Questões de Concurso sobre Conceitos Filosóficos

 
 
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A questão do “ser e dever ser” (ou, em outras palavras, dos fatos e valores) é central na ética, podendo ser expressa de muitas maneiras e através de diferentes vocabulários. Desde os gregos se distinguia o domínio da “natureza” do domínio do “ethos” (costumes e leis), sendo o primeiro objeto da contemplação e o segundo objeto da ação humana. Muita coisa mudou dos gregos até nós, principalmente a imagem da natureza, que se tornou também objeto da ciência.


Assinale a alternativa correta sobre o assunto.


A

As mudanças, no comportamento das sociedades, de um modo geral, pouco alterou seus valores.


B

Permanece a ideia de que o reino da ética ou dos assuntos humanos é atravessado por uma espécie de contingência que não se encontra em outros domínios da natureza, contingência que é tanto o espaço da afirmação da liberdade quanto o do perigo de sua negação.


C

As questões éticas, cumprimento das leis no Brasil, vem ganhando notoriedade e levada bastante a sério.


D

Pouca coisa mudou dos gregos até nós, principalmente a imagem da natureza.

Sabemos que a ideia de “raças” e de “culturas inferiores” foi muito estimulada no período colonial e do imperialismo, a serviço do projeto de dominação dos povos na América e na Ásia.


A partir da ideia do pequeno texto acima, marque a alternativa incorreta.


A

Contra esta tendência, a antropologia mostra que há muitas formas diferentes de humanidade e que as práticas mais estranhas, se olhadas com preconceito, não têm sentido no interior de uma sociedade.


B

O diferente não é nem irracional nem inferior.


C

Enfim, o grande ensino da antropologia cultural é que a humanidade é um fenômeno complexo e diverso.


D

Só uma mentalidade estreita ou movida por interesses outros (econômicos, por exemplo) julga e condena.

“A rosa é sem porquê, floresce porque floresce, não cuida de si própria, não pergunta se a vemos”.


(Angelus Silesius, séc. XVII.)


Na obra de Leibniz se ratificou um princípio filosófico que se opõe à indeterminação exemplificada na frase citada, do místico alemão Angelus Silesius, buscando, ao contrário, a explicação do porquê as coisas existirem e serem como são, e não de outra maneira.


Assinale a opção que identifica corretamente esse princípio.


A

Princípio da contradição.


B

Princípio de individuação.


C

Princípio da diferença.


D

Princípio de continuidade.


E

Princípio da razão suficiente.

O utilitarismo ético surgiu na Inglaterra do século XIX. Essa corrente está fortemente associada à ideia de que:


A

o certo na conduta é, antes de tudo, a satisfação do próprio agente.


B

o interesse pessoal e o coletivo são sempre inconciliáveis.


C

a ação moral consiste em agir conforme “o dever”, sem levar em conta as motivações e os interesses de quem age.


D

a utilidade é um valor ético-moral na medida em que se contrapõe ao prazer.


E

o fim último da ação moral é a felicidade, que deve ser estendida ao maior número de pessoas.

Ética e moral não são a mesma coisa — suas origens etimológicas já dizem: ética vem do grego ethos e moral do latim mores. Sobre isso é correto afirmar que:


A

a ética recai sobre o plano da esfera pública e a moral sobre o plano da esfera privada.


B

a moral diz respeito a um conjunto de regras de conduta universalmente válidas.


C

a ética abarca relações de um indivíduo consigo mesmo ou com pessoas mais próximas.


D

a ética delimita comportamentos sociais particulares.


E

a moral não diz respeito ao que um indivíduo faz ou deixa de fazer em sociedade, e sim à ética.

“Unicamente a autêntica e pura razão humana é a que se torna necessária e aconselhável para servir de orientação, e não um suposto e misterioso sentido da verdade, uma exaltada intuição sob o nome de fé, na qual a tradição ou a revelação podem ser enxertadas, sem o consentimento da razão.”


(Adaptado de KANT, Imanuel. O que significa orientar-se no pensamento?[1786].

In:Textos seletos. 2ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985, p. 72.)


Com base no texto citado, assinale a alternativa que identifica corretamente o conceito kantiano de razão, um dos pilares do iluminismo filosófico.


A

O caráter especulativo da razão pura teórica se justifica pelo imperativo categórico de conhecer a verdade científica.


B

As coisas espirituais que se revelam aos sentidos são os objetos da razão orientada para o conhecimento objetivo.


C

A razão teórica é dependente do reconhecimento, para sua orientação, de um bem supremo transcendente entendido como puro ideal.


D

A liberdade de pensar é uma exigência para a orientação civil do homem, comandando suas crenças pessoais e sua devoção religiosa.


E

A razão, através da faculdade de conhecimento, deve subordinar o dado sensível da experiência, estabelecendo os limites do que podemos conhecer.

