Questões de Concurso sobre Em Busca da Verdade

 
 
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A obra De Magistro de Santo Agostinho, do ano 389 da era cristã, se insere entre as obras da chamada fase de juventude e ainda contém muitos elementos de paganismo que posteriormente foram retratados pelo próprio autor. O trecho citado é de relevante importância para o estudo do desenvolvimento do seu pensamento e para o entendimento de sua obra posterior. Em relação às influências pagãs-gnósticas que ele mesmo reconheceu e das quais teve de se desfazer, assinale a alternativa correta com respeito às influências pagãs presentes no argumento do trecho citado.


A

A tese platônica de que o conhecimento não pode ser adquirido pelos sentidos


B

A afirmação de que a Verdade não pode ser ensinada se assemelha à afirmação socrática de que a virtude não pode ser ensinada


C

A afirmação de que a Verdade não pode ser ensinada, mas apenas encontrada por meio da consulta ao “Mestre interior” reproduz a tese platônica da reminiscência ou anamnese, presente no “Mito de Er” da República (Livro X)


D

A tese de que a consulta ao “Mestre interior”, instigada por meio da palavra dita, conduz à Verdade sugere que a Iluminação é um ato próprio do lógos humano, e que poderia ser alcançada por todos os homens por meio da iniciação filosófica

A partir do Teeteto de Platão, estabeleceu-se a tradição de definir o conhecimento como crença verdadeira justificada. No século XX, foi apresentado um conjunto de contraexemplos a esta fórmula. Nos casos apresentados, temos uma crença que é verdadeira, cujo agente está justificado em tê-la. Mas a verdade da crença não tem a relação apropriada com essa justificação, de maneira que é de certo modo acidental, ou uma questão de sorte, que a crença seja verdadeira. Esses contraexemplos ficaram conhecidos como


A

o problema da demarcação.


B
hipótese de Sapir-Whorf.

C

o problema de Getttier.


D

o paradoxo de Goodman.


E

o problema de Gauguin.

Analise o excerto abaixo:


“É no homem que essa arte de dissimulação atinge o seu ponto culminante: a ilusão, a lisonja, a mentira e o engano, a calúnia, a ostentação, o fato de desviar a vida por um brilho emprestado e de usar máscaras, o véu da convenção, o fato de brincar de comediante diante dos outros e de si mesmo, em suma, o gracejo perpétuo que em todo lugar goza unicamente como amor da vaidade, são nele a tal ponto a regra e a lei, que quase nada é mais inconcebível do que o aparecimento, nos homens de um instinto de verdade honesto e puro.”


(NIETZSCHE, F. Verdade e mentira no sentido extra-moral. Comum, Rio de Janeiro, v. 6, n.17, p.8-9, jull./dez.2001.)


A partir da leitura, pode-se afirmar corretamente que


A

Jean Baudrillard concorda com Nietzsche pois a dissimulação deixa intacto o princípio de realidade, que se encontra apenas disfarçada.


B

a verdade pode ser alcançada de forma absoluta se homem superar a si mesmo e suas simulações transvalorando suas relações.


C

para Nietzsche, os seres humanos se relacionam permanentemente de forma dissimulada e, assim, a verdade se torna inconcebível.


D

Michel Foucault retoma o tema da dissimulação partindo do entendimento de que a verdade é uma ilusão produzida pela linguagem, a verdade assim é possível através do discurso.


E

o conceito de simulacro remonta a Platão, mas na cultura contemporânea, essa relação entre realidade e sua representação se tornou ultrapassada, pois os signos remetem perfeitamente a uma realidade que lhe dá fundamento.

“Por isso, em nossa peregrinação, recebemos dele o penhor de já sermos luz; ele já nos salvou pela esperança e, de filhos da noite e das trevas que éramos, ele fez filhos da luz e do dia. Na incerteza da ciência humana, só tu és capaz de distinguir entre uns e outros, porque pões nossos corações à prova e chamas à luz dia e às trevas noite. Quem, senão tu, sabe nos distinguir? E que temos nós que não o tenhamos recebido de ti? Nós, feitos vasos de honra, fomos feitos da mesma argila que serviu para fazer os vasos de ignomínia.”

(AGOSTINHO. Confissões, Martin Claret, São Paulo, 2005, p. 324)


Para Santo Agostinho, a possibilidade de acesso às verdades reveladas depende da (o):


A

predestinação.


B

intuição.


C

esforço pessoal.


