Questões de Concurso sobre Marilena Chauí

 
 
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Filosofia não é religião, mas o tema da religiosidade nem sempre foi indiferente à filosofia. Para alguns pensadores há distinções substanciais entre ambas como, por exemplo, as que aponta CHAUÍ (2003). Considere:


I. Para o religioso, há um Deus; para a filosofia, é preciso provar sua existência.

II. Para a religião tudo depende de Deus; para a filosofia, nada depende de Deus, pois ele nem existe.

III. Para o religioso, a espiritualidade divina não é incompatível com a possibilidade de sua atuação material sobre o mundo; para a filosofa, é preciso provar racionalmente que é possível uma ação do espírito sobre a matéria.

IV. Para a religião, o que importa é o espírito; para a filosofia, o espírito não existe e nem importa.

V. Para a religião, a alma é imortal e destinada a uma vida futura; para a filosofia cabe oferecer provas que demonstrem essa imortalidade.


São distinções apontadas pela autora as que constam APENAS em


A

I, III e V.


B

I, IV e V.


C

II, III e IV.


D

II, IV e V.


E

III, IV e V.

Há uma posição segundo a qual, existe uma neutralidade científica garantida pela objetividade das análises que os cientistas fazem da realidade, o que impede interferências de escolhas ou de interesses subjetivos. Haveria uma neutralidade metodológica ou uma busca de conhecimentos apenas interessada na explicação objetiva de tudo. CHAUÍ (2003) apresenta três razões para justificar a afirmação de que essa imagem da neutralidade científica é ilusória.


Contempla as três razões apresentadas pela autora:


A

É o cientista quem faz a escolha e a definição do seu objeto de estudos; quem toma decisões quanto ao método da pesquisa; e quem espera ou escolhe certos resultados.


B

O cientista: não escolhe o objeto de estudos; não decide pelo método de pesquisa; não deve se preocupar com os resultados a serem atingidos.


C

A escolha do objeto, do método e dos resultados de qualquer pesquisa científica são sempre determinados pelos institutos de pesquisa e o cientista só cumpre ordens.


D

O cientista pode escolher o objeto da pesquisa, mas não toma decisões quanto aos recursos para sua realização e nem quanto aos resultados esperados.


E

O cientista levanta dados, analisa-os e elabora conclusões de acordo com o referencial teórico que lhe foi imposto pela agência financiadora da pesquisa.

De acordo com diversos autores, a ciência moderna teve seu início no Século XVII e possui aspectos próprios diversos da ciência antiga. CHAUÍ (2003) aponta alguns desses aspectos e chama atenção para um em especial, talvez, segundo ela, o mais profundo.


Assim, é correto afirmar que a ciência antiga


A

era resultado de diletantismo dos estudiosos que tinham prazer em dizer de suas descobertas, enquanto a ciência moderna visa o domínio da natureza e das relações sociais.


B

era teórica e interventiva, ao passo que a ciência moderna visa apenas o conhecimento da natureza não se importando com intervenções.


C

contemplava teoricamente os seres da natureza, além de visar intervenções neles, enquanto a ciência moderna passa a visar exclusivamente intervenções na natureza não havendo preocupações com o conhecimento teórico.


D

contemplava os seres da natureza, sem se preocupar em intervenções, enquanto a ciência moderna visa também intervenções na natureza e não apenas o conhecimento teórico.


E

buscava intervenções que facilitassem a vida das pessoas, além de ser contemplativa da natureza, enquanto a ciência moderna visa apenas o conhecimento teórico das relações sociais.

Sem dúvidas, o ser humano é dotado de capacidade para estabelecer relações lógicas, de conhecer, de raciocinar e de ponderar ideias universais e juízos.


A pensadora Marilena Chaui acrescenta que se trata do pensamento ou inteligência voltados para a apreensão cognitiva da realidade, que denomina:


A

reflexão.


B

dedução.


C

razão.


D

arquétipo.


E

inspiração.

Visível-vidente, táctil-tocante, sonoro-ouvinte/falante, meu corpo se vê vendo, se toca tocando, se escuta escutando e falando. Meu corpo não é coisa, não é máquina, não é feixe de ossos, músculos e sangue, não é uma rede de causas e efeitos, não é um receptáculo para uma alma ou para uma consciência: é meu modo fundamental de ser e de estar no mundo, de me relacionar com ele e de ele se relacionar comigo. Meu corpo é um sensível que sente e se sente, que se sabe sentir e se sentindo. É uma interioridade exteriorizada e uma exterioridade interiorizada. É esse o ser ou a essência do meu corpo [...].


(CHAUÍ, 2003)


Segundo o texto considere:


I. O corpo é o modo fundamental de o ser humano estar no mundo.

II. O ser humano só se coloca adequadamente no mundo através de sua alma.

III. Nosso corpo não pode ser reduzido a uma coisa qualquer, nem a uma máquina e nem a um conjunto de ossos, músculos e sangue.

IV. O corpo humano é apenas receptor do que vem da realidade exterior a ele.

V. O corpo é o meio de interação com o mundo, pois é uma exterioridade interiorizada e vice-versa.


Está correto o que se afirma APENAS em


A

I, III e V.


