Questões de Concurso sobre Ontologia e a Natureza do ser

 
 
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Na tradição filosófica ocidental, a antiguidade desenvolveu uma reflexão específica que entendemos contemporaneamente como ontologia. Essa parte da filosofia está relacionada ao estudo:


A

Da arte como expressão cultural e estética de uma época.


B

Da relação entre sujeito e objeto no processo de conhecimento.


C

Da moral e dos costumes que orientam a conduta humana em sociedade.


D

Dos métodos científicos empregados para comprovar hipóteses experimentais.


E

Do ser enquanto ser, isto é, daquilo que constitui a realidade em sua totalidade.

“O que aprendemos sobre a velocidade e possível irreversibilidade das mudanças climáticas iminentes instaura uma nova situação. O “Homem”, nos damos conta, não foi apenas abusivo, mas também bancou o aprendiz de feiticeiro e pode muito bem provocar a reação assombrosa de algo que não pode mais ser pensado como uma “vítima”, algo que dá um novo sentido ao poderoso ser que Lovelock e Margulis chamaram de Gaia”.


(Stengers, I. “Accepting the reality of Gaia: a fundamental shift?” In: Hamilton, C.; Gemenne, F.; Bonneuil, C. (orgs.). The Anthropocene and the Global Environmental Crisis: Rethinking modernity in a new epoch. 2015, p. 135.



“Considerando muitos outros impactos importantes e ainda crescentes das atividades humanas na Terra e na atmosfera, e em todas as escalas, incluindo a global, parece-nos mais do que apropriado enfatizar o papel central da humanidade na geologia e ecologia, propondo o uso do termo “antropoceno” para a época geológica atual. Os impactos das atividades humanas atuais continuarão por longos períodos”.


(RUTZEN, P.; STOERMER, E. “The ‘Anthropocene’”. Global Change Newsletter, n. 41, p. 17-18, mai. 2000. Disponível em: . Acesso em: 30 mar. 2021.)


Avalie as seguintes afirmações:


I. A questão ambiental, na perspectiva da filosofia, não figura entre os principais problemas da atualidade. E a filosofia também se interessa parcialmente pela questão, buscando tratá-la tanto do ponto de vista epistemológico quanto ético-político, ainda que não consiga lidar com a mesma metafisicamente. É o que vemos em torno da reflexão sobre a noção de antropoceno.

II. Mesmo tendo sua origem na geologia, o termo antropoceno foi ressignificado pelas ciências humanas, a partir da necessidade de explicar e atuar no meio ambiente, denunciando os grandes problemas e os negacionismos climáticos.

III. Uma das principais características do momento do antropoceno é a reversibilidade da ação humana no ambiente. Basta a observação das diversas iniciativas que buscam mitigar os impactos do problema ambiental.

IV. A filosofia ambiental também está comprometida a pensar as ondas de negacionismos que permeiam a sociedade atual; mas não abre mão de ressignificar os próprios conceitos históricosontológicos que possam contribuir para a reflexão.


Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.


A

I e II.


B

II e III.


C

III e IV.


D

I e III.


E

II e IV.

“Tomemos um exemplo. Alguém diz que em alguma parte do oceano há uma ilha que, por causa da finalidade, ou melhor, da impossibilidade de encontrar aquilo que não existe, alguns chamam ‘Perdida’. Eles fabulam que, muito mais do que se diz das ilhas afortunadas, esta ilha é opulenta pela sua inestimável abundância de todo tipo de riqueza e de toda delícia; e eu, sem possuidor ou habitante qualquer, seja superior pela superabundância de bens a todas as outras terras habitadas em todo lugar pelos homens. Que alguém me diga tudo isso, e eu compreenderei facilmente este dizer, no qual não há nenhuma dificuldade”


Fonte: Anselmo. Proslogion. In: Reali, G. & Antiseri, D. História da Filosofia – Patrística e Escolástica. Volume 2. São Paulo: Paulus, 2023.


A Ilha Perdida é uma metáfora que antepôs o Liber pro Insipiente de Gaunilon (e retomado por Tomás) e o Liber Apologeticus de Anselmo (e retomado por Descartes). Sobre a prova a priori da existência de Deus, como defendida por Anselmo no argumento ontológico, é CORRETO afirmar:


A

Deus existe porque as coisas são boas, existindo, portanto, uma bondade absoluta.


B

Deus existe porque as grandezas qualitativas que existem se remontam a uma suma grandeza.


C

Deus existe porque é aquilo do qual nada se pode pensar de mais perfeito, estando entre as perfeições a própria existência atribuída.