A lógica fornece padrões de correção do raciocínio. Dois de seus conceitos são a validade e a legitimidade: um argumento é válido quando sua conclusão segue logicamente suas premissas; um argumento é legítimo quando não é apenas válido, como também possui premissas verdadeiras.


Considere o seguinte argumento:


“Todos os patos são raposas;

todas as raposas são animais;

logo (conclusão), todos os patos são animais”.


O argumento é


A

válido, pois sua premissa é verdadeira.


B

legítimo, pois sua conclusão é verdadeira.


C

válido, mas não legítimo, pois sua conclusão é verdadeira, mas sua premissa é falsa.


D

válido e legítimo, pois tanto a premissa quanto a conclusão são verdadeiras.


E

nem válido nem legítimo, pois sua conclusão verdadeira advém de uma premissa falsa.

A ética normativa é um dos campos de estudo da Ética, podendo ser dividida em duas categorias: a ética teleológica e a ética deontológica.

Assinale a opção que caracteriza corretamente um exemplo de ética normativa.


A

A ética das virtudes é um exemplo de ética deontológica, pois orienta a conduta moral para o cumprimento de ações consideradas boas para o convívio social.


B

A ética do discurso é uma ética deontológica, uma vez que formula como válidas as reivindicações éticas que possam ser aceitas racionalmente mediante argumentos.


C

O utilitarismo de ação é um tipo de ética deontológica, na medida em que defende a determinação de regras universais para se alcançar o maior benefício para todos.


D

O contratualismo moral é uma ética consequencialista, já que advoga a justificabilidade das ações voltadas para a produção do maior saldo de felicidade possível.


E

O comunitarismo é uma ética do dever, pois fundamenta as normas da comunidade na crença de que as pessoas têm o conhecimento imediato do que é certo e do que é errado.

A espontaneidade de ação, a independência de determinações estranhas ou empíricas e a autodeterminação, como um jogo subjetivo e estético das faculdades, caracterizam a:

A
antinomia

B
vontade

C
liberdade

D
máxima

E
heteronomia
Comandar e agir, segundo comandos; relatar um acontecimento; conjecturar sobre o acontecimento; expor uma hipótese e prová-la; cantar uma cantiga de roda são exemplos que Wittgenstein (1996) aponta, ao analisar “as diversas maneiras de se usar a linguagem”, como:

A
as fi guras de linguagem

B
os jogos de linguagem

C
as estruturas de palavras

D
os ideais dos atos da fala

E
as formas de anotações

A busca da felicidade é um tema recorrente nas tradições filosóficas bem como objeto de reflexão crítica em outros campos de conhecimento, como a ciência e a psicanálise.


Relacione os pensadores a seguir às respectivas concepções sobre a felicidade.


1. Sócrates

2. Espinosa

3. John Stuart Mill

4. Sigmund Freud


( ) Na vida é útil aperfeiçoarmos, tanto quanto pudermos, o intelecto ou a razão, e nisso consiste a suprema felicidade ou beatitude do homem.

( ) A busca da felicidade em suas mais variadas formas é explicável pelo princípio do prazer, mas a impossibilidade de sua conquista definitiva é igualmente justificável, dado o princípio de realidade.

( ) Não se pode fornecer nenhuma razão por que a felicidade geral é desejável, exceto a de que cada pessoa deseja sua própria felicidade, na medida em que crê poder alcançá-la.

( ) A presença, na alma, do bem que lhe é próprio, ou seja, a justiça ou ordem da alma, é causa imediata da felicidade.


Assinale a opção que mostra a relação correta, de cima para baixo.


A

1 – 3 – 2 – 4


B

1 – 4 – 2 – 3


C

4 – 2 – 3 – 1


D

2 – 4 – 3 – 1


E

4 – 3 – 2 – 1

“O gênio, em geral, é poético. Onde o gênio atuou – atuou poeticamente. O homem genuinamente moral é poeta”.


(NOVALIS. Fragmentos-Diálogos-Monólogos. São Paulo: Iluminuras, 1988, p. 124.)


A afirmação de Novalis ecoa a ideia romântica alemã de genialidade, que teve em Friedrich Schiller um de seus porta-vozes. Assinale a opção que identifica corretamente o ideal estético schilleriano associado à moral.


A

O ideal de beleza se origina da capacidade de contemplação estética de que os homens são dotados, mas resta vazio se não apropriado por algum critério utilitarista.


B

O juízo estético está ligado aos princípios da razão em seu uso mais sublime, que é o uso prático, desde que razão e sensibilidade atuem juntas pelo concurso da disposição lúdica.


C

O critério de objetividade do belo deve ser encontrado no juízo de gosto particular, a partir do qual o sentimento estético universaliza o critério da fruição estética.


D

O conceito de beleza deve ser encontrado na experiência, pois somente ela nos fornece o sentimento do Belo.


E

A soberania da sensibilidade sobre a razão engendra a genialidade do artista, que exemplifica o caráter excepcional da criação artística e a impossibilidade de uma educação estética.