B

I, II e V.


C

III, IV e V.


D

I, III e IV.


E

II, IV e V.

Segundo Marilena Chauí (2000), Pitágoras é reconhecido como o fundador de uma corrente filosófica que se firma no pensamento de que a estrutura da realidade é do tipo:


A

irracional


B

matemática


C

verborrágica


D

espiritual

Segundo Marilena Chauí (2000), quando a conduta de um governante é imoral, manipuladora da boa-fé alheia para seu próprio proveito, essa liderança irá estabelecer um tipo de governo que pode ser considerado:


A

socrático


B

maquiavélico


C

humanista


D

positivista

Marilena Chauí (2000) considera que a filosofia diz não às crenças e aos preconceitos do senso comum quando se começa a pensar o mundo estabelecido como se nunca o tivesse visto e se tem um pensamento crítico movido pela admiração e pelo:


A

espanto


B

marasmo


C

desinteresse


D

ditado

Chauí (2000) observa que o racionalismo, ao longo da história da filosofia, se opôs ao dogmatismo, entendido como uma opinião imposta por decreto ou transmitida por meio de uma doutrina, impondo uma verdade que se torna inquestionável. Por essa razão, o dogmatismo é uma atitude autoritária por não permitir dúvida, crítica e contestação e também submissa, porque se curva às opiniões estabelecidas, contrastando com o racionalismo que promove o pensamento:


A

livre


B

retraído


C

cultuado


D

obediente

Marilena Chauí, em sua obra “Convite à Filosofia”, elenca alguns princípios racionais que obedece a regras específicas. Sobre a questão, é INCORRETO afirmar:


A

Quando estamos diante de uma afirmativa de que o que é, é, estamos diante do princípio da identidade.


B

O princípio do terceiro excluído afirma que não há outra opção fora do isto ou aquilo.


C

O princípio da não contradição afirma que uma coisa ou ideia que se negam a si mesmas se autodestroem.


D

O princípio da razão suficiente, também denominado princípio da causalidade, afirma que tudo que existe e acontece tem uma razão para existir e acontecer e que esta razão não pode ser conhecida da nossa razão.

O Problema do Conhecimento em Platão: conforme Marilena Chauí, Platão distingue quatro formas ou graus de conhecimento, que vão do grau inferior ao superior: crença, opinião, raciocínio e intuição intelectual. Para ele, os dois primeiros graus devem ser afastados da Filosofia – são conhecimentos ilusórios ou das aparências, como os dos prisioneiros da caverna – e somente os dois últimos devem ser considerados válidos. Identifique a alternativa que não corresponde às concepções de Platão quanto ao Conhecimento:


A

O conhecimento matemático seria a melhor preparação do pensamento para chegar à intuição intelectual das ideias verdadeiras, que constituem a verdadeira realidade.


B

Platão diferencia e separa radicalmente duas formas de conhecimento: o conhecimento sensível (crença e opinião) e o conhecimento intelectual (raciocínio e intuição) afirmando que somente o segundo alcança o Ser e a verdade.


C

O conhecimento sensível alcança a mera aparência das coisas, o conhecimento intelectual alcança a essência das coisas, as ideias.


D

Para Platão, o primeiro exemplo do conhecimento puramente intelectual e perfeito encontra-se na Matemática, cujas ideias se devem aos órgãos dos sentidos e não se reduzem a meras opiniões subjetivas.


E

O raciocínio treina e exercita nosso pensamento, preparando-o para uma purificação intelectual que lhe permitirá alcançar uma intuição das ideias ou das essências que formam a realidade ou que constituem o Ser.

Marilena Chauí em Convite à filosofia apresenta dez campos nos quais a filosofia se desenvolveu.


Qual, dentre esses campos, tem como característica específica realizar a análise crítica das ciências e de avaliar os métodos científicos?


A

Teoria do Conhecimento.


B

Epistemologia.


C

Lógica.


D

Ontologia.

O campo ético é constituído pelo sujeito moral e pelos valores e obrigações que formam o conteúdo das condutas morais, ou seja, as virtudes ou as condutas e ações conformes ao bem. Segundo Marilena Chauí, o agente moral só existe se for


A

virtuoso e controlador das próprias paixões e inclinações, assumindo as consequências de todos os atos, mesmo não sendo livres.


B

capaz de justificar seus atos pela força das influências do meio em que vive.


C

capaz, apenas, de discernir entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, entre o justo e o injusto.


D

consciente de si e dos outros; ser dotado de vontade e de capacidade para controlar e orientar desejos; ser responsável e ser livre.


E

competente e livre para deliberar e decidir entre várias alternativas possíveis, buscando aquelas que satisfazem quaisquer de seus desejos.

Leia o texto a seguir:

“Para Husserl, a consciência não é uma coisa entre as coisas, não é um fato observável, nem uma substância pensante. A consciência é pura atividade, o ato de constituir essências ou significações, dando sentido ao mundo das coisas. A essência da consciência é ser sempre consciência de alguma coisa, a que Husserl dá o nome de intencionalidade” (CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1994. p. 237. Adaptado).

