Questões de Concurso sobre Em Busca da Verdade

 
 
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Em “Verdade e Método”, Gadamer desenvolve uma teoria hermenêutica em que os preconceitos e a alteridade do texto estão imbricados num jogo interpretativo, que pode ser visto como um círculo hermenêutico.


Assinale a alternativa que apresenta a visão de Gadamer sobre a Aufklärung em geral.


A

Aufklärung desenvolveu uma teoria dos preconceitos, onde os preconceitos de autoridades são tomados como indicativos de verdade e, portanto, devem guiar nossa interpretação.


B

A Aufklärung desenvolveu uma teoria dos preconceitos, cuja divisão básica seria entre preconceitos da estima humana e preconceitos por precipitação. Tal teoria promoveu um descrédito dos preconceitos.


C

A Aufklärung apresentou a verdade como uma forma de preconceito acima da verificação racional.


D

A Aufklärung criticou toda forma de tradição, com exceção da tradição religiosa cristã, pois os preconceitos desta valem por si mesmo, visto que não precisariam ser justificados pelo conhecimento racional, dado seu caráter de sagrado.


E

A Aufklärung defendeu o passado, a volta ao antigo como o reconhecimento de uma sabedoria superior, cuja verdade manifesta-se na interpretação daquele que voltou as fontes originárias.

Com relação às observações feitas por duas pessoas normais, que estão vendo o mesmo objeto de um mesmo lugar e nas mesmas circunstâncias físicas, analise as afirmativas a seguir.


I. As observações não serão idênticas, porque não dependem unicamente das imagens formadas na retina, mas dependem também da experiência, do conhecimento, das expectativas e do estado interno de cada observador.

II. As observações serão idênticas, uma vez que ambos os observadores estarão diante de um mesmo fato e terão a mesma experiência visual, isto é, as imagens formadas na retina dos dois observadores possivelmente serão idênticas.

III. As observações sobre uma mesma radiografia de pulmão, feitas por dois estudantes de medicina, um iniciando e outro terminando o mesmo curso, terão relatos diferentes.


Assinale:


A

se apenas a afirmativa I estiver correta.


B

se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.


C

se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.


D

se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.


E

se apenas a afirmativa III estiver correta.

“Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias. [...] São ilusões, das quais se esqueceu que o são [...]”


(Nietzsche, Abril Cultural, 1978. P. 48.)


No enunciado, qual conceito é diretamente expressado?


A

Mito.


B

Virtude.


C

Verdade.


D

Genealogia.

A crítica de Parmênides a Heráclito, ao caracterizar o movimento como um aspecto superficial das coisas e sustentar que além da experiência dos sentidos está a verdadeira realidade, única e imutável, introduz uma das distinções mais básicas do pensamento filosófico antigo:


A

Entre mythos e logos.


B

Entre monismo e paradoxo.


C

Entre realidade e aparência.


D

Entre lógica e dialética.


E

Entre senso comum e filosofia.

Conceitos como verdade, de largo uso na vida cotidiana, são parte do repertório dos alunos, o que viabiliza que sejam feitos exercícios amplamente compartilhados. Por outro lado, o fato de que existem muitas formas de conhecimento (senso-comum, religião, ciência, filosofia, mito) permite também que sejam examinadas, considerando esta diversidade, as modulações da ideia de verdade.


Assinale a alternativa errada quanto a origem das fontes da qual se pode partir para o estudo da verdade.


A

Material proveniente das demais ciências estudadas.


B

Todo e qualquer material, oficial ou não destacando o conceito de verdade.


C

Com relação ao professor, é importante que ele esteja medianamente familiarizado com os principais conceitos e doutrinas.


D

Fontes do saber, contendo conhecimento/epistemologia, com as teorias favoráveis à verdade e com as críticas dirigidas a esta noção. Dicionários, manuais e Histórias da Filosofia propiciam esta formação.

Em razão dos postulados de Heidegger, a relação entre arte e verdade assume um novo lugar na história da filosofia. Segundo ele, a essência da obra de arte é o pôr-se-em-obra da verdade. Cada ente que se torna manifesto na obra de arte é a expressão direta do modo como seu mundo é fundado. Desse modo, Heidegger tenta escapar de qualquer elemento subjetivista na arte. Considerando a relação entre arte e verdade, conforme a filosofia de Heidegger, é correto afirmar que esse filósofo


A

considera a arte como meio da verdade mimética, conforme a tradição platônica.


