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“A complementaridade entre o mundo da cultura e o mundo da educação foi sempre entendida como evidente e necessária. Mas a realidade não corresponde muito à obviedade. A especialização política e administrativa de ambos os espaços e as diferenças entre os dois sistemas parecem difíceis de superar. Por isso, é importante procurar espaços de interseção e ligações entre seus agentes, seus recursos e seus potenciais”.
(RIBUGENT, G. C. Áreas de interseção entre cultura e educação:
a formação de formadores. Cultura e educação. SP: Iluminuras, 2011.)
A partir desse trecho, é possível afirmar que
cultura e educação possuem objetivos diversos e devem seguir seus próprios caminhos.
a separação entre cultura e educação ocorre somente por questões políticas.
a cultura e a educação são sistemas que possuem os mesmos agentes e recursos.
a criação de espaços de articulação entre cultura e educação pode ser frutífera e potencializadora para ambas as áreas.
a interseção entre cultura e educação pode ocorrer de forma mais frutífera em espaços administrativos.
Duas dimensões da cultura permitem formular estratégias diversificadas para as políticas culturais – a dimensão antropológica e a dimensão sociológica. A distinção entre as duas dimensões é fundamental, pois tem determinado o tipo de investimento governamental em diversos países, alguns trabalhando com um conceito abrangente de cultura e outros delimitando o universo específico das artes como objeto de sua atuação.
De acordo com essa perspectiva, a dimensão antropológica da cultura
relaciona-se à produção cultural derivada da interação social dos indivíduos, que elaboram seus modos de pensar e sentir, constroem seus valores, manejam suas identidades e diferenças.
é constituída no âmbito especializado, com a intenção de construir determinados sentidos e de alcançar algum tipo de público, através de meios específicos de expressão.
refere-se a um conjunto diversificado de demandas profissionais, institucionais, políticas e econômicas, tendo visibilidade em si própria.
configura-se como um circuito organizacional que estimula, por diversos meios, a produção, a circulação e o consumo de bens simbólicos, ou seja, aquilo que o senso comum entende por cultura.
engloba tanto a produção de caráter profissional, quanto a prática amadorística.
O conceito de “multiculturalismo conservador” contém os seguintes aspectos: admite a existência de outras culturas como inferiores; não percebe a cultura eurocêntrica como étnica; e percebe a cultura eurocêntrica como universal.
A coerência formal das categorias é o traço que atesta a validade de uma descrição cultural.
De acordo com a teoria do perspectivismo, no mundo indígena a natureza não seria entendida de forma una e monolítica, e tampouco a cultura de maneira variável, mas o oposto: a cultura seria constante e a variação estaria na natureza.
De acordo com a antropologia interpretativa, cultura é
uma correção mal concluída da realidade social.
a ausência de capacidade imaginativa.
a forma racional de organizar o pensamento.
um conjunto de sentidos e significados públicos.
a sistematização de conhecimentos por meio de métodos formais similares aos empregados na matemática.
A cultura corresponde às redes de significados que os indivíduos tecem para si mesmos.
O corpo é a expressão máxima da identidade. É no corpo, por meio de gestos, linguagens, comportamentos, que se pode dizer quem se é. No que diz respeito à relação entre corpo e identidade, assinale a opção correta.
A corporeidade humana é função de característica anatomofisiológica que define a identidade do ser humano.
Os usos físicos do corpo independem do conjunto de sistemas simbólicos, assim, a identidade independe de atributos pessoais.
A expressão corporal é individualmente modulável, de modo que, para a construção da identidade, os fatores individuais são determinantes.
O corpo é um vetor semântico moldado pelo contexto social e cultural em que o ator se insere.
Dada a existência ser corporal, a identidade constrói-se apenas com base em fatores psicológicos.
A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações presentes e futuras.

A partir desse texto, pode-se inferir que
a diversidade cultural é consequência da diversidade genética dos grupos humanos.
não há valores universais para todos os grupos humanos.
a diversidade cultural é um bem que deve ser preservado.
a diversidade cultural está em vias de desaparecimento num contexto de globalização.
os valores culturais do gênero humano estão em decadência.
O antropólogo brasileiro Roberto DaMatta vemse debruçando em seus estudos sobre a realidade antropológica brasileira, identificando e analisando tipos e rituais, como o carnaval, o futebol, o malandro e o próprio "brasileiro". Assinale, na relação a seguir, a afirmativa incorreta sobre ideias e teses que esse autor vem discutindo em seus escritos.
Tanto o carnaval quanto seus malandros e heróis são criações sociais que refletem os problemas e os dilemas mais básicos da sociedade brasileira.
A presença e a influência do negro na estrutura familiar do Brasil, da cama à mesa, da cidade ao campo, são temas abordados em seu livro Casa Grande e Senzala.