Um dos grandes temas de estudo da Filosofia moral é o da relação entre ética e liberdade. Sobre esse assunto é correto afirmar que:


A

a conduta ética não implica na livre e consciente aceitação da norma estabelecida.


B

a observância ou aceitação das normas sociais independe da educação moral dos indivíduos.


C

a interiorização da moral exclui a possibilidade da transgressão da norma.


D

a ampliação do grau de consciência e liberdade não põe em risco a norma estabelecida, já que esta se apoia na herança dos valores recebidos pela tradição.


E

a liberdade, entendida como autodeterminação, pressupõe a capacidade do sujeito moral em controlar seus impulsos e paixões.

“Todos os instintos sob enorme força repressiva, volvem para dentro, e a isso chamo interiorização do homem [...]”. A partir dessa interiorização, se desenvolve o que mais tarde Nietzsche denominará:

A
corpo

B
liberdade

C
alma

D
instinto

E
nobreza

“O ato de fala total na situação de fala total é o único fenômeno real que, em última análise, pretendemos elucidar”.


(AUSTIN, J. L. How to do things with words. Oxford: Clarendon Press, 1962, p. 147.)


J. L. Austin é um dos representantes da renovação em Filosofia da linguagem no século XX, ao propor um método de análise de questões filosóficas por meio do uso da linguagem entendida como modo de ação por meio das palavras.


Assinale a opção que identifica corretamente essa corrente contemporânea da Filosofia da linguagem.


A

Semiótica.


B

Sintática.


C

Semântica.


D

Estruturalismo.


E

Pragmática.

“No sentido mais amplo do progresso do pensamento, o esclarecimento tem perseguido sempre o objetivo de livrar os homens do medo e de investi-los na posição de senhores. Mas a terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal”.


(ADORNO, T. W. e HORKHEIMER, M. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985, p. 17.)


A Dialética do Esclarecimento se inicia com o trecho acima citado, fornecendo a chave geral de leitura desse ensaio: mostrar as duas faces do esclarecimento, ao mesmo tempo libertador e aprisionador.


Com relação à crítica de Adorno e Horkheimer ao esclarecimento, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.


( ) O movimento das Luzes do século XVIII, contrariamente a seu esforço, não destruiu o mito, transformando o próprio esclarecimento em uma mistificação, pois usou as mesmas funções assertivas e controladoras que se dispôs a combater.

( ) O conhecimento científico, longe de emancipar a razão, aborda a realidade em perspectiva já limitada pelo jogo de interesses sociais e historicamente situados, o que explica que a crítica iluminista da razão é suscetível de se deixar instrumentalizar pelo interesse.

( ) A arte escapa à dominação social da natureza, pois é o único campo capaz de mostrar como se conquista a autonomia do sujeito, através da fruição estética, justificando, com isso, a distância ética e estética entre arte superior e cultura popular.


As afirmativas são, respectivamente,


A

F, V e F.


B

F, V e V.


C

V, F e F.


D

V, V e F.


E

F, F e V.

À síntese dialética da consciência e da autoconsciência, Hegel (in Marcondes, 1997) chama de:

A
reflexão

B
espírito

C
razão

D
lógica

E
transição

As alternativas a seguir apresentam características da noção wittgensteiniana de jogo de linguagem, à exceção de uma. Assinale-a.


A

Os significados linguísticos não estão fixos e determinados, mas são funções exercidas pelas expressões linguísticas em contextos particulares.


B

As palavras têm funções diferentes e, por isso, não são utilizadas primordialmente para descrever a realidade, e sim para atingir um objetivo como, por exemplo, dar uma ordem ou agradecer.


C

As expressões linguísticas são sempre utilizadas em um contexto de interação entre interlocutores, que as empregam com um objetivo determinado.


D

A linguagem mobiliza regras de uso em situações variadas, o que faz da realidade o próprio entrelaçamento entre palavras e atividades que se conseguem indicar pela linguagem.


E

O significado da palavra e suas regras performáticas mostram a essência da linguagem como o código dos sinais necessários à natureza, legitimando o uso solipsístico da linguagem.

Em A origem da obra de arte, Heidegger preocupa-se com a caracterização da obra de arte e com a diferença que há entre arte e as coisas em geral. Para essa investigação, Heidegger analisa uma pintura de Van Gogh na qual está figurado um par de sapatos de uma camponesa, que é considerado um utensílio. Desse modo, ele conclui que a pintura de Van Gogh é “a abertura do que o utensílio na verdade é”. Considerando a estética de Heidegger, é correto afirmar que o exemplo dos sapatos da camponesa ilustra que a obra de arte


A

imita a essência geral das coisas.


B

imita a utensilidade do utensílio.


C

desoculta a utilidade dos sapatos.


D

desoculta a confiabilidade da arte.


E

desoculta a essência geral das coisas.

   
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