D

Deus existe porque tudo que existe, existe em virtude de algo. Deus é o ser supremo que é a causa das coisas.


E

Deus existe porque os diversos graus de perfeição remontam a uma perfeição primeira e absoluta.

“Dizer que alguma coisa é natural ou por natureza significa dizer que essa coisa existe necessariamente (ou seja, não pode deixar de existir nem pode ser diferente do que é) e universalmente (ou seja, em todos os tempos e lugares) porque é efeito de uma causa necessária e universal. Essa causa é a natureza. Assim como é da natureza dos corpos serem governados por uma lei natural, também seria por natureza que os homens sentem, pensam e agem; e, por isso, haveria uma ‘natureza humana’”. CHAUÍ, Marilena. Iniciação à filosofia. São Paulo: Ática, 2014, p. 215. Levando em consideração apenas o trecho apresentado, é correto afirmar que:


A

A natureza humana é determinada por um processo histórico e cultural.


B

A natureza humana torna a humanidade algo indistinto da natureza como um todo.


C

Há uma natureza humana intemporal e existente em si e por si.


D

Não há uma natureza humana, mas uma condição humana que se define historicamente.


E

Não há uma natureza humana, mas um desenvolvimento caótico e indefinível da espécie.

A modernidade traz à luz o poder do ser humano de sexo masculino burguês branco europeu. Emancipar-se e fazer-se soberano a todas as coisas era o princípio norteador do pensar. Homem distante de humus. Homem próximo ao sapiens (rationale) que, como se evidencia pela História, a razão como uma faculdade do intelecto pode ser usada de n formas. Descartes explicou: “conhecendo as forças e as ações do fogo, da água, do ar, dos astros, dos céus e de todos os outros corpos que nos cercam, poderíamos nos tornar como senhores e possuidores da natureza”.


(Diogenes Rafael de Camargo e Kátia Vanessa Tarantini Silvestri. “As diferentes concepções de natureza na sociedade ocidental: da physis ao desenvolvimento sustentável”. Filosofia e História da Biologia, 2021. Adaptado)


No texto, os autores abordam a distinção entre homem humus e homem sapiens a partir


A

da criação de técnicas de socialização do conhecimento.


B

dos benefícios de se cuidar do meio ambiente racionalmente.


C

da superação do sentimento de integração do ser humano com a physis.


D

da descoberta de novos povos originários.


E

dos avanços nos estudos sobre os potenciais da cognição humana.

O potencial apocalíptico da técnica – sua capacidade para pôr em perigo a sobrevivência do gênero humano ou corromper sua integridade genética, ou alterá-la arbitrariamente, ou até mesmo destruir as condições de uma vida mais elevada sobre a terra – coloca a questão metafísica com a qual a ética nunca fora anteriormente confrontada, qual seja: se e por que deve haver uma humanidade; por que, portanto, o homem deve ser mantido tal como a evolução o produziu; por que deve ser respeitada sua herança genética; sim, porque, em geral, deve haver vida. A pergunta não é ociosa como parece, pois a resposta a ela é significativa acerca do quanto, permitidamente, nos é lícito arriscar em nossas grandes apostas tecnológicas e quais riscos são inteiramente inadmissíveis. Todo jogo suicida com essa existência está categoricamente proibido, e ousadias técnicas, nas quais esta é a aposta, ainda que apenas remotíssima, devem ser desde o início excluídas.


(Oswaldo Giacoia Junior. “Hans Jonas: Porque a técnica moderna é um objeto para a ética”. Natureza Humana, 1999. Adaptado)


O trecho consiste na tradução da obra de Hans Jonas pelo filósofo Oswaldo Giacoia Junior. O conceito proposto por Jonas, que subjaz sua abordagem ética para responder à questão metafísica colocada, consiste no


A

relativismo cultural.


B

imperativo categórico.


C

justo-meio.


D

princípio responsabilidade.


E

princípio da utilidade.

Afirmar que o Bem e o Mal são determinados pela própria natureza significa afirmar:


A

a inexistência de princípios morais objetivos


B

que o Bem e o Mal são invenções humanas


C

a existência de princípios morais objetivos


D

que o Bem e o Mal são convenções sociais

A ideia de que a natureza segue uma ordem necessária e não ocasional foi uma preocupação do pensamento filosófico a tal ponto que a primeira expressão filosófica conhecida foi a cosmologia. Essa ideia de reflexão e compreensão do “kósmo” é responsável pelo que chamamos, na história da filosofia, de:


A

Filosofia da natureza ou ciência da natureza que os gregos chamaram de “Physis”.