D

capacidade intelectual.


E

natureza da alma.

Em História da mentira: prolegômenos, Derrida diz:


"Mentir não é enganar-se nem cometer erro; não se mente dizendo apenas o falso, pelo menos se é de boa-fé que se crê na verdade daquilo que se pensa ou daquilo acerca do que se opina no momento. É o que lembra Santo Agostinho na abertura de seu De mendacio (1) no qual, aliás, propõe uma distinção entre crença e opinião que poderia ser para nós, ainda hoje, hoje de forma nova, de grande alcance. Mentir é querer enganar o outro, às vezes até dizendo a verdade. Pode-se dizer o falso sem mentir, mas pode-se dizer o verdadeiro no intuito de enganar, ou seja, mentindo. Mas não mente quem acredita naquilo que diz, mesmo que isto seja falso. Ao declarar: ‘Quem enuncia um fato que lhe parece digno de crença ou acerca do qual formava opinião de que é verdadeiro, não mente, mesmo que o fato seja falso’, Santo Agostinho parece excluir a mentira a si mesmo, e aqui está uma pergunta que não nos deixará jamais: será que é possível mentir a si mesmo, será que qualquer forma de enganar a si mesmo, de usar de subterfúgio para consigo merece o nome de mentira?".


De acordo com o texto, podemos inferir que a mentira não é o mesmo que o falso, pois


A

o falso carrega uma intenção subjetiva do falante.


B

sempre que mentimos dizemos algo que é falso.


C

a mentira pode revelar a verdade pelo falante.


D

a mentira carrega uma intenção subjetiva do falante.


E

o falso e a mentira independem da intenção subjetiva do falante.

Observe os itens a seguir sobre a verdade em Descartes.

I. A definição de verdade é expressa pelo princípio de correspondência, a saber, a conformidade do pensamento com o objeto.

II. A definição de verdade é resultado de uma convenção, que qualquer pessoa ao apreender uma língua passa, assim, ter a definição como padrão.

III. Clareza e distinção são os critérios para determinar como verdadeiro o que se concebe.

É correto o que se afirma somente em:


A
II

B
I, II e III

C
I

D
I e III

“Entretanto, na primeira parte da Metafísica, esta dedução da nossa faculdade de conhecer a priori conduz a um estranho resultado aparentemente muito prejudicial ao inteiro fim da mesma e do qual se ocupa sua segunda parte, a saber, que com esta faculdade jamais podemos ultrapassar os limites da experiência possível, o que é justamente a ocupação desta ciência.” (KANT, I. Crítica da Razão Pura. Trad. de Valério Rohden e Udo Baldur Moosburger. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2000. p.38.)

Do trecho acima podemos concluir que o objetivo de Immanuel Kant (1724-1804), em sua Crítica da razão pura, foi:


A

apontar o caminho para um conhecimento efetivo das realidades transcendentes.


B

estabelecer os limites da razão humana.


C

garantir a possibilidade de uma liberdade humana a partir da consideração iluminista de sujeito.


D

provar que o tempo e o espaço são ilimitados.


E

mostrar que as estruturas transcendentais pertencem às coisas.

É possível afirmar que o senso comum nos coloca no dia a dia para entendê-lo e realizar uma série de ações a partir dele. Envolve as crenças, as superstições, o folclore, o carnaval, as novelas, os filmes, os quadrinhos, o futebol e tantos outros. Diante disso, o conhecimento proporcionado pelo senso comum


A

é particular, por se restringir a pequenas amostras da realidade, as quais servem de base a generalizações muitas vezes apressadas e imprecisas.


B

apesar de ser frequentemente subjetivo, porque depende do ponto de vista individual e pessoal, não deixa de ser rigoroso, já que as suas explicações são formuladas em enunciados gerais.


C

é unificador, por não reconhecer as conexões em situações nas quais elas poderiam ser verificadas.


D

é espontâneo, por isso as suas afirmações tendem a valer para a maior quantidade de casos observados. Sendo assim, não se distancia tanto do conhecimento científico. Ou seja, apesar de haver distinções, há pontos de contato entre ambas as formas de conhecimento, o que gera, a não especificidade de cada um desses conhecimentos.

O filósofo René Descartes afirmava que, para conhecer a verdade, é preciso, de início, colocar todos os nossos conhecimentos em dúvida. Seguindo o raciocínio do filósofo, marque a alternativa CORRETA:


A

Descartes atribuía grande valor à filosofia como instrumento de compreensão da realidade.


