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Segundo Dowbor (2015), a economia das famílias tem permitido cada vez menos uma redistribuição interna de recursos entre os que produzem um excedente e os que necessitam desse excedente para sobreviver.
Um fator que NÃO fragiliza a capacidade redistributiva das famílias é a
desarticulação da família nuclear, com a redução da proporção de domicílios com presença simultânea de pai, mãe e filhos.
redução da solidariedade social e da ajuda mútua entre vizinhos e comunidade e o estabelecimento de uma ‘sociedade anônima’ e com ampliada ‘solidão social’.
transformação dos ciclos de vida, com jovens vivendo uma pós-adolescência tardia, retardando a entrada no mercado de trabalho, e com a terceira idade assumindo um período de vida prolongado.
diminuição do tempo de dependência e ampliação do tempo de trabalho com a consequente menor necessidade de vinculação a esquemas estatais e paraestatais de transferência de renda.
Ao estudar o trabalho do Serviço Social com famílias, Duarte (2018) analisa algumas perspectivas que colidem com o projeto profissional do Serviço Social.
Uma delas – perspectiva de endogeneização das famílias – tem como característica
a busca de recursos internos da família como chave analítica para o trabalho social.
a desresponsabilização da família pela situação social e econômica na qual se encontra.
o acolhimento de cada integrante da família em sua singularidade.
a psicologização das relações familiares e sociais a ela adjacentes.
o entendimento da família como um todo integrado e harmônico.
Sobre o tema Família nas Políticas de Seguridade Social, especialmente na Assistência Social, analise o trecho a seguir e assinale a alternativa INCORRETA:
“Em relação às políticas de seguridade social, muito tem se debatido sobre os impactos do projeto neoliberal (Behring, 2003 e 2008; Boschetti e Salvador, 2006; Pereira, 2004; Simionatto, 2002; Simionatto e Luza, 2011) na condução dessas políticas, através de uma acentuada regressão do Estado na provisão de bem-estar e com um amplo processo de privatização. Isso ocorre tanto pela via do mercado quanto da família (que se apresenta também como um importante filtro para o mercado) ou agregado ao que se tem denominado de assistencialização da política social, em que prevalece a diretriz da matricialidade sociofamiliar (Mota, 2006; Di Giovanni e Proni, 2006). (MIOTO, 2015, p.707).
O caráter familista da política social vem se efetivando e se reforçando em vários níveis e tem se refletido em especial no campo da oferta dos serviços sociais. Exemplo da insuficiência/ausência de serviços, especialmente públicos/estatais de caráter universal; forte investimento de recursos em subsídios à oferta de serviços por entidades não governamentais, os quais tendem a ser focalizados, seletivos, precários e normalizantes; e também da incorporação das famílias no cotidiano dos serviços ofertados.
Os processos de responsabilização da família estão presentes principalmente na configuração do acesso aos serviços, no campo dos cuidados e na própria organização dos serviços e em seus processos de externalização.
As instituições tendem a se apropriar do trabalho familiar por meio de práticas administrativas e de participação. Essas práticas, por um lado, impõem-se independentemente de avaliação sobre os recursos de diferentes ordens (financeiros, de tempo e emocionais) das famílias para efetuá-las; por outro lado, estão “alheias” ao conflito entre vida laboral e vida familiar que acomete seus membros.
As políticas de conciliação entre trabalho e família têm se tornado uma palavra de ordem no campo das políticas sociais contemporâneas. Surgem no momento em que as mulheres ascendem no mercado de trabalho e, portanto, quando é colocado em xeque o equilíbrio do “sistema família-trabalho”. Esse sistema é baseado não só na separação entre casa e empresa, mas também na divisão sexual do trabalho.
No contexto capitalista, a família se conformou como o espaço dentro do qual se realiza a alocação do trabalho remunerado e do não remunerado, com base na condição de gênero. Dessa forma, tornou-se possível conjugar necessidades de renda/salário e necessidades de cuidado, ao mesmo tempo que se mantêm a divisão sexual do trabalho intacta, as mulheres continuam responsáveis pelo trabalho doméstico e de cuidados e os homens pelo provento.