B

Universo metafísico do conhecimento antropológico.


C

Desproporcionalidade do uso da razão que os gregos chamaram de mitologia.


D

Conhecimento racional, uma superação da ordem do empírico.


E

Filosofia dos sofistas pré-socráticos; em outras palavras, o nascimento da metafísica dos costumes.

Leia o texto a seguir, onde Quine introduz o problema ontológico do não-ser.


"Esse é o velho enigma platônico do não ser. O não ser deve, em certo sentido, ser, caso contrário, o que é aquilo que não há? Essa doutrina emaranhada pode ser apelidada de a barba de Platão; historicamente, ela se mostrou resistente, fazendo frequentemente a navalha de Ockham perder o corte." (QUINE, 2010, p. 10)


Com base no problema ontológico do não-ser e na passagem anterior é correto afirmar que (,)


A

quando Quine diz que a barba de Platão tem feito "a navalha de Ockham perder o corte", ele sugere com isso que a doutrina em questão é ontologicamente econômica, não postulando entidades dispensáveis e inexistentes.


B

Alexius Meinong foi um herdeiro da barba de Platão. A solução que Meinong propõe para este enigma consiste em construir uma ontologia baseada na distinção entre ser (sein) e ser tal (sosein). Grosso modo, a tese é a que há coisas de dois tipos, aquelas que existem e aquelas que não existem.


C

na lógica clássica, a existência pode ser expressa com um quantificador (predicado de segunda ordem) ou com um predicado de primeira ordem. Isso nos permite expressar, de modo consistente, proposições como .


D

a lógica clássica é inteiramente adequada para falar de inexistentes. Por exemplo, é verdadeiro que alguns unicórnios voam, mas também é verdadeiro que unicórnios não existem. Nenhuma contradição decorre daqui. O problema do não-ser diz respeito especificamente ao estatuto ontológico daquilo que não é, em absoluto.


E

a doutrina da barba de Platão não precisa ser ontologicamente aparada, pois ela sugere apenas que o não-ser deve ser concebido, não que o não-ser deve existir. Podemos conceber muitas coisas que não existem, como unicórnios, montanhas de ouro e o próprio não-ser. Portanto, Quine parece ter se equivocado nessa passagem.

Os filósofos estoicos consideravam três aspectos como os mais importantes na filosofia: lógica, física e ética. No campo ético, assumiram que a liberdade consistia em aceitar o nosso destino cujo telos era alcançar a vida feliz, partindo da ideia de que há uma conformidade entre


A

o intelecto e a experiência.


B

a felicidade e o dever.


C

a teoria e a vida pública.


D

a natureza e a razão.


E

os sentidos e a educação.

Quadrado da Oposição.

Na lógica tradicional, o quadrado da oposição apresenta as relações lógicas que ocorrem entre as quatro formas de proposições da forma sujeito-predicado, conhecidas por A, E, I, O, respectivamente: todo A é B; nenhum A é B; algum A é B; algum A não é B.


Imagem associada para resolução da questão


As afirmativas a seguir estão de acordo com o diagrama, exceto uma. Assinale-a.


A

São contraditórias as proposições que não podem ser ambas verdadeiras, nem ambas falsas.


B

Uma proposição é subalterna de outra quando é implicada por ela, mas não a implica.


C

São contrárias as que não podem ser ambas verdadeiras, mas que podem ser ambas falsas


D

A proposição subalterna pode ser verdadeira ou falsa se a superalterna é verdadeira.


E

As subcontrárias podem ser ambas verdadeiras, mas não podem ser ambas falsas.

Em sua famosa obra Sein und Zeit (1927), Heidegger definia a filosofia “como ε҆πιστήμη τιϛ τῆϛ ἀληϑείαϛ, ciência da verdade [...] caracterizada como uma ὲπιστήμη, ἢ ϑεωρεῖ τὸ ὂν ᾖ ὂν, como ciência que considera o ente como ente, isto é, com respeito a seu ser” (HEIDEGGER, 1967, p. 213). A acusação feita pelo filósofo alemão é a de que a filosofia ocidental esqueceu (ou se apartou) da questão fundamental, qual seja, a questão do Ser. No entanto, depois de perceber que a tarefa fundamental da filosofia é a questão do significado do Ser, filosofia é, para ele, o pronunciamento “da coisa mais original que existe” ele percebe que o homem é o único que pode fazer a si mesmo essa pergunta. Portanto, perguntar-nos sobre o Ser implica indagar sobre quem faz essa pergunta. Assim, passamos da dúvida sobre o Ser à questão do que é o homem. Do exposto, segue-se que a reflexão de Heidegger em Sein und Zeit se desenvolve nos campos da


A

Ética e Epistemologia.


