de fatores tanto individuais quanto sociais que se modificam no decorrer do tempo e do espaço. Portanto, como afirma MARANHÃO (2003): (...) as atuações criminosas – essencialmente díspares entre si – só têm em comum a sua ilegalidade, dentro do grupo social e no período histórico considerado.” (p.11). A partir do exposto, analise as afirmativas abaixo:

I. As pesquisas etiológicas, desde que científicas, não devem seguir cursos próprios em cada grupo delinquencial considerado.

II. É necessário avaliar as similitudes e discrepâncias para posteriormente, formar grupos razoavelmente homogêneos.

III. A análise da estrutura global da personalidade do agente, não deve ser levado em consideração.

IV. Tanto a tipologia quanto a classificação, devem propiciar conclusões terapêuticas e prognósticas.

Estão corretas as afirmativas:


A
IV apenas

B
I, II e III apenas

C
I apenas

D
II e IV apenas

E
Todas estão corretas
Ao discutir o luto infantil diante da perda de entes queridos, John Bowlby (2015) destaca que

A
frequentemente as crianças experimentam um período de pesar relativamente igual aos experimentados pelos adultos diante das perdas.

B
para que a criança possa aceitar a perda sofrida e se reorganizar, é essencial a presença de uma pessoa que atue como substituta estável do ente perdido.

C
a elaboração do luto pela criança sempre será parcial se ela não dispuser de repertório verbal para expressar seu sofrimento.

D
frente a crianças que sofreram perdas, a atitude mais favorável, à elaboração do luto, é motivá-las a direcionar seus interesses para outras atividades.

E
o modo mais eficaz de ajudar uma criança a aceitar a perda de um ente querido é o terapeuta ou alguém de confiança adotar o papel de “representante da realidade”.
As famílias, com histórico de abuso sexual intrafamiliar, constituem sistemas com características bastante similares entre si. Um dos aspectos mais comuns nesses sistemas familiares é

A
a presença de limites geracionais altamente definidos e cristalizados.

B
o alto grau de permissividade observado na relação dos pais com os filhos.

C
o intenso engajamento do pai nos cuidados físicos a bebês e crianças pequenas.

D
o estabelecimento de uma fronteira organizacional muito pouco permeável ao exterior.

E
a existência de dificuldades sexuais acentuadas entre o casal, como a frigidez materna.
De acordo com a análise de Analicia Martins de Sousa (2010), o conceito de Síndrome da Alienação Parental

A
teve efeito negativo nas decisões quanto à guarda de filhos, porque desconsidera a perspectiva da prole em relação aos pais.

B
fortaleceu a posição da mulher no contexto jurídico, arena em que tradicionalmente ela se encontra em desvantagem.

C
contribuiu para a criação de leis que conferem parâmetros mais justos para as decisões relativas aos litígios sobre guarda.

D
trouxe, aos litígios sobre guarda, um ônus a mais, na medida em que os cônjuges precisam atestar sua sanidade mental.

E
promoveu uma frente de discussão fértil, ao considerar a dinâmica familiar sob a perspectiva das rela- ções patológicas.
Donald W. Winnicott (2012) é bastante claro quanto à natureza da conduta antissocial. Para o autor, ao transgredir, a criança ou jovem estará

A
expressando a agressividade decorrente do baixo grau de resistência à frustração.

B
demonstrando a fragilidade de um superego que não chegou a se constituir.

C
atacando o pai simbólico representado pelas leis e normas do grupo social.

D
reivindicando do ambiente experiências boas que chegou a ter, mas foram perdidas.

E
explicitando à sociedade sua postura de não conformidade ao que lhe é imposto.
A partir das considerações de Uchôa e colaboradores (In: Minayo e Coimbra, 2011), é correto afirmar que os programas voltados para os idosos devem

A
integrar os recursos disponíveis, individuais e coletivos, em um processo que compense as perdas e promova a adaptação do idoso às condições de sua vida.

B
substituir a representação cultural negativa do envelhecer por representações positivas que dissociem envelhecimento de processos de adoecimento e morte.

C
valorizar a ideia de que, no nível individual, a juventude é um bem que pode ser conquistado no plano psicológico, apesar das perdas físicas.

D
levar o idoso a voltar sua atenção para pequenas atividades que lhe deem prazer, desviando-a daquilo que possa lhe trazer dor e desalento.

E
subordinar a experiência do envelhecer a planos para o futuro e novas possibilidades de realização do idoso na fase que vivencia no momento.
Sobre a atuação do psicólogo como perito e assistente técnico no Poder Judiciário, é CORRETO afirmar que:

A
a perícia se fundamenta em fontes de informação advindas do uso de técnicas e instrumentos psicológicos, não sendo permitido o uso de dados provenientes de visitas a instituições e domicílio do periciando.

B
no item denominado “análise” do documento proveniente da perícia psicológica, o psicólogo que atende a uma demanda do Poder Judiciário deverá subsidiar o magistrado com informações pertinentes à área da psicologia. No item “conclusão” do documento psicológico, deve constar a síntese dos dados psicológicos relevantes para a demanda da perícia e a sugestão da medida jurídica a ser tomada com base na análise realizada em todo o processo pericial.

C
num litígio familiar, quando um psicoterapeuta de crianças é solicitado pelo Poder Judiciário para emitir um laudo pericial de uma criança por ele atendida, deve fundamentar-se nos resultados técnicos e instrumentos por ele utilizados na avaliação psicológica inicial da criança e em seus registros de sessões, para compor o documento a ser encaminhado ao magistrado, cuidando para ser fidedigno a todas as informações relatadas.

D
o psicólogo-perito deve produzir laudo fundamentado nos quesitos elaborados pelo operador de Direito e, no caso de seu documento ser contestado, os assistentes-técnicos das partes não poderão elaborar novos quesitos, devendo analisar somente a adequação técnica do laudo emitido pelo perito.

E
no contexto jurídico, o psicólogo perito deverá inserir em seu documento somente informações relevantes para a demanda que lhe foi destinada, com a recomendação aos outros profissionais que tiverem acesso aos resultados da perícia, sobre a confidencialidade e responsabilidade com relação ao dados.
   
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