Os temas são abordados pelo autor em sua relação com duas espécies de sujeito - o indivíduo e a pessoa - situados em dois tipos de espaço social, a casa e a rua.
A rua é o espaço público, que é de todos, logo, não é de ninguém. A convivência na rua depende de uma negociação constante, entre iguais e desiguais.
A casa, considerada em um sentido amplo, é o espaço privado por excelência, onde estão “os nossos”, que devem ser protegidos e favorecidos.
Sobre os conceitos de raça e etnia está correto afirmar que raça é definida pelas
diferenças genéticas, enquanto etnia é definida pelas diferenças raciais e culturais.
diferenças naturais atribuídas aos indivíduos, enquanto etnia é definida pela identidade grupal.
características físicas, enquanto etnia é definida pelas diferenças culturais.
características individuais, enquanto etnia é definida pelas diferenças genotípicas.
Roque Laraia (2009) transcreve, ao final de seu livro, um texto do antropólogo estadunidense Ralph Linton sobre o despertar diário do homem americano para esclarecer o conceito de
difusão cultural.
cultura de massa.
elementos da cultura.
diferencialismo cultural.
determinismo biológico.
Segundo Denys Cuche (2002), Se a cultura não é um dado, uma herança que se transmite imutável de geração em geração, é porque ela é uma produção histórica, isto é, uma construção que se inscreve na história e mais precisamente na história das relações dos grupos sociais entre si. Para analisar um sistema cultural, é então necessário analisar a situação socio-histórica que o produz como ele é.
É coerente com a abordagem do autor afirmar que
as culturas podem ser divididas em estáticas e dinâmicas, de acordo com as mudanças que experimentam a cada geração.
os sistemas culturais mudam continuamente, de modo que a cada nova geração se constitui uma cultura completamente diferente da anterior.
as culturas são dinâmicas e não podem ser analisadas separadamente das circunstâncias históricas.
a cultura é um fato social que se impõe aos indivíduos e, por isso, não possui qualquer relação com outras instâncias da realidade social, como a economia.
a cultura se constrói a partir da ação social dos indivíduos, que forjam suas identidades a partir de trajetórias biográficosubjetivas.
Roberto DaMatta (1987) comenta que se pode [...] ver uma sociedade de formigas em funcionamento. Mas formigas não produzem obras de arte que marquem diferenças entre formigueiros específicos. Em outras palavras, embora a ação das formigas modifique o ambiente − sabemos que elas são, em muitos casos, uma praga − esse ambiente é modificado sempre do mesmo modo e com o uso das mesmas matérias químicas, caso se trate de uma mesma espécie de formigas.
Com esse exemplo, o antropólogo afirma que
é possível falar em sociedade de formigas (e de outros animais sociais), mas não de cultura em qualquer sociedade que não seja humana.
não se pode falar de sociedade nem de cultura entre animais, pois estes não constroem qualquer tipo de relação baseada na coletividade.
é possível falar em culturas entre as formigas, embora estas sejam mais estáticas que as culturas humanas.
não se pode falar em cultura entre as formigas, mas sim entre alguns animais que possuem a capacidade de construir relações simbólicas e estéticas.
não é possível falar em cultura entre os animais, pois estes não apresentam qualquer divisão de trabalho, sexo e idade.
Com relação às informações do texto VII, é correto afirmar que,
na cultura brasileira, sendo o futebol uma paixão nacional, este esporte endossa a visão da elite de que tudo o que vem de fora é melhor, pois o futebol é de origem inglesa.
para Damatta, o futebol tende a alienar os brasileiros, da mesma forma que o gosto dos franceses pela literatura os aliena.
no Brasil, há uma relação entre o futebol e a mentalidade colonialista: o futebol ratifica essa mentalidade.
para o autor, tudo o que vem de fora não é assimilado adequadamente pela cultura brasileira, pois nós temos um problema de autoestima, de inferioridade.
embora haja uma fascinação pelo estrangeiro na cultura brasileira, o povo brasileiro também engloba essa fascinação e a assimila à brasileira, e o futebol é um exemplo cabal desse fato.
Assinale a alternativa INCORRETA:
A antropologia estuda culturas diferentes, que guardam a característica comum de compartilharem do mesmo universo de experiências humanas.
Uma das distinções entre as ciências naturais e as ciências humanas é o fato de que, nas primeiras, o objeto não apresenta teorias sobre si, ao passo que, na segunda, lida-se com um conhecimento humano produzido, mesmo que diferente daquele proposto pelo pesquisador.
O pesquisador e o pesquisado, na antropologia, guardam entre si proximidade, o que torna difícil designar a antropologia como ciência.
A antropologia contemporânea considera a possibilidade de dialogar sua teoria sobre o nativo com o próprio nativo
A antropologia tem três esferas de interesse definidas: a antropologia biológica,a arqueologia e a etnologia.