B

Ontologia e Antropologia filosófica.


C

Axiologia e Antropologia filosófica.


D

Filosofia política e Ontologia.


E

Ontologia e Teoria do conhecimento.

Richard Rorty foi um filósofo pragmatista estadunidense. A sua principal obra é A Filosofia e o Espelho da Natureza. A filosofia fundacional é o resultado, para Rorty, da união de três ideias.


Que ideia faz parte da filosofia fundacional caracterizada por Rorty?


A

A ideia da natureza como possibilidades infinitas de experiência.


B

A ideia da mente como sistema aberto.


C

A ideia de filosofia como pesquisa e posse dos fundamentos do conhecimento.


D

A ideia da mente como abertura de novos paradoxos.

De acordo com a Ontologia do ser social, os seres humanos distinguem-se do conjunto da Natureza por terem um modo de ser particular. O que funda o ser social é o (a)


A

linguagem.


B

política.


C

trabalho.


D

desigualdade.


E

luta de classes.

Em resposta à pergunta: “Mas o que é o sentido do ser?” no posfácio da obra Ser e tempo, de Heiddeger, Emanuel Carneiro Leão afirma:


“(...) é que o ser não somente não pode ser definido, como também nunca se deixa determinar em seu sentido por outra coisa nem como outra coisa. O ser só pode ser determinado a partir do seu sentido como ele mesmo. Também não pode ser comparado com algo que tivesse condições de determiná-lo positivamente em seu sentido. O ser é algo derradeiro e último que subiste por seu sentido, é algo autônomo e independente que se dá em seu sentido”. A partir dessa compreensão, pode-se afirmar que:


I. De um lado nunca se obteve nem se obtém uma definição do ser. Mas, em compensação, ganha-se sempre uma experiência essencial de seu sentido: a experiência de que o ser sempre se esquiva e desvia em todos os desempenhos de apreendê-lo, em qualquer esforço por representá-lo.

II. Tudo que fazemos ou deixamos de fazer para definir o sentido ser serva para nos distanciar. E nunca terminamos de nos afastar. Pois não temos escolha. Somos colhidos pela tração do retraimento e nessa tração, significamos o sentido do ser.

III. Resta encarar de frente o ser no movimento de seu sentido a fim de não o perder de vista e esquecê-lo na obnubilações do tempo. Os percalços e peripécias do tempo nos proporcionam o horizonte de doação do sentido que se dá na média em que se retrai.


Assinale


A

se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.


B

se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.


C

se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.


D

se somente as afirmativas III estiverem corretas.


E

se todas as afirmativas estiverem corretas.

O ceticismo de David Hume fica evidente na crítica que faz à noção de causalidade. Se não temos nenhuma experiência da relação de causa e efeito como conexão necessária entre eventos no real, por que percebemos os fenômenos com continuidade e regularidade?


A

Porque a repetição e o hábito orientam nossas percepções.


B

Porque somos iludidos por fantasias de unidade e totalidade do Ser.


C

Porque a causalidade é subjetiva.


D

Porque a conexão entre eventos é renovada a cada instante pelo divino.


E

Porque todo efeito sucede a sua causa.

De acordo com Marx, o que distingue o arquiteto da abelha é que o arquiteto planeja a sua atividade antes de executá-la. De acordo com a Ontologia do ser social, qual a categoria que explica esse momento de prévia ideação?


A

Alienação.


B

Exteriorização.


C

Objetivação.


D

Teleologia.


E

Ideação.

No que diz respeito ao estoicismo, considere as seguintes afirmações:

I. O bem moral é aquilo que incrementa o logos e o mal é aquilo que lhe causa dano.

II. A conduta moral não está associada à busca da apatia, da impassibilidade.

III. O homem deve viver de acordo com sua natureza.

IV. A vontade humana não deve se conformar à ordem divina.

Está correto somente o que se afirma em


A
II e IV.

B
I e II.

C
I e III.

D
III e IV.

Sobre um dos problemas centrais da Ontologia, marque a alternativa ERRADA:


A

O que é o ente enquanto ente?


B

O que é o ser do ente?


C

Por que o ente e não o nada?


D

Que significa ser?


E

Que é o conhecimento?

Conforme o lema “O agir segue o ser”, a conduta do indivíduo tem como fundamento ético

A
a regra de reação anárquica às repressões.

B
a soberania de sua vontade individual.

C
a resolução da assembleia a que ele pertence.

D
a dependência de sua qualidade ontológica.
 
 
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