Segundo o texto acima, intencionalidade, para Husserl, é


A
a essência do mundo contida nos objetos empíricos.

B
a substância pensante constitutiva material da consciência

C
o ato da consciência de constituir significações no mundo.

D
o conteúdo a priori da consciência humana diante do mundo.

E
o desejo oculto da consciência implícito em toda ação humana.

De acordo com Chauí, 1991, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta.


I. Perguntar pela utilidade da Filosofia geralmente esconde ou supõe uma resposta irônica, conhecida de muitos estudantes: “A Filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual”. Em outras palavras: “A Filosofia não serve para nada”.

II. Chama-se, por isso, de “filósofo” alguém distraído, que está com a cabeça no mundo da lua, pensando e falando coisas que ninguém consegue entender e que são totalmente inúteis.

III. A pergunta “para que Filosofia?” tem, contudo, sua razão de ser e nada a ver com a cultura e o tipo de sociedade em que vivemos.

IV. Estamos numa sociedade em que só se considera como legítimo, com direito a existir, aquilo que tiver alguma finalidade prática bem visível e de utilidade imediata.

V. É compreensível que ninguém pergunte: para que as Ciências? Todos imaginam “ver a utilidade das ciências nos produtos da técnica, isto é, na aplicação científica à realidade”.


Estão corretas as afirmativas:


A

I, II e III, apenas


B

II, III e IV, apenas


C

I, II, IV e V, apenas


D

II, III, IV e V, apenas


E

I, II,III, IV, V

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Considerando-se o fragmento de texto precedente e a concepção filosófica do saber, é correto afirmar que uma atitude filosófica elementar implica em


A
deixar de indagar sobre o que são as coisas, a consciência, os comportamentos da vida cotidiana, os valores.

B
questionar o porquê da existência e da natureza humana, tendo por base uma autoridade previamente estabelecida, transcendente ou divina.

C
confirmar nossos juízos e intuições, acolhendo as pretensões do senso comum, o qual não guarda uma diferença considerável da filosofia.

D
confundir a filosofia com a ciência, conhecimento objetivo e quantitativo que se pretende homogêneo e universal e responde praticamente a todas as questões filosóficas.

E
problematizar o senso comum, os preconceitos bem como duvidar de fatos e ideias aparentemente indubitáveis presentes na experiência cotidiana.

“Mas, o que teria a concepção de causalidade [de Aristóteles] a ver com a divisão social? [...] Se tomarmos o cidadão ou o senhor e indagarmos a qual das causas ele corresponde [...] se, por outro lado, indagarmos a que causa corresponde o escravo ou servo [...] compreende-se, então, por que a metafísica das quatro causas considera a causa eficiente inteiramente subordinada à final.” (Marilena Chauí, O que é ideologia, adaptado.)

Assinale a alternativa INCORRETA:


A

A causa final é identificável ao cidadão ou ao senhor, como aquele que ordena, e está evidentemente acima do simples meio ou instrumento da ação, o escravo


B

Tal teoria da causalidade é uma transposição involuntária no plano das ideias de relações sociais muito determinadas, no caso, as de uma sociedade escravagista


C

Um dos traços fundamentais da ideologia consiste em tomarmos ideias como independentes da realidade histórica e social


D

As quatro causas não possuem o mesmo valor, isto é, são concebidas como hierarquizadas, indo da causa mais inferior à causa superior


E

A ideologia oferece uma visão arbitrária da realidade que em nada corresponde a ela, antes é o seu avesso, um mundo de ponta cabeça

Segundo Marilena Chauí, em seu livro Convite à Filosofia (2008), a disciplina denominada ética nasce quando se passa a indagar o que são, de onde vêm e o que valem os costumes, ou seja, nasce quando também se busca compreender o caráter de cada pessoa. Considerando um ambiente de trabalho, muitos processos ético‐disciplinares são esperados do profissional. Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma conduta ética coerente num grupo de trabalho.


A

Corresponder à confiança que é depositada pelo grupo, nesse profissional.


B

Corrigir condutas inadequadas, seja por percepção própria ou por solicitação.


C

Estabelecer relações genuínas com as pessoas, independente se forem da equipe ou não.


D

Aproximar dos colegas com atitudes de confidencialidade para captar informações de interesse dos superiores.

As três principais concepções de ciência existentes historicamente, descritas por Marilena Chauí, são

A
racionalista, empirista e construtivista.

B
racional, empírica e hipotético-dedutiva.

C
sistemática, experimental e empírico-formal.

D
dialética, crítica e fenomenológica.

E
teórica, pragmática e dialógica.

“O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.”


Marilena Chauí


Sendo assim, a atitude filosófica implica em:


A

procurar uma doutrina filosófica e pautar toda sua conduta pelas suas proposições.


B

desprezar as verdades de fé pela absoluta impossibilidade de atingi-las e compreendê-las.


C

não aceitar as coisas, situações e valores como evidentes, mas sim investigá-los para compreendê-los.


D

aceitar apenas o conhecimento científico como fundamento para os questionamentos dos homens.


E

ser cético quanto a qualquer valor e utilidade de se manter uma atitude filosófica.

   
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