B

considera a arte como verdade subjetiva, visto que o artista constrói a verdade na arte.


C

considera que a arte eleva-se ao nível da experiência da verdade ontológica subjetivada pelo artista.


D

propõe uma contraposição entre arte e verdade no cerne da obra de arte.


E

considera que a verdade se põe em obra e a obra é, assim, obra da verdade.

De acordo com o que se pode deduzir não apenas da passagem de Hume citada acima, mas de sua filosofia como um todo, está correto afirmar que, para ele,


A

o plano dos fatos não difere do plano dos valores, de modo que um fato sempre traz em si um juízo de valor e vice-versa, um juízo de valor sempre expressa o modo como as coisas são.


B

as verdades fatuais e descritivas, que tratam das coisas como elas são, diferem muito das verdades valorativas ou prescritivas, que tratam das coisas como elas devem ser.


C

os valores, que se referem ao plano da moral, se fundamentam inteiramente no plano dos fatos e são determinados por eles, o que caracteriza como realista o pensamento de Hume sobre a moral.


D

os fatos, que se referem ao plano das coisas, se fundamentam inteiramente no plano dos valores, o que caracteriza como idealista o pensamento de Hume sobre a moral.

No início de sua carreira intelectual, Nietzsche empreendeu estudos sobre o trágico. Esses estudos levaram-no a compor uma teoria sobre o nascimento da tragédia a partir dos rituais de Dionísio. Neste sentido, Nietzsche acabou por construir a história do nascimento e morte do espírito trágico entre os gregos. Sendo assim, é correto afirmar que o


A

o desaparecimento do coro e a transformação da música em diálogo seriam as marcas de uma ruptura com um padrão estético de existência e o mergulho em um modelo epistêmico calcado na verdade filosófica.


B

o domínio de formas apolíneas de arte, baseadas na canção poética em detrimento das formas teatrais, teria produzido uma ruptura epistêmica que teria dado origem aos diálogos filosóficos e a figura de Sócrates como grande assassino do mundo trágico.


C

surgimento da música em meio as tragédias antigas teria desestabilizado o diálogo teatral e produzido um abandono das formas dramáticas, levando então ao surgimento de uma prosa filosófica de modelo aristotélico.


D

surgimento da vida urbana e da pólis clássica teria judicializado as tragédias, forçando um abandono do dionisismo original e aproximando os rituais trágicos de formas clássicas apolíneas, proporcionais e melódicas.

Desde a antiguidade, faz-se presente no senso comum a ideia de que a filosofia é inútil. Há um ditado popular que diz A filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual. Mas os filósofos desenvolveram ao longo do tempo muitos pensamentos sobre a utilidade da filosofia. Por exemplo: para Platão, a filosofia é um saber verdadeiro que deve ser usado em benefício dos seres humanos para que vivam numa sociedade feliz; para Kant, a filosofia tem como finalidade a felicidade humana; e para Merleau-Ponty, ela serve para ver e mudar nosso mundo. Seja qual for o modo como se determine a utilidade ou inutilidade da filosofia, diante dessa questão, a primeira atitude propriamente filosófica é


A

definir a felicidade proporcionada pela filosofia.


B


perguntar pelo que significa, nesse contexto, utilidade.


C

usar a filosofia para transformar e não para pensar o mundo.


D

recolher a opinião dos grandes filósofos sobre o tema.


E

pressupor que a filosofia é um fim em si mesmo.

O chamado princípio de não-contradição pode ser formulado do seguinte modo:


A
todas as proposições são verdadeiras.

B
não existem proposições contraditórias.

C
toda proposição é ou verdadeira ou falsa.

D

nenhuma proposição é verdadeira e falsa ao mesmo tempo.

Francis Bacon dizia que Saber é poder e Descartes que A ciência deve tornar-nos senhores da natureza. Essas frases dão testemunho paradigmático de que a ciência moderna


A

é essencialmente teórico-contemplativa.


B

visa ao despotismo político perante a natureza.


C

antepõe o voluntarismo à observação objetiva.