B

Para Descartes é necessário questionar tudo e analisar, criteriosamente, se existe algo na realidade de que possamos ter plena certeza.


C

O filósofo Descartes afirmava que nada estava livre da dúvida nem seus próprios pensamentos.


D

Com o seu método da dúvida, Descartes reergueu o edifício do conhecimento com suas contribuições filosóficas.

Leia o argumento abaixo:

“Nenhum vegetariano come linguiça de porco. Moby não come linguiça de porco. Portanto, Moby é vegetariano”. Embora todas as proposições do argumento sejam verdadeiras, o argumento em seu conjunto é invá-lido, pois a estrutura formal do argumento comete o erro de ter duas premissas negativas e de duas premissas negativas nada se concluí. Além disso, é lógico que Moby pode não comer linguiça de porco, mas comer outras carnes. (BAGGINI, Julian. Você pensa o que acha que pensa? Rio de Ja-neiro: Zahar, 2010, p. 53. Adaptado).

A partir da leitura do texto acima, a diferença entre verdade e validade é:


A
Verdade diz respeito a um estado de coisas no mundo e a validade diz respeito à estrutura formal do argumento, à sintaxe.

B
Verdade diz respeito a conhecer quem é Moby e a validade diz respeito à força de persuasão das proposições.

C
Verdade diz respeito ao conhecimento científico e a validade diz respeito ao uso de duas pre-missas negativas no argumento.

D
Verdade diz respeito ao uso correto das regras do argumento e validade diz respeito à sequência usada nas proposições.

E
Verdade diz respeito somente às premissas usadas e a validade diz respeito ao fato de a con-clusão resultar dessas premissas.

Se a verdadeira realidade, para uma estética idealista, só se encontra para lá da imediatidade da sensação e dos objetos externos. A partir do seguinte trecho da Introdução à Estética, de Hegel, assinale com V a afirmação verdadeira e com F a falsa:

“...toda a esfera da realidade interior e da realidade exterior empíricas se deve chamar, num sentido mais forte do que o reservado à arte, o mundo de mera ilusão e amarga decepção, e não mundo da realidade. A verdadeira realidade só se encontra para lá da imediatidade da sensação e dos objetos externos”.

( ) A imediatidade das sensações revela o mundo como mera ilusão.

( ) A realidade interior empírica é compreendida como amarga decepção.

( ) O mundo da arte, aparência da verdade, revela o engano do cotidiano.

( ) Nessa citação, a esfera das realidades empíricas constitui-se elemento do concreto verdadeiro.

Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:


A
V, V, F, F.

B
V, F, F, V.

C
F, V. V, F.

D
F, F, F, V.

Buscando-se elementos da relação entre pensamento e experiência estética, nos deparamos com a manifestação filosófica do poeta Mallarmé: “a palavra não é a expressão de algo, mas a expressão de sua ausência. A palavra faz desaparecer as coisas e nos impõe o sentimento de uma falta universal e até de sua própria falta”. Considerando os ensinamentos lógicos que o poeta apresenta, analise os seguintes itens:

I. A certeza da verdade imediata das coisas.

II. A universalidade é exposta como um terceiro elemento do discurso.

III. O discurso apresenta dois elementos: uma proposição e sua contraposição.

IV. A máxima “tudo é relativo” encontra um demonstrativo adequado.

Corresponde a ensinamento lógico do poeta o que consta em:


A
II e III apenas.

B
I, II e IV apenas.

C
I, III e IV apenas.

D
I, II, III e IV.

Na obra Teeteto, Platão apresenta um método para auxiliar os jovens a examinar se suas opiniões são justificadas, analisando-as, verificando seus pressupostos, quais podem ser suas consequências e se conduzem a uma conclusão contraditória. Esse método se mostra especialmente importante quando se trata de verificar se opiniões são verdadeiras ou não.


Segundo o método proposto por Platão, é correto afirmar que as opiniões


A

podem ser consideradas verdadeiras se são defendidas por uma autoridade política ou religiosa.


B

devem ser submetidas a uma verificação exaustiva antes de serem consideradas verdadeiras ou falsas.


C

devem ser consideradas falsas por princípio se forem repetidas por uma maioria que as defende.


D

podem ser logicamente consideradas verdadeiras e falsas ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto.


E

devem ser aceitas como verdadeiras caso seja impossível verificar ou justificar suas conclusões.