Apesar dos avanços nos direitos sociais pós-Constituição de 1988, a contradição básica entre proteger a família e/ou tratá-la como fonte de proteção social dos seus membros se manteve. Ora a família é recolocada como base da sociedade, devendo ser protegida pelo Estado, alvo de políticas públicas e sujeito de direitos, ora ela é apontada como portadora de responsabilidades, sendo responsabilizada, ao lado da sociedade e do Estado, pela proteção à infância, à adolescência e ao idoso. Essa contradição, presente em nossa sociedade, se funda no princípio:
da desfamiliarização, que pressupõe a coletivização das necessidades das famílias, ou seja, uma maior responsabilidade do conjunto da sociedade e do Estado sobre o bem-estar e a satisfação das necessidades dos membros da família.
da subsidiaridade da ação estatal, que compreende que o Estado só deve intervir quando se exaurem as capacidades protetivas na família.
da política familiar, definida como um conjunto coerente de princípios, objetivos, programas e recursos orientados a fortalecer e desenvolver a vida familiar e facilitar o desempenho da função social da família.
do pluralismo de bem-estar social, que representa um Estado plural, ampliado, defensor e implementador de direitos, sem alianças com a sociedade civil e a família.
da centralidade na família, apresentado como paradigma dominante na intervenção estatal, ou seja, a família está no centro das políticas de proteção social e, portanto, protegida.
“Elas representam uma estratégia de aproximação dos serviços com a família atendida e, por isso favorecem um reconhecimento mais preciso das características, potencialidades e necessidades de cada contexto, resultando em propostas de intervenção singulares, pertinentes a cada realidade” (Brasil, 2019). O instrumento de trabalho descrito utilizado na Política de Assistência Social é
reunião.
visita domiciliar.
dinâmica de grupo.
mobilização da comunidade.
visita institucional.
Desde o advento da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, a família não mais se organizou como nos tempos em que viviam nos campos. Isto aconteceu devido à ascensão da classe burguesa no cenário político antes predominado por relações de compadrio e de troca de favores, que, agora, se configura num cenário político caracterizado pela produção, visando lucratividade e a disseminação da ideologia de mercado, comandada pela premissa de demanda e oferta. As famílias, nesse processo histórico, vivenciam as contradições desse sistema, que é permeado por um contexto ultra neoliberal, reforçando o antagonismo social criado pelo sistema capitalista de produção. Dessa forma, o Estado atua de forma mínima em relação aos questionamentos e anseios sociais, e, quanto ao provimento das necessidades básicas de sobrevivência, pode-se afirmar que o mesmo:
transfere para as famílias a responsabilidade.
é equânime em suas ações.
tem uma atuação incisiva na realidade.
participa ativamente das responsabilidades.
intervém com princípios de justiça na sociedade.
Enquanto a lógica da instituição é binária, demandando respostas objetivas em busca de aferir a ______ de fatos, o Serviço Social se pauta na perspectiva ______ marxiana da totalidade, em busca das determinações socioeconômicas e culturais que constituem a ______ da realidade social das famílias (OLIVEIRA, 2020).
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Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas.
verdade / metodológica / complexidade
eficácia / teórica / complexidade
verdade / teórica / dimensão
eficácia / metodológica / dimensão
Os documentos normativos do SUAS, ao falarem em família, estão se referindo
a um núcleo afetivo vinculado por laços consanguíneos ou de afinidade, que circunscrevem obrigações recíprocas e mútuas.
a um agrupamento formado exclusivamente por um pai, uma mãe e seus filhos consanguíneos.
a uma porção de terra e às pessoas que nela vivem.
a uma unidade econômica usada como referência para cálculo de rendimento per capita.
Um casal de estrangeiros, devidamente habilitados para adoção no Brasil, visita um abrigo e se interessa por uma das crianças disponíveis. Ocorre que essa criança está institucionalizada junto com dois irmãos.
Assim, o parecer da assistente social do abrigo deverá:
considerar em relevo o fato de os adotantes serem estrangeiros, o que, tornando definitiva a separação dos irmãos, tornará ilegal a adoção;
sugerir o deferimento da adoção pleiteada em nome do interesse superior da criança e da exigência legal de que a internação em abrigo é medida excepcional e provisória;
contraindicar a adoção pretendida, já que o ECA proíbe expressamente o desmembramento de grupo de irmãos;
contraindicar a adoção, esclarecendo que o interesse dos adotandos prevalece sobre o dos adotantes, e que, sendo inevitável a separação dos irmãos, o vínculo entre eles seja preservado;
sugerir a participação dos adotantes em programa de apoio psicológico, com vistas à conscientização sobre os prejuízos emocionais implicados na separação dos irmãos.