D

tem um caráter explicitamente antiecológico.


E

busca intervir na natureza para controlá-la.

Em sua obra A República, Platão sustenta que a mentira autêntica é detestada pelos deuses e pelos homens, mas ainda assim menciona uma “nobre mentira”, a ser aplicada como remédio apenas pelos chefes da cidade aos inimigos e mesmo aos cidadãos, sempre em benefício da cidade. Kant sustenta, ao contrário, que toda mentira é ilícita e representa um aniquilamento da dignidade humana – chega a afirmar que a capacidade humana de mentir é a mancha podre de nossa espécie. Para ele, os homens têm o dever de dizer a verdade, porque


A

o dizer verdadeiro sempre produz efeitos desejáveis.


B

a veracidade é o modo humano de se aproximar do divino.


C

a mentira só se aplica quando a própria humanidade está em risco.


D

uma lei universal de mentir seria autodestrutiva.

Na primeira de suas Meditações, Descartes põe em marcha um processo de crescente radicalização da dúvida cética, até chegar a um ponto de grau máximo de dúvida. Constituem etapas deste processo específico:


A

as hipóteses de que talvez os sentidos nos enganem, de que talvez estejamos sonhando e de que Deus seja enganador.


B

a demonstração da existência de um sujeito pensante e a prova da inexistência de um Deus veraz.


C

a prova das proposições “Eu sou”, “Deus é enganador” e “Os corpos existem”.


D

as provas da existência de coisas fora de mim e da inexistência de Deus.

No século XIX, o filósofo alemão Dilthey propôs uma distinção entre as ciências que buscam conhecer causalmente o objeto externo, e as ciências que buscam compreender o objeto que é o próprio sujeito da ação de conhecer. Essa distinção se refere, respectivamente, às seguintes áreas do conhecimento:


A

física e psicologia.


B

ciências naturais e ciências do espírito.


C

matemática e astrologia.


D

ciência e religião.


E

lógica e esoterismo.

O indagar como atitude filosófica dirigida ao mundo que nos rodeia e às nossas relações com ele pode ser resumido em três perguntas fundamentais, a saber:


A

De onde vim? Onde estou? Para onde vou?


B

Ser ou não ser? Deus existe? Qual é a origem de tudo?


C

O bem existe? O mal existe? O que devo fazer?


D

O que é o homem? O que é tudo? O que é o nada?


E

O que é? Como é? Por que é?

Tendo o cético como objeto de crítica, Descartes vai, em suas Meditações, tentar


A

provar que a ideia de Deus é uma ilusão e que a razão pode desfazê-la.


B

validar a certeza objetiva e estabelecer algo de firme nas ciências.


C

mostrar que as verdades da Lógica e da Matemática são as únicas que não podem ser postas em dúvida.


D

mostrar que nossas certezas têm em hábitos ou costumes coletivos o seu fundamento racional último.

Ao afirmar que a verdade é a correspondência entre a idéia e o ideado, os filósofos modernos querem dizer que a idéia é

A
uma cópia da própria coisa conhecida.

B
uma representação duplicada de si mesma.

C
produto exclusivo de um ato intelectual, como é o ideado.

D
reprodução da estrutura e das relações internas do objeto.

A posição cética caracteriza-se pela suspensão de juízo quanto à possibilidade ou não de algo ser verdadeiro ou falso, embora originalmente tenha significado indagação, investigação.


C
Certo

E
Errado

A posição de Guilherme de Ockam quanto à célebre questão dos universais consiste em afirmar que


A

há verdades necessárias e universais, mas tais realidades apenas podem ser captadas pelo conhecimento intuitivo e não são exprimíveis por sinais instituídos.


B

só as substâncias das coisas nos são cognoscíveis e são universais, ao contrário das suas qualidades, pois estas são sempre singulares e de origem subjetiva.


C

os universais têm existência autônoma, de modo análogo às idéias platônicas: são independentes tanto das coisas concretas quanto de nossos conceitos.


D

os universais existem nos indivíduos, não como algo de realmente distinto destes, mas apenas formalmente distinto, como na concepção aristotélico-tomista.


E

os universais não são reais, são apenas sinais abreviativos para indicar a repetição de múltiplos conhecimentos semelhantes produzidos por objetos semelhantes.

   
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