Leia o texto a seguir:

“Aqui está um livro de boa-fé, leitor. Ele te adverte, desde o início, que não me propus outro fim além do doméstico e privado. Nele não tive nenhuma consideração por servir-te nem por minha glória: mi-nhas forças não são capazes de tal desígnio. Dediquei-o ao uso particular de meus parentes e amigos, a fim de que, tendo-me perdido, possam aqui encontrar alguns traços de minhas atitudes e humores, e que por esse meio nutram, mais completo e mais vivo, o conhecimento que têm de mim. Se fosse para buscar os favores do mundo, teria me enfeitado de belezas emprestadas. Quero que me vejam aqui em meu modo simples, natural e corrente, sem pose nem artifício: pois é a mim que retrato” (MONTAIGNE, Michel de. Ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 37. Adaptado). Montaigne representa o ceticismo humanista do Renascimento.

No trecho acima dos Ensaios, isso fica claro porque ele relata


A
as suas verdades pessoais, as únicas que devem valer para todo o mundo.

B
as suas vivências pelo mundo, para que sua família se lembre dele.

C
as verdades do mundo, que são comuns a todos seres racionais.

D
os seus pensamentos pessoais, sem nenhuma pretensão de verdade universal.

E
os seus raciocínios, tentando convencer os outros da verdade deles.
Ao afirmar que “o mundo da experiência imediata precisa ser transformado para tornar-se o que ele é realmente”, essa linguagem filosófica pressupõe que

A
não há contradição entre o contingente e o dever-ser.

B
o dever-ser não faz parte do que realmente é.

C
o contingente não é o verdadeiro.

D
o bem, elemento metafísico, pode ser negligenciado.
Para Francis Bacon os ídolos são falsas noções que invadem o intelecto humano e dificultam seu acesso à verdade. Conforme ele, os gêneros de ídolos que dificultam o acesso à verdade são os seguintes:

A
ídolos da tribo, ídolos das crenças, ídolos do foro e ídolos do teatro.

B
ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do foro, ídolos do teatro.

C
ídolos do teatro, ídolos dos mitos, ídolos da caverna e ídolos da praça.

D
ídolos das crenças, ídolos dos mitos, ídolos da praça e ídolos da caverna.

A dimensão metafísica, formalmente um campo genuíno do pensamento racional, se torna irracional e não científica. O esforço contemporâneo em reduzir o escopo e a verdade da filosofia é percebido devido

I. Ao fato de os próprios filósofos proclamarem a modéstia e a ineficácia da filosofia.

II. a linguagens que revelam a mutilação do homem e da natureza.

III. a posições que contrariam o espírito de satisfação de Hume quanto às limitações da razão.

IV. a posições que deixam intacto o status quo e abominam a transgressão.

Estão corretas somente as complementações contidas em


A
I e II.

B
III e IV.

C
II e III.

D
I e IV.

Em “Verdade e Método”, Gadamer destaca o significado da distância temporal entre o intérprete e o autor do texto.


Assinale a alternativa que apresenta a posição de Gadamer sobre o tempo no processo de interpretação.


A

É um abismo a ser transposto porque separa e distancia.


B

É um obstáculo que torna impossível uma interpretação adequada.


C

É um obstáculo que pode ser superado desde que acompanhado por uma visão histórica.


D

Não deve ser superado, pois constitui uma possibilidade positiva e produtiva do compreender.


E

É uma condição para eliminar todos os preconceitos.

Em “Verdade e Método”, Gadamer afirma: “[...] é essencial a toda pergunta que tenha um sentido. Sentido quer dizer, todavia, sentido de orientação. O sentido da pergunta é pois a única direção que a resposta pode adotar se quiser ter sentido e ser pertinente”.


Assinale a alternativa que NÃO corresponde à posição de Gadamer.


A

Com a pergunta, o interrogado é colocado sob uma determinada perspectiva.


B

O surgir de uma pergunta rompe de certo modo o ser do interrogado.


C

O logos que desenvolve o ser do interrogado, aberto pela pergunta, já é sempre resposta, e só tem significado no sentido da pergunta.


D

Como é a pergunta que dá a direção, ela não deve estar apoiada em nenhum preconceito, do contrário será tendenciosa.


E

A pergunta tanto abre o tema em um determinado sentido quanto delimita o significado da resposta.

Kant conclui que há certas proposições cujo valor de verdade não pode mais ser estabelecido de maneira justificada no âmbito do entendimento.

C
Certo

E
Errado
   
Gerar simulado