Analisando o contexto da América Latina e Brasil e a trajetória das políticas públicas dirigidas às famílias, é possível encontrar três modalidade: política “de família”; política “referida à família”; e política “para a família”, desvendando o modo como ela é incluída na proteção social. Um dos principais desafios do trabalho social com famílias é adotar metodologia de trabalho que aborde efetivamente de forma dialética e articulada assuntos internos e externos ao ambiente doméstico, sem adentrar nos modelos psicossociais individualizantes ou seu oposto, os generalistas de transformação social, sem soluções práticas para o dia a dia. A sua direção deve superar as questões meramente internas, incluindo-as em contextos mais amplos de análise, articulando-as ao contexto de desigualdade e exclusão social, às transformações sociais e culturais que afetam as famílias, suas funções e papéis sociais, à necessidade de lutas coletivas para:
desenvolver habilidades específicas para conseguir a sua autossuperação cotidiana.
gerar uma transformação da vida cotidiana das famílias.
priorizar a capacidade de cada família e as suas possibilidades.
conquistar e garantia de direitos, de controle social das políticas públicas dirigidas a suas necessidades.
possibilitar geração de renda e capacidades laborais para as famílias.
No cotidiano profissional do/a assistente social, são realizados a orientação e o acompanhamento tanto de indivíduos quanto de grupos e famílias. Este tema é abordado por Regina Mioto (2009). Acerca desse tema, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Considera-se que a orientação e o acompanhamento, tradicionalmente vinculados ao atendimento de demandas singulares de indivíduos, grupos e famílias, configuram-se como ações disciplinadoras e de fiscalização que se desenvolvem nos processos socioassistenciais e que se articulam organicamente com os processos de planejamento e gestão, e com os processos político-organizativos.
( ) A orientação e o acompanhamento, enquanto ações socioeducativas realizadas por assistentes sociais alinhados ao atual projeto ético-político da profissão, podem contribuir para o fortalecimento de processos emancipatórios, nos quais há a formação de uma consciência crítica dos sujeitos frente à apreensão e à vivência da realidade, sendo ela também facilitadora de processos democráticos, garantidores de direitos e de relações horizontais entre profissionais e usuários, ao mesmo tempo que projeta a sua emancipação e a transformação social.
( ) A socialização das informações está pautada no compromisso da garantia do direito à informação, como direito fundamental de cidadania. Cepik (2000) classifica o direito à informação como um direito civil, político e social e destaca a sua centralidade para a construção da cidadania contemporânea.
( ) O processo reflexivo tem como objetivo a formação da consciência crítica. Esse objetivo somente se realiza à medida que são criadas as condições para que os usuários elaborem, de forma consciente e crítica, sua própria concepção de mundo.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
F – F – V – F.
F – V – F – V.
F – V – V – V.
V – F – V – F.
V – V – F – V.
A matricialidade sociofamiliar se refere à centralidade da família como núcleo social fundamental para a efetividade de todas as ações e serviços da política de assistência social (MDS, 2004, p. 40). A proteção social de Assistência Social, ao ter por direção o desenvolvimento humano e social e os direitos de cidadania, possui princípios. O princípio de matricialidade sociofamiliar significa que:
O princípio de proteção proativa se dá, principalmente, no campo da proteção social especial.
A família deve responder ao seu papel no sustento, entendendo esse núcleo como unidade econômica.
A defesa do direito à convivência familiar, na proteção de assistência social, supera o conceito de família como unidade econômica.
A situação atual para a construção da política pública de assistência social precisa levar em conta, exclusivamente, uma vertente: o núcleo de apoio primeiro, isto é, a família, tendo em vista a sua centralidade enquanto referência de cálculo de rendimento per capita.
A influência da teoria marxista no Serviço Social modificou a visão de família que predominou na profissão desde a sua origem. A partir da adoção deste referencial teórico, a família passou a ser concebida:
como um microcosmo capaz de desenvolver papéis de disciplinarização e reprodução de valores entre seus membros.
como uma estrutura que tem sua dinâmica marcada pelas contradições da sociedade em um determinado momento histórico.
como rede de solidariedade e proteção aos indivíduos vulneráveis.
a partir de uma visão de não culpabilização respeitando a sua função de socialização dos indivíduos através das relações intergeracionais.
na sua condição de totalidade onde se faz necessária a mediação para o atendimento às demandas de cada indivíduo membro da família.
O princípio da Proteção Social a partir da matricialidade sociofamiliar significa que:
A família é a porta de entrada de sociabilidade humana.
A família deve ser compreendida na sua totalidade.
A família é o núcleo de possibilidades emancipatórias.
A família é o núcleo social básico de acolhida, convívio, autonomia, sustentabilidade e protagonismo social.
Nenhuma alternativa acima está correta.
No que diz respeito ao desenvolvimento do conceito de família, entre os tempos remotos e os dias atuais, é correto afirmar:
A família representa um conjunto de indivíduos unidos apenas por laços consanguíneos.
O termo família é originário do latim famulus, que tinha o entendimento de grupo de servos domésticos.
A ideia do casamento como uma instituição sagrada e indissolúvel consolida o conceito da família monoparental.
Após a Revolução Industrial, as complexidades das relações fazem com que o conceito da família tradicional se consolide.
Na contemporaneidade, os laços afetivos perdem a força e as questões relativas ao matrimônio e à reprodução passam a ser determinante para a formação de uma unidade familiar.
A família é o principal agente de socialização e de reprodução cultural do individuo; em virtude disso, é importante que o assistente social compreenda as tipologias familiares e as suas composições. Nesse sentido, as famílias compostas pelo núcleo familiar e agregados, todos com vínculo consanguíneo, que coabitam na mesma unidade residencial, trata-se da família
afetiva
reconstituída
extensa
monoparental
estruturada
Analise as afirmativas a seguir:
I. A assistência social compreende a família como um espaço não contraditório, livre de tensões, conflitos, desigualdades e de qualquer tipo de violência. Assim, o profissional de assistência social deve sempre realizar suas atividades partindo da premissa de que a família representa sempre um ambiente harmônico.
II. Os serviços ofertados pelos CREAS visam ao enfraquecimento da função protetiva da família, ou seja, os profissionais do CREAS devem agir em desfavor da manutenção da estrutura familiar, sempre.
Marque a alternativa CORRETA:
As duas afirmativas são verdadeiras.
A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa.
A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa.
As duas afirmativas são falsas.
São ações coletivas que compõem o trabalho social com famílias no âmbito do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF:
Promover acesso aos benefícios eventuais e a Rede de proteção social.
Oficinas com Famílias e Ações comunitárias.
Ações particularizadas e Encaminhamentos.
Promover acesso as políticas setoriais e apoiar as famílias por meio de espaços coletivos de escuta e trocas.
Socialização de informações sobre os serviços sociais e Grupos socioeducativos.
Um dos principais modelos familiares são destacados na história da formação da família brasileira, principalmente enquanto aparelho ideológico do imaginário coletivo, são eles: a família patriarcal, modelo instaurado no Brasil colônia. Na família patriarcal, o chefe da família patriarca representava a figura do poder e de autoridade. O patriarca era o responsável pelo controle dos negócios, o sustento material da família, a manutenção da 'ordem' familiar, primando pela indissolubilidade do patrimônio e centralização do poder. Já mulher da família patriarcal:
apresentava como características a afabilidade e a mansuetude, possuindo atribuições voltadas para o ambiente doméstico.
apresentava como características a afabilidade e a mansuetude, possuindo atribuições voltadas para o ambiente agrícola.
apresentava como características a afabilidade e a mansuetude, possuindo atribuições voltadas para o ambiente empresarial.
apresentava como características a afabilidade e a mansuetude, possuindo atribuições voltadas para o ambiente jurídico.
As transformações sociais contemporâneas provocaram mudanças radicais na organização das famílias.
Avalie se essas mudanças incluem:
I. cobertura assistencial integral e universal pelo Estado.
II. redução dos grupos familiares.
III. processos de empobrecimento acelerado.
Está correto o que se afirma em
I, apenas.
II, apenas.
I e II, apenas.
II e III, apenas.